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5. Certeza


Fic: In Aeternum


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Capítulo 5- Certeza


Memórias do terceiro ano:


(trechos de: Rowling J.K- Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, tradução de Lia Wyler- Rio de Janeiro: Rocco., )


Hermione tentava abrir os olhos, mas parecia que seu cérebro se recusava a acordar completamente. Sentia como se algo estivesse se remexendo dentro da sua barriga. Tinha a nítida sensação que sonhara com Rony.


Hermione suspirou longamente, enquanto virava para o outro lado na cama. A luz que entrava pela janela era tão fraca, certamente ainda era muito cedo. Um aroma característico a envolvia, parecendo se fundir ao seu corpo. Era um perfume que misturava uma sensação de deja vu com outra de que havia algo nele que ela deveria lembrar. Ao sentir o perfume, uma sensação de borboletas no estômago a atingiu, uma felicidade inexplicável a tomou. Era dele que ela deveria lembrar ao sentir aquele perfume.


A imagem veio como um flashback em sua mente. Parecia que a cena estava se repetindo. Era com isso que ela estava sonhando minutos antes. Na sua mente se formou a imagem clara e perfeita dela terminando com o espaço que havia entre ela e Ron, o rosto de surpresa de Harry ao observar a cena, e a lembrança terminava sem imagem, apenas com a sensação de choque elétrico que a tomou no momento em que, sem pensar duas vezes, colou seus lábios nos do ruivo. E a partir daí a lembrança não parecia ser apenas dela, misturava sensações que ela havia compartilhado com Ron, o agradável calor que sentiu em sua face quando foi pega de surpresa pela resposta empolgada do garoto. O beijo pareceu tão rápido e ao mesmo tempo tão certo, tão completo. Ela já não sabia mais o que ela realmente havia sentido e o que era, agora, detalhes que sua imaginação queria acrescentar à cena.


Sentiu-se constrangida por ter sonhado com aquilo. Havia sonhado com algo tão real, que tinha acontecido há pouco tempo atrás. Mas, até aquele dia, ela não havia achado jeito de dar continuidade àquele momento tão perfeito.


Por que havia sonhado com aquele beijo justo agora?


Ela finalmente entendeu qual era a fonte do perfume de Ron, que havia causado aquela viagem de pensamentos nela. Estava vestindo o moletom do garoto que ele havia emprestado noite passada. Completamente gigante nela, mas extremamente confortável: pensar que aquele pedaço de roupa que antes o envolvia, agora estava ali, de certa forma a protegendo provocou novamente uma sensação de alegria na garota.


Ao pensar na noite anterior, o estômago de Hermione deu outra cambalhota. Ela fechou os olhos e se deliciou com a sensação. Como gostaria que não tivessem sido interrompidos! Quando tempo ela havia esperado para que Rony tivesse coragem o suficiente para fazer o que ela havia feito antes da guerra, tomar a iniciativa e não ter vergonha de admitir para ela tudo o que sentia!


As conversas que tinham tido até então, por mais esclarecedoras que tivessem sido não tiravam de Hermione a necessidade que a tomava agora. Quando Rony aparecia em seus pensamentos, Hermione não cansava de se xingar mentalmente por não conseguir reunir coragem novamente para acabar com aquela ansiedade que tomava conta dela.


Mas ela repetiu para si mesma, pela milésima vez: ela já havia dado o primeiro passo. Agora cabia à Rony decidir para onde estavam indo.


Ela segurou a parte da frente da roupa e a levou mais próximo ao rosto. Inspirou profundamente deixando que o cheiro dele causasse novamente todas aquelas sensações. De repente não tinha mais vontade de sair da cama. Poderia ficar ali o dia inteiro se deliciando com as memórias que ele a havia feito sentir.


Como era possível que em apenas alguns minutos, antes daquela terrível batalha, ela tivesse conseguido tudo aquilo com que sempre sonhou? Não havia planejado beijá-lo, não era algo que ela tivesse certeza que iria acontecer naquele momento. Mas pareceu tão idiota não fazer aquilo. O que ela estava esperando? Eles irem para a batalha e ela ficar por horas, agonizando, pensando que talvez o destino o tirasse dela? Ela sorriu abertamente. Ainda bem que havia tomado à iniciativa. Só assim, ela pôde saber que ele, de alguma forma, ele correspondia o que ela sentia.


Arrepios tomaram conta de Hermione só de pensar em descer as escadas e encontrar Ron, mas afinal, ela não podia ficar deitada ali para sempre.


Ainda é cedo...”


E ela se deixou adormecer mais uma vez, deixando seus pensamentos se focarem completamente no ruivo, torcendo para que voltasse a sonhar com aqueles momentos maravilhosos que haviam divido.


Flashback


Antes do início de seu terceiro ano em Hogwarts, Hermione passara as férias na França com seus pais. Ficou surpresa ao receber uma carta de Rony, mas ao mesmo tempo, não conseguiu conter a onda de alegria que a tomou ao reconhecer a caligrafia do amigo. Não era a primeira carta que ele lhe mandara naquelas férias. Ela sorriu para si mesma. Tentando conter perguntas que surgiam em sua cabeça, indagando porque ela ficara tão feliz com o fato do ruivo escrever para ela, ela abriu a correspondência.


Mione


Como estão as férias?


A viagem ao Egito está sendo simplesmente fantástica! Pirâmides e tudo o mais que você possa imaginar!


Dias atrás, tentei me comunicar com Harry por aquele aparelho estranho que os trouxas usam para falar uns com os outros. Foi engraçado, por um lado. Fiquei me perguntando como Harry conseguiria me escutar do outro lado, considerando a distância que estávamos! Quer dizer, os trouxas não podem ter inventado algo tão engenhoso ao ponto de conseguir escutá-lo normalmente. Tentei me fazer escutar, sabe. Mas o tio dele não pareceu muito feliz. Tentei falar mais alto, mas ele não me deixou falar com Harry!


Espero poder me encontrar com você e com ele no Beco Diagonal. Vamos fazer nossas compras para Hogwarts uma semana antes das aulas. Estaremos voltando de viagem! Encontro com você lá, tudo bem?


Rony


P.S: Espero sinceramente que você não esteja arruinando suas férias estudando!


Hermione respondeu à Rony, rindo enquanto pensava em como deveria ter sido o episódio dele tentando telefonar para Harry. Ela, por outro lado, achou melhor mandar uma carta para o garoto: não arriscaria o telefone novamente, provavelmente o tio de Harry estaria ainda zangado com o episódio, e ela não queria colocar o garoto em uma nova encrenca.


Hermione respondeu primeiramente para Rony, tentando explicar para ele que não era necessário gritar quando se usava um telefone. Tentou faze-lo entender que os trouxas tinham inventado algo capaz de encurtar a distância e que permitia as pessoas se falarem normalmente. Depois escreveu uma carta para Harry, contando brevemente tudo que estava fazendo e querendo saber como o amigo estava.


Depois disso, levantou-se e rapidamente foi em direção à cozinha, olhando um calendário pendurado na geladeira, para verificar quando seria a semana que Rony disse que estaria no Beco Diagonal.


Ela organizou tudo mentalmente para que pudesse fazer suas compras juntamente com ele, já pensando que poderia provavelmente ficar hospedada no Caldeirão Furado esperando o começo do ano letivo.


Naquela época Hermione não sabia explicar, ou ainda tentava no fundo esconder, a sensação que a tomou ao organizar tudo que era necessário para estar no Beco Diagonal na semana que Rony falou que estaria. Sentiu um frio na barriga e resolveu ir dar uma olhada em como estava seu estoque de tinteiros e ingredientes para poções, tirando da cabeça as perguntas que se formavam naquele momento.


(...)


Aquela última semana de férias pareceu demorar para chegar. Quando finalmente os pais de Hermione a deixaram no Caldeirão Furado, lhe desejando um ótimo período letivo e pedindo para que ela lhes escrevesse, ela sentiu-se completamente livre. Seus pais ajudaram ela a carregar as malas até o quarto e se certificaram que tudo estava certo para sua estadia.


A viagem para a França tinha sido muito boa, além do sol que ela pudera aproveitar havia conhecido uma cultura diferente, descoberto uma culinária fantástica e aproveitado o tempo livre e o lugar para aprender mais sobre a comunidade bruxa local.


Mas agora, ela sentia-se de volta à realidade. Seus pais agora estavam saindo do bar bruxo, e sua mãe insistia em lhe dar mais um abraço.


Era estranho não os ver tão ativos em relação à vida escolar dela. Eles não entendiam a maioria das coisas que ela falava e pareciam querer enfiar para dentro da cabeça de Hermione que podia existir sim uma vida normal sem magia, mesmo que respeitassem seus horários de estudo em livros que eles não faziam a mínima idéia do que ensinavam.


- Cuide-se filha .- a Sr. Granger passava a mão carinhosamente pelo cabelo da filha.


- Pode deixar, mamãe.


O pai de Hermione se aproximou e deu um último abraço na filha.


- E nada de abusar do que está aprendendo na escola, hein? Eu não quero ouvir mais nenhuma palavra sobre aquele tal feitiço para diminui os dentes.


Hermione abaixou o rosto e assentiu. Havia insistido com os pais para que pudesse diminuir seus dentes da frente usando magia. Agora, ciente de tudo que podia ser feito através de encantamentos e feitiços, Hermione sentia-se uma idiota só de pensar em manter um aparelho nos dentes por anos enquanto podia facilmente concertar aquele detalhe do seu rosto que não gostava em segundos.


- Vocês falam isso porque são dentistas e estudaram para melhorar os dentes das pessoas...daquelas que não conhecem a magia, quero dizer...


A Sr. Granger sacudiu a cabeça e lançou um olhar de reprovação para o marido.


- Querida, não vamos falar disso agora. Daqui a pouco estaremos indo para casa e só a veremos daqui há muito tempo. Não quero discussões agora. Já falamos disso diversas vezes durante suas férias e não chegamos num acordo. Não vai ser agora que isso vai acontecer.


Hermione sentiu-se um pouco melhor. Sabia que a mãe também era contra ela mudar sua aparência com magia, mas parecia mais compreensiva em relação ao assunto.


A porta do caldeirão furado foi empurrada com um estrondo para trás e uma menina de cabelos muito ruivos saiu correndo de lá, gargalhadas podiam ser ouvidas vindo de dentro do bar.


- Mamãe vai achar que fui eu, Fred!


Os dois gêmeos Weasley, Fred e Jorge apareceram logo atrás da garota.


- Fala baixo, Gina... ou vão nos descobrir. E volte pra dentro, mamãe não quer a gente circulando no lado dos trouxas.


- O que você esperava que eu fizesse? Percy ia nos escutar!E eu não vou ajudar vocês a roubar o distintivo dele... isso já é demais.- ela apontou com a cabeça para dentro do bar, onde o outro irmão de Rony os fuzilava com os olhos, como se adivinhassem o que estavam planejando.


- Gina!- Hermione tocou o ombro da amiga, que imediatamente se virou para ela.


- Mione! Como você está?- as duas se abraçaram.


Fred e Jorge cumprimentaram rapidamente os pais de Hermione e voltara, sorrateiros para dentro do bar.


- Imaginei que você devia estar chegando! Chegamos faz pouco também!


Mas os olhos de Hermione já não estavam mais na amiga. Parado na porta, a olhando em silêncio estava Rony. Fred e Jorge logo atrás dele davam risadinhas, mas logo desapareceram do campo de visão de Hermione, subindo as escadas em direção aos quartos.


- Mione! Jorge falou que você já estava aqui!


Rony sorriu para ela e ela sorriu de volta, tentando manter o sorriso natural, mas sentiu que estava fazendo mais força do que deveria. Sentiu-se extremamente envergonhada por ter sido pega de surpresa. Vê-lo depois de tanto tempo era tão estranho, e ela torceu para que conforme os dias passassem, ela parasse de sentir-se tão constrangida por estar perto do ruivo.


- Tudo bem, Rony?- ela conseguiu dizer, enquanto o garoto espiava por cima do ombro dela seus pais.


- Olá!- ele disse em direção aos Granger que lhe responderam com um aceno.


Ela se virou para os pais que analisavam a mudança de comportamento repentino da filha. Despediram-se com mais um abraço, a mãe de Hermione ainda olhou Rony com o canto do olho enquanto afastava-se do Caldeirão Furado, um sorriso enigmático tomava seu rosto.


- Tenha um bom período letivo, querida!


E os dois partiram. Hermione sentia-se corada após o modo como sua mãe investigara Rony, mas virou-se em direção a ele e Gina e os acompanhou de volta para o bar.


- Ronald Weasley-


- Acho melhor irmos procurar o Harry, sei que ele já está aqui. Será que está no quarto?- Rony resolveu sugerir que fizessem algo logo, pois estava se sentindo muito estranho parado ali no meio do bar com Hermione. Normalmente havia o amigo para lhe fazer companhia, e tudo parecia mais fácil.


- Hum... vamos perguntar ao dono.- Hermione sugeriu, enquanto arriscava um olhar para Gina.


- Eu vou, hum, eu esqueci lá em cima...- Gina saiu de perto deles antes que eles pudessem falar algo, seu rosto corando a simples menção do nome de Harry.


- Que aconteceu com ela?- Rony olhou para Hermione.


Naquele mesmo momento, desejou que não tivesse feito. Sentiu-se extremamente sem graça de olhar para a garota. Ela estava diferente. Não apenas por ter crescido alguns centímetros, mas havia algo nela que afastava da cabeça dele a imagem de menina que ele tinha na lembrança. A pele dela, sempre tão branca, estava bronzeada de um jeito uniforme realçando o brilho dos olhos castanhos da garota.


Rony sacudiu a cabeça afastando aqueles pensamentos. Ele sabia o quanto se importava com Hermione, após ter visto ela petrificada no ano anterior ele tinha mais certeza ainda do quanto queria o bem da amiga, mas sua imaginação estava passando do limite, observando todos aqueles detalhes.


- Deixa pra lá, Rony. Vamos procurar o Harry?


Felizmente, Hermione não pareceu perceber que ele a estava observando, mesmo que ele ainda não tivesse tirado os olhos dela. Mas ele teve a nítida sensação de ter visto o rosto dela corar e um sorriso contido aparecer nos seus lábios, quando ela se dirigiu ao balcão.


- Com licença, soubemos que Harry Potter também está hospedado aqui. Em que quarto...?


- Ele não está aqui agora.- Tom, o dono do bar a interrompeu antes que ela terminasse a pergunta. Ao lado dele, secando alguns copos, estava o homem que ela sabia que trabalhava auxiliando ali, que a ajudara a encontrar a passagem para o Beco Diagonal no seu primeiro ano.


- Ah, tudo bem então. Obrigada. Nós vamos procurá-lo.


Ela fez sinal para que Rony a acompanhasse, obviamente os dois estavam muito ocupados com os afazeres do bar-hospedaria, eles teriam que procurar por Harry nas lojas bruxas, contando com a sorte para encontrá-lo.


- O que você acha de irmos à Floreios e Borrões primeiro?- Hermione indagou Rony, enquanto tocava o tijolo correto, com a varinha, para abrir a passagem.


- O.K. – Rony tentava mudar seu comportamento agora. Procurava tratar a amiga com mais indiferença para que ela não lembrasse do modo como havia a olhado.


Hermione fez cara de intrigada ao olhar para Rony, repentinamente quieto. Os dois caminharam em direção à livraria, procurando por qualquer sinal do Harry no caminho.


Rony não pôde deixar de perceber que Hermione já separara quase o dobro de livros que ele, enquanto ele se dirigia para o homem próximo a um cercado cheio de livros que faziam um barulho de trituração.


- Ahn, vamos precisar de dois desses. - Rony apontou para os livros enquanto lia a capa “Livro Monstruoso dos Monstros”.


O vendedor o olhou com cara de descrença e começou a proteger as mãos, obviamente desanimado com a idéia de ter que enfrentar a fúria dos livros.


Hermione olhava atentamente a lista de livros que tinha em mãos, enquanto o vendedor praguejava contra um dos livros que aparentemente conseguia morder sua mão.


- Acho que já separei todos.


- Mione, você não acha que se confundiu e acabou comprando as indicações extras de livros além da básica?- Rony mirava o monte de livros que Hermione deixara no balcão.


- Não, Rony. Vou precisar de todos os livros. Todos são da literatura básica das disciplinas que vou fazer.


Ela se afastou quando o vendedor levava os dois livros nervosos em direção ao balcão, forçando os dois a permanecerem fechados.


Logo, ela e Rony haviam comprado todos os livros que precisariam e, carregados de sacola voltavam a movimentada rua do Beco Diagonal.


Arriscaram um olhar na loja da Madame Malkin, mas Harry não estava lá também. Hermione entrou rapidamente na loja e comprou mais algumas peças de roupa básicas de Hogwarts, enquanto Rony a esperou do lado de fora, olhando através das pessoas que caminhavam, para ver se localizava Harry.


- Não demos sorte. – Hermione agora estava tão carregada de sacolas que seu corpo pendia para um lado.- Não vejo Harry em lugar algum.


- Hum, vamos sentar um pouco ali perto da sorveteria. Você não vai agüentar muito tempo todo esse peso.- ele apontou para as sacolas.


Hermione sorriu para ele e os dois foram em direção à calçada da sorveteria, largando as sacolas e sentando-se.


Os dois permaneceram em silêncio, como na maioria do tempo em que estavam juntos eles brigava, parecia muito estranho estarem sentados assim, pacificamente.


Era muito estranho e incômodo ficarem ali, em silêncio, olhando as pessoas fazendo suas compras. Rony sentia um constante peso na barriga que lhe impedia de falar algo. Tinha a impressão de que qualquer coisa que falasse, soaria completamente estúpido.


De repente, Harry aparece na frente dos dois. Aquela sensação incômoda pareceu se dispersar quando o amigo se juntou aos dois, e a conversa fluiu normalmente.


Rony suspirou aliviado enquanto iam para a loja de criaturas mágicas que Harry apontava. Tentando se distrair enquanto conversava com o amigo que não via desde o último dia de Hogwarts, Rony deixou seu pensamento em paz, sem se perguntar mais porque sentia-se tão travado quando ficava sozinho com Hermione.


Percebeu que com Harry por perto, ele podia ser irônico em relação à amiga e sentia-se protegido. Quando agia assim com ela, parecia mais fácil afastar aquela sensação estranha que o tomava quando a via.


- Hermione Granger-


Hermione comprara Bichento depois de se comover ao escutar a dona da loja dizer que ele estava lá há muito tempo, que ninguém queria o bichinho.


Sentiu seu coração mais leve enquanto pagava para a mulher o valor do gato e o acomodava no colo para que saíssem da loja. Ele era diferente, sua cara amassada e pernas arqueadas certamente não eram um padrão de beleza para animais de estimação.


Mas era isso que a fizera achar ele tão belo: ele era incomum. Não era como todos os gatos que já vira, com o pelo em cores neutras, rostinhos fofos e olhos grandes. Ele era bonito de um jeito próprio.


Gostara dele logo de cara e tirou da cabeça a idéia de comprar uma coruja com o dinheiro que havia sobrado.


Enquanto acariciava o pelo laranja do gato e caminhava em direção ao lugar que os meninos estavam ela não fazia idéia que ele ainda seria motivo de muitas brigas dela com o garoto ruivo que agora recebia das mãos dela o vidro de tônico para o Perebas que ele esquecera no balcão.


Rony ainda não parecia muito calmo com o fato do gato que agora estava no colo de Hermione ter perseguido seu rato de estimação e lançou a amiga um olhar de descrença enquanto ela falava feliz do seu novo bichinho.


- Ronald Weasley-


Rony estava deitado em sua cama, os olhos abertos fixavam o teto. Tinha a sensação de que não tinha dormido nada aquela noite.


Harry ainda dormia profundamente ao seu lado na cama que sua mãe improvisara para ele.


Rony deixava seu pensamento vagar, não tinha mais sono. Na sua cabeça se formavam imagens e mais imagens de tudo que ele devia fazer na sua vida, mas que ainda não havia tomado a iniciativa.


Queria ajudar seu irmão na loja de Logros e Brincadeiras, para que ele se recuperasse o mais rápido que pudesse. Mas não via como o irmão iria querer voltar a morar no flat que ele divida com Fred. Com certeza tudo o faria lembrar do gêmeo.


Também havia sua tão desejada carreira de auror, e quando pensava nisso certo pânico o tomava. Havia mudado muito desde que começara Hogwarts e certamente aprendera bastante de Defesa Contra a Arte das Trevas, principalmente após a A.D mas queria ser capaz de mostrar para todos que ele não era apenas o amigo babaca de Harry Potter. Queria ser capaz de obter o emprego de auror e mostrar para o Ministério que eles haviam admitido alguém eficiente para o cargo.


Mas a terceira coisa que queria mudar na sua vida era o que mais o incomodava. Hermione. Sabia que já deixara as coisas claras com ela, talvez não tão claras como gostaria. Mas ainda havia o fato de que os dois pareciam extremamente constrangidos um com o outro, como se tivessem voltado a ter treze anos novamente e não conseguissem se olhar nos olhos sem sentir o rosto corar.


Rony se levantou da cama com um pulo, torcendo para que não tivesse acordado Harry. Não conseguia ficar mais naquele quarto.


O sol agora nascia preguiçosamente, e a luz começava a entrar pelas janelas da toca. Rony foi até a cozinha e preparou algumas torradas enquanto deixava sua mente vagar, a varinha esquecida no quarto o obrigava a fazer tudo sem magia.


Mas aquilo parecia o acalmar, pois ele mal acordara e seu coração já martelava forte no seu peito, como se implorando para que ele lhe desse algo para se acalmar.


O tempo estava passando depressa, logo Hermione estaria de volta a Hogwarts e o tempo que teriam para se ver seria limitado.


Rony se xingava mentalmente: como deixara isso acontecer? Como ficara todos aqueles anos do lado da garota sem tomá-la nos braços, sem ter aproveitado todo o tempo que pudesse ao lado dele?


E pior, perdendo muito tempo brigando com ela, ou recusando-se a falar com ela.


Comeu seu café da manhã em silêncio, escutando barulho nos andares superiores enquanto a família aos poucos acordava.


Mal terminara de escovar os dentes e caminhava para o quarto, teve que presenciar a cena de “bom-dia” entre Harry e Gina.


- Hem-hem...- Rony imitara a tosse forçada da Professora Umbridge, tão odiada por eles, apenas para se fazer ouvir.


- Ah, oi Rony. Caiu da cama, foi?- Gina se virou para falar com o irmão, os braços ainda ao redor do pescoço do Harry que parecia repentinamente muito envergonhado.


- Você também pelo jeito.- e antes que pudesse se conter, as palavras lhe escaparam da boca.- Hermione já acordou também?


Harry sorriu e Gina o acompanhou, separando-se do abraço e virando-se para o irmão.


- Não, ainda não. Você não perdeu a oportunidade de levar café na cama para ela.


O rosto de Rony tingiu-se de vermelho e ele passou pelos dois em direção ao seu quarto. Ele ouviu a voz de Harry:


- Acho que você não devia provocar seu irmão assim, Gina!


O que ela respondeu ele não conseguiu escutar e quando ele saiu do quarto, os dois já haviam ido em direção à cozinha para tomar café.


Ele desceu um lance de escada e parou no último degrau, olhando para a porta do quarto de Gina. Sabia que ainda era cedo, ele mesmo não estava acostumado a acordar naquele horário.


Lentamente, como se suas pernas pudessem desistir no meio do caminho, ele fez o caminho até o quarto que sabia que Hermione estava dormindo.


Aproximou-se da porta. Não havia nenhum barulho vindo de dentro do quarto.


- Mione?- falou com a voz contida. Não houve resposta.


Ele girou a maçaneta e espiou para dentro do quarto. Ainda estava escuro, as cortinas fechadas. A cama de Gina tinha sido arrumada por ela mesma, provavelmente, antes de sair do quarto. E deitada na outra cama, completamente tapada com as cobertas e adormecida, estava Hermione.


Ele sentiu seu coração e seu corpo responderem à presença dela. Caminhou silenciosamente até a cama de Gina e se sentou, observando o rosto adormecido de Hermione.


Sorriu e não conseguiu conter um suspiro ao observar o rosto dela fracamente iluminado pela pouca luz que conseguia entrar no quarto. Queria tanto poder chegar próximo a ela, tocar e beijar seu rosto. Não conseguia desgrudar os olhos da garota.


Ela se remexeu em seu sono, colocando os braços para fora das cobertas. Ele assustou-se com a movimentação repentina e desviou o olhar, achando que estava passando um pouco dos limites ao observa-la enquanto ela não tinha como se defender.


Rony arriscou um olhar para a garota, e sentiu um calor subir dos seus pés até a sua cabeça quando viu que Hermione ainda estava com o seu moletom do Chudley Cannons. Para completar a cena que agora ele observava sorrindo, a garota ajeitou-se enquanto dormia, abraçando o próprio corpo com os braços. Parecia sorrir enquanto sonhava.


- Ron...- não foi mais que um sussurro, ele não tinha nem certeza se realmente tinha ouvido ou imaginado que ela falara seu nome enquanto dormia.


O rosto dela mostrava que estava tendo um sonho bom. Rony sentiu aquele calor que havia o tomado o envolver, sentiu-se extremamente confortável ali, olhando ela sonhar com ele.


Não tinha como conter o frio na barriga que sentira ao a ouvir falar seu nome. Ele sonhava com ela desde muito tempo, mas saber que ele estava presente nos seus sonhos tirara repentinamente a ansiedade que ele sentira antes, deitado no seu quarto.


Sentiu que seu corpo relaxava, observá-la assim lhe passava uma paz. Não era possível dizer exatamente em que ponto ele começou a adormecer enquanto a olhava dormir, sua cabeça aos poucos caindo em direção ao travesseiro.


Embora alguns passos os separassem Rony sentia-se extremamente perto dela. Piscou os olhos, tentando impedir que o sono o tomasse. Finalmente seus olhos se fecharam e mesmo que estivesse em uma posição incômoda, que parecia mostrar que ele lutara contra o sono, ele afundou em direção à inconsciência.


Flashback


Várias brigas ocorreram após chegada de Bichento. Rony não conseguia acreditar que algum tempo antes, no Beco Diagonal, conseguira conviver em harmonia com Hermione e até mesmo ficar em silêncio ao lado dela. O gato da garota o incomodava profundamente, principalmente devido à implicância natural dele com Perebas.


As brigas pareciam não ter fim e por um lado aquilo deixava Rony menos agoniado, pois conseguia extravasar sua raiva em Hermione. As atitudes da garota de indiferença em relação à perseguição incansável do gato dela ao rato de Rony, o deixavam com os nervos à flor da pele. A amiga o parecia ignorar completamente, parecia simplesmente não se importar se o estava magoando mantendo aquele gato solto na sala comunal.


- Ai- Rony berrara, agarrando a mochila na hora que Bichento cravava as unhas nela.- DÊ O FORA DAÍ SEU BICHO BURRO!


Porém por mais que tentasse, Rony não conseguia fazer Bichento largar a mochila.


- Rony, não machuca ele!- a voz de Hermione estava mais aguda do que o normal. Aquilo aumentou a raiva de Rony. Então o gato dela podia o arranhar inteiro, ferir Perebas, mas Rony não podia arrancar uns belos tufos de pêlo dele para que aprendesse a lição?


Naquele momento, Perebas saiu voando pela abertura da mochila de Rony.


- SEGURE ESSE GATO!- Rony gritou, desesperado. Bichento perseguiu Perebas, Rony correndo atrás.


Perebas conseguira se esconder embaixo de uma velha cômoda, mas a pata ágil do gato ainda ameaçava a segurança do rato, tentando o alcançar sem cansar.


Rony e Hermione correram em direção a eles.


Hermione agarrara Bichento e o levara para longe, Rony resgatara Perebas, mas sua raiva ainda borbulhava dentro dele.


- Olha só para ele!- olhou para Hermione, gritando furioso- Está pele e osso! Segura esse gato longe dele!


- Bichento não entende que isso é errado!- Hermione retrucou com a voz trêmula-Todos os gatos caçam ratos, Rony!


- Tem uma coisa esquisita nesse animal! Ele me ouviu dizer que Perebas estava na mochila.


- Ah, deixa de bobagem. Bichento sabe farejar, Rony, de que outro modo você acha...


- Esse gato está perseguindo o Perebas. E Perebas estava aqui primeiro, e está doente.


A indiferença de Hermione com a preocupação de Rony em relação ao rato o deixava tremendo de raiva. Como a amiga podia ser tão insensível?


Eles ficaram sem se falar após aquela briga na sala comunal, mas Rony aproveitava cada oportunidade para implicar com Hermione: certo dia, Lilá chorava desesperadamente: seu coelho morrera. Mione tentava desacreditar a professora Trelawney, que todos achavam que havia previsto a morte do bichinho de Lilá.


Rony não conseguia assistir aquilo em silêncio, debochara dizendo à Lilá que Hermione achava que os bichos de estimação dos outros não tinham valor. Os dois se fuzilaram com os olhos na hora que a aula deveria começar, e sentaram-se separados.


Rony não fazia questão de conter a raiva dele e não iria voltar a falar com Hermione até ela admitir que estivesse errada. Ela, por outro lado, não conseguia ver maldade em Bichento e achava que Rony estava fazendo um escândalo perante a situação.


Ambos eram muito orgulhosos para dar o braço a torcer e fazerem as pazes, não entendiam o porquê daquela necessidade de discutirem, de provarem um para outro quem era o certo em cada situação do cotidiano.


Apenas esqueceram da briga ao verem Harry desanimado por não poder ir a Hogsmeade. Era a primeira vez que iriam ao povoado, e ver o rosto de desapontamento do amigo parecia desanimá-los um pouco.


Outro sentimento tomou conta de Rony ao lembrar que o amigo não tinha a autorização para visitar o vilarejo. Isso significava que ele e Hermione iriam sozinhos e ele vinha tentando ao máximo evitar que aquele sentimento de constrangimento o tomasse.


Quando chegou o dia da visita, porém, a empolgação era tamanha e Rony distraiu-se junto com a amiga, enquanto visitavam todas as lojas possíveis de Hosgmeade. Era incrível como podiam se divertir juntos, mesmo que Harry não estivesse com eles.


Ele sorriu para a amiga enquanto iam para a Dedosdemel, comprar o máximo de doces que pudessem para Harry.


- Fred e Jorge não estavam mentindo, isso aqui é o máximo mesmo!


- Com certeza!- Hermione caminhava rápido para acompanhar o passo do amigo.- É uma pena que Harry não possa vir, não é?


Ela o mirou, o rosto de desapontamento dela fez o estômago de Rony afundar um pouquinho. Certamente a amiga preferia estar na companhia de Harry. Afinal, ele apenas brigara com ela nos últimos dias. Ele repassou mentalmente todas as discussões que haviam tido devido à perseguição incansável de Bichento à Perebas e lhe pareceu óbvio que sua companhia não devia agradar muito a amiga.


Passaram por um bar que estava apinhado de gente, muitos de seus colegas estavam lá dentro segurando canecas de uma bebida que a primeira olhada, Rony não reconheceu. Uma mulher muito bonita com um corpo em formato violão, levava mais algumas bebidas para uma mesa próxima a porta.


Hermione percebeu onde o olhar do amigo estava e ergueu uma sobrancelha, o rosto intrigado.


- Ah, vamos entrar?


- Tudo bem...- a voz da garota pareceu mais fria de repente, mas Rony não se importou. Logo que sentaram, a mesma mulher loira veio em direção aos dois e eles pediram o mesmo que seus outros colegas estavam tomando.


Rony adorou o sabor da cerveja amanteigada, Hermione bebia de sua caneca, o olhar percorrendo o bar, sem lhe dirigir a palavra.


Ele tentou desviar o olhar, mas permaneceu a observando durante algum tempo, o silêncio começando a incomodar.


- Ei, Mione...- a garota pareceu acordar de seus pensamentos e mirou Rony.- Você acha que Harry vai conseguir autorização para vir para a próxima visita?


Ele tentara puxar esse assunto, pois sabia que obrigaria a amiga a falar.


- Acredito que não, Rony... e além do mais, todos querem que Harry fique no castelo, protegido...


- Eu sei, eu sei... com toda essa história do Black...


- Estamos levando para ele diversos doces para pelo menos tentar anima-lo. Não fique o tentando a sair da escola Rony, você sabe que...


- ... ele não pode.... sei...


Pelo menos depois dessas breves palavras, os dois voltaram a se falar normalmente, puxando assuntos diversos. Hermione chegou a mencionar as aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas e ela e Rony ficaram longos minutos comentando as últimas coisas que haviam aprendido com Lupin, empolgados com o novo professor.


Após tomarem o suficiente de cerveja amanteigada, até pelo menos Rony achar que estava começando a ficar quente dentro do bar, eles saíram para a rua movimentada normalmente e visitaram todos os lugares que restava, encontrando eventualmente alguns colegas nas lojas. Divertiram-se como nunca, esquecendo-se das brigas e até mesmo do silêncio incômodo que antes o tomava.


Enquanto caminhavam de volta para Hogwarts, cheios de todos os doces que puderam carregar, Rony sorria internamente ao constatar que não era impossível ter uma convivência harmoniosa com Hermione e ele sentiu-se muito bem ao atravessar os portões que levavam à Hogwarts junto com a amiga, que tagarelava sem parar sobre todos os trabalhos e deveres que precisariam começar quando chegassem a Torre da Grifinória.


Parecia que haviam entrado em outro mundo quando chegaram à movimentada sala comunal. Logo avistaram Harry e se reuniram a ele, Ron ainda sentindo a sensação engraçada da cerveja amanteigada, que o deixava mais quente e confortável. Logo, estavam contando tudo o que podiam a Harry, sobre o que haviam visitado em Hosgmeade, o garoto já cercado de todos os lados dos melhores doces da Dedosdemel.


(...)


Hermione e Rony haviam falado tanto sobre as aulas de Lupin na viagem à Hogsmeade, que agora parecia surreal ver Snape diante da turma de Defesa Contra as Artes das Trevas.


O professor parecia assemelhar-se com um morcego mais do que nunca, a diferença é que tinha um sorriso de satisfação enquanto bombardeava a turma de perguntas. A mão de Hermione erguia-se repetidamente no ar, mas o professor não lhe dava bola. A garota começou a ficar nitidamente ansiosa, sabia todas as respostas às perguntas do mestre de poções, que aproveitava o momento para debochar dos alunos.


- Ora, ora, ora, nunca pensei que um dia encontraria uma turma de terceiro ano que não soubesse reconhecer um lobisomem quando o visse. Vou fazer questão de informar ao Prof. Dumbledore como vocês estão atrasados...


- Professor, por favor- Mione continuava com a mão erguida, incapaz de se conter começou a falar naquele tom de quem havia engolido o livro-texto- O lobisomem se diferencia do lobo verdadeiro por pequenos detalhes. O focinho do lobisomem...


- Esta é a segunda vez que a senhorita fala sem ser convidada. Menos cinco pontos para a Grifinória, por ter uma intragável sabe-tudo.


Hermione ficou muito vermelha, baixou a mão e ficou olhando para o chão com os olhos cheios de lágrimas. Toda turma olhou feio para Snape. Rony sentiu uma onda de raiva se apoderar dele, não conseguindo acreditar que alguém pudesse ser tão detestável. Ouvir alguém se dirigir à Hermione daquele jeito e ainda fazer com que ela ficasse com aquele olhar desolado e lágrimas que agora lhe caíam no colo, era algo que ele não podia perdoar. Parecia até se esquecer que muitas vezes ele conseguia a ofender, a deixando à beira de lágrimas.


- O senhor nos fez uma pergunta e Hermione sabe a resposta! Por que perguntou se não queira que ninguém respondesse?


Snape caminhou até Rony lentamente. O garoto sustentou seu olhar, a raiva ainda borbulhando dentro dele.


- Detenção, Weasley. E se algum dia eu o ouvir criticar o meu modo de ensinar outra vez, o senhor vai realmente se arrepender.


Rony naquele momento não se importou com nada. Seu cérebro não achava uma resposta lógica ao modo como havia agido naqueles últimos minutos: ele muitas vezes chamara Hermione de sabe-tudo, debochara de sua mania de decorar qualquer livro que permanecesse em suas mãos por tempo suficiente.


Então por que ele sentia-se pessoalmente ofendido com o fato de outra pessoa humilhá-la?


Esse pensamento lhe fugiu à mente da mesma forma que aparecera, ele e Hermione logo voltaram à rotina de brigas e desentendimentos. Estavam sem se falar, desde o dia que Rony encontrara um lençol sujo de sangue, juntamente com tufos de pêlos de Bichento no chão do dormitório.


- Hermione Granger-


Hermione estava sentada em um canto da sala comunal, enquanto o time de quadribol da Grifinória comemorava a vitória contra Corvinal. Tentava ler, mas seus olhos percorriam ansiosos a sala, de minuto em minuto, às vezes localizando Rony apenas para que uma sensação de tristeza a tomasse. Sabia que era algo completamente natural gatos caçarem ratos, mas tinha que ser justamente Bichento que havia devorado Perebas? Recusava-se a aceitar a idéia de que fora indiretamente a responsável pela morte do bichinho de Rony. Sabia que mesmo que o amigo reclamasse do rato, gostava dele o suficiente para estar sendo imensamente mal educado com ela nos últimos dias.


- Vamos, Mione, venha comer alguma coisa.- Harry a convidara, arriscando um olhar para Rony.


- Não posso, Harry. Ainda tenho quatrocentas e vinte e duas páginas para ler. De qualquer modo- ela olhou para Rony também- ele não quer a minha companhia.


Nesse momento, Rony a olhou também. Falou alto, para que todos na sala comunal pudessem escutar:


- Se Perebas não tivesse sido devorado, ele poderia ter comido uma mosca de chocolate. Ele gostava tanto...


Hermione não conseguiu se conter. As lágrimas tomaram seus olhos antes que ela pudesse esconder o rosto. Colocou o livro debaixo do braço e desapareceu escada acima, correndo para se refugiar no dormitório.


Largou o livro em cima da cama e deixou e chorou mais alto ainda, fechando as cortinas ao redor de sua cama com um aceno de varinha. Sentia-se imensamente culpada por Rony não ter mais seu rato e o pior: ela sabia que ele estava na família de Rony há muito tempo. O que a deixava mais triste era saber que Rony não tinha dinheiro para ir à Hosgmeade na próxima viagem e comprar uma coruja. Seu estômago pareceu afundar mais ainda quando pensou o que o rato deveria significar para o amigo: sendo o filho mais novo dos Weasley ele provavelmente viveu durante todo o tempo na Toca, herdando tudo que era dos irmãos e tendo que competir com eles pela atenção dos pais.


E agora, ele fazia questão de esfregar na cara dela que Perebas estava morto, que não havia como remediar o que havia acontecido.


Mesmo com os olhos fechados e lutando para não lembrar, o rosto de Rony imensamente magoado com ela, não saía de seus pensamentos.


Nos dias que se seguiram, Hermione sentia-se imensamente sozinha. Agora, não falava nem mais com Harry, que estava acompanhando Rony na missão de ignorá-la.


Sua tristeza só aumentava, ela passava a maior parte do dia sozinha na sala comunal estudando, ou se refugiava em seu dormitório.


Uma luz pareceu se acender dentro dela: podia visitar Hagrid! Sozinha então, saiu pelo buraco do retrato deixando o pensamento vagar.


Quando chegou aos gramados resolveu tirar Harry e Rony do pensamento, pois toda vez que lembrava dos dois, sentia mais lágrimas teimosas quererem escapar de seus olhos.


Mas quando chegou à cabana de Hagrid, o amigo pareceu perceber que havia algo errado, e logo quis saber realmente o que estava acontecendo.


- Primeiro não queriam mais falar comigo por causa da tal vassoura do Harry. – algumas lágrimas marcavam seu rosto enquanto ela fazia uma breve pausa para tomar um gole de chá da caneca que tinha em mãos.- O que eles esperavam que eu fizesse, Hagrid? A vassoura podia ter sido mandada pelo Black, podia estar cheia de feitiços, magia...


- Você está certa, Mione.- Hagrid não parecia achar que o desabafo da garota era sem sentido, o que a deixava muito mais calma.- Harry não deveria nem pensar em montar em uma vassoura mandada por um desconhecido!


- Pois é! É o que se espera de alguém que tem amor pela própria vida, mas a maioria dos garotos só pensa em Quadribol.


Hagrid sacudiu a cabeça e desviou o olhar por instantes, apenas para lançar ao chão um biscoito velho de cima da mesa para Canino.


- Mas e agora, Mione... o que aconteceu? Por que não estão se falando?


- Perebas...- dessa vez Hermione achou que não conseguiria continuar a falar.- Bichento estava caçando Perebas há-há algum t-tempo e...


Mas ela não precisou terminar. Hagrid foi até ela e lhe deu breves tapinhas no ombro. A garota afundou na poltrona com o impacto.


- Todos os gatos fazem isso, Mione. Não se sinta culpada.


Ela não conseguia mais falar, ficou ali observando Hagrid nos seus afazeres até perceber que já deveria estar na hora de voltar ao castelo. Deixou sobre a mesa do amigo alguns resumos que havia separado para ajudar a inocentar Bicuço.


Foi para Hagrid que ela correu também, quando não achou ninguém para que pudesse extravasar o medo e a agonia que sofrera após saber que Rony fora atacado por Sirius Black.


- P-podia ter sido muito pior!- achava-se à beira de lágrimas de novo.- Ainda não consigo acreditar que aquele homem conseguiu ir até o dormitório dos garotos.


Hagrid escutava atento.


- Acalme-se, Mione... está tudo bem agora.


- Eu sei- a voz dela era histérica.- Se ele tivesse atingido o Rony, n-não sei o que f-faria. Ele não fala comigo há dias, e-eu nem tinha a oportunidade de me desculpar direito com e-ele.


Entre soluços, ela escondeu o rosto na mão e o rosto de Hagrid encheu-se de compreensão. Ele sabia agora o que magoava tanto a garota com o fato de os meninos não estarem falando com ela.


Aparentemente, mais uma pessoa em Hogwarts agora compreendia o por quê de tantas brigas e implicâncias, enquanto Ronald Weasley continuava tentando se convencer que valia mais à pena ficar brigado com Hermione, nem que tivesse que arranjar qualquer desculpa para isso.


Foi Hermione quem quebrou o silêncio após tanto tempo. Hagrid havia a ajudado naqueles últimos dias e ela a ele, com o caso do Bicuço. E agora, aquela carta dobrada em sua mão a fazia sentir-se completamente perdida.


Ao avistar os garotos, não pensou em mais nada. Foi ao encontro deles, ignorando os olhares que a lançavam. Antes que não conseguisse mais falar, pois grossas lágrimas já caíam de seus olhos, ela contou à Harry e Rony que Harry havia perdido o caso e Bicuço provavelmente seria executado.


Rony a olhou, aturdido, visivelmente divido entre as mágoas das brigas que haviam tido e a vontade de consolar Hermione, que continuava chorando enquanto falava.


- O pai de Malfoy deve ter intimidado a Comissão para ela fazer isso. Vocês sabem como ele é. Os outros são um bando de velhos caducos e bobos e ficaram com medo. Mas vai haver recurso, sempre há. Só que não consigo ver nenhuma esperança. Nada vai mudar até lá.


- Vai, sim- incapaz de conter as palavras, Rony falara com ferocidade.- Você não vai ter que fazer o trabalho todo sozinha desta vez, Mione. Eu vou ajudar.


Pega de surpresa, Hermione sentiu como se um gelo derretesse dentro dela. Tinha vontade de abraçar Rony o mais forte que pudesse, dizer à ele tudo que havia ficado entalado em sua garganta.


- Ah, Rony!


Hermione atirara os braços no pescoço de Rony, agora chorando mais do que nunca. O garoto, com cara de terror, acariciava muito sem jeito o topo da cabeça da garota.


Naquele momento ela pareceu momentaneamente esquecer de onde estava, as brigas pareciam não fazer sentido. Abraça-lo era tão bom, mesmo que agora suas lágrimas molhassem as vestes do garoto.


Parecia que aquele breve abraço afastara para longe dela os pensamentos ruins que tivera nos últimos dias.


Ela se afastou e o mirou nos olhos, sentindo um arrepio ao fazer isso.


- Rony, eu realmente sinto muito, muito mesmo, pelo Perebas- soluçava enquanto tentava expor em palavras tudo o que sentia. Ignorando a sensação que a tomava agora que seus olhos estavam colados nos azuis do ruivo.


- Ah...bem... ele estava velho- Rony parecia muitíssimo aliviado por ela ter se afastado- e estava ficando inútil. Nunca se sabe, talvez mamãe e papai me compre uma coruja agora.


Ela tentou se esforçar para sorrir, agora parecia tão patético tê-lo abraçado instantes antes. Mas ela não se arrependera, precisava demonstrar para ele a agonia que sentira por ficarem brigados.


Algo parecia ter inflado dentro de seu peito, algo que tinha um efeito muito mais forte do que a notícia de que havia tirado uma nota boa. Tinha relação com o fato de poder ter desabafado com Rony e chorado em seus braços e ela sorriu para si mesma, aos poucos começando a acreditar no que seus instintos (e pensamentos) queriam dizer.


(...)


Outra lembrança de seu terceiro ano que ainda a fazia rir toda vez que lhe vinha em mente era relacionada ao tapa que dera em Malfoy.


Hagrid estava acompanhando a turma para a entrada do castelo. Falava que não tinha mais esperança, que apenas faria com que os últimos dias do Bicuço fossem os mais felizes.


Saíra chorando, enquanto a voz arrastada de Malfoy chegava aos ouvidos de Hermione.


- Olhem só ele chorando feito um bebezão


Malfoy e seus capangas estavam escutando toda a conversa.


- Vocês já viram uma coisa mais patética? E dizem que ele é nosso professor!


Harry e Rony fizeram menção de ir até Malfoy, mas ela chegara primeiro e metera a mão na cara dele, com toda a força. O barulho do tapa ecoou pelos corredores, Harry e Rony ficaram paralizados.


Hermione tornava, agora, a levantar a mão.


- Não se atreva a chamar Hagrid de patético, seu sujo...seu perverso...


- Mione!- a voz de Rony pareceu chama-la de volta à realidade: dera um tapa em Malfoy. Ainda não sabia como havia reunido coragem suficiente para aquilo. Rony tentava segurar a mão dela.


- Sai, Rony!


Hermione puxara a varinha. Malfoy recuara, Crabbe e Goyle permaneciam parados, abobados.


- Vamos.- os três desapareceram.


- Mione!- Rony parecia ao mesmo tempo espantado e impressionado.


Jamais parara realmente para pensar o porquê de Hermione ter sido escolhida para Grifinória ao invés da Corvinal, mas naquele momento ficou claro para ele. O modo como ela parecia ter domínio da situação: simplesmente decidira que não iria aturar desaforos de Malfoy.


Rony sentiu orgulho da amiga, não pôde evitar sorrir enquanto escutava a voz dela, decidida.


- Harry, acho bom você dar uma surra nele na final de quadribol! Acho bom dar, porque não vou suportar ver Sonserina vencer.


Novamente, aquela sensação de desapontamento o tomou. Ele estava ali do lado dele todo aquele tempo, ela não parecia ter ouvido uma palavra do que ele dissera.


- Está na hora da aula de feitiços- Rony falou, enquanto olhava para Mione. - É melhor a gente ir andando.


Rony continuou com a impressão de que estava sentindo algo que não pertencia à ele. O fato de Hermione se dirigir à Harry pedindo que ele derrotasse Sonserina no quadribol não deveria o irritar, então porque ele sentia-se na obrigação de fazer a garota perceber que ele estava ali ao lado dela?


Hermione ficou tão cheia de deveres nos dias que se seguiram que Rony viu uma oportunidade no meio de tanta confusão de sentimentos: assumira a responsabilidade pela defesa do Bicuço para ajudá-la, assim sobrava mais tempo para a garota se dedicar à todos os deveres e trabalhos atrasados, que se acumulavam conforme o ano letivo se aproximava do fim. Hermione o agradecera pela ajuda, sorrindo, contente de ver que o amigo também tinha interesse em ajudar Hagrid com o caso do bicuço.


Aquele ano certamente fora crucial na amizade dos dois, ou o que quer que fosse que estava nascendo ali. Hermione começou a sentir-se incomodada ao corar quando recebia um elogio de Rony, e levemente desapontada quando ele não estava por perto.


Rony, por outro lado, não parecia querer admitir para si mesmo tão sedo todo o conflito que estava travando contra ele mesmo. Preferia justificar seus atos em outras coisas, justificando para ele e para Harry, por exemplo, que só assumira o caso de Bicuço porque prometa para Hermione quando fizeram as pazes.


Mas Harry, assim como Hermione, não parecia ignorar o fato de que algo mais começava a crescer entre seus dois melhores amigos.


(....)


Hermione xingou-se mentalmente: havia dormido por mais tempo do que gostaria. Agora mais atenta e acordada, ela se assustou com um barulho de respiração, mais vigorosa do que deveria ser, que vinha do lado de sua cama.


Deve ser a Gina, ainda dormindo... quem sabe não é tão tarde assim....”


Sim, haviam cabelos ruivos espalhados na cama ao lado. Mas não eram de Gina. Eram mais curtos, mais desalinhados, e a pessoa parecia estar deitada de um jeito esquisito, como se tivesse pegado no sono sentado, e aos poucos tombasse para o lado em direção à inconsciência.


Rony!”


Teve que conter seus instintos de pronunciar o nome dele em voz alta. Seu coração deu um salto e pareceu bater de um jeito irregular, enquanto ela controlava a respiração que havia acelerado apenas pela visão do garoto. Era uma sensação incômoda o ver ali, tão próximo, quando seu pensamento vagara ao redor de lembranças dele durante todo o tempo que estivera acordada aquele dia e certamente seus sonhos não haviam sido muito diferentes.


Os olhos dele abriram lentamente, parecia que a força do pensamento dela, ao ver ele, havia o atingido e o feito acordar. Rapidamente ele se endireitou na cama, assustado.


- Você acordou? Ahn...nossa, desculpa.... – a voz dele era rouca. Aparentemente ele estava dormindo profundamente.


- Desculpar você por quê...?- ela tentou estabilizar a voz dela o máximo que pôde, mas mesmo assim teve a sensação de que tremia.


Ele se levantou, ajeitando os cabelos. Virou-se de costas para ela, e começou a esticar as cobertas da cama da irmã, antes perfeitamente alinhadas, agora levemente bagunçadas devido ao seu cochilo.


- Peguei no sono, sem perceber... - ele continuou ajeitando a roupa de cama, mas Hermione percebeu que agora, ela já estava perfeitamente arrumada.


- Onde está Gina?- Hermione estava tonta com a mudança brusca de cenário. Ele estava ali ao seu lado o tempo todo, enquanto ela vagava por suas lembranças.


- Já desceu para tomar café.- ele finalmente parou de tentar ajeitar a cama, que estava impecável, parecendo perceber que o gesto estava se tornando repetitivo. Resolveu não dar maiores detalhes, quando na verdade a irmã já deveria ter terminado seu café e estava em algum lugar da casa provavelmente aos beijos com Harry.


Virou-se lentamente e se sentou. Parecia não querer encarar Hermione nos olhos.


- Hum...certo Hermione puxou o edredom que a tapava um pouco mais para cima, para ter certeza de que suas pernas nuas não estavam visíveis.


- Eu, ahn, estava indo ajudar nas tarefas de casa, você sabe...- Ron finalmente a olhou nos olhos.-... quando vi que Gina já estava acordada. Resolvi vir ver se...você precisava de alguma coisa....


Ele achou que aquilo era o melhor a ser dito. Abaixou a cabeça novamente, seu rosto agora tão vermelho como seus cabelos. Hermione sentiu que corava também. Por que aquela simples conversa era tão tensa de repente? Será que não conseguiriam mais manter uma postura adequada e indiferente perante o outro?


Ela se recostou na cabeceira da cama, cruzando os braços sobre a barriga.


- É muito atencioso de sua parte Ron... mas, aparentemente você ainda precisava de algumas horas de sono.


Ele riu de um jeito espontâneo e lhe dirigiu um olhar cheio de significados que ela ainda não conseguia captar.


- Eu...não consegui dormir muito bem, Mione...- ele tossiu propositadamente, limpando a garganta. Se sorriso aos poucos se dissolveu.


Ele se sentou na beirada da cama dela. Longe demais para que ela pudesse esticar os braços e o abraçar. A vontade de ir ao encontro dele era tão forte, chegava a sentir fisicamente a dor da distância.


- Tudo isso, toda essa situação...me fez pensar tanto...- ele olhou para cima, aparentemente perdido nos seus pensamentos.- Não sei se é o fato de que daqui a pouco você estará em Hogwarts ou se a morte de Fred e todas as outras ainda estão pairando sobre a minha cabeça. Só sei que...eu fico me perguntando se teria agüentado a dor se...


Ele não continuou. Escondeu os olhos com as mãos, os cotovelos pousados nos joelhos.


- Eu jamais me perdoaria se algo acontecesse com você...- a voz dele era tão forte agora, a frase provocou uma alteração repentina nos batimentos cardíacos de Hermione. – Quando estávamos na mansão dos Malfoy e...e..tudo aquilo aconteceu eu não suportava a dor que parecia querer rasgar meu peito...o medo de que machucassem você, o temor de pensar naquelas garras imundas de Greyback sobre você...


Ele respirava tão rápido agora. A respiração de Hermione acompanhava a dele. Ela se moveu de onde estava, tentando manter as cobertas sobre si. Os dois haviam adiado aquela conversa sobre a guerra, e agora parecia que tudo queria aflorar de uma vez só.


- Ron eu...


- Mione o som mais apavorante que eu já ouvi na minha vida, foram aqueles gritos...e eu não...não podia fazer nada...eu...


- Eu escutei você!- ela chorava, mas mantinha a voz firme.- Eu escutei você gritando meu nome...


Ele olhou fundo nos olhos dela, um pequeno sorriso nos lábios.


- Eu queria muito que escutasse...que soubesse que eu estava lá...


- Você sempre esteve, Ron...- aquela última frase saiu mais como um sopro, mas ele pareceu compreender.


- Não...- ele balançou a cabeça.- Durante todo esse tempo eu joguei fora muitas oportunidades de estar ao seu lado...


Ela sentiu um gelo no estômago. Não gostava de lembrar da sensação que sentia, da raiva que extravasava do seu corpo na forma de lágrimas, toda vez que via Ron e Lilá abraçados, ou se beijando.


- Eu já disse a você, eu espero um dia poder compensar tudo isso...- a mão dele, hesitante, se ergueu no ar, alcançando seu rosto e secando uma lágrima.- Sinto que envelheci uns cem anos depois desse guerra...


Ela riu. A sensação do toque dele deixou um rastro quente em seu rosto.


- Eu estou percebendo a mudança Rony...- Ele deixou a mão cair. Parecia cansado.


A risada dela agora foi mais verdadeira. Porém, ele continuava sério.


- Ai, Ronald Weasley....quantas indiretas eu te dei?- ela balançou a cabeça, rindo da própria ingenuidade. Aquelas situações pareciam ter acontecido há séculos atrás. Continuou com sua cabeça baixa, deixando as lembranças fluírem. - O baile de inverno...achei que aquele seria o marco...achei que você iria...


- O baile?- ele pareceu apavorado por um momento. – Não me lembre do nosso quarto ano. Chego a escutar a voz daquele búlgaro nojento na minha cabeça...e ainda tem a cara de pau de aparecer no casamento do Gui...


- Ah! Mas pelo menos no casamento a simples aparição de Vítor fez com que eu ganhasse uma dança!


Aquela frase pareceu surtir efeito. Ele estava muito vermelho agora.


- Considerando o baile de inverno e a festa do Slughorn...bom....eu estava te devendo...


- Hum..certo...por um momento tinha esquecido aquele festa...


Ela lembrou da cena, no sexto ano em Hogwards, em que falou para ele que, na verdade, estava pensando em convidá-lo para ir à festa de Slughorn. O rosto de Harry, extremamente constrangido por estar assistindo a cena, a expressão de surpresa no rosto de Ron, que acabara de esnobar a festa, falando que não gostaria de ir.


Os dois sorriram um para o outro, constrangidos. Como era possível que mesmo após tudo que tivessem vivo na Toca nos últimos dias ainda houvesse tanto constrangimento pairando entre os dois?


A tensão que se formou parecia palpável. Os dois permaneceram em silêncio por longos minutos.


- Além do baile e...bom...todas essas situações que parecem se repetir com a gente...- Hermione sorriu, não sabia se podia continuar. Tinha certeza de que estava muito vermelha, sentia seu rosto fervendo. - Eu..ahn..achei que tinha deixado claro pra você o que sentia...quero dizer, após a nossa conversa aquele dia... o dia que Jorge voltou...


Mesmo com todo constrangimento de estar falando isso para ele, ela sustentou seu olhar.


Arrepios percorreram seus braços ao ficar olhando para ele assim. Ele não dava sinais de que ia desistir de fazê-la falar, com todas as palavras, o que estava querendo dizer.


Ela abriu a boca para falar, mas as palavras faltaram. Seu cérebro funcionava a mil por hora, mas ela não sabia direito como se expressar. Teria que dar o primeiro passo, exatamente como quando o havia beijado.


- Harry me falou que não estava nem um pouco surpreso com...ahn...aquele beijo que você me deu...- ele estava extremamente corado, mas ainda a olhava.


Ela soltou o ar dos pulmões quase com alívio. Aquilo dava tempo para ela pensar. Pelo menos a palavra beijo tinha sido pronunciada por ele antes que ela precisasse trazer o assunto à tona.


- Hum...eu não sei se estou mais surpresa pelo fato de você conversar essas coisas com o Harry, ou pelo fato de você falar como se eu fosse a culpada...


Ele franziu o cenho, mas ela sorria então ele sentiu que podia continuar.


- Culpada?


- Sinceramente, Ronald! Eu beijei você!? Tudo bem eu posso ter dado o primeiro passo, mas você se recuperou do susto rapidinho!


Ela sentia que sofreria um desmaio a qualquer momento, mesmo estando sentada. Ela tentava controlar o seu corpo, mas era impossível. Ron deveria ter certeza do quão nervosa ela estava, sua respiração a denunciava. Seu peito movia-se rapidamente, quase como se lhe faltasse o ar.


- Susto?- ele falou, com a voz rouca, rindo. – Surpreso, sim...assustado não...


Ele se movimentou lentamente para mais perto dela. Instintivamente, ela recuou o corpo para trás.


Parecia completamente ciente de que seu cabelo deveria estar desarrumado e ainda estava com seu hálito matinal, provavelmente. Mas o ruivo parecia não se importar e agora estava a centímetros de distância.


- Hermione... você sabe tão bem quanto eu que eu não tenho nenhum arrependimento do que aconteceu....- o calor do corpo dele agora era tão próximo, tão real.


Era tão estranho o ver agindo assim. Ela não pôde conter um sorriso, sempre era tão irônica com ele em todas as situações, sempre o cobrando em relação as suas responsabilidades, ou o chamando de guloso, exigindo que estudasse... Os papéis pareciam ter se invertido porque naquele momento, ela sentia-se completamente vulnerável.


- Você acha que eu viria até aqui por quê? Se eu tivesse algum arrependimento do que aconteceu. Eu voltei, apesar da situação constrangedora que fiquei na noite passada...


- Hum..você podia ter tido a idéia de vir até aqui para pegar seu moletom de volta...- ela tentou desviar lentamente o assunto enquanto ria, sentindo que deveria estar muito vermelha. Ele riu também, seus olhos pousaram no corpo dela. Se estava olhando o moletom ou ela, ela nunca soube dizer.


Ele ergueu apenas uma sobrancelha. Seu tom de voz agora era consistente, mas baixo o suficiente para que ela tivesse a impressão de que estava sonhando. Parecia tão surreal.


- Tem razão...- ele a olhou nos olhos. A intensidade do olhar dele causou nela a nítida sensação de que não pertencia ao seu corpo, parecia entorpecida pela presença dele, pela sensação do hálito quente dele alcançando a boca dela. Havia algo no olhar dele, que ela não conseguia decifrar.- Principalmente após a noite passada eu fiquei pensando... estava na hora de eu vir pegar algo de volta...


Antes que ela pudesse entender o que estava acontecendo, a mão dele já estava em sua nuca, a puxado para perto. Ela teve a impressão de que uma corrente elétrica havia percorrido seu corpo e no próximo momento tudo que sentiu foram os lábios dele nos dela, e a urgência que parecia aflorar daquele momento.


Ela pareceu se esquecer de onde estava e principalmente, da roupa que estava. Ela sorriu internamente ao se dar conta de que ele estava realmente se vingando daquele beijo que ela havia dado nele. Agora ele havia a pego de surpresa. Não sabia se era a sensação de perda que pairava diante dos dois pelo fato de o início das aulas de Hogwarts se aproximarem cada vez mais, mas sabia que os dois só haviam dado aquele passo porque sentiam que a relação de ambos não podia continuar do jeito que estava. Sem avançar ou recuar: apenas parada no mesmo ponto. Após quase terem chegado a esse ponto, antes de serem interrompidos na noite anterior, ambos sentiam que daquele jeito que estava a situação não podia continuar.


Ele aprofundou o beijo enquanto sua outra mão encontrava as costas de Hermione. Ela tentava manter controle dos seus pensamentos, mas o gosto dele parecia ter tomado todo o seu ser. Aquele beijo parecia extremamente melhor que o primeiro que haviam trocado antes da guerra. Parecia que suas bocas se conheciam, ou ainda mais, ansiavam uma pela outra, e a língua dele explorava cada espaço, causando nela sensações que jamais pensou que poderia sentir. Tentava corresponder à altura, as mãos dela estavam agora nos cabelos dele, puxando ele para mais perto, mesmo que não houvesse mais espaço para ser quebrado.


Mas o mais maravilhoso era saber que dessa vez, ele havia a beijado. Era como se ele quisesse a fazer sentir tudo que ele sentiu quando foi beijado por ela. Ela não podia acreditar que causava todas aquelas sensações nele.


A mão dele desceu pelo pescoço dela, alcançou seus ombros. Parecia relutante, mas tão certo de si. Pressionou mais seu corpo contra o dela. Tinha medo de se descontrolar. Era tão maravilhoso beijá-la, ele sentia como se não fosse capaz de parar.


Ele buscou ar, separando seus lábios por um momento. Ela abriu os olhos e o encarou, suas respirações pareciam uma só.


- Ron...- ela conseguiu sussurrar. Todo seu corpo estava moldado no corpo do ruivo.


Ele tinha um brilho no olhar, a mão dele passeava pelo rosto dela. Ela não conseguia se lembrar de outro momento em que tivesse se sentido mais feliz.


Pareciam ter sido arrancados de um mundo que era só deles, no momento em que escutaram passos rangendo no piso de madeira.


Ron não dava sinais de que iria soltá-la.


- Novamente sendo interrompidos. Não pense que você vai se livrar de mim tão fácil... - ele sussurrou em seu ouvido.


Ele não a largou, apenas virou seu corpo em direção a porta. Hermione sentiu-se uma boba naquela situação. Tentou cobrir as pernas expostas, ajeitando-se do jeito mais digno que conseguiu antes que a Sra. Weasley adentrasse o quarto.


Ela não pareceu surpresa de encontrá-los abraçados daquele jeito tão próximos, porém Hermione sentia as bochechas queimarem.


Molly Weasley sorriu, de um jeito contido, mas sincero. As duas mãos nos quadris, demonstrando uma postura de comando, como sempre fazia.


- Eu entendo que não queira deixar Hermione sozinha, Ronald...mas poderia deixar a garota pelo menos se trocar para ir tomar café... eu estava o procurando há tempos. Precisam de sua ajuda lá embaixo.


Ele sorriu de volta para a mãe, sem contestar a autoridade.


- Ahn...certo...- ele largou Hermione rapidamente. Parecia que o quarto se tornara repentinamente frio, agora que ele se afastava.- Eu espero você lá embaixo Mione...


Ele saiu do quarto, parecia extremamente constrangido, da mesma forma que Hermione estava agora.


- Querida, quando quiser o café está na mesa. – ela pareceu se virar para sair. Permaneceu um tempo parada na soleira da porta. Virou o rosto para Hermione e suspirou, sorrindo.


Hermione sorriu de volta. Não sabia ao certo o que se passava na mente da Sra. Weasley.


- Merlim sabe o quanto eu quis que vocês se acertassem... – após dirigir essa última frase à Hermione, a Sra. Weasley saiu do quarto, fechando a porta.


Hermione sentiu-se mais calma. Todos, inclusive Molly Weasley, pareciam perceber que a história dela e de Ron não estava começando agora, mas já havia começado há muito tempo, ainda quando ela era apenas uma garota de quase doze anos, com cabelos muito fofos e dentes da frente grandes demais, implicando com o ruivo naquele vagão do Expresso de Hogwards, onde a linha do tempo deles se entrelaçou de uma maneira que ela sabia, jamais poderia ser desfeita.

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