CAPITULO 98 – AMABILIDADES
-Entendeu, Duran? – Gina perguntou pela milésima vez, encanando o menino que apenas concordou com a cabeça, escondendo um saquinho de veludo nas vestes – Não levante suspeitas sobre você e por nada nesse mundo conte ao meu irmão! É um segredo nosso, está bem?
O menino pareceu claramente em duvida sobe sua lealdade e Gina sorriu o mais doce que pode, para ludibriá-lo.
-Pense, menino, é para o bem de Hermione! Londres pode ser uma cidade muito fria! Ela espera um bebê. Queremos o melhor para ela não é?
Notando que o vencia, ela sorriu amplamente satisfeita com seu feito.
-Pronto, fique com uma das moedas para você, sim? E não esqueça: é um segredo!
Duran concordou e correu para pelo corredor quando foi chamado pelo guardinha do trem. Era um menino muito ativo, e estava adorando a experiência de viajar num trem caprichoso e luxuoso como aquele. Fizera amizade com todos os serviçais e aprendia o oficio com cada um deles, quando não estava ajudando o patrão com algum assunto, ou em sua cabine no fundo do trem, perto da cozinha, onde conseguia apanhar as sobras dos doces e das comidas, deleitando-se com tanto requinte.
-Segredo?
A voz de Harry quase a matou de susto. Culpada, tentou parecer o mais inocente possível ou virar-se:
-Harry, não o ouvi se aproximar!
-Sim, notei sua distração – ele disse com um olhar desconfiado, diante de sua falsa inocência – Ginevra, é melhor me contar o que esta aprontando!
-Desse modo me ofende, marido – ela fingiu susto, e tristeza, sorrindo a seguir, pois era claro que ele não acreditava – Por favor, marido, deixe-me com meus segredos tolos. Que não fazem mal a ninguém!
-Sou curioso sobre o que a faz ter interesse – ele disse pensativo, olhando para o corredor onde o menino estivera a pouco tempo – Porque não recorreu a mim?
-Não desejava cansá-lo com tolices! – disse sorrindo e se aproximando. – Não me permitira ter segredos, Harry?
-Infelizmente não – ele disse tímido, e desgostoso desse fato – Duran é apenas um menino, mas há muitos homens nesse trem que a olham de modo...era um bilhete que entregava a ele? Resposta a algum homem interessado em sua beleza?
Surpresa, Gina não soube o que responder.
-A convivência com meu irmão, esta o tornando um homem ciumento, Harry? – provocou, irritada com essa faceta nova do marido – Por favor, não ouse tentar me controlar ou controlar as coisas que faço!
Harry não respondeu, se afastando pelo corredor, talvez ofendido, ou apenas desconfiado de suas razões para não contar a ele seus segredos. Não era um homem cego, vira inúmeros cavalheiros, alguns casados e outros solteiros, olhando para ela com desejo e admiração!
-Harry, espere! – ela segurou-o triste por ser a causa de sofrimento no marido – Não achou um disparate meu irmão querer levar Hermione para o local onde morava quando solteiro? Você mesmo disse que era um lugar frio e horrendo! Um lugar para homens solteiros e livres! Não para uma mulher grávida e delicada! – Harry ergueu uma sobrancelha, ridicularizando o ‘delicada’. Hermione poderia ser mais firme que um homem acostumado com a guerra! – Sabe a que me refiro. Dei dinheiro para que Duran pague o dono do local para não recebê-los. E não me olhe desse modo! Meu irmão tem pouco dinheiro, terá que aceitar nossa hospitalidade por algum tempo! Não se zangue, mas não achei outro modo de...
-Preocupou-se em vão, minha querida – ele disse orgulhoso de suas boas intenções – Não permitirei que Rony tenha esse comportamento apenas por orgulho. – sorriu e piscou para ela – Acidentalmente, nossa carruagem irá quebrar bem diante da casa do conde.
-Oh, Harry! – ela riu – Somos muito malvados!
-Tem toda razão! – ele concordou buscando-a para um abraço apertado que faria muitas jovens casadas corarem!
-Devemos chegar a Londres dentro de poucas horas – Rony disse pensativo, enquanto comia um pedaço de carne, de seu almoço.
Hermione havia comido pouco, reclamando de indisposição. Não eram enjôos, mas o balanço constante do trem, ao fazer tantas curvas, a deixava indisposta, um tanto tonta e estafada. Sentada a seu lado, diante da mesa do almoço, ela arriscou uma mordida em um legume e achou que isso era mais aceitável que a carne que lhe embrulhava o estomago.
-Nossas malas estão prontas, preciso apenas trocar de roupas – ela disse calmamente, como vinha acontecendo desde a hora que acordara em seus braços, depois daquele amor terno e doce que experimentaram na noite passada. – Sinto dizer, mas não tenho roupas de frio. E a temperatura está caindo rapidamente!
-É verão, mesmo assim alguns dias são mais frescos. Compraremos o que for necessário quando chegarmos a Londres – ele garantiu um pouco incerto disso, pois tinha pouco dinheiro.
-Está mesmo convencido que seu antigo patrão o receberá de braços abertos, não é? – ela ironizou, pois também pensava na questão financeira dessa viagem.
-Sr. Loren sempre simpatizou comigo. É amigo do juiz Diggory, que tem uma divida de gratidão comigo.
-Não me diga que ele também tem uma filha para casar! – ela ironizou e ele riu, pois não era uma ofensa, era uma piada. Do jeito de Hermione, mas era uma piada.
-Não, ele só tem filhos homens. Um deles, o mais novo participou de um duelo há três anos atrás. O pobre menino mal sabia segurar uma arma, e me escolheu como padrinho. Era uma tragédia anunciada, pois o opositor é um militar de grande porte. Mestre nas armas. Restava a Diggory esperar receber o filho morte em casa, quando tive a idéia de duelar por ele. – ele sorriu a lembrança – o opositor, sempre foi um homem esquentado, que me tinha desafeto por causa de minha amizade com Harry. Foi preciso apenas algumas pequenas ofensas e ele ficou bem feliz em trocar o par de seu duelo!
-Participou de um duelo? – chocada, ela parou de comer.
-Não foi tão sério assim! Hermione, eu não tinha um bom nome a zelar, como Diggory. Paguei o lacaio de Malfoy para tirar as balas de sua arma, e propositalmente errei o tiro. Tudo não passou de uma grande armação vergonhosa para os dois lados. Como vê salvei o rabo do filho de Diggory...desculpe, salvei a vida do pequeno Simon – ele mudou as palavras quando a notou corar. – Está corada, Hermione? Sempre ouve palavrões dos empregados da fazenda!
-Sim, mas isso nunca quis dizer que não me envergonhava por presenciá-los – baixou os olhos, apenas para não vê-lo rir dela.
-Como dizia, Diggory ficará feliz em me ter de volta a firma de advocacia. E o Sr. Loren, sempre apreciou sua felicidade! – riu e ela não pode se furtar a dizer:
-Aprendeu mesmo a cuidar de si, estando sozinho, não é?
-Não me foi dada outra escolha – ele confessou – Um pouco de necessidade, outro pouco de desvio de conduta...e sou o que sou. Como sempre diz, um aproveitador.
-Acho que a palavra que melhor o define é ‘provocador’.
Uma senhora na mesa ao lado pareceu se engasgar ao ouvir uma esposa falar desse modo com seu marido.
-E posso saber por quê? – ele ficou curioso.
-é provocador o modo como desafia a sociedade com suas idéias inovadoras e sua conduta. Tem algo de calhorda em sua forma de pensar, mas suas atitudes sempre condizem com a moral e a dignidade. Você pega o que quer, mas não tira nada de ninguém. É um jogo dúbio.
-Talvez seja desse modo – ele concordou pensativo, tentando ignorar os engasgo da velha matrona da outra mesa, que os olhava como se visse fantasmas. – Peço apenas, que estando em Londres, guarde sua verdadeira opinião sobre as pessoas e suas atitudes para os locais privados, ou seremos linchados de Londres e teremos que voltar correndo para casa!
Ela sorriu, pois não falava a sério.
-apenas não tente chocar a todos, Hermione. Aprecio seu modo de pensar e me causa satisfação ouvi-la. Mas existem outras pessoas...- ele olhou de relance para a mulher, que ainda fitava Hermione com repreensão. - ...que podem se ofender. Em Londres as mulheres não usam armas, ou batem em homens, muito menos gritam com os maridos – ele avisou docemente, os olhos brilhando – Não atraia muita atenção sobre si mesma.
-Porque não? –estranhou.
-Com sua beleza, personalidade e um pai conde, corro o risco de ser tirado de cena em nome de algum nobre de berço, que fique irremediavelmente apaixonado por você! – ele foi sincero, mas ela achou se tratar de uma brincadeira, pois não via a si mesma desse modo.
-Não pretende travar novos duelos, não é? – sua súbita seriedade o fez sorrir, deduzindo o medo de perde-lo – afinal, isso também chamaria atenção desnecessária! – mudou o tom para que ele não achasse que se importava.
-Não, claro que não. Meu tempo de farra acabou. Agora sou marido e pai. Não posso me dar ao luxo de ser inconseqüente. – satirizou.
-Irritante – ela reclamou, pois reconhecia o deboche em sua voz.
-Prometo ser um cordeiro, Hermione – ele disse mais serio agora e ela concordou, afastando o olhar.
-Não tenho duvidas quanto a isso, esposo – debochou também.
Rony riu enquanto a incentivava a comer um pouco dos legumes.
-Gina me disse que está preocupada com o lugar onde moraremos – ela comentou banalmente, por mais que não admitisse, confiava nele e em seu julgamento – tem medo que me leve para algum hotel de solteiros. Segundo ela, um lugar não apropriado a uma dama.
-Digo certas coisas para Gina, apenas pelo prazer de vê-la indignada – ele confidenciou – Minha irmã é muito tola e infantil. E o pior disso, é que faz Harry agir do mesmo modo que ela – Hermione e ele trocaram um sorriso cúmplice, pois isso era mesmo verdade e ela também já notara o fato – Gosto de dizer coisas que a faça ter no que pensar. Alugarei uma casa para nós. Algo modesto, mas confortável e apresentável. Não se preocupe quanto a isso.
-Pensei que desejasse hospedar-se com o conde - ela ficou surpresa. – Ou com Harry.
-Harry e Gina terão bastante problemas para se adaptarem a nova vida. Seriamos um peso. Além disso, não estou certo se posso conter meu ciúme. – foi sincero – quanto ao conde, não é uma visita de cortesia, não estamos aqui para manter contatos, estamos aqui para resolver meu problema e me livrar da cadeia – havia um pouco de amargor em sua voz – visitaremos o conde se for seu desejo, mas não seremos seus hospedes.
-Porque não? Desculpe, se insisto, mas você é um boa vida nato.
-Meu Deus, que boa idéia faz de mim Hermione! – ele riu com gosto, mesmo que a senhora da outra mesa tenha se engasgado novamente. – Não esqueço que seu pai sentiu-se no direito de interferir em nosso casamento quando achou que a maltratava. E temos momentos de desacordo em nosso casamento, e não poderei permitir que por estar em sua casa, ele ache que pode agir desse modo novamente!
-Mas, Rony, estamos...- ia dizer que estavam de bem, mas se conteve – estamos mantendo a cordialidade entre nós.
-Mas quem garante quanto tempo durará? – ele brincou, com um fundo de verdade.
-Tem razão – ela teve que concordar, envergonhada.
-De qualquer forma será bom termos um lugar só nosso. Uma casa que possa cuidar do seu jeito, Hermione. Passarei o dia ocupado com os processos e não poderei lhe dar atenção.
-E desde quando isso me incomoda?
Havia uma nota de desafio em sua voz que o fez sentir o coração acelerar.
-Prometo não estar cansado demais a noite – ele rebateu, causando mais um engasgo na falsa carola da outra mesa.
-Sinto apenas não ter trazido alguns livros -ela lamentou.
-Trouxe material para bordar, não trouxe? Então capriche no enxoval do nosso filho – disse machista.
-Arrumarei o que falta para a viagem – ela disse contrariada pelo seu comentário.
Pretendia levantar, mas ele tocou sua mão, mantendo-a no lugar.
-Desculpe, não desejava ser grosseiro.
-É um homem machista – acusou.
-Sou, mas estou tentando me flexibilizar, desde que me casei com a mulher mais determinada e independente da face da terra. Tente entender que também é difícil para mim. E por favor, termine seu almoço.
-Espero não ser sempre eu a ceder – era um aviso, mas ela voltou a comer.
Dessa vez a paz se estabeleceu antes da guerra, e Rony tinha consciência do esforço que Hermione fazia para se adaptar aquela situação. Irem a Londres a assustava e arrancava dela todas as suas convicções e sonhos. Estava longe de casa e sentia medo.
Fazia muito tempo, mas ele ainda lembrava desse sentimento, quando se vira sozinho em Londres, sem os pais, naquela escola interna.
Num gesto de carinho, chocante para a época, ele segurou sua mão e beijou. Hermione sorriu desafiadora e ele beijou novamente, antes de solta-la.
Na mesa ao lado, a velha matrona, levantou-se indignada e deixou o vagão.
E nem Rony, e nem Hermione, sentiram sua falta!
AUTORA: nessa fase e no inicio da fase seguinte cada detalhe é importante, pois a historia sofre alguns ganchos!
Recadinhos:
*Bruna, não recebi seu email. Snif....
*Andréia, eu recebi o seu email direitinho! Menina, eu vou começar a baixar isso hoje mesmo!!!! Amo d+ tudo que saia sobre esse livro! Concordo com você, que nada vai chegar perto da perfeição do filmes, mas isso é culpa dos dois atores que foram maravilhosos!!!! Heheh...
*Mi: não suporto mais betar, se você quiser eu mando os capítulos novos, mas volta a betar em dia...por favor...por favor...por favor...eu odeio betar. Eu odeio betar, eu odeio betar...snif, snif,snif.............................. (abri o maior berreiro).
Beijos