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9. Pânico


Fic: In Aeternum


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Capítulo 9- Pânico


-Ronald Weasley-


O dia passou tão rápido que Rony tivera a impressão que alguém havia o programado para acabar em um intervalo menor de tempo. Ele e Hermione mal haviam se falado e ele sentia uma sensação estranha se apoderar dele enquanto olhava a garota ajudar Molly Weasley a enfeitar o bolo de Harry. Naquele momento ela estava sorrindo, mas o ruivo tinha a nítida impressão de que ela poderia estar magoada com ele.


Desde a conversa sobre o que Harry havia ganho de presente de Gina, ele e Hermione não haviam mais ficado a sós. Após o breve café da manhã, a Sra. Weasley passara tantas responsabilidades para as costas deles que nem Hermione, Gina, Harry ou ele mesmo pareciam capazes de arranjar tempo para conversar. O almoço fora rápido e logo sua mãe já tirara a mesa e designara novas tarefas para todos.


No final de tarde Fleur chegara, um sorriso estampado no rosto, vestindo uma roupa simples para a ocasião, mas que mesmo assim realçava sua beleza.


- Andrrrômeda falou para Gui que não irá se demorrrar.- ela procurou Harry com os olhos, mas o garoto não estava na cozinha.- Ela ficou sem grrraça ao receber o canvite. Certamente acha que foi canvidade apenas porrr cause do pequeni Teddy.


- Bom... acredito que Harry sinta-se até hoje muito grato por tudo que ela e o marido fizeram.- a voz de Hermione sobressaltou Rony.


Fleur sorriu brevemente para Hermione e se juntou à ela e a Sra. Weasley, admirando o bolo que estava recebendo os últimos toques da cobertura.


Rony arriscou um olhar para Hermione e sorriu. A garota o encarou de volta, seus lábios não esboçaram sorriso algum, seu lábio inferior apenas se curvou levemente para frente, esboçando um beicinho. Rony teve que se conter para não rir, mas logo percebeu que não se tratava de uma brincadeira de Hermione para chamar sua atenção. Ela estava nitidamente magoada com alguma coisa. Não parecia ser realmente a Hermione que ele conhecia, fazendo aquela careta forçada de mágoa.


Ele abaixou os olhos apenas por um momento, terminando de dobrar os guardanapos da forma que sua mãe pedira. Quando levantou os olhos para o bolo, Hermione não estava mais lá. A porta dos fundos estava aberta e antes que alguém pudesse impedi-lo, ele saiu por ela.


A primeira visão que teve foi Harry com a nova coruja de estimação pousada em seu braço estendido. Aproximou-se do amigo enquanto lançava olhares furtivos para os lados, mas Hermione não estava em lugar algum.


- Ele ainda não confia muito bem. Na verdade, acho que é uma "ela"... segundo Gina...


Rony parou ao lado do amigo e mirou a coruja. Não era branca como Edwiges, mas tinha uma coloração clara, lembrando muito a luz fraca de um nascer de sol.


- Você já escolheu o nome?- Rony mirou os olhos do amigo, que estavam perdidos no horizonte. Repentinamente não lhe pareceu uma boa idéia ter dado a coruja para o garoto, aquilo certamente lhe traria lembranças.


- Gina escolheu.- os lábios de Harry se curvaram, como se ele tentasse esconder um sorriso.


- Gina tem esse péssimo hábito de nomear os animais de estimação alheios.


- Não. Eu gostei.- Harry impulsionou o braço levemente e o bichinho, que não parecia mais do que um filhote, alçou vôo, sobrevoando a cabeça dos dois e passeando próximo ao telhado da Toca, enquanto os dois garotos olhavam.- Hope...


- Desculpe?


- O nome da coruja. Hope.


Rony não conteve uma risada.


- Sério? Hope? Você quer dizer, esperança?


- É.- Harry deu de ombros.- Na verdade não consegui pensar em nada melhor. E se você olhar com atenção, ela passa uma sensação de calmaria.


Harry acompanhou a risada de Rony e os dois observaram Hope voltar voando em direção à eles, pousando cuidadosamente no ombro de Harry.


- Estamos começando a nos entender.- o garoto acariciou a lateral da coruja com o nó dos dedos e tirou do bolso alguns petiços e colocou próximo ao seu bico. Rony reparou que ele tinha lágrimas nos olhos.- Eram os favoritos da Edwiges...


Rony desviou o olhar, sabia que o amigo deveria estar pensando em como fora a morte de sua companheira de tantos anos, a coruja que nunca havia deixado de entregar uma carta quando isso lhe fora solicitado.


- Bom...- Harry virava-se em direção a porta. Vou levá-la para dentro e me trocar. Colocar uma roupa decente para o jantar.


Ele sorriu para Rony. O garoto o encarou e assentiu com a cabeça.


- Ahn... você viu a Mione?


Harry tinha um sorriso torto no rosto quando respondeu.


- Ela e Gina sumiram há algum tempo.- ele indicou com a cabeça para onde tinham ido, o local próximo onde as mesas seriam postas para o jantar.


- Hum, certo.


Harry saiu levando a coruja, que fazia leves barulinhos imitando um pio. Rony olhou para onde o amigo apontara, nem sinal de Gina ou de Hermione.


Ele bufou, impaciente. Como as mulheres pretendiam ser entendidas se nem ao menos davam essa chance aos homens?


Ele moveu a cabeça na tentativa de obter um maior campo de visão, mas não as encontrou. Hermione estava magoada por algum motivo. Ele sabia disso. Mas obviamente, preferira procurar Gina ao invés de falar com ele.


Ele saiu, pisando duro, em direção a casa, pensando ir até o quarto e trocar de roupa para esperar os convidados de Harry. Assim que chegou ao seu quarto e separou a roupa para que pudesse vesti-la após o banho, uma memória o invadiu.


Ele havia combinado de ir com Hermione até seus pais, buscar os restos do material da garota e para que ela pudesse se despedir deles antes de voltar à escola. Culpando-se mentalmente por não ter lembrando disso antes, começou a separar uma muda de roupas limpas, não sabia quanto tempo Hermione iria querer ficar com os pais.


Parou durante o movimento de enrolar um par de meias e colocá-los na mochila. Naquele momento, ficou completamente consciente de que iria para a casa de Hermione, conhecer oficialmente os pais dela. Oficialmente, óbvio, já os conhecia, mas como seria apresentado agora? Nunca trocara mais do que uma ou três palavras com os Granger. E se Hermione o apresentasse como namorado?


Ele jogou-se na cama, ainda segurando as meias, fitando o nada. Permaneceu sentado ali longos minutos, querendo entender o que aquilo poderia significar. Ele era assim, e culpava-se por isso: impulsivo demais. Quando combinara de ir com Hermione não havia pensado com calma em todas as conseqüências da decisão.


A voz de Harry pareceu vir de muito longe.


- Acho que escutei a voz de Hagrid!- por um instante ele olhou para Rony.- O que há de errado com você?


Rony sentia a boca seca. Colocou lentamente o resto de roupas que havia separado na mochila e segurou a muda limpa que pretendia vestir á noite.


- Harry... eu sou um idiota.


- Hum... qual é a novidade?- Harry riu e fitou o amigo.


- Estou falando sério!- o amigo olhou severamente para cima, encarando-o.


- Do que você está falando?


- Eu vou ir com a Mione... ela quer- Rony engoliu em seco.-... ela quer se despedir dos pais antes de voltar à Hogwarts.


- Hum, entendi.- mas Harry ainda tinha o cenho franzido.- E por que exatamente você se considera um idiota...?


Mas o olhar de Harry repentinamente se perdeu, encarando o nada. Uma risada escapou de seus lábios antes que pudesse contê-la e ele se sentou ao lado de Rony.


- Não me diga que você está pensando em dar pra trás?


- Não!- Rony quase se sentiu ofendido.- Claro que não...


- Mas então... esse medo todo é o que...?


- Não é medo, é só que...


Rony sentiu como se seu coração estivesse batendo em um ritmo errado, parecia querer sair de seu peito.


- Rony...acho que você já passou dessa fase. Você sabe o que há entre vocês dois. Não tem porque você...


- Então é isso, não é?- Rony levantou-se de um salto, sua voz parecia levemente mais fina.- Eu e a Mione... quer dizer, nós...


Harry não estava mais rindo. Colocou-se ao lado do amigo e lhe deu breves tapinhas no ombro.


- Acho que sim, Rony. Você mesmo já sabe disso.


Rony não queria pronunciar em voz alta tudo que estava pensando. Por que de repente aquela sensação estranha se apoderara dele ao pensar que Hermione era algo mais do que uma amiga? Como Harry mesmo dissera, ele já devia saber disso. Tudo que haviam passado juntos, considerando os últimos dias. Não havia outra palavra para aquilo, obviamente eles tinham um compromisso. Ele só era muito covarde para tornar aquilo real colocando em palavras perante a própria Hermione.


- Ora, Rony...- Harry já desistira de tentar entender o amigo e agora achatava o próprio cabelo para baixo, perante o espelho.- Você namorou a Lilá durante o nosso sexto ano mais tempo do que todos nós gostaríamos e até ganhou aquele colar ridículo e agora...


- É diferente agora.- Rony virou-se para Harry, bruscamente. O amigo se assustou e instintivamente deu dois passos para trás.- É a Mione, Harry...a Mione...


Os olhos azuis de Rony se arregalaram e ele apressou-se para o espelho empurrando Harry para o lado. O amigo parecia achar que ele estava ficando maluco.


- A Mione...- ele repetia mais para si mesmo do que para Harry.


Harry tocou levemente o ombro de Rony e aproximou-se dele como se tivesse medo que o amigo entrasse em surto.


- Sim, Rony. Você e a Mione estão juntos. E sim- ele falava como se contasse algo para uma criança iletrada.- eu acho que ela sabe que vocês estão juntos. Então, meu amigo- Harry sorriu levemente- encare a situação de frente.


Rony riu nervosamente e abaixou os olhos. Harry pareceu pensar que já era seguro se mover e migrou para a porta. Rony sentiu-se inflado de coragem ao saber que os olhos azuis de Harry não poderia ver que ele estava muito vermelho agora.


- E se eu estragar tudo, Harry? Como eu sempre fiz com ela...?


Parecia que suplicava para que Harry o ajudasse. O garoto tinha vontade de rir da situação, como ele podia ser tão Rony num assunto desses? Harry virou-se apenas para que o amigo não achasse que ele havia escutado, mas não o mirou nos olhos para que não ficasse nervoso.


- Acho que pela primeira vez na sua vida, Rony... você está fazendo algo certo em relação à Hermione.


E Rony sabia, sabia do que ele estava falando! Harry estava se referindo a todas as brigas que havia tido com a garota, todo o ciúme seguido de explosões de fúria, todo o tempo que haviam ficado sem se falar por besteiras. Ao lembrar de Lilá, seu estômago pareceu afundar e chegar à cozinha antes de Harry, que agora já saíra do quarto e o deixara com seus pensamentos. Como podia ter errado tanto com Hermione durante todos aqueles anos? Será que poderia reparar tudo que havia feito?


Uma luz pareceu se acender dentro se sua cabeça, enquanto ele migrava para o banheiro, pensando que talvez um demorado banho o trouxesse de volta à realidade. Seria esse o motivo de Hermione estar provavelmente magoada? Afinal, não haviam se falado o dia inteiro. Ela certamente estava sentida com isso, porque procurara Gina e não ele.


Precisava fazer algo, não podia deixar que a garota se sentisse indecisa, como se fosse apenas alguém com quem ele trocasse beijos ocasionais. Afinal, havia sido muito mais do que simples beijos.


Sua barriga pareceu afundar mais ainda ao se lembrar dos momentos que haviam partilhado nos últimos dias na Toca. Ele nunca havia se sentido assim. Saber que era correspondido era mais do que maravilhoso, era perfeito. Ainda parecia tão surreal. Saber o que ele sentia por ela, e saber que ela também nutria sentimentos por ele.


O que ele precisava naquele momento era coragem para nomear esse sentimento, e admitir para si mesmo que estava na hora de dar um passo à frente.


- Hermione Granger-


Flashback


Claro, como se já não bastasse o fã clube dele, Vítor Krum agora resolvera que só porque haviam trocado algumas palavras no outro dia, ele podia vir se sentar com ela na mesa da biblioteca?


Todos os dias que ela estivera lá, ele estava lá. Sempre lhe dirigia um "oi" com um sotaque forçado e ela respondia apenas por educação. Ele poderia realmente ser um garoto legal, mas a chegada dele à biblioteca era sempre seguida do irritante barulho de todas aquelas garotas.


Ele se sentou na cadeira diante dela, parecendo levemente nervoso.


- Se importa?


- Claro que não.- Hermione tentou lhe dirigir um sorriso, mas só o que conseguiu foi uma careta. Precisa terminar aquela pesquisa.


Ela rabiscava rapidamente num pergaminho os dados de que precisava e ele apenas a observava. Começou a ficar nervosa e resolveu erguer os olhos, ele não a fitava, parecia estar olhando para cima de sua cabeça.


Krum pareceu perceber que ela parara de escrever e arriscou encará-la.


- Dever de casa?- a voz dele parecia forçada e ela não pôde conter uma leve risada.


- Ah, é... em parte.


- Hum... é que reparei que focê não vem apenas para o dever de casa. Focê estava ajudando o Potter, outro dia.


Hermione sentiu o rosto corar, não sabia o que outras pessoas pensariam de alguém de fora do torneio ajudar um dos campeões.


- Ah, é... sim, é que... Harry é um grande amigo e...


- Sim...- Krum a encarou e esboçou um sorriso, parecia estar aos poucos perdendo o semblante carrancudo habitual.- Percebi que são amigos.


Hermione não pôde pensar em uma resposta adequada e voltou a escrever. Sentiu que Krum se mexia desconfortavelmente na cadeira, e começou a se sentir incomodada. Por que ele estava ali com ela se não estava lendo nada? Deveriam haver outras mesas vagas na biblioteca e...


- Focê já tem companhia parrra o baile?


Hermione sentiu que a pena escorregara uns bons três centímetros, deixando um rastro de tinta errôneo em suas anotações.


- Desculpe... como é?


- O baile. Focê vai?- Krum logo desviou os olhos da garota, olhando para as próprias mãos abaixo da mesa.


- Ah, bom...- Hermione sentiu que deveria estar muito corada. Não sabia o que responder.- E-eu não tenho com quem ir e não estou pensando em aparecer lá sozinha então...


- Gostarrria de ir comigo?- nesse momento ele levantou os olhos e a mirou, Hermione sentiu que perdera o ar. Não o achava realmente bonito, então porque suas pernas estavam anestesiadas perante o convite inesperado?


Sentiu que respirava rápido. Vítor Krum, o famoso jogador de quadribol estava nervoso perante ela, a convidando para o baile! Ela não soube explicar porque se sentiu tão lisonjeada, até sentiu que sua auto-estima havia aumentado, apenas por ter os olhos dele nos dela, a encarando de um jeito misterioso.


Não se interessava por ele por ele ser famoso. Realmente nunca pensara nele como um provável par para o baile.


Sentiu um gelo descer pela sua garganta. Claro que não pensara. Não era por causa do Krum. Mesmo que qualquer garoto a convidasse ela diria que não. No fundo de seu pensamento, uma pequena luzinha brilhava insistentemente, a incomodando mais do que chamando realmente a atenção. Mas Rony nunca a chamaria para o baile.


Xingou-se mentalmente. Por que estava pensando em Rony? Quase sacudiu a cabeça para tirar aquelas cabelos ruivos de seu pensamento.


- Ah, eu... vou pensar.- ela sorriu sinceramente para ele. Não pôde dizer "sim" de cara, por mais que uma voz gritasse na sua cabeça que Ronald Weasley jamais cogitaria a hipótese de ir com ela ao baile.


- Ok, tuto bem.- Krum respondeu ao sorriso, nervoso.


- Hermione, oi!- Gina aproximou-se da mesa que os dois estavam.


Krum lançou um olhar surpreso para a ruiva, como que se tentando assimilar o nome de Hermione que acabara de ser pronunciado por ela.


- Até mais.- sem dizer mais nada, o búlgaro se levantou e saiu da biblioteca com os ombros curvados.


Gina corou até combinar com seus cabelos e murchou um pouco por detrás do livro que carregava.


- E-eu, desculpa Mione é que...


- Não, Gina. Tudo bem. Estávamos só conversando.- Hermione juntou as folhas que estavam espalhadas diante de si e fechou com um estrondo o livro que pesquisava.


- Você e Vítor Krum?


- Aham.- Hermione tentou desviar o olhar para uma das grandes janelas da biblioteca.- Ele me convidou para ir ao baile com ele.


Ela tentou soar casual, mas não conseguiu. Gina levou a mão a boca e fez cara de espanto, sem emitir som algum


Hermione viu que Madame Pince as encarava, como que querendo fuzilar Hermione com os olhos, já que a garota não parara de conversar até então.


- Vamos sair daqui.- ela segurou o pulso de Gina que parecia ainda levemente atordoada e as duas saíra.


Gina bombardeou Hermione de perguntas. Queria saber como que Krum poderia ter convidado a amiga para o baile, a resposta que ela dera.


- Eu disse que iria pensar.- as duas estavam chegando à passagem do retrato da mulher gorda.


- Pensar...?- Gina olhou de um jeito estranho para Hermione. A garota desviou o olhar, havia muito de um jeito "Weasley" no modo como Gina a olhava.


- Sim.- ela sentiu que corou.- Eu...ahn...


- Hermione...- Gina abaixou o tom de voz enquanto a mulher gorda reclamava que as duas deveriam estar dizendo a senha, e não deixá-la esperando ali. O fato é que não queriam ser engolfadas pela confusão característica da sala comunal, onde não poderiam conversar em paz.- Você está pensando em ir com quem?


Hermione virou o rosto tão rapidamente para Gina que parecia que havia sido atraído magneticamente.


- Do que você está falando, Gina? Não estou pensando em ir com ninguém eu só...claro que quero ir ao baile mas....


Mas Hermione não continuou a falar e deu a senha para que a passagem do retrato se abrissem. Assim que as conversas chegaram aos seus ouvidos, ela deu um jeito de fugir de Gina por alguns instantes, não querendo mais ser questionada.


Gina sabia que não precisava perguntar mais nada. Ela entendia perfeitamente bem a culpa que seu próprio irmão tinha em todas as dúvidas que passavam pela cabeça de Hermione Granger agora.


(...)


Parecia que tudo acontecera muito depressa. Fred e Jorge haviam questionado Rony se ele e Harry já tinham par para o baile, ela sentiu que havia segurado a respiração naquele momento. Se o garoto tivesse um par ela saberia, não? Mesmo assim, expirou com alívio quando ouviu o "não" da boca do ruivo. Depois movimentos passaram como um borrão perante ela, sentia seu corpo todo quente, parecia que iria acontecer algo. Os gêmeos haviam mencionado que eles precisavam encontrar um par para o baile logo, Fred havia convidado Angelina na frente de todos que estavam ali, e Rony ainda parecia não notar que a garota estava sentada ao seu lado.


- A gente devia começar a se mexer, sabe...convidar alguém.- Hermione sentia seu coração batendo forte, parecia incapaz de conter tudo que estava se passando dentro dela e teve medo que os garotos pudessem perceber.- Ele tem razão. Não queremos acabar com um par de trasgos.


Ela não pôde conter sua indignação e soltou uma exclamação.


- Com licença... um par de quê?- era isso então, Rony nem cogitara a hipótese de convidar sua amiga, que estava sentada bem debaixo do seu nariz. Seu maior medo no momento era ir ao baile com uma garota feia.


- Bom...sabe...eu prefiro ir sozinho do que com...com Heloísa Midgeon, digamos.


Hermione sentiu a raiva subir, aflorar pelos seus poros. Não parecia mais capaz de conter tudo aquilo dentro de si.


- A acne dela melhorou à beça ultimamente, e ela é bem legal!- não conseguia pensar em mais nada para dizer. Estava se sentindo realmente ofendida. Precisava defender Heloísa porque sentia-se pessoalmente atingida com a crítica. Era por isso que ele não a convidava então? Por que ela era feia como ele achava que Heloísa era?


Hermione sentiu que poderia sucumbir as lágrimas se ficasse ali. Ronald Weasley não só não pensava em chamá-la como par, mas principalmente, não a chamava por que ela era o que ele mesmo havia dito, um trasgo.


- Tem o nariz fora de esquadro.- ele continuava a falar e ela não podia acreditar que ele ainda tivesse coragem de continuar ofendendo ela tanto assim. O caso é que ela que estava se sentindo ofendida, ele provavelmente não sabia do que estava falando. Mas aquilo não interessava! Ele que pensasse mais antes de sair falando coisas absurdas como aquela!


- Ah, entendo. Então, basicamente- ela teve que tomar ar para não explodir com o garoto, odiando cada fio ruivo que apontava na direção errada- você vai levar a garota mais bonita que aceitar você, mesmo que ela seja completamente intragável?


- Hum... é, é por aí.- foi apenas o que ele respondeu.


- Eu vou dormir.


Não disse mais nada. Mal tinha consciência que Harry assistira a tudo aquilo calado. Não se importava. Não se importava mesmo que Harry percebesse o quanto ela havia ficado ofendida. Afinal, acabara de descobrir que para Rony, a garota poderia ser uma completa burra, desde que soubesse se equilibrar em cima de um salto e manter o cabelo comportado.


Nem percebeu que já estava no dormitório. Bufava impacientemente, o pensamento de que deveria ter dito "sim" ao convite de Krum não saía de sua mente. De que adiantava ela ser inteligente e dedicar-se nos estudos se não era bonita? Rony mesmo havia dito, e ela sabia que a maioria dos garotos pensava assim, de que adiantava? Jogou-se na cama sentindo lágrimas quentes percorrerem sua bochecha, não queria dividir o que estava sentindo com ninguém. Tudo que havia escutado do ruivo naquele ano bastava, ela não precisava escutar mais.


Não precisava que jogassem na sua cara que "não se faziam garotas como Fleur em Hogwarts" ou que "um par para o baile pode ser intragável desde que seja bonito".


Se ele não a achava bonita, ela iria ao baile com alguém que achasse. Admirou seu reflexo no espelho sem se levantar, querendo apenas ver o efeito de seus olhos vermelhos no seu rosto agora marcado e cabelos desarrumados. Sentiu-se como a garota mais feia da face da Terra. Mas como podia esperar que Rony soubesse que havia a ofendido tanto? Ele não sabia o que ela sentia! Começou a se culpar no momento em que esses pensamentos a tomaram, ele não precisava ser grosso assim com ninguém.


Olhou para o teto contendo novas lágrimas que se formavam. Iria ao baile com Vítor Krum. Faria o melhor penteado, a melhor maquiagem, nem que demorasse horas para isso. Sabia que estava sendo completamente infantil. Se Rony não repara nela todos aqueles anos, obviamente não saberia a diferença entre seu vestido de baile cuidadosamente escolhido e as vestes de Hogwarts. Mas ela não soube porque, aquela idéia a fez sentir uma pontinha de felicidade. Desejava mais que tudo ver a cara de Rony no dia do baile, será que seria diferente? Será que ela conseguiria vingar toda aquela raiva que estava sentindo?


(...)


Não fora difícil encontrar Krum. Ele estava sempre rondando na biblioteca agora. Também não fora difícil dizer que havia decidido ir com ele ao baile. Difícil fora manter os nervos sob controle enquanto ele lhe dirigiu um sorriso cheio de significados. Não sabia direito se estava fazendo a coisa certa, mas que opção tinha? Precisa ir para o baile. Precisava provar para si mesma que era capaz.


- Ei, Mione. Você tem par para o baile?- ela arregalou os olhos para Neville. Quando Krum havia a convidado ela já havia achado um absurdo, mas Neville! Porém, nesse convite, não havia nenhum constrangimento. Neville não estava nem um pouco envergonhado, mas falava aquilo como se quisesse se desculpar.


- Ah, Neville. Sinto muito.- ela sorriu para o amigo.- Eu já tenho par.


Ele franziu as sobrancelhas para ela, dando de ombros.


- Ok, então.


Ela sentiu-se completamente estranha ao dizer aquilo. Falar para outra pessoa que tinha par tornava aquilo mais real. Gina que estava próxima aos dois, sentada em uma poltrona, sorriu abertamente para Hermione entendendo quem seria o par da amiga.


Neville olhou para Gina e se sentou ao lado dela.


- Ah, animação Neville! Olha o meu caso, por exemplo, não posso ir ao baile a não ser que outro aluno mais velho me convide.


- Hum, você pode ir comigo então!- Neville sorriu abertamente para a garota, parecendo felicíssimo de saber que não precisaria ir sozinho.


Hermione viu que Gina parecia ponderar a situação. Neville era seu amigo, pela falta de constrangimento nos dois convites que fizera, não estava interessado em nenhuma garota, apenas queria um par para não aparecer sozinho. Gina sabia que jamais seria convidada por quem realmente queria...


- Ok!- após passado o susto, ela sorriu para o amigo que parecia sinceramente feliz.


Ele se levantou e saiu, parecendo mais tranqüilo após ter confirmado alguém para lhe fazer companhia na festa tão esperada.


- Você disse que sim!- Gina olhou aturdida para Hermione.


- E você também...


- Ah, mas para mim não significa nada, você sabe...- ela suspirou demoradamente. – É o único jeito de eu ir....


- Gina...


- Está tudo bem Mione, sério. Você vai com o Krum!- a garota tentou desviar o assunto, mas Hermione lhe lançava olhares ansiosos.


- Gina você....


- Mione, eu não me iludo a respeito disso OK. Sei que Harry jamais me convidaria...


- Acho que você está certa em ir com Neville.- Hermione não persistiu nas perguntas, querendo deixar a amiga a vontade.- Seguir com a sua vida, sabe.


- Seguir com a minha vida?- Gina olhou curiosa para a amiga.


- Você não pode ficar esperando o Harry se dar conta de que você não é só uma garotinha, irmã do seu melhor amigo, não é?


Gina corou, mas Mione não poupou as palavras.


- Você é uma garota muito inteligente, Gina. E bonita. Se Neville não a tivesse convidado aposto que qualquer outro garoto teria ficado muito feliz em...


- Obrigada, Mione.- ela sorriu tristemente para a garota.- E você, então... também está seguindo com a sua vida, não é?


Gina aproximou-se mais da amiga, sorrindo nervosamente. Não queria que Hermione se ofendesse.


- Indo com o Krum.


- O que você está querendo dizer?- Hermione sentiu o rosto corar, observou enquanto Gina se levantava.


- Nada.- e ela saiu de perto de Hermione, migrando para o dormitório. Deixou Hermione completamente perdida em pensamentos. Claro que Gina sabia o que ela sentia. Harry provavelmente também sabia. Será que só Rony era tão cego para não perceber isso?


(...)


- Encontro vocês na hora do jantar!


Antes que Hermione pudesse conter o amigo ele já saíra. Ela não queria ficar sozinha com Rony, não sabia se poderia controlar a raiva que sentia. Sabia que Harry iria convidar Cho, e tentou concentrar seus pensamentos em como o amigo ficaria feliz se conseguisse ter a garota como par.


Ela terminou de guardar seu material e migrou para a saída da masmorra. Infelizmente, para sua surpresa, Rony já estava bem atrás.


- Ótimo, vou ser o único sem par.


- Se você fosse um pouco mais humilde com suas opiniões, certamente encontraria uma garota que quisesse ir com você.- subiu a escada rapidamente, evitando olhar para trás. Rony ficou parado algum tempo, mas logo estava atrás dela.


"O que ela quis dizer com isso?"


- Humilde? O que isso tem a ver...?- Rony agora tentava forçar a garota a encará-lo, num hábito irritante que ele tinha, de olhar nos olhos dela enquanto ela tentava se afastar.


- Esquece, Ronald.- Hermione fingiu estar procurando algo em sua mochila.- Afinal, você mesmo disse que não há garotas bonitas em Hogwarts, não é? Então, certamente as suas opções serão os tais trasgos que você....


- Do que você está falando, Hermione? Você pode parar de gritar comigo por um instante?


Eles já estavam quase chegando ao saguão. Hermione não estava mais conseguindo conter as palavras. Agora que Harry não estava ali para presenciar, ela parecia sentir menos vergonha de falar para Rony o que estava pensando.


- Acho melhor você se apressar e convidar logo uma garota superficial-bonita-burra, talvez de outra escola, uma das nossas hóspedes- sabia que estava sendo realmente irônica, debochando assim dele.


Rony sentiu o sangue ferver, Hermione o mirava com um olhar que lembrava muito o de Molly Weasley.


- É isso mesmo que eu vou fazer.- ele quase gritou. Hermione virou as costas e rapidamente se afastou dele, quase esbarrando em Neville.


Ele ficou ali parado, sem entender o porquê de toda aquela discussão. Respirava em fortes arquejos, olhando para os lados como se um provável par para o baile fosse aparecer do nada.


- Olha só quem fala...se apressar para arranjar um par. Ela vai é ficar sozinha no dormitório no dia do baile, isso sim.


Neville estava o mirando, aturdido. Rony o encarou, como se pedisse uma resposta.


- Hum... você sabe com quem ela vai, então?


- Quem?


- Hermione.- Neville respondeu com olhar de assombro.- Você acabou de debochar do par dela dizendo que ela vai acabar não indo ao baile e...


- Neville... o que você acabou de falar?- não se importava em entender o que estava se passando com ele, não queria realmente saber porque a necessidade de saber se Hermione tinha mesmo um par para o baile.


- Bom, eu convidei ela, sabe. Hermione.- falou para um Rony boquiaberto, que fazia cara de quem havia desaprendido o idioma pátria.- Ela é legal... sempre me ajudou muito com os estudos.


Rony ainda parecia uma estátua, encarando o amigo.


-...e ela falou que já estava indo com alguém...


Rony se mexeu desconfortável. Não queria falar na cara de Neville, mas certamente a garota dissera aquilo apenas para não ter que ir com ele. Ou será? Mas ele não deixou essa alternativa chegar ao seu consciente, Hermione estava mentindo. Tinha que estar mentindo. Ela não tinha um par... ou tinha?


Começou a ficar tonto, tamanha era a velocidade do seu raciocínio. Mal percebeu as risadas forçadas próximos a eles, enquanto ele e Neville seguiam seu caminho, mas no instante seguinte, pareceu ter seu olhar atraído para o lugar de onde vinham.


Fleur estava sacudindo os cabelos enquanto falava com Diggory. O garoto parecia levemente constrangido e atordoado, e fazia sinais com a cabeça para a garota, o sorriso no rosto de Fleur pareceu morrer um pouco.


Rony mal sentiu que seus pés haviam saído do lugar. Só havia Fleur em todo o saguão. Parecia que uma luz estava sobre ela. Ele não percebeu que já estava tão perto. Sua voz parecia não pertencer ao seu corpo. Haviam muitas pessoas ao seu redor, todos o encaravam, enquanto ele sentiu as palavras pularem para fora de sua boca.


- Você quer ir ao baile comigo?- não era sua voz, definitivamente não saíra de sua boca. Parecia que Fleur havia tentado lançar um feitiço em Diggory, e Rony havia sido atingido.


Fleur o olhou como se ele fosse um verme que seria facilmente achatado debaixo do seu sapato. Permaneceu calada olhando para ele, mas parecia ciente de que o que esperara obter de Diggory, havia vindo de outro lugar.


Quando um minuto se passou, sem que ninguém falasse nada, Rony pareceu se dar conta de onde estava. Seus olhos se arregalaram e ele correu, querendo sair o mais rápido que pudesse dali. Por que havia feito aquilo? O que o levara a convidá-la?


(...)


O susto de ter convidado Fleur para ir ao baile perante um grande número de alunos, estava aos poucos se desfazendo, enquanto Rony conversava com Harry.


- Isso é uma piração, somos os únicos que não têm ninguém, bem, tirando o Neville. Ei, adivinha quem ele convidou? Mione!


Falara aquilo quase rindo. Precisa da confirmação de alguém que não era apenas ele que achava uma verdadeira loucura Hermione ir ao baile. Queria que Harry risse junto com ele e dissesse que também não acreditava que a garota iria.


- Quê?


- É, eu sei!- Rony senti-se feliz agora, por ver que Harry também demonstrara espanto. Finalmente, conseguiu rir abertamente.- Neville me contou depois da aula de Poções! Disse que ela sempre foi muito legal, que o ajudava nos estudos, mas Mione falou que já estava indo com alguém. Há!- ele sentiu aquela ansiedade novamente o tomar.- Com se fosse! Ela só não queria ir com o Neville... quero dizer, quem iria querer?


Rony sentia-se contente de ver que Hermione não havia vindo diretamente para a sala comunal assim, ele podia desabafar tudo aquilo. Na verdade, estava querendo esconder de si mesmo que estava realmente curioso de saber que aquilo era verdade. Hermione iria ao baile? Preferia mostrar para as pessoas que achava uma verdadeira piada Hermione ter um par. Mostrar indiferença parecia mais confortável. Era melhor fingir que a garota não existia do que admitir que gostaria de saber com quem ela iria.


- Não! Não ria...- a voz de Gina fez ele fugir dos pensamentos por um momento e olhar para cima. Hermione vinha passando pelo buraco do retrato.


Se realmente queria ficar indiferente perante ela, não podia deixar seu corpo reagir daquele jeito apenas por vê-la. Sentiu que suas orelhas haviam ficado vermelhas, juntamente com seu rosto. A briga que haviam tido ainda vívida em sua memória. Resolveu permanecer com Harry, ainda fingindo achar engraçado alguém cogitar ir ao baile com Neville.


- Por que vocês dois não foram jantar?- ótimo, ela iria fingir que nada havia acontecido. Como sempre. As brigas eram tão comuns entre eles que já haviam virado quase rotina.


- Porque...ah, pare de rir, vocês dois... porque as garotas que eles convidaram acabaram de recusar o convite!- Gina ergueu a sobrancelha para Hermione, parecia que as duas estavam se comunicando com aquele olhar.


Hermione sentiu um frio na barriga. Rony havia convidado alguém. Antes que ela pudesse assimilar a idéia de que, pelo menos, ele havia recebido um não, o ruivo falou.


- Obrigado, Gina.- disse azedo. O olhar dele encontrou Hermione por um momento, ela tentou fingir para ele que não havia notado. Mas ficaram se olhando, até ela manter a pose de quem não estava ligando.


- Todas as garotas bonitas já estão ocupadas, Rony?- tentou ferir o garoto com aquelas palavras. Seu plano de fazer ele sentir tudo que ela sentia, deveria começar naquele instante. Gina lançava olhares nervosos para a amiga, mas ela não parou.- A Heloísa Midgen está começando a parecer bem bonita, agora, não está não? Bem, tenho certeza que vocês vão encontrar em algum lugar alguém que queira vocês.


Não esperava que Rony entendesse a indireta, Gina mexeu-se inquieta, parecendo constrangida. Harry estava com a boca aberta, olhando para Hermione.


Será que Rony não havia percebido que havia alguém que queria ele? Será que ele era tão cego que não podia olhar para ela?


Ele a olhava de um jeito estranho, e por um momento Hermione pensou que algo fosse mudar. Ele parecia enxergar através dela, sentiu que corava, mas sustentou o olhar do ruivo.


- Hermione, Neville tem razão, você é uma garota...


Depois de tanto tempo se perguntando se ela iria com o baile, depois se preocupando em saber quem poderia ir com ela, ele finalmente se viu com a decisão nas mãos. Bastava convidá-la! Resolveria todos os seus problemas! Afinal, ele podia convidá-la! Neville o havia feito, só que ela obviamente não queria ir com ele. Não era proibido chamar Hermione para o baile, não era apenas por ela ser sua amiga que ela não aceitaria o convite. Não havia uma barreira física que separasse Hermione das outras garotas. Ou havia?


- Bem observado.- Hermione estava muito vermelha. Não enxergava mais Gina nem Harry.


- Então... você poderia acompanhar um de nós!


"Ótimo, continue se esquivando!"


- Não, não poderia.


- Ah, vai- Rony estava começando a ficar impaciente e ela já estava cogitando a hipótese de lhe dar um belo tapa na cara.- precisamos de pares, vamos fazer um papel realmente idiota se não tivermos nenhum, todos os outros têm...


- Não posso ir com vocês- ela sabia que estava realmente vermelha, tinha vontade de gritar na cara dele que iria ao baile com Krum.- porque já estou indo com uma pessoa.


Mas aquilo não parecia suficiente. Não parecia estar surtindo efeito em Rony. Odiou ver aquela cara de deboche nele.


- Não, não está! Você só disse isso para se livrar de Neville!


Sentia um certo pânico, uma certa necessidade de ouvir da boca dela que era mentira, que ela não tinha um par.


- Ah, foi? Só porque você levou três anos para reparar, Rony- ela quase cuspiu o nome dele, tamanha a raiva que se apoderava dela agora.- não significa que mais ninguém tenha percebido que eu sou uma garota!


Como ele podia tirá-la do sério daquele jeito? Tinha plena consciência que estava deixando tudo muito claro, para todos ali, todos os seus sentimentos por Rony estavam implícitos naqueles gritos.


Ele a olhava com os olhos arregalados. Não conseguia entender. Óbvio que ele sabia que ela era uma garota, mas afinal era Hermione! Ela não era uma garota comum. Ela não ia a bailes. Quando ela andava com Harry e ele, parecia apenas um grupo de três amigos. Não sentia como se tivesse uma garota, daquelas que gritam e dão risadinhas e falam sobre roupas, entre eles. Era isso que ele queria dizer.


- OK, OK, sabemos que você é uma garota- ele sorria novamente- Satisfeita? Você vai com a gente agora?


- Eu já falei!- ela estava realmente alterada- Estou indo com outra pessoa!


Por que era tão difícil de convencê-lo daquilo? Rony parecia ter a idéia de que alguém que convidasse Hermione para o baile certamente estava fora de si.


Saiu em direção a escada, sem olhar para trás. Já estava se xingando mentalmente quando alcançou o dormitório. Não podia derramar mais lágrimas por Ronald Weasley. Não podia. Era tão difícil assim de acreditar que alguém havia se interessado por ela? Só havia uma resposta para aquilo: se Rony realmente acreditava impossível alguém querer ter Hermione como par, certamente era impossível ele se interessar pó ela. E as lágrimas vieram de novo, dessa vez mais reais e acompanhadas de uma dor ainda maior.


(...)


- Ela está mentindo.- Rony acompanhou Hermione com o olhar, colocando em voz alta aquilo que estava tão difícil dele mesmo acreditar agora.


- Não está, não.- Gina parecia sussurrar.


- Quem é a pessoa, então?- tentou parecer casual, não queria demonstrar curiosidade. Com quem ela iria? Certamente que era verdade, então... olhou rapidamente a sala comunal imaginando qual garoto poderia se interessar por Hermione. Depois seu pensamento vagou, imaginando quantos garotos haviam em Hogwarts! Aquela sensação ruim baixou em seu corpo, ele se sentiu levemente nauseado.


- Não vou dizer, não é da sua conta.


- Certo- sabia que não conseguia mais conter seus sentimentos.- essa história está ficando idiota.


Estava fora de si, realmente. Sugeriu que Gina fosse com Harry, teve que ouvir da irmã que ela iria com Neville, e no fim de toda essa história que ele julgava ridícula, teve seu par decidido por Harry: iria ao baile com Padma Patil. Era melhor que nada. Mal a conhecia. Mas aceitaria qualquer coisa naquele momento, a raiva nublou sua visão por longos dias após ouvir de Hermione aquelas verdades. Verdades que ele havia lutado muito tempo para reprimir.


(...)


- Hermione, com quem você vai ao baile?- a pergunta escapou de seus lábios, antes que pudesse contê-la. Não havia como evitar, a curiosidade estava o corroendo por dentro. Mas será que era apenas curiosidade? O que mais lhe incomodava era ter que ficar remoendo a idéia de Hermione dançando no baile com alguém. Na noite anterior, havia sonhado que Hermione ia ao baile com um garoto incrivelmente alto, e a cada dança um par diferente a tomava nos braços e a rodava pelo salão, enquanto Gina o fazia vestir um chapéu ridículo e roído por traças, e ele era obrigado a dançar com uma garota que lembrava muito Heloísa.


- Não vou lhe contar porque você iria caçoar de mim.


Não era a primeira vez que tentava arrancar dela aquilo. Aquilo o estava matando. Todos os garotos que passavam por ele, até mesmo os da Grifinória, pareciam despertar nele um instinto que ele antes não conhecia. Todos pareciam potenciais pares para Hermione, todos pareciam olhá-la, ou será que era só sua imaginação?


- Você está brincando, Weasley? Você está dizendo que alguém convidou isso para ir ao baile? Não foi a sangue-ruim de molares compridos, foi?- a voz de Malfoy surgiu do nada, por detrás deles.


Rony olhou rapidamente para Hermione, mas a garota sorria. Havia algo de diferente no sorriso dela, agora que ele estava reparando... ele olhou rapidamente para onde a garota parecia enxergar algo que ele não via.


- Olá, Professor Moody!- a garota falou, acenando para alguém invisível.


Malfoy ficou pálido e pulou para trás, parecendo incrivelmente assustado, mas Moody não estava lá. Ainda estava na mesa dos professores.


- Que doninha nervosa você é, hein?- Hermione seguiu caminho, indo em direção a escada.


Estava se sentindo tão mais segura de si, não precisou que Harry nem Rony a defendessem, estava se sentindo cheia de uma energia que era desconhecida para ela. Uma vontade de provar que ela era capaz. Capaz de qualquer coisa.


- Hermione, os seus dentes...- ele olhou cuidadosamente para a amiga, temendo uma explosão de fúria.


- Que têm eles?


- Bem, estão diferentes... acabei de notar...


- Claro que estão, você esperava que eu ficasse com aquelas presas que Malfoy me deu?


Ela sabia que estavam diferentes. Ela sabia que havia feito aquilo que seus pais mais temiam: mudado seu sorriso com magia. Mas queria muito ouvir Rony falar que havia reparado, precisa ouvir da boca dele que ela não era tão insignificante ao ponto de ele não perceber uma diferença nela.


- Não, quero dizer, eles estão diferentes do que eram antes de ele lançar o feitiço em você...estão...- ela prendeu a respiração enquanto ele falava. Então ele era capaz de olhar para ela, nem que fosse para reparar que seus dentes estavam diferentes.- retos...e...do tamanho normal.


Ela sorriu de um jeito travesso para Rony, sentindo um calor gostoso subir pelo seu corpo.


- Bem, quando fui procurar Madame Pomfrey para consertar os dentes, ela segurou um espelho e me disse para mandar ela parar quando dos entes voltassem ao tamanho normal. E eu deixei ela demorar um pouco mais.- sorriu abertamente, como se agradecesse Rony por ter reparado. O garoto a olhava sem piscar, o que fez seu sorriso aumentar ainda mais.- Papai e mamãe não vão ficar muito satisfeitos. Estou tentando convencer os dois a me deixar reduzir os dentes há séculos, mas eles queriam que eu continuasse com o aparelho. Sabe, eles são dentistas, daí acharem que dentes e magia não devem...- mas sua atenção foi roubada.-...olhem lá, Pichitinho voltou!


A surpresa de ver o retorno da coruja tirou de seu pensamento, pelo menos naquele instante, a felicidade que pareceu inflar seu peito, mesmo que o motivo tivesse sido o mais idiota possível.


(...)


Krum havia tentado manter uma conversa com ela nos últimos dias toda vez que o destino fazia com que os dois se encontrassem na biblioteca. Ou o assunto era o feitiço que ele usara para passar pelo dragão, ou algum livro que ela estava lendo ou o garoto simplesmente cansava de tentar manter diálogo e fingia ler alguma coisa enquanto lançava olhares ansiosos para Hermione, e ela sentia seu rosto extremamente quente toda vez que ele fazia isso.


Ela estava com os garotos nos jardins agora, todos brincavam na neve, mas a cabeça dela estava tão distante. Só pensava no que precisava fazer para ficar bonita naquela noite. Não queria que todos na escola a notassem, claro que seria bom ser considerada bonita perante todos para variar, mas ela queria apenas provar para Rony que ela não só era uma garota. Queria poder fazer ele olhar para ela do jeito que Krum olhava, queria que ele sentisse por ela o que ela estava sentindo por ele.


Olhou para o relógio, eram cinco horas.


- Bom, vou indo. Preciso começar a me arrumar.- ela lançou um olhar significativo para Rony, que a mirou de boca aberta.


- Com quem é que você vai?- ele gritou para ela, mas ela já estava de costas, um sorriso contido nos lábios, enquanto voltava para o castelo, acenando para os garotos que haviam ficado lá fora.


A preparação para o baile demorou mais do que ela havia planejado. Agora jogados em sua cama haviam diversos objetos misturados, frascos vazios de poção alisadora, maquiagem de todo o tipo que a fizeram se sentir outra pessoa enquanto ela passara no rosto, grampos abertos em um ângulo estranho. Mas agora tudo que ela mirava era seu próprio reflexo. Ouvia os cochichos das suas colegas de quarto, pareciam realmente interessadas em falar de Hermione, mas não realmente preocupadas em esconder que era dela que estavam falando.


Hermione suspirou e não pôde conter uma animação interior que se formava. Estava bonita. Tinha certeza disso. Iria ao baile com Krum e não sabia porque, mas tinha certeza que Rony se sentiria incomodado. Aquele sentimento estava crescendo cada vez mais dentro dela, ela não podia dizer com certeza porque o ruivo se sentia ofendido, mas o fato é que ele a perguntava em cada oportunidade com quem ela iria. E ela estava realmente ansiosa para entrar no salão principal de braços dados com o famoso jogador de quadribol. Não. Na verdade, o que estava a corroendo por dentro, ao ponto de seu coração bater incrivelmente rápido, era a vontade de ver a cara de Rony quando botasse os olhos nela. Ela finalmente saberia, aquela noite, o que ele iria pensar ao vê-la daquele jeito.


Como ela sabia que ele iria a notar? Nem ela tinha certeza. Mas ele iria. Ah, ele iria.


(...)


- Ronald Weasley-


Foi um alívio ver Luna e Neville sentados à mesa ao lado de Harry assim que chegou ao jardim. Os dois acenaram para Rony que correu em direção aos dois.


- Luna, Neville! Que bom que receberam nossas cartas a tempo!


Neville parecia extremamente diferente da última vez que havia visto o amigo. Seus cabelos estavam finalmente no tamanho original e não haviam grandes cicatrizes em seu rosto ou braços.


- Adorei o convite. Vovó mandou votos de feliz aniversário para você, Harry. Ela parecia realmente feliz de saber que fui convidado.


Rony sentiu um leve constrangimento no ar. Luna pousou os olhos nele como se recém tivesse percebido que ele estava ali. Depois de breves segundos, encarou Harry.


- Já eu não gostaria de comentar o que meu pai falou. Mas ele sente muito, Harry. Por tudo.


Ela não precisou continuar. Ambos tinham ainda muito vívidas em suas memórias as conseqüências da denúncia que Xenofílio havia feito contra eles. Quase haviam explodido junto com o tal chifre da casa de Luna.


- Ele estava realmente preocupado comigo, sabe. Mas eu falei para ele que ele jamais deveria ter feito o que fez e...


- Está tudo bem Luna.- a voz de Harry era firme.- Ele fez o que achou que devia ter feito. Qualquer pai defenderia um filho, até as últimas conseqüências.


Luna sorriu de um jeito sincero para eles.


Rony desviou o olhar do grupo por um momento e observou quem mais estava lá. Hagrid parecia ter sido o primeiro a chegar, considerando que parecia mais alterado pela bebida do que os outros. Ao lado dele, Andrômeda segurava o pequeno Teddy, enquanto Fleur tentava distrair o bebê com um chocalho colorido.


Kingsley conversava animadamente com Gui e Arthur Weasley, Gina estava sentada ao lado de Percy parecendo realmente entediada com o assunto do irmão. Jorge e Carlinhos pareciam ter voltado no tempo, dava até para esquecer por um momento a desgraça recente na família, vendo todos assim.


Ela não estava lá. Hermione ainda não havia descido para o jantar. Tão logo ele pensou nela, seu corpo pareceu reagir àquela presença conhecida.


Hermione vinha caminhando ao lado de Molly Weasley, acenando com a varinha para que uma travessa voasse a sua frente, a outra mão segurando uma travessa de salada. Rony sorriu, perguntando-se como ela conseguia fazer duas coisas ao mesmo tempo.


Mas o olhar dele era só dela naquele momento. Ela estava linda. Ele se perguntou se ela havia ficado tão encantadora apenas para lembrá-lo que haviam passado o dia separados e que ele havia perdido momentos preciosos que poderia ter passado ao lado dela. O cabelo dela parecia mais fofo do que de costume, uma parte estava cuidadosamente presa para trás, enquanto os restos dos cachos lhe caiam sobre os ombros. Ele quase conseguia sentir o perfume que sabia que eles tinham.


Hermione pareceu perceber o seu olhar no instante que colocou tudo o que trazia na mesa. Mirou o garoto e esboçou um sorriso.


Ele já não se importava com quem estava olhando, ou se ela havia ficado magoada com ele por qualquer motivo que fosse. Hipnotizado, foi até ela sem desviar o olhar.


Ele sentiu que as palavras não iriam sair assim tão fácil. Era difícil estar consciente do que estava realmente sentindo.


- Você está linda.


Foi assim, completamente natural. O sorriso dela lhe deu a sensação de que algo se derretia dentro dele, talvez fosse o medo, o receio. Talvez seu coração estivesse batendo tão rápido porque ele sabia que não podia mais fugir.


- Obrigada, Ronald.- ela tentou soar séria, mas não conseguiu. Apertou o braço do garoto levemente, tentando evitar seu olhar. Sabia que estava corada, tinha a nítida sensação de que Arthur Weasley estava acompanhando todos os movimentos dos dois.


Queria que ele não ficasse constrangido perante a família, mas aquilo parecia impossível. E o beijo que ele queria lhe dar se perdeu, enquanto ele tentava achar palavras para continuar prendendo a atenção dela.


- Já está tudo pronto.- vendo que a garota não entendera, ele continou.- Quer dizer, separei umas coisas para poder acompanhar você...


- Ah, claro!- ela sacudiu a cabeça, visivelmente alterada.- Tudo bem se formos amanhã?


- Sim. Tudo bem.


- É que logo será a tal reunião no Ministério. Assim já estaremos de volta até lá.


Novamente aquele frio na barriga. Iriam no outro dia. Ele não queria pensar naquilo agora, só ficaria mais nervoso.


- Hermione Granger-


- Tive a impressão que você, ahn, estava magoada com alguma coisa hoje.- as orelhas de Rony coravam sempre antes de seu rosto. Ela ficou observando ele.


- Hum, teve é?- ela começou a caminhar lentamente, aproximando-se de Luna, Neville e Harry que conversavam animadamente. Rony a seguiu de perto.


Quando viu que a garota não o encarava, segurou seu pulso. Hermione parou na mesma hora, fitando os olhos azuis do ruivo, sentindo todas aquelas sensações a tomarem.


- Hermione, se eu fiz algo me diga por favor, pois eu...- a voz dele começava a se alterar e instintivamente ele aproximava seus rostos agora, quase com um tom de súplica se dirigindo a garota.


- Rony, calma.- ela pousou lentamente a mão no rosto dele. Ele fechou os olhos por um instante, como que saboreando a sensação de perceber que tudo estava bem.- Calma. Eu só...bom, esperei que poderíamos ter ficado mais tempo juntos. Achei que você teria uma grande idéia que nos deixasse conversar nem que fosse por um momento.


- Ahn...- ele sentiu um gelo descer pela sua garganta.- Desculpa eu...


- Tudo bem. Sua mãe precisava de ajuda. E nada mais justo que eu ajude depois de todo o tempo que passei aqui.


- Então, está tudo bem? Fiquei preocupado quando não encontrei você, Harry falou que você estava com a Gina.


Hermione assentiu, enquanto sua memória vagava. A conversa com Gina ainda vívida em sua memória.


"- Seu irmão está preocupado


- E o qual a novidade?- Gina riu. Mas Hermione mantinha o olhar severo.


- Você e Harry. Ele fica povoando a imaginação dele, e você sabe...


- Sei...?


- Seu irmão tem sérios problemas com ciúme, Gina! A simples idéia do seu namoro com Harry já o atormentava! Ele tem muita dificuldade em admitir que você cresceu.- Hermione frisou a última palavra, abaixando o rosto enquanto ainda sustentava o olhar de Gina.


- Ah!- Gina corou, um semblante de entendimento tomando seu rosto.- Isso!


- Ele pediu que eu conversasse com você.- Hermione ergueu uma sobrancelha, como que se desculpando.


- Ah, tudo bem Mione. Obrigada.- Gina passou as mãos pelo cabelo nervosa.


As duas permaneceram em silêncio, Gina ainda muito corada, evitando o olhar de Hermione.


- Gina...


- Sim?


- Eu não quero ter motivos para me preocupar. Nem preocupar seu irmão. Espero que você e Harry sejam conscientes e...


- Mione, poupe o sermão.- a garota riu.- Não tem com que se preocupar. Sei me cuidar.


A garota olhou para os próprios pés, parecendo extremamente sem graça. Hermione riu.


- Sei disso, Gina.


Hermione sabia que não precisaria ter essa conversa com Gina. E imaginava que Harry também não seria tão cabeça de vento.


Suspirou e olhou para o lado, mas Gina parecia determinada em falar algo.


- Escuta, Mione. Onde está meu irmão?


- Não sei.- Hermione olhou para as próprias mãos.- Não nos vimos direito hoje.


- Ah...- Gina riu.- Por isso você está assim?


- Assim como?- Hermione rapidamente a fitou, preocupada.


- Ah, com essa cara estranha. Achei por um momento que vocês tinham brigado!


- O que? Ah, não...ele só, bom... ficou meio desconfiado por causa do seu presente para o Harry e depois disso ajudamos sua mãe nos preparativos para a festa. E só.


- Hum, entendo.


Hermione sabia que Gina apenas queria desviar o assunto. Mas ela não a culpava, também não iria gostar se alguém viesse lhe fazendo perguntas sobre assuntos tão íntimos."


- Aproveitei para falar com Gina, sobre aquele assunto que você havia me pedido.- antes que Rony pudesse começar com seu teatro, ela acrescentou- Está tudo bem. Gina é um garota responsável.


Os dois riram. Rony percebeu que a mágoa de Hermione era realmente por não poderem passar o dia juntos e arriscou passar o braço pelas suas costas, aninhando-a junto ao peito de um jeito protetor.


- O dia foi realmente corrido. Mas valeu a pena.- Hermione apontou Harry com um aceno de cabeça.- Olhe como Harry está feliz.


E o garoto realmente estava radiante. Gina veio se juntar à eles após algum tempo e todos escutavam Luna contar que ela ganhara uma viagem do pai.


- E você, Neville? Quais são seus planos?- Rony sentia-se curioso. Neville não pareceu ofendido.


- Vou me especializar em Herbologia. Vovó e eu já analisamos os cursos disponíveis. É preciso fazer certos períodos de estágio mas acho que ficarei OK.


- Claro que sim!- Hermione falou animadamente, enquanto puxava uma cerveja amanteigada para perto.- Você é ótimo em Herbologia, Neville!


- Obrigado!- o garoto corou.


Pareciam ter perdido a noção do tempo. Haviam conversado sobre tudo durante aquele jantar. Hagrid contara as novidades de Hogwarts, mas apenas as que interessavam a ele, como criaturas mágicas mais assustadoras do que qualquer uma que os garotos conhecessem.


Hermione sentiu que havia comido mais do que deveria, levantou-se e resolveu em conversar um pouco com as outras mulheres presentes, já que Rony ao seu lado não mostrava interesse em parar de comer.


Fleur tinha Teddy sentado em seu colo. Erguia as pernas delicadamente para que o bebê esboçasse um sorriso, sacudindo o corpinho dele de um jeito delicado.


- Querida, venha até aqui!- Gui acenou para Fleur. Ele ria muito de algo que Hagrid acabara de contar. Hermione entendeu perfeitamente bem a vontade de Gui de ficar perto de Fleur. Haviam ficado separados durante quase todo o jantar.


Fleur levantou-se delicadamente, sacudindo seus cabelos prateados e sem receio, ergueu o pequeno Teddy e o pousou com leveza nos braços de Hermione, que instintivamente haviam se curvado a frente para recebê-lo, sem perceber realmente o que estava fazendo.


Fleur já estava sob a proteção do abraço do marido e Hermione continou parada ali, segurando o bebê de um jeito completamente torto.


Ocupou a cadeira que Fleur havia deixado vazia e posicionou Teddy de modo que pudesse olhar seu pequeno rosto.


Sentiu uma sensação estranha perpassar seu corpo. Os olhos do bebê pareciam inchados quando ele a mirou, dando uma risada gostosa e espontânea que pareceu penetrar os poros de Hermione.


Ela sentiu-se hipnotizada, balançava o bebê delicadamente enquanto vários pensamentos a invadiam. Não podia evitar, não estava pensando naquilo. Mas os pensamentos vieram repentinamente, da mesma forma como Fleur havia rapidamente assumido que Hermione não teria problema nenhum em segurar a criança.


- Você tem jeito com crianças, querida. Olha como ele ficou quietinho.- a voz da Sra. Weasley não era mais que um sussurro. Ela passou a mão pelo rostinho de Teddy e mirou Hermione. A garota teve a impressão que a matriarca dos Weasley tinha lágrimas nos olhos.


Desejou que ela estivesse pensando em Fleur e Gui, que logo poderia ter um bebê, afinal estavam casados e felizes. Mas Molly a fitou demoradamente, segurou a mão de Hermione e falou para que só ela pudesse ouvir.


- Escute querida, sei que você e Rony logo estarão indo ver seus pais. Quem sabe você pode passar a eles o nosso recado. Gostaríamos que esse ano eles viessem a nossa casa.


Hermione parou, o bebê ainda remexendo-se em seus braços.


- Sei que logo você estará em Hogwarts. Gostaria que conversasse com eles antes de ir. Talvez o Natal, não sei. O que você acha?


Hermione sentiu a voz falhar. Parecia que um novo par de olhos estava sob ela.


- Ahn, acho que tudo bem. Eles vão adorar o convite.- ela desviou o olhar para Teddy, que puxava uma mecha de seu cabelo.- Muito obrigada Sra. Weasley.


- Oh, será um prazer.- ela sorriu para a garota.


Hermione finalmente pareceu entender de onde vinha aquela sensação de que estava sendo observada por mais alguém.


Rony estava parado, parecia em estado de coque, e olhava para ela.


- Ronald Weasley-


Não, ver Hermione segurando Teddy não era uma cena traumática. Mas ver Hermione segurando um bebê, qualquer bebê, no mesmo dia que todos aqueles sentimentos haviam aflorado dele, significava algo.


Enquanto caminhava até ela, tentando parecer menos assustado, ele se perguntava se todas aquelas situações eram um sinal.


Ele sabia que precisava falar para Hermione com todas as palavras tudo que sentia. Sabia que queria oficializar o que estavam vivendo. Afinal, estavam namorando. Só faltava o pedido oficial.


"Talvez ela deduza isso. Lilá nunca precisou de um pedido."


Mas ela não era Lilá, era Hermione que estava diante dele, agora muito vermelha com o bebê nos braços.


- A-acho que Harry deveria ficar um pouco com o pequeno Teddy, não?


- Ele não leva jeito.- Rony riu, dando de ombros.


- Como você sabe?


- Palpite.


Os dois riam. Hermione se colocou de pé, olhando Rony nos olhos. Não acharam palavras suficientes. Rony, trêmulo, levou uma mão até os pequenos dedinhos de Teddy. O bebê fechou o punho ao redor do dedo indicador de Rony, que ergueu as duas sobrancelhas, surpreso.


- É reflexo, Ronald.- ela falou, referindo-se ao ato de o bebê agarrar fortemente o dedo do ruivo.


- Eu sei que é só um reflexo.- Rony tinha as orelhas vermelhas, evitando o olhar de Hermione.


Ela não julgou o garoto por se sentir estranho perante aquela criaturinha indefesa. Desejou que ele estivesse, talvez, pensando as mesmas coisas que ela.


Foram lentamente em direção a Harry, Rony ainda tinha um olhar perdido. Hermione sorriu enquanto chamava Harry, debochando que ele deveria assumir um pouco o papel de padrinho e segurar Teddy nos braços.


Todos ao redor pareceram tomados pela aura do bebê. Luna, Neville, Gina... todos o rodearam. Rony achou estranho o olhar sempre tão aéreo de Luna se fixar em Teddy, um sorriso diferente no rosto da garota.


"Talvez seja instinto materno..."


Ele olhou para Hermione e pareceu que seu coração havia parado no instante que viu que a garota o olhava. Tinha os olhos úmidos.


- Como pode uma criaturinha tão pequena trazer tanta felicidade?


Ela tentou secar discretamente uma lágrimas teimosa no canto do olho, enquanto Rony disfarçava olhando para os próprios pés. Um peso no estômago. Era impossível não se transportar para o futuro e pensar em como seria quando ele tivesse nos braços um filho. Estava ficando louco, certamente estava fora de si. Ele segurou a mão de Hermione, nervoso, ainda tentando digerir as palavras que ela acabara de falar.


Ela apertou levemente a mão dele, e descansou a cabeça em seu ombro. Todo aquele nervosismo tomou Rony novamente. Era aquilo que significava ele assumir o compromisso com Hermione. Ele visitar seus pais, dirigir-se à ela como namorada, abraçar ela perante toda a família: era nisso que implicava. Eles teriam um futuro juntos. Rony sabia que era aquilo que ele queria, obviamente. Mas tudo que é diferente gera um certo medo, e ele teve que conter todo o seu corpo para não sucumbir ao pânico, enquanto observava Teddy rir alegremente, seus pequenos braços estendidos para frente.


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