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8. Naturalidade


Fic: In Aeternum


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Capítulo 8- Naturalidade


-Hermione Granger-


Tudo estava ocorrendo conforme Hermione planejara. Isso era algo positivo, considerando que quando algo saía de seu controle e atrapalhava a rotina que gostaria que houvesse, a garota ficava nitidamente abalada.


As cartas de Neville e Luna já haviam sido mandadas por coruja, após Hermione localizar sua varinha e corrigir o erro que havia cometido na de Neville. Ao lembrar disso uma estranha sensação se apoderou de seu estômago e ela ficou parada, durantes longos minutos, deixando-se envolver pelas lembranças que tomaram a sua mente.


Sentiu o rosto corar e balançou a cabeça. Fitou as duas pessoas à sua frente. Gina e a Sra. Weasley já haviam escolhido todos os livros necessários para a volta a Hogwarts e Hermione achava-se parada, segurando seu exemplar de Poções para a sétima série.


Enquanto ela levava o livro para a pilha que havia previamente separado no balcão, lembrava-se da breve despedida dela e de Rony, minutos antes de aparatar em direção ao Beco Diagonal. Na frente de toda a família, ainda sentada na mesa da cozinha, Rony parecia contido, envergonhado. Apenas lhe dera um breve beijo no rosto, corando ao fazer isso, pois a Sra. Weasley não desgrudava os olhos dos dois. Logo após, haviam se separado e ela ainda estava ali, no meio da maratona de compras que deveria enfrentar, ainda pensando nele.


Como podia ser tão Ronald Weasley perante a família e Harry? Ela até chegava a rir internamente, ao lembrar de como ele se comportava quando estavam a sós.


Sua mão descansava em cima do balcão, enquanto ela enxergava claramente as cenas dos beijos que haviam trocado, parecia que aquela sensação maravilhosa se apoderava dela enquanto ela pensava nele. Parecia conseguir sentir o perfume dele, parecia que ele ainda estava perto.


- Hermione, querida. Pronta para ir?- a Sra. Weasley sorria para ela, obviamente percebendo que a garota apenas estava de corpo presente ali.


- Ah, ainda não. Sinto muito, por um momento me esqueci do presente de Harry! Não quero atrasar vocês...


- Não se preocupe... não temos mais nada para comprar. Você já conseguiu todo o resto de sua lista?- a Sra. Weasley pegou a lista de Hermione e passou os olhos rapidamente por ela.


- Ah, sim.- Hermione ergueu os olhos para o teto, focalizando seu pensamento naquele instante, tentando lembrar se não esquecera nada.- Vestes, livros, pena, tinteiro, pergaminho...


Ela contava nos dedos, enquanto Gina vinha em direção a elas, um rosto intrigado.


- Não vou achar o presente de Harry aqui.


- Se você quiser pode ir para as outras lojas, ao contrário de você eu acredito que já achei o que quero dar de presente para Harry. Está por aqui... numa dessas prateleiras.


Hermione percorria com os dedos uma prateleira próxima, que continha alguns dos lançamentos.


- Um livro? Você não pode estar falando sério, Mione...- Gina ria para a amiga.


- Acho uma ótima idéia.- a Sra. Weasley sorriu para Hermione.- Que livro você está pensando em dar, querida?


- Este!- Hermione falara em tom triunfal, os olhos brilhando perante o achado. Havia visto brevemente o título enquanto procurava pelas leituras obrigatórias de Hogwarts. Parecia ser uma boa leitura e ela achava que Harry, após ter subestimado a história da magia durante ano, iria apreciar. Principalmente após descobrir que se tivesse prestado atenção ao professor Binns, poderia ter entendido com muito mais clareza diversos acontecimentos, como a passagem de dono para novo dono de uma tal varinha muito poderosa, conhecida por diversos nomes.


- História da Magia Moderna- Gina lia, um tom de divertimento tomando sua voz.


Hermione virou o livro em direção à Gina para que a garota pudesse ler o que estava em letras menores, abaixo do título.


- Uma análise crítica de como os bruxos podem ocasionar a Segunda Grande Guerra da Magia.


Hermione sorria para Gina, que mantinha a testa franzida quando tomou o livro de suas mãos.


- O que Harry pode querer com isso? Ele mesmo sabe tudo que aconteceu... viu pessoalmente. Além do mais – Gina suspirou- a Guerra terminou efetivamente há pouco tempo, o autor do livro escreveu analisando como estava tudo antes da batalha em Hogwarts.


A Sra. Weasley já tirara o livro das mãos da filha, lendo atentamente o que estava escrito na contra-capa.


- Eu sei, mas você viu o subtítulo? Os bruxos podem ocasionar a Segunda Grande Guerra da Magia. Obviamente se refere ao fato do Ministério ter duvidado tanto tempo do Harry. Acho que é interessante para começar a coleção de livros que abordarão tudo que realmente aconteceu.


- Cornélia Verath- Gina leu o nome da autora, uma risada formando-se no rosto.- Não entendo qual a graça de ler um livro que já está desatualizado, Mione.


Hermione sorriu de um jeito debochado para Gina, enquanto a voz da Sra. Weasley lia o que estava escrito na contracapa que ela antes analisava, um tom curioso se formando conforme ela avançava na leitura.


"Cornélia Verath faz uma análise de todos os acontecimentos recentes, localizando no tempo e espaço todos os fatos que podem estar nos levando de encontro a uma terrível Guerra.


- Aquele- que-não-deve-ser-nomeado voltou ao poder recentemente e está acumulando privilégios conforme o tempo passa. Isso está ocorrendo principalmente devido a descrença do Ministério em Harry Potter, o menino que sobreviveu, que afirma, fazendo coro as palavras de Dumbledore, que o Lord das Trevas torna-se mais forte conforme o tempo passa."


A Sra. Weasley sorria de um jeito tímido para Hermione, obviamente não entendendo também a escolha do presente.


- Vocês não vêem? Essa mulher provavelmente esteve escrevendo isso desde antes de Dumbledore morrer, talvez desde o final do Torneio Tribruxo! Claro que ela só pôde publicar o livro agora- Hermione girou os olhos, pois as duas mulheres a sua frente não pareciam estar acompanhando seu raciocínio- com tudo que estava acontecendo ela deve ter deixando essas idéias e suas pesquisas muito bem escondidas. Olha só o que aconteceu com o pai da Luna por mostrar publicamente que apoiava Harry!


- Estou começando a entender.- a Sra. Weasley olhava para o livro com um olhar pensativo.- É uma espécie de linha do tempo. Esse livro relata tudo que aconteceu antes de vocês viajarem, antes de...


- Exato!- Hermione tinha um brilho no olhar, sentia-se ansiosa sem saber porque. Por um momento, pareceu que estava de volta a Hogwarts, explicando alguma matéria em voz alta para se fazer entender.- Na opinião da autora, claro. Mas já ouvi falar dela, seus livros são realmente bons.


Gina olhava para Hermione como se achasse que a amiga ficara maluca.


- Mione, você está me assustando.


- Ah, Gina. Imagine só!- Hermione já tirara o livro das mãos da Sra. Weasley e olhava para a capa de uma maneira que beirava a adoração.- Acredito que a autora provavelmente já começou a escrever outro livro, narrando os acontecimentos recentes.


- Se os Comensais da Morte não descobriram os rascunhos dela.- Gina riu e fitou a amiga, um olhar inquisitivo no rosto.- Mione, por um momento pensei- Gina inclinava a cabeça rindo da amiga- que você não gostasse que os outros falassem sobre você, Harry e Rony na Guerra? Toda aquela história de você falar para o Harry e para o Rony que não vai aceitar o emprego no Ministério...


- E não vou! Mas obviamente essa autora pensa da mesma forma que pensamos. Não é má publicidade, certamente.- Hermione parecia estar falando mais para ela do que para as outras duas.


- Você não precisa disfarçar a sua empolgação de estar sendo citada em um livro.- Gina falou antes que a Sra. Weasley pudesse fazê-la se calar.


- E-eu..eu não...- Hermione estava muito vermelha.- Não estou...


- Mione, tudo bem.- Gina deu de ombros.- Acho muito interessante você sustentar a sua opinião de trilhar seu próprio caminho e mostrar perante a comunidade bruxa que você é capaz. Você não pode apagar a história, pode? Vocês serão famosos daqui para a frente...


- Verdade, querida.- a Sra. Weasley segurou a mão de Hermione.- E acho que você está certa de querer guardar todas essas informações. Afinal, daqui um tempo esta época será conhecida como um marco. Na verdade, já é um marco.


Hermione sorriu e sentiu que começava a se acalmar. Tinha medo de que as duas entendessem de outra forma, que achassem que ela estava se enganando. O fato de gostar que tivessem livros narrando os feitos heróicos deles, pelo menos de um jeito fidedigno, parecia ir contra a idéia que ela frisava, de não querer ser tachada como apenas a amiga de Harry Potter. Mas ela não conseguia conter a animação que tomava conta dela, principalmente quando folheara os livros anteriormente e vira o nome dela, de Harry e Rony. Uma empolgação estranha tomava conta dela ao pensar que em alguns meses as livrarias certamente estaria cheias de livros narrando o final da Guerra.


Será que aquele tipo de publicidade não a incomodava apenas por considerar a leitura um dos hábitos mais saudáveis que alguém poderia nutrir? Ou será que na verdade estava se enganando, e gostaria realmente que todos soubessem seu nome?


"Gostaria de ser reconhecida. Certamente..."


Enquanto pagava pelos livros e separa o que escolhera para Harry para que fosse feito pacote para presente, sua cabeça trabalhava rapidamente.


"Talvez eu me sinta tão contrária a aceitar o emprego no Ministério porque queira realmente terminar aquilo que comecei. Parece que meu esforço em Hogwarts foi esquecido. Eu não posso aceitar um emprego onde minhas referências sejam- lutou ao lado de Harry Potter na Segunda Grande Guerra. Espero que as pessoas que lerem esses livros vejam uma Hermione Granger que não se aproveitou da fama para pular etapas. Aí sim, valerá a pena ter meu nome do glossário de uma dessas publicações."


Ela sabia que não precisava provar nada para ninguém. Mas se aceitasse o tal emprego, se é que iriam lhe oferecer, parecia perante toda a população que estaria se aproveitando de toda aquela fama! Gostaria que nos próximos livros, houvesse pelo menos uma citação a respeito dela.


"Hermione Granger, que lutou na Segunda Grande Guerra ao lado do famoso Harry Potter e seu melhor amigo Ronald Weasley, formou-se em Hogwarts e apenas após isso integrou o Ministério. Agora, trabalha buscando a melhoria das condições dos elfos domésticos e outras criaturas mágicas, destacando-se no seu setor."


Ela saiu de seus pensamentos rindo consigo mesma. Sabia que bastaria apenas aquelas linhas, não precisava que citassem que havia viajado ao lado de Harry durante meses, que haviam quase morrido em Godric´s Hollow. Bastaria aquilo, para ela saber que havia valido a pena. Ser reconhecida. Provar perante todo o mundo bruxo, que o fato de seu sangue não ser puro, não a impedira de chegar onde chegou. Ela trilhara seu próprio caminho, fizera suas próprias escolhas.


E agora, estava na hora de aproveitar tudo aquilo que conseguira. Havia feito tanto em tão pouco tempo! E agora, terminaria Hogwarts e logo conseguiria um emprego. Em qualquer visão que tinha do seu futuro, Rony estava lá. Talvez fosse esse o motivo de tudo parecer mais especial agora, mais certo. Tudo parecia no seu devido lugar.


Flashback


O número de pessoas na sala comunal diminuía gradativamente. Isso era bom, assim Harry poderia falar com Sirius na hora marcada, como haviam combinado. O garoto ainda não voltara do encontro com Hagrid.


Hermione tentava compreender as palavras do livro que tinha apoiado sobre as pernas, mas não conseguia se concentrar. Suspirando, fechou-o com mais força do que pretendia e deixou seus olhos vagarem pelo aposento. Mais algumas pessoas estavam indo dormir agora. Já devia ser muito tarde e mesmo assim, Fred, Jorge e Rony permaneciam sentados a um canto, jogando xadrez de bruxo. Fred apenas observava, enquanto o irmão gêmeo e Rony divertiam-se enquanto uma rainha feroz esmagava um bispo enraivecido.


Hermione já estava ficando realmente ansiosa, eles precisavam sair dali, e logo. Não demorou muito, Fred e Jorge subiram a escada para o dormitório, enquanto Rony feliz gritava para eles enquanto subiam a escada.


- Belo jogo!- o garoto sorria e ao julgar pela cara de contentamento do amigo, ele vencera o irmão.


Rony estava juntando as peças do jogo, alheio a presença de Hermione. Repentinamente, ele ergueu os olhos e parou no meio do movimento de juntar dois peões do chão.


- Ah, oi. Ainda acordada?- a voz dele era fria.


- Aham. Tinha algumas coisas para ler...


- Entendo.- ele agora mexia em algo no tabuleiro, de costas para Hermione.- Foi bom o seu passeio em Hogsmeade? Quero dizer, deve ter sido realmente divertido considerando que você esqueceu que tínhamos combinado de nos encontrarmos.


Hermione sentiu o rosto corar. Passou a mão pelos cabelos, nervosa.


- Ahn, eu... não é isso...é que...


- Você chegou a ir ao Três Vassouras?- Rony agora a mirava, um olhar nitidamente curioso.


- S-sim... eu e Harry fomos lá. Mas, você não estava e...


- Ah, sim. Você foi com o Harry.- ele abaixou os olhos e colocou o tabuleiro debaixo do braço, as peças seguramente guardadas em seu interior.- Pensei que deveria ter algo errado, já que você falou que iria ao bar e...


- Desculpe, Rony. Nós fomos só que...


- Eu não combinei com o Harry de ir ao Três Vassouras. Isso foi idéia sua, não é? Forçar um diálogo entre eu e ele?


- Eu só queria que vocês voltassem a se falar!- Hermione sentia-se imensamente nervosa.- Isso é tão infantil, vocês dois são melhores amigos!


Mas Rony já não estava mais escutando, virara de costas para ela. Seus pés já estavam no segundo andar da escada quando ele parou e se virou em direção a garota. Ele abriu a boca para falar, uma raiva estranha formara-se em seu rosto. Porém, ele apenas sacudiu a cabeça e terminou de subir a escada.


Hermione pareceu esquecer por um momento porque ainda estava ali. A sala já estava vazia, certamente Harry e Sirius poderiam conversar. Ela não quis esperar. Sentindo uma enorme culpa por dentro, sem saber direito porque, ela subiu as escadas para seu dormitório.


Aquela indignação toda de Rony fora porque afinal? Ela não entendia porque nenhum dos dois, nem ele nem Harry, podiam dar o braço a torcer!


Ele havia ficado realmente incomodado pelo fato dela não ter aparecido no Três Vassouras. Ela não pode conter um frio na barriga ao pensar nisso. Por que aquilo o incomodara? Seria possível que o amigo estivesse sentindo algo parecido com o que ela estava sentindo?


Enquanto ela trocava de roupa e deitava-se silenciosamente para não acordar o resto das garotas, ela sentia-se uma estúpida por deixar aquele pensamento lhe ocorrer.


Era óbvio que Rony não estava pensando aquilo. Ele apenas ficara magoado por ela ter combinado algo e não ter cumprido. Porém, quando fechou os olhos, ela não pôde conter os pensamentos que a tomaram. Todo o diálogo com Rony foi repassado em sua memória e ela, repentinamente, se viu sem sono. O ruivo tomara seus pensamentos de tal forma, que uma ansiedade, que não parecia fazer parte dela, havia a tomado.


- Ronald Weasley-


Rony não repara que ela estava ali. Agora observava que só os dois ainda estavam na sala comunal. Mas dessa vez, aquele sentimento estranho de constrangimento não se apoderou dele.


- Ah, oi. Ainda acordada?- ele falou do jeito mais frio que pôde. Esperar ela no Três Vassouras e ela simplesmente não aparecera. Obviamente ela havia ido com Harry e ele não conseguia entender perfeitamente bem porque aquilo o incomodava tanto. Eles eram amigos. Ele e Harry estavam sem se falar, então certamente a amiga estava dividindo o tempo entre os dois.


- Aham. Tinha algumas coisas para ler...


- Entendo.- ele agora mexia em algo no tabuleiro, de costas para Hermione. Não queria que ela visse seu rosto.- Foi bom o seu passeio em Hogsmeade? Quero dizer, deve ter sido realmente divertido considerando que você esqueceu que tínhamos combinado de nos encontrarmos.


Ele queria se virar para ver a reação dela.


- Ahn, eu... não é isso...é que...- a voz dela estava estranha. Ele não pôde conter a curiosidade e se virou.


- Você chegou a ir ao Três Vassouras?- ele a mirou, controlando todos os sentimentos que o tomavam.


- S-sim... eu e Harry fomos lá. Mas, você não estava e...


- Ah, sim. Você foi com o Harry.- ele abaixou os olhos e colocou o tabuleiro debaixo do braço. Desde o começo sabia disso mas, repentinamente lhe pareceu tão idiota não fazer Hermione perceber o quanto aquilo o estava incomodando.- Pensei que deveria ter algo errado, já que você falou que iria ao bar e...


- Desculpe, Rony. Nós fomos só que...


- Eu não combinei com o Harry de ir ao Três Vassouras. Isso foi idéia sua, não é? Forçar um diálogo entre eu e ele?


Não era aquilo que realmente importava. O fato é que ela havia dito claramente que o encontraria no bar. Simplesmente não havia aparecido, ficara passeando em Hogsmeade com Harry. Claro, a essa altura do campeonato ele já sabia que Harry era uma companhia mais agradável para ela. Sentia uma raiva que não parecia sua aflorar.


- Eu só queria que vocês voltassem a se falar!Isso é tão infantil, vocês dois são melhores amigos!


Ele não queria mais escutar. Por que estava sentindo tudo aquilo? Não deveria se ofender tanto apenas por Hermione não ter aparecido quando haviam combinado. Mas quanto mais tentava explicar para si mesmo o que estava sentindo, mais ele percebia que não era capaz de de costas para ela e começou a subir a escada.


Tinha vontade de voltar, de falar para ela que quando combinasse algo com ele não desmarcasse simplesmente porque decidira passear com Harry. Ele virou-se e realmente pensou em dizer aquilo, mas um pensamento rápido o tomou. O convite dela, a combinação dos dois se encontrarem no Três Vassouras, havia sido tão informal, quase ao acaso. Como deveria ser...


Ele virou-se novamente, sem falar nada e terminou o caminho até o dormitório. Assim que fechou a porta atrás de si, seus olhos caíram diretamente na cama de Harry. As cortinas estavam fechadas, mas Rony não sabia porque, tinha certeza que havia algo errado.


Ele caminhou lentamente até próximo a cama do garoto e lentamente afastou um pouco da cortina, apenas para confirmar suas suspeitas. Harry não estava ali. Novamente, aquele peso estranho pareceu afundar seu estômago. Será que Hermione ainda estava lá embaixo, esperando o amigo?


Sentou-se em sua própria cama, sentindo o coração bater muito forte. Muitas perguntas formavam-se em sua mente, ele parecia eufórico. Havia algo estranho acontecendo.


Tudo na sua mente parecia apontar para algo que apenas Harry e Hermione sabiam: algum segredo entre eles. Rony jogou-se na cama, completamente vestido, tentando ignorar o sabor amargo que enchia sua boca.


Ele não soube explicar quanto tempo havia se passado, poderiam ter sido horas, ou apenas minutos. Ele colocara seu pijama, enfiara-se debaixo das cobertas mas seus olhos pareciam não querer fechar, sentia-se mais alerta do que nunca.


Sua imaginação parecia fora de si, parecia estar sonhando. Hermione e Harry deveriam estar lá embaixo, juntos, na sala comunal. O que estariam fazendo?


Quando percebeu, já pulara da cama e estava próximo a porta do dormitório, o ouvido colado, tentando distinguir algum barulho externo, mas parecia quase impossível devido aos roncos de Neville.


Abriu lentamente a porta. Seu coração deu um salto quando ele ouviu vozes lá embaixo. Uma certamente era a de Harry a outra parecia mais um sussurro, ele não conseguia distinguir o que estavam falando.


Antes que percebesse, ele já descia as escadas. Sabia que deveria estar ridículo com seu pijama velho marrom. Aquilo o estava incomodando, ele precisava ver. Precisa ver com seus próprios olhos.


Harry estava ali. Mas estava sozinho. Um alívio estranho perpassou seu corpo. Olhou para os lados, não havia Hermione nem mais ninguém na sala.


- Com quem você estava falando?- agora sentia-se imensamente curioso. As palavras escaparam antes que pudesse contê-las.


Ao ver o amigo ali, sozinho, sentiu-se um idiota. Estivera fantasiando tanta coisa! Sua mente ficara realmente confusa, chegara a acreditar que Harry e Hermione estavam escondendo algo dele. Afastou tal pensamento quando um buraco pareceu se abrir em seu estômago ao visualizar em seu pensamento Hermione e Harry passeando em Hogsmeade.


- E isso é da sua conta? Que é que você está fazendo aqui em baixo a essa hora da noite?- a voz de Harry parecia um rosnado.


- Fiquei imaginado onde você...- encolheu os ombros. Não iria compartilhar suas desconfianças com o amigo.- Nada, vou voltar para a cama.


- Achou que poderia vir bisbilhotar, não foi?


- Sinto muito.- ele realmente sentia-se arrependido agora. Estava sendo realmente infantil, como a própria Hermione dissera.- Eu devia ter percebido que você não queria ser perturbado. Vou deixar você continuar praticando em paz para a próxima entrevista.


Antes que ele pudesse se virar para voltar ao dormitório, Harry atirou um daqueles distintivos horríveis que haviam feito contra ele, em apoio a Cedrico. O distintivo acertou-o em cheio na testa. Sentiu-se cambalear.


- Toma. Uma coisa para você usar na terça-feira. Quem sabe você até arranja uma cicatriz agora, se tiver sorte... é o que você quer, não é?


Rony parecia incapaz de se mover. Permaneceu ali, parado e em choque, enquanto Harry atravessava a sala comunal. O amigo passou por ele rapidamente e Rony não se sentiu capaz de fazer nenhum movimento.


O distintivo jogado em sua testa parecia ter feito acordar algo nele. Tudo aquilo era inveja? Será que o que Harry falara era verdade? Bom, certamente seria muito melhor ter apenas inveja por Harry ser o campeão Tribruxo ao lado de Cedrico do que admitir que havia sentido ciúmes do amigo com Hermione.


Não quis voltar para o dormitório. Não conseguiria dormir. Jogou-se na sua poltrona favorita na sala comunal, mirando o fogo que começava a se extinguir.


- Hermione Granger-


Precisa de ar. Não conseguia mais ficar naquele dormitório. Toda vez que fechava os olhos sonhava algo relacionado à Rony. Sonhos confusos cheios de frases cheias de ofensas. Porém, o sonho sempre terminava com ela indo em direção ao ruivo e o abraçando fortemente, como se aquilo fosse capaz de apagar tudo de ruim que acontecera.


Levantou-se e saiu rapidamente do dormitório, um livro debaixo do braço. Sabia que se sentiria imensamente cansada no outro dia mas de que adiantava ficar na cama? Apenas para ter mais um sonho idiota como todos aqueles que havia dito?


Já não era castigo suficiente estar descobrindo todos aqueles sentimentos pelo ruivo? E o pior, saber que ele era tão infantil e que nunca corresponderia aquilo? Sentia-se uma criança: todas as situações que aconteciam com ela, tentavam ser manipuladas por sua mente para que ela se iludisse e pensasse que Rony sentia algo por ela.


Agradeceu mentalmente a idéia de ter saído do dormitório. Já estava se dirigindo à poltrona que tanto gostava, próxima a lareira quando teve que parar. Não pôde conter uma exclamação de surpresa.


- Rony!


O garoto levantou os olhos.


- Oi, Mione.


- V-você não tinha ido dormir?- ela puxou a camisola para baixo, sentindo-se imensamente constrangida. Mas o ruivo não parecia notar o que ela estava vestindo.


- Fui. Mas voltei para cá. Estava sem sono.


Ele fitava o fogo, o olhar perdido. Hermione lentamente sentou-se no sofá, mantendo uma distância segura de Rony para que ele não percebesse o quanto ela estava corada.


- Encontrei o Harry. Ele já subiu para o dormitório.- ele falou sem olhá-la nos olhos.


- Ah...- Hermione sentiu-se mais tranqüila, provavelmente Harry conseguiria falar com Sirius. Torcia para que Rony não tivesse impedido a conversa.


Os dois não falaram mais nada. Hermione achou que não era necessário. Olhava atentamente a capa do livro que trouxera consigo incapaz de abri-lo. Sua vontade de ler havia se evaporado no momento que vira Rony ali.


- Vocês...conversaram?


- Mais ou menos.- Rony agora a olhou.


Por incrível que parecesse, ela entendeu tudo naquele olhar. Rony não precisava falar nada. Ela resolveu mudar de assunto, fazê-lo esquecer tudo aquilo de ruim que estava se passando dentro dele. Não queria que Rony se sentisse inferiorizado e sabia que vários pensamentos daquele gênero estavam rodopiando na cabeça do amigo.


Logo ela já conseguira desviar o assunto. Não da maneira como gostaria, mas tagarelava sobre qualquer coisa que lhe viesse em mente. Matérias que estavam estudando, tarefas que precisavam realizar. Observou, feliz, o ânimo de Rony ir melhorando aos poucos enquanto desviava sua atenção da provável discussão que havia tido com Harry.


Sabia que haviam se passado horas. Seus olhos agora estavam incrivelmente cansados e coçavam, implorando por longas horas de sono, que ela saberia que não teria, considerando que em poucas horas já seria manhã.


Ela e Rony estavam sentados lado a lado agora, ela ria de alguma coisa engraçada que ele acabara de contar, esquecendo-se da piada no momento em que seus olhos se encontraram.


O azul do olhar de Rony era hipnotizante na pouca luz que banhava a sala comunal. Ela nunca havia se visto tão próxima assim do amigo, não daquele jeito.


Rony também parecia ter parado de falar e a mirava. A boca aberta como que em surpresa, os olhos mais abertos do que o normal.


Estavam sem falar uma palavra há algum tempo, mais tempo do que deveria.


- Ahn...- Hermione levantou-se com um salto, seu rosto extremamente corado.-Acho que já vou me deitar, então...


Rony a imitou e já estava de pé ao lado dela.


- Eu também. Já deve ser muito tarde.


O silêncio pairou sobre eles novamente. Hermione não sabia se sentia raiva de si mesma, por ter certeza absoluta do que estava sentindo pelo ruivo ou contentamento ao observar o modo como ele a olhava.


Rony pareceu perceber que estava olhando a amiga há muito tempo. Caminhou em direção à escada.


- Boa noite, Mione.


Queria agradecer pela companhia, pela garota ter ficado ali com ele até aquela hora. Mas as palavras se perderam e ela já estava ao pé da escada também quando falou.


- Boa noite, Rony.


Ele observou ela subir a escada correndo, levemente eufórica. Ele ficou parado ali, em choque. O rosto corado da garota, a voz tremida dela ao se dirigir a ele. Sentiu algo inflar dentro de si, uma felicidade estranha e imensa que não parecia fazer parte dele.


Quando já estava deitado na sua cama, as cortinas ao seu redor bem fechadas, ele se deu o direito de pensar nos sentimentos que haviam se apoderado dele, enquanto conversava com Hermione na vazia sala comunal.


Gostava de pensar que a garota ficar lá apenas para fazer companhia a ele. Gostava de lembrar do modo como ela o olhava, do modo como corava quando estavam muito próximos, da forma como ela rira quando falara algo engraçado.


O que estava acontecendo? Isso não podia estar acontecendo com ele! Afastou todos aqueles pensamentos, aquilo não era real. Apenas tinha ficado contente por Hermione se importar com ele. E era aquilo,nada mais.


Logo adormeceu. Mas ali, no território dos sonhos, ele já não era mais capaz de controlar o que pensava. Seu inconsciente povoou as poucas horas de sono que teve, com sonhos muito vívidos. E em todos, uma garota de cabelos castanhos e fofos estava ao seu lado, um sorriso iluminando seu belo rosto.


-Hermione Granger-


Até a corriqueira presença de Vítor Krum na biblioteca estava irritando Hermione. Não acreditava que não iria conseguir ajudar Harry na primeira tarefa! Certamente algum livro da biblioteca teria o feitiço necessário para que Harry passasse ileso pelo dragão!


Krum lançou um olhar carrancudo para ela e Harry. Hermione sentiu um calor estranho subir seu pescoço. Tudo bem, conversara com o garoto outro dia, havia sentido-se no mínimo lisonjeada por ele ter vindo em sua direção quando estava sozinha na biblioteca mas a última coisa de que precisava era que ele viesse em direção ao Harry, o famoso garoto que derrotara o Lorde das Trevas, e os atrapalhasse em suas pesquisas. Sentia-se pessoalmente ofendida por não ter descoberto uma forma efetiva de derrotar o dragão.


- Vamos, Harry, vamos voltar para a sala comunal...o fã-clube dele não vai demorar, chilreando sem parar.


Se ficasse ali para escutar as risadinhas das garotas que vinham atrás de Krum, ficaria fora de si.


Felizmente, após algum tempo, Moody dera dicas suficientes para Harry e ele e Hermione treinavam exaustivamente o feitiço convocatório.


(...)


Estava extremamente cansada. Carregar todas aquelas sacolas enquanto Gina procurava um presente adequado para Harry no Beco Diagonal, acabara com as costas de Hermione.


Finalmente ela largara todas as compras e resolvera tomar um demorado banho antes do jantar. Felizmente, encontrou o banheiro vazio. O lugar estava úmido e havia uma toalha jogada no chão. Ela não soube ao certo se era porque identificara o perfume dos cabelos de Rony pairando no boxe molhado ou se o fato da toalha estar jogada no chão havia confirmado para ela que o ruivo havia saído dali instantes antes. Riu consigo mesma enquanto estendia a toalha do garoto de um modo que pudesse secar. Enquanto seu pensamento se perdia em Rony, ela entrou debaixo da água quente, um sorriso nos lábios. Não conseguia conter sua imaginação, na sua cabeça passava-se um filme.


Tomou um banho rápido e se secou. Enquanto vestia a roupa limpa que escolhera ela mirava seu reflexo no espelho. Deveria se sentir culpada por pensar em Rony daquele jeito? Deveria sentir vergonha por ter curiosidade em como o quadribol trabalhara o corpo do garoto?


Xingou-se mentalmente, enquanto tirava uma pequena escova de cabelos da bolsa que trouxera e penteou os cabelos quase com violência. Respirou fundo, mais do que uma vez.


Guardou tudo que era seu, fechou a pequena bolsa após guardar a escova e saiu do banheiro, deixando perdidos naquele névoa densa ocasionada pela água quente, tudo que havia pensado, ainda culpando-se por não ter conseguido controlar sua mente.


- Ronald Weasley-


Olhava-se no espelho, o rosto intrigado. Não se achava bonito. Sabia que não era realmente um padrão de beleza. Ou será que era?


O modo como Hermione o olhara nos últimos dias o fizera acreditar que poderia ser pelo menos um pouco bonito.


Afinal, no seu sexto ano, havia namorado Lilá Brown! Tanto ela como Hermione eram garotas bonitas, não teria conseguido chamar a atenção de nenhuma delas se fosse realmente feio.


Lembrou-se do espelho de Ojesed, onde segurava a taça de quadribol e enxergava-se bonito. Será que conseguira os seus objetivos?


Seu reflexo no espelho que tinha diante de si não parecia corresponder a sua imaginação. Seus cabelos ruivos, agora molhados caiam dos dois lados do seu rosto. Ele inclinou a cabeça para o lado, mas logo desistiu e jogou-se na cama.


Fechou os olhos e suspirou. Hermione estava demorando. O que será que estava fazendo? Gina estava lá embaixo, terminando os preparativos do jantar juntamente com sua mãe.


Uma leve batida na porta fez ele se sobressaltar. Ele não precisou esperar a pessoa entrar no quarto para ele ter certeza de quem era. Seu coração já batia forte, como que sentindo a aproximação da garota.


Ele não respondeu nada, ao invés disso, pulou da cama e abriu a porta rapidamente, fazendo a pessoa do outro lado se sobressaltar.


Ele não pôde controlar seu olhar. Mirou Hermione de cima abaixo, como se a tarde que haviam passado separados, fizesse ele enxergá-la mais linda do que nunca.


- Você demorou.


- Desculpe.- ela sorriu para ele e entrou no quarto, mesmo que o ruivo continuasse parado na soleira da porta.- Desci até a cozinha para ver se precisavam de ajuda com o jantar. Sua mãe pediu para eu vir lhe chamar. Todos já estão...


Ele a silenciou, colando seus lábios de um modo brusco, que pareceu sobressaltar Hermione no primeiro momento. Ele não havia conseguido tirar os olhos dela, agira completamente por impulso. Sabia que ela não iria o repreender, não iria o parar. Sabia também, que todos estavam esperando eles para jantar, portanto cada minuto ali, sozinhos, era precioso.


Uma de suas mãos já estava perdida no meio dos cabelos molhados de Hermione enquanto a outra a impedia de se afastar, segurando suas costas.


A garota abraçou-o fortemente, correspondendo o beijo de uma maneira que o pegou de surpresa. Sentiu a porta do seu quarto bater com um estrondo atrás das costas de Hermione, enquanto ele a empurrava para trás. Pressionou seu corpo fortemente contra o dela, não queria que houvesse nenhuma distância entre eles.


Longos minutos se passaram, mas os dois não davam sinal de querer parar. Hermione tinha as duas mãos entrelaçadas ao pescoço do ruivo e na ponta dos pés, o beijava com certa urgência, quase sem ar.


Rony a soltou apenas para que pudesse respirar melhor, enquanto olhava fundo nos seus olhos.


- Tudo certo com as compras?- falou quase sem fôlego enquanto sorria para Hermione.


- S-sim...- adorou tudo nela naquele momento. O cabelo molhado e bagunçado, colando em algumas partes de seu rosto corado, o perfume marcante que vinha dela, o gosto de menta que migrara da boca dela para a dele, os lábios incrivelmente vermelhos até próximo a sua bochecha. Seu estômago deu uma cambalhota gostosa ao ver o efeito que causara beijando Hermione, seus olhos pararam por um momento na boca da garota, incrivelmente marcada pela empolgação do beijo que haviam trocado.


Antes que pudesse falar mais alguma coisa Hermione colara seus lábios novamente, enquanto tentava jogar seu peso para trás, desafiando Rony a corresponder à altura. Rony segurou o corpo firme, pressionando-a com mais força contra a porta. Seu corpo inteiro se moveu enquanto a beijava, passeando as mãos pelo corpo de Hermione, explorando a boca dela com uma ansiedade quase inumana.


Distanciou seus rostos, colocando cada uma de suas mãos do lado do corpo de Hermione, apoiando-se na porta. Observou a respiração levemente ofegante da garota.


- Então...vamos descer para jantar?- ele tentou controlar a voz, enquanto Hermione ria ao ouvir as palavras dele. Sua voz saiu tremida mas ele lutava para controlar todas as sensações do seu corpo.


- Claro...- ela falou com apenas um fio de voz, ele mal entendeu o que falara mas como olhava seus lábios, ficou muito claro que a garota concordara com a idéia.


De mãos dadas com Hermione, ele abriu a porta e ambos desceram as escadas. No meio do trajeto, ele abraçou as costas dela.


Um instante antes de alcançarem a cozinha, Hermione parou e levou a mão ao coração. Respirou fortemente com os olhos fechados.


Quando os abriu, mirou Rony. Ele sorriu para ela que sorriu de volta. Adorou a sensação que se apoderou dele ao vê-la querendo se controlar, colocar a cabeça em ordem, como tantas vezes ele fizera após ter sido afetado pela presença da garota.


Aproximou o rosto do dela, colou a sua testa na dela e beijou a ponta de seu nariz. Ela riu baixinho, mantendo os olhos fechados. Estava tão hipnotizando que nem percebeu quando Hermione levou a mão ao seu rosto, acariciando lentamente, deixando um rastro onde sua mão quente e macia pousara.


- Já estava com saudades de você...- ela sussurrou sem abrir os olhos. Ele a fitava, encantado, admirando como seus lábios rosados se mexiam sem desmanchar o sorriso.


- Eu também...- ele falou mais baixo ainda a fazendo abrir os olhos. Ela sorria com o olhar, ele não conseguia desviar o seu próprio.


Afastaram-se lentamente, ainda se olhando, ainda compartilhando algo que só eles dois eram capaz de entender.


O coração dele podia parar naquele momento que ele não se importaria. Parecia, pela primeira vez na vida, ter consciência de que estava realmente vivo. Aquilo não era um sonho. Hermione parecia preencher cada poro do seu corpo e mesmo assim, com uma mínima distância entre eles, ele sentia falta dela. Tinha necessidade de abraçá-la, beijá-la como se fosse o último dia de sua vida, como se fazendo isso, pudesse recuperar todo o tempo que havia perdido, agindo como uma criança birrenta.


Lentamente, voltaram à realidade e migraram para a cozinha onde, felizmente, as pessoas estavam tão absortas em conversas que mal perceberam que eles haviam se juntado ao grupo.


Mal Rony se sentou, Harry começou um diálogo com ele, mas Rony mal gravava o que o amigo falava. Respondia apenas para preencher o silêncio, tentando tomar consciência do que realmente era aquele sentimento que ele e Hermione estavam compartilhando.


Ele sabia que era sério, sabia que o sentimento que nutria por ela era mais do que uma simples atração. Sabia o quanto gostava dela. Aquilo era amar alguém? Toda aquela ansiedade, aquela necessidade de não se separarem quando estavam se beijando, aquele medo de perdê-la?


Ele não podia mentir para si mesmo. Sabia que só iria se enganar se quisesse nomear aquele sentimento de outra maneira. Sabia que a amava. Desde muito tempo. Mesmo assim, era estranho aceitar isso. Era estranho afirmar para si mesmo, em silêncio, que amava Hermione, mesmo que ele tivesse certeza que era isso que estava sentindo. Demorara tantos anos para admitir perante si mesmo o que sentia, mais ainda para admitir para ela.


Ele desejou profundamente que ela tivesse certeza absoluta do que ele sentia, que ela soubesse que era amada. Queria que ela soubesse que o estava fazendo sentir-se especial, completo. E ele queria fazê-la sentir assim também.


Flashback


Rony olhava por toda a extensão da mesa da Grifinória, mas nem Hermione nem Harry estavam lá. Não queria ser novamente tomado por todos aqueles sentimentos negativos, imaginando onde os amigos estavam.


Encontrou Harry na aula de Adivinhação e realmente sentiu-se tentado de rir quando Harry debochou de uma das falsas previsões de Trelawney, queria que o amigo soubesse que queria se redimir. Isso era mais importante agora, enquanto tentava provar para si mesmo que não havia sentido ciúme de Harry e Hermione.


Após o jantar os dois sumiram novamente. Rony tentou forçar um bom humor que não era dele enquanto conversava com Neville em direção à sala comunal e ficou muito tempo lá, puxando conversa com as pessoas enquanto lançava olhares furtivos para a entrada do retrato, mas nenhum dos dois apareceu até perto da meia-noite e ele resolveu ir se deitar.


Só reencontrou Hermione no outro dia e jogou para o fundo do seu pensamento qualquer desconfiança que tivesse. Quando percebeu, os dois estavam lado a lado, prontos para assistir a primeira tarefa de Harry.


Hermione não parava de sussurrar algo para si mesma, não ficava parada no lugar. Levantava-se o tempo inteiro, levava aos mãos a boca como se falasse com alguém invisível e voltava a se sentar. Aquele comportamento começou a incomodar Rony.


- Calma, Hermione! Tanto nervosismo assim vai fazer mal!


Ela lhe lançou um olhar incrivelmente zangado, o rosto vermelho. Em seus olhos, havia uma fúria que ele nunca havia visto nela.


- Você sabe o que Harry está prestes a enfrentar, não sabe? Você sabe com o que seu irmão trabalha, sabe os perigos que ele corre.


- Sei.- Rony deu de ombros.- Ele vai se sair bem. Você vai ver.


Ele desviou o olhar e bufou, irritado. Esperava sinceramente que o amigo fosse bem na tarefa, não conseguiria viver com o remorso se algo acontecesse com Harry, os dois estando brigados.


- Bom, ele pareceu bem ocupado durante últimos dias. Espero que tenha ocupado algum tempo se preparando para a tarefa.


- Ronald- Hermione fechou os olhos e respirou fundo.- Do que você está falando?


- Ah, é verdade. Você estava junto dele todo esse tempo.- ele olhou para o céu, não conseguindo encarar o olhar penetrante que Hermione lhe lançava.- Deve saber realmente o que ele estava fazendo, se...


- Ele estava treinando, Ronald! Ele precisava aprender...- ele abaixou a voz e se aproximou dele.- ...um feitiço convocatório. Foi a idéia que ele teve e...


- Ah, tá.- Rony olhava para baixo, onde os campeões logo apareceriam, sentindo suas orelhas ficarem incrivelmente vermelhas.


- O que você achava que estávamos fazendo? Planejando um jeito dele fugir do torneio e sumir de Hogwarts?


- Claro que não!- Rony agora a encarou, sabia que estava incrivelmente corado, mas quando mirou a garota e viu que ela também estava, se tranqüilizou.- Só estava querendo saber...


Mas naquele momento os dois se calaram, a tarefa começara e Hermione pressionava novamente as unhas contra o rosto.


(...)


- Entendeu, foi? Demorou.


A voz de Harry era fria, mas Rony sabia que precisava se desculpar. Após ter visto Harry executar com perfeição o feitiço que treinara com Hermione e ter passado ileso pelo dragão, Rony realmente caíra na real que a situação não podia continuar do jeito que estava.


Hermione olhava de um para o outro, o que deixava Rony mais nervoso.


- OK. Esquece.


- Não,eu não devia ter...- Rony começou, mas Harry o interrompeu.


- Esquece.


Riu nervoso juntamente com Harry.


Hermione começara a chorar, Rony olhou aturdido para ela, mas foi Harry quem falou.


- Não tem motivo para chorar!


- Vocês dois são tão burros!


A garota bateu o pé no chão, lágrimas brotavam insistentes de seus olhos. Repentinamente, ela veio em direção aos dois e os abraçou. Rony sentiu o rosto ficar vermelho e para seu alívio, no instante seguinte, Hermione já o largara e saíra correndo, aos berros.


- Maluca.- Rony ainda fitou a amiga durante um instante.- Harry, anda, eles vão anunciar as suas notas.


- Hermione Granger-


Finalmente os dois haviam se desculpado, mesmo que indiretamente, e aquilo bastava para Hermione. Não pôde conter as lágrimas ao ver os dois ali, frente a frente, silenciosamente admitindo que aquela briga havia sido uma besteira. Ela sentia um carinho tão grande pelos dois, de jeitos diferentes, mas sabia que queria os dois pertos de si. Harry era o irmão que ela nunca tivera, sempre com a cabeça no lugar, calmo e centrado (pelo menos na maior parte das vezes) e Rony... bom, Rony era um caso a parte, algo a ser analisado.


Mais tarde, na festa de comemoração pelo final da primeira tarefa, Hermione e Rony sentaram-se juntos, mirando Harry ao longe. O garoto observava o que havia sido feito com a sala comunal, um sorriso radiante no rosto.


- Harry deve estar realmente satisfeito.- Hermione mirou Rony com o canto do olho.


- É...- Rony tentou localizar o olhar dela mas a garota fingia não perceber.- Mione...


Ela o olhou, sentindo uma estranha sensação na boca do estômago ao fazer isso.


- Eu não quis, você sabe...eu...


- Rony, deixa pra lá.


- Desculpa.


Para surpresa do garoto, Hermione riu alto.


- Você está com uma tendência a se desculpar por todas as besteiras que fez hoje, não é?


Mas ela não completou a frase, pois Harry aproximou-se dos dois e Rony silenciou na mesma hora. Eles ainda trocaram um olhar ansioso, mas Hermione olhou para baixo assim que percebeu que Rony a fitava.


- Abra, Harry, vamos! Vamos ver o que tem dentro!


A voz de Lino Jordan ecoou, enquanto ele erguia o ovo de ouro que continha a pista para a próxima tarefa.


(...)


Harry e Rony caminhavam juntos agora, saindo da aula de Adivinhação.


- Pelo menos ela não passou dever de casa. Espero que a Profª Vector tenha passado um monte para Mione, adoro ficar à toa quando ela está ocupada.


Não encontraram a garota na hora do jantar nem na biblioteca. Krum estava lá e Rony ficou parado um tempo atrás das estantes, discutindo com Harry aos cochichos se deveria pedir um autógrafo.


- Onde será que ela se meteu?- Rony começava a ficar inquieto com o sumiço de Hermione.


Hermione estivera na cozinha, levando adiante os seus planos com o F.A.L.E e agora, de volta à sala comunal, contava entusiasticamente para Harry que havia algo inacreditável que ele precisava ver: Dobby estava trabalhando na cozinha de Hogwarts!


(...)


- O Baile de Inverno está próximo, é uma tradição do Torneio Tribruxo e uma oportunidade para convivermos socialmente com os nossos hóspedes estrangeiros. Agora, o baile só será franqueado aos alunos do quarto ano em diante, embora vocês possam convidar um aluno mais novo se quiserem...- a voz da professora McGonagall agora anunciava o que para Rony havia sido um dos episódios mais traumáticos em todos os seus anos em Hogwarts.


Lilá Brown deu uma risadinha aguda, ela e Parvati olharam para Harry. Rony sobressaltado mirou o amigo, que parecia tão confuso quanto ele.


Nos dias que se seguiram Rony era bombardeado pelo seu próprio pensamento. Quem levaria ao baile? Chamar uma garota para o baile era atestar, escrever na própria testa, o interesse que certamente nutria. Via pelos corredores casais de namorados se formarem, alguns juntos já há algum tempo, aproveitavam a oportunidade de ter de convidar alguém para o baile para oficializar o relacionamento.


Viu uma ou duas vezes, alguns de seus colegas convidarem garotas, mesmo na frente de outras pessoas. Risadinhas sempre se seguiam ao convite, seja lá por quem tivesse sido feito.


O salão principal nunca fora tão freqüentado. As pessoas pareciam se demorar mais por lá e todas as refeições pareciam se arrastar muito mais.


Sentado na mesa da Grifinória, Rony acabara de observar um Corvinal convidando para ir ao baile uma garota, de lindos olhos azuis, da mesma casa, no meio do corredor entre as mesas. Desviou o olhar de repente. Hermione, sentado ao seu lado, tomando um gole do seu suco de abóbora, parara no meio de seu movimento para também observar a cena. Ele viu Hermione prender a respiração junto com a garota.


Com um simples aceno afirmativo com a cabeça ela aceitou e os dois saíram do alcance dos olhos dos Grifinórios, alguns começando a comentar o caso.


- Ela gosta dele há algum tempo. Achei até que já estivessem saindo juntos!- Parvati sussurrou de um modo nada discreto. Ela e Lilá deram risadinhas irritantes e Rony desviou o olhar.


Teve a impressão que Hermione lhe olhava com o canto do olho mas quando mirou a garota, ela estava absorta em comer o que tinha no prato. Suas bochechas levemente coradas fizeram Rony ficar intrigado, mas ele concentrou-se em comer seu café da manhã.


Hermione certamente não iria para o baile. Ou iria? Não era típico dela encher-se de maquiagem e equilibrar-se em cima de um salto. Pelo menos ele nunca a vira arrumada.


"Isso não significa que ela não vá."


Mas a idéia lhe parecia absurda. Hermione era aquele tipo de garota que só pensa em estudos, não pensava em namorar! Ele debochou de si mesmo mentalmente, por ter cogitado a idéia, há dias atrás, de que houvesse algo entre Hermione e Harry. Óbvio que não havia. Hermione nunca tivera um namorado. Nunca haviam visto ela de mãos dadas com alguém pelos corredores, ou participando de conversas sobre o assunto garotos juntamente com Parvati e Lilá.


A visão de Hermione de mãos dadas com um garoto sem rosto tomou seu pensamento. Ele sacudiu a cabeça e decidiu que já exigira demais de sua própria paciência. Sabia que a garota não iria no baile. Então porque aquele pensamento não lhe fugia? Porque não havia espaço em sua cabeça para mais nada? Por que estava se indagando sobre isso?


Ele olhou para o teto e suspirou, enquanto mastigava o resto do seu café da manhã. Precisava arranjar um par. E rápido.


(...)


- Feliz aniversário, cara!- Rony e Harry haviam acordado quase ao mesmo tempo.


- Obrigado, Ron!


Rony deu um breve abraço no amigo, lhe dando breves tapinhas nas costas.


O barulho da porta do quarto se abrindo fez Rony se assustar. Gina entrou rapidamente pelo quarto e jogou-se nos braços de Harry, sem receio nenhum de beijar o garoto na frente de Rony.


- Olá, Gina! Com licença! Esse é meu quarto!


- Ah, eu sei.- ela nem ao menos olhou para o irmão.- Feliz aniversário, Harry!


- Obrigado!- o garoto parecia ter sido atingido por algo, parecia não estar conseguindo raciocinar direito. Rony se perguntou se fora assim que Harry havia visto ele, aquele dia que presenciara o beijo que Hermione lhe dera.


Mal pensou nela seus olhos deram um jeito de a encontrar, parada ali, na porta. Observava o casal alegre trocando breves beijos. Logo, seu olhar focou-se apenas em Rony. Ele não desviou o olhar.


- Bom dia.- ela aproximou-se de Rony.


- Bom dia.- ele abaixou-se e lhe deu um beijo estalado na bochecha.


- Feliz aniversário, Harry.- Hermione olhou para o amigo.- Assim que Gina deixar você respirar eu entregarei seu presente.


Gina largou o amigo e Harry veio em direção à Hermione. A garota o abraçou forte e depositou em suas mãos o embrulho cuidadosamente feito pela atendente da livraria.


- Espero que goste!


- Certamente deve ser um livro.- Rony mirou o teto, tentando conter o riso.


- É. É sim, por que?- Hermione corou ao mirar o ruivo.


- Não estou criticando.- as orelhas dele estavam vermelhas, os olhos arregalados.


Hermione não lhe deu atenção, observava Harry abrir o presente. Para sua surpresa, o garoto pareceu gostar pelo menos, do título do livro.


Hermione agora explicava para o amigo o que havia dito para Gina e para a Sra. Weasley na livraria, como achava que o livro deveria ser interessante.


- Obrigado. Obrigado mesmo, Mione!- o amigo sorriu para ela.


- Você quer o meu presente agora?- Gina roubou a atenção de Harry. O garoto arriscou um olhar para Rony que tinha as duas sobrancelhas erguidas.


- Ahn, tudo bem eu...


- Vem comigo!- Gina o puxou pela mão e os dois saíram rapidamente do quarto.


Hermione sentou-se na cama de Harry, folheando o livro que estava na mão dele instantes antes.


- Ele pode voltar sua atenção para o livro depois.- Hermione riu e abaixou os olhos.


- O que Gina vai dar de presente para o Harry?- a voz de Rony soou mais parecida com um latido de cachorro do que com qualquer outro som.


Hermione parecia ter levado um choque, levantou seus olhos rapidamente para Rony, os olhos arregalados.


- Que foi?


- Você sabe...o que ela comprou?


Rony sentou-se ao lado dele. Para sua surpresa, Hermione riu.


- Rony, Rony! Acalme-se! O que você acha que ela poderia...


- Você sabe o que quis dizer!- ele desviou o olhar do de Hermione.- Falando nisso, você conversou com ela....?


- Ainda não, Ronald. E antes que você comece a imaginar coisas... Gina comprou uma coruja para Harry.


Rony sentiu como se tivesse levado uma pancada muito forte na cabeça.


- Uma coruja?


- É. Não é só dela o presente. É em nome de toda a sua família. Foi idéia de sua mãe. Custou caro, mas a Sra. Weasley fez questão.- ela passou os dedos pela capa do livro.- Você tinha comprado algo para ele...ou acha a idéia boa agora?


- Ótima idéia.


Rony sentiu-se culpado por ter imaginado algo diferente. Mas não quis pensar naquilo. Segurou a mão de Hermione e se levantou.


- Vamos tomar café.


A garota o seguiu, levemente desapontada por não ter ganhado um beijo de bom-dia. Mas sabia que Rony tinha outras coisas em mente, o ciúme de irmão sempre aflorando nas horas mais impróprias.


Obviamente Hermione omitira que, antes da idéia da coruja ter sido sugeria pela Sra. Weasley, Gina realmente cogitara dar a Harry de presente de aniversário algo diferente, algo que ela não precisaria ter ido até o Beco Diagonal para conseguir.


N/A: Peço desculpas novamente pelos bug´s do sistema de postagem das fics, que come letras e não me deixa corrigir


Muito obrigada pelos comentários! Eles fazem com que eu tenha motivação para continuar escrevendo!


Vocês devem ter reparado que as lembranças do livro quatro estão se estendendo mais do que as dos outros livros, mas é porque acredito que tem muita história para ser contada no Cálice de Fogo, informações cruciais que foram apenas pinceladas pela J.K, servindo de inspiração para nossa imaginação!


Comentem ;)


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