CAPITULO 79 – A FERRO E FOGO
Os primeiros raios da manhã acordaram Hermione. Suspirando, ela sentiu o corpo morno ao seu lado e suspirou. Havia se rendido e dormido na mesma cama, apesar do temor de machucá-lo. Por sorte, acordava na mesma posição em que deitara na noite anterior.
De lado, próxima, mas não o tocando. Rony dormia calmamente, e ela tocou sua testa para sentir se ainda havia febre.
Um pouco febril, porém, menos assustador que nos últimos dias. Se espreguiçando, ela sentia uma felicidade tão grande dento de si por saber que estavam juntos e que teriam uma chance de recomeçar, que nada poderia obscurecer seu sorriso e seu bom humor.
Observou satisfeita que Molly Wesley deveria estar na casa, pois a janela estava aberta, aliviando um pouco o calor, e havia uma tigela com mingau numa bandeja, além de uma xícara de chá, obviamente para ela.
Sorrindo, curvou o corpo e beijou delicadamente os lábios de Rony, não desejando acordá-lo ainda. Precisava de um pouco de sono para recuperar as forças pra se curar mais rápido.
Quando se afastou, notou seus olhos azuis, muito claros, fitando-a com surpresa e satisfação.
-Não desejava acordá-lo – desculpou-se.
-Acordei há bastante tempo, desde quando minha mãe entrou no quarto – ele contou feliz em notar que ela estava linda, macia e perfumada ao seu lado. – Dormiu comigo...
-Bem, alguém tinha que fazê-lo – tentou dar um ar menos importante ao seu feito – Sua febre baixou...
-Mesmo? Porque me sento muito quente... – ele provocou, adorando o modo como ela corou.
-Não diga isso.
-Porque não? A mulher que amo salvou a minha vida, e está ao meu lado, linda e sensual, e não tenho o direito de ficar animado?
-É um fanfarrão! – ela se afastou, maneando cabeça e negando-se a deixar-se levar por sua sedução. – Preciso limpar a ferida e desinfetá-la. Além disso, alguém precisa fiscalizar o que Harry anda fazendo. Sabe, Suares está sendo de muita valia, Harry é muito novo nisso, não tem nem idéia do que está fazendo!
-Não é preciso que Harry me substitua! – ele disse com uma sombra em sua face e ela parou de arrumar as cobertas e fixou o olhar nele.
-Harry não o esta substituindo. Está apenas cumprindo seu dever depois de colocá-lo em uma briga de bar e quase causar sua morte! Muito justo que tenha sua parcela de sofrimento. – respondeu com naturalidade. – Ginerva não lhe contou que tem certeza que a letra de Harry foi falsificada por aquela mulher, sua amante... Digo sua ex-amiga Lilá Brown?
Era louvável o esforço que fazia para não brigar e não causar comoção em Rony.
-Gina nunca tem tempo para conversarmos – ele contou, notando o lindo sorriso que nasceu em sua face – Tem feito minha irmã de doméstica Hermione?
-Sim, e não vi ninguém reclamar. Nada de gritos, esperneio ou reclamações. Gina está quase humana, se me permite dizer – ironizou, recebendo uma risada de Rony como presente.
-Vem aqui Hermione – ele estendeu uma das mãos em sua direção.
Hermione vestia apenas a camisola, a preferida dele, que tinha mais renda que tecido, e se ajoelhou sobre a cama, ficando bem perto.
-Não pode fazer esforços – lembrou-o.
-Quero apenas um beijo de bom dia – disse inocente.
Hermione se curvou ainda mais, os cabelos longos caindo sobre o peito de Rony, as mãos apoiadas no colchão e encostou os lábios nos dele. Era um beijo calmo e doce. Não queria agitá-lo.
Uma das mãos de Rony subiu para sua cabeça e a trouxeram mais perto, o beijo crescendo rapidamente.
-Rony, não – tentou se afastar.
-Alguns beijos não vão me matar. – garantiu com os olhos brilhantes – Tranque a porta Hermione...
-Isso vai machucá-lo... – ela disse tentando ser racional.
-Seremos vagarosos e cuidadosos – seduziu-a, lambendo seus lábios com a língua.
Hermione correspondeu a mais esse beijo, esquecendo das implicações e saindo da cama. Estava prestes a trancar a porta como Rony pedira quando ouviu o som de vozes alteradas.
-Quem esta gritando? - ele perguntou confuso.
-Não sei, mas está na hora de deixar bem claro que escândalos, gritos e brigas estão proibidos nessa casa! - ela disse fechando a expressão e se apoiando na janela aberta, olhando para fora para descobrir o que é que estava acontecendo. – Eu não acredito!
Ela se afastou da janela, pálida e furiosa.
-O que está acontecendo lá fora? – perguntou se alterando.
-Fique ai mesmo! - ela disse mal criada, a fúria crescendo tão rápido que via tudo vermelho diante dos seus olhos.
-Hermione! Diga-me o que está acontecendo!
-Não ouse levantar! – ela gritou, enquanto revirava o conteúdo de uma gaveta até achar o que procurava.
-Hermione! – ele arregalou os olhos ao ver a arma em suas mãos.
-Está na hora de resolver esse problema do meu jeito! – avisou ante de sair e trancar a porta por fora, impedindo-o de sair do quarto.
Rony chamou seu nome varias vezes, até que a dor o fez se calar.
Hermione marchou para a porta da frente, a arma nas mãos. Daria uma lição nessa sem vergonha, ah se daria!
Gina estava de pé na varanda, tentando espantar a visita indesejada. Lilá estava vestida impecavelmente, toda em vermelho, o corpo tão sedutor e as faces tão meigas que encantariam o mais forte dos homens. Ela deu um passo para trás quando Hermione surgiu na varanda, com um olhar que causava medo.
-O que está fazendo aqui? – foi logo perguntando.
-Quero ver Rony. Tenho que ver o homem da minha vida antes que ele morra!
-Cale a boca sua louca! Ele não vai morrer! – Gina interferiu.
-Entre em casa Gina – Hermione mandou, e quando Gina notou a arma em suas mãos ficou completamente imóvel - eu mandei entrar!
Correndo, obedeceu, correndo também para encontrar Harry ou alguém que impedisse Hermione de fazer uma besteira.
-Por sua causa Rony quase morreu – ela disse furiosa – Por suas mentiras e intrigas! Como ousa vir arte aqui? Como ousa por seus pés em nossas terras depois de tudo que fez?!
-Rony é meu homem! Não saio daqui sem vê-lo! Sem confortá-lo! Saia da frente sua roceira! – Lilá pareceu perder o medo, tentando avançar.
Hermione apontou a arma diretamente para seu belo rosto e Lilá saltou para trás, pavor em suas faces.
-Eu deveria ter cuidado de você do meu modo há muito tempo atrás! Deixar Rony tomar a dianteira com uma vadia como você foi à maior loucura! Não merece ponderação, merece um tiro na cara para aprender a ter respeito!
-Não pode atirar! Sua louca! Não pode me matar!
-E por que não? Quem vai reclamar sua morte? Quem vai reclamar a morte de uma cortesã? – ironizou, notando sua palidez. Lilá estava perto de um desmaio de medo. - Vou te mostrar o que acontece quando uma vadia se mete com uma mulher louca! Louca de ódio! Saia da minha fazenda agora!
Seus gritos haviam atraído a atenção dos empregados, mas ninguém ousava interferir.
-Louca! – Lilá ainda provocava, talvez achando que não atiraria – Sua louca! Rony é meu! Rony...
O som de um tiro cortou o ar e Lilá saltou para o lado, quando a bala atingiu o chão de terra seca bem ao seu lado, levantando poeira.
-AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!- seu grito histérico fez eco a outro tiro que acertou o lado esquerdo, muito perto dos seus pés – Pare! Pare com isso! Não atire!
Desesperada, Lilá se movia ao som dos tiros tentando escapar, sem notar que não mirava para acertar.
-SAIA DA MINHA FAZENDA AGORA! SAIA DA MINHA VIDA! – um tiro acertou acima da cabeça de Lilá, levando seu chapéu elegante para o chão.
Esse grito foi particularmente horrorizado, e Lilá correu em direção ao cavalo que a trouxera. Havia um garotinho que obviamente viera puxando as rédeas pelas mãos, enquanto ela seguia sobre o lombo do animal, como uma rainha.
-Não ouse! – Hermione gritou com a arma apontada agora para a cabeça de Lilá – Vai voltar a pé.
-Mas eu... Eu... Oh Deus... – Lilá pareceu prestes a um desmaio, a face até então bela suada, e o medo tornando-a uma máscara de horror e feiúra. A pesada maquiagem borrada e escorrendo pela tez branca.
-Vá embora agora! Não me ouviu? – seu dedo no gatilho se moveu e Lilá saiu correndo, sabendo em seu íntimo que mais uma vez e ela acertaria.
Um dos meninos de Juanita correu para fechar a porteira, e parecia achar aquilo tudo muito divertido. Olhando para a platéia a sua volta, ela abaixou a arma dizendo:
-Voltem ao trabalho!
Irritada, virou-se para entrar em casa dando-se de cara com a expressão chocada de Gina e com a expressão divertida de Molly Wesley.
-O que fez Hermione? – Gina perguntou ainda horrorizada.
-Resolvei o problema do meu modo – disse cínica – Cansei de esperar que ela tomasse vergonha na cara!
Molly apenas maneou a cabeça e mandou a filha caçula voltar a fazer o almoço ao lado de Juanita e assar mais pão, enquanto abria um lindo sorriso para a nora.
Hermione voltou para o quarto, destrancou a porta e entrou.
Rony estava esperando por ela, aflito, pois ouvira os tiros.
-O que aconteceu? – perguntou.
-Nada. – disse aliviada, e sentindo-se livre de toda a agonia que sentira nos últimos tempos desde que Lilá entrara em sua vida – Não aconteceu nada de importante...
Ela sorria tão bonita e satisfeita que ele sentiu um arrepio de medo.
-Ouvi tiros Hermione! – exigiu uma resposta.
-Cansei de esperar que resolvesse o problema Lilá do seu jeito – disse séria – Então, eu mesma resolvi! E não me venha dizer que pode nos causar problemas! Lilá Brown já é um problema! – havia rudeza em sua voz e ele suavizou a própria expressão.
-Tem razão Hermione. Não soube lidar com a situação. Desculpe-me.
Vendo sua expressão tão séria, ela deixou a arma sobre cômoda e se aproximou, sentando na cama, muito perto dele.
-Fez o que deveria fazer. É um homem que acredita nas pessoas. Felizmente ou infelizmente, eu não sou assim. Sei quando uma pessoa não presta e não acredito em sua recuperação até ver seus atos. Agora, tenho certeza que aquela uma não terá mais coragem de se meter na nossa vida!
-Não a machucou não é? – ele acariciou seu rosto e ela fechou os olhos, sentindo uma fisgada de ciúmes por sua preocupação com Lilá.
-Atirei para errar. Dessa vez atirei para errar – era uma clara ameaça.
-E de onde surgiu essa arma? Com balas? - ele perguntou irritado, olhando para o objeto – Já não disse que não quero armas em suas mãos?
-Disse. – ela concordou – Acontece que não manda em mim. E se está tão bem para brigar, não precisa que eu fique de babá! – afastou-se irritada.
Rony pretendia brigar mais, mas parou. Hermione nem percebeu o show que executava enquanto se trocava na sua frente. Tirou a camisola pela cabeça revelando as costas suaves que logo foram cobertas pelos cabelos, revelando suas nádegas redondas e apetitosas e as pernas curtas e finas, curvilíneas.
Andando pelo quarto, apanhou as roupas de baixo, vestindo a calça íntima e colocando o colete sobre os seios, enquanto fechava os botões perolados, virou-se de frente, talvez esperando conversar, mas se calou diante da intensidade do seu olhar.
Seus dedos quase não conseguiram fechar os botões, mas quando conseguiu, vestiu o vestido apressada e trançou os cabelos.
-Vai me deixar sozinho? – ele perguntou chantagista.
-É claro que não. Vou pegar um livro e já volto.
-Mande Harry vir me ver – ele pediu antes que saísse – ele não vai fugir de mim para sempre... - disse para o vazio do quarto, quando ela fechou a porta.
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Rony estava quase convencido que aquele tiro viera para o bem e não para o mal. Paparicado por Hermione. Acarinhado por Hermione. Bem tratado, beijado, elogiado... Hermione estava sendo exatamente como ele sempre sonhara!
E era melhor que em seus sonhos, com toda a certeza! Ela parou as garfadas do seu almoço que lhe dava na boca, com toda a gentileza de uma mulher apaixonada e olhou para trás.
De pé, esperando permissão para entrar, Harry estava imóvel, um chapéu na mão, as roupas gastas pelo suor e o trabalho no campo. Afinal, em Londres ninguém sabia que linho e seda não sobreviveriam a um dia de plantio!
-Pode nos deixar a sós Hermione? – pediu e ela negou.
-Precisa comer – justificou, mas na verdade não queria deixá-los sozinhos.
-Hermione – ele recusou uma garfada de comida, exigindo que lhe desse espaço.
-Vou ficar no corredor – avisou.
-Não, não vai – ele mandou. – Quero privacidade Hermione.
-Sim, eu sei que quer. Privacidade para abrir os pontos e fazer a ferida sangrar novamente? – jogou em sua cara, e ele fechou a expressão.
-Vamos apenas conversar. – barganhou.
-Então, porque não posso ficar?
-Porque falaremos de você – ele respondeu pacientemente.
-Mais uma razão para que eu fique! – irritou-se.
-Hermione, não me obrigue a brigar com você. Precisamos de apenas alguns minutos para conversar.
Desconfiada, acabou aceitando. Quando passou por Harry, carregando a bandeja, disse em alto e bom tom, para que Rony ouvisse e entendesse:
-Ele não pode se exaltar. Mantenha os ânimos frios!
Harry nem ousou responder. Alguns passos para dentro do quarto e Harry parou. Cabeça baixa. Culpa o fazia submisso e humilhado.
-Para quando é o casamento? – Rony perguntou sério, mas havia algo em seu olhar, um brilho que Harry não notou. Algo quase zombeteiro.
-Antecipamos para daqui a sete dias – respondeu formal.
-E Gina aceitou?
-Ela não tem muita escolha quanto a isso. – respondeu, engolindo a seco – Hermione não lhe deu direito a escolha. Vai se casar obrigada.
-Pobrezinha, tenho certeza que deve estar às lágrimas – ele brincou, mas Harry não notou, achou ser uma ironia.
-Está cuidando da fazenda – ele disse notando o rubor manchar as faces de Harry.
Era constrangimento por algo que ele não sabia.
-Infelizmente, creio estar atrapalhando mais do que ajudando. Hermione exigiu que compensasse o mal que fiz, mas se não fosse seu capataz, confesso, estaria perdido.
-É bem feito para que pense duas vezes antes de desonrar a irmã de alguém!
-Ronald, eu... – ele conteve-se a tempo, pensativo -... Deveria dizer que sinto muito, mas não posso. Gina é tudo que sempre quis. Não sinto ter conhecido-a ou me descontrolado, e isso faz de mim o pior dos homens!
-Sim, faz – Rony concordou.
-Estou sinceramente arrependido de ter ido aquele bar. De ter bebido e nos colocado naquela situação. Se houvesse morrido eu... Jamais me perdoaria!
-É sua culpa ter usado de minha confiança e ter possuído minha irmã. Mas também é culpa minha ter deixado-o logo lado a lado com a ovelha, e acredite quando digo, não sei qual dos dois é o lobo e qual é a ovelha. Ginerva será sua punição Harry. Terá que conviver com a megera até o fim dos seus dias, e me certificarei que cuide muito bem dela nem que isso lhe custe sua paciência e sua fortuna!
-Gina não é uma megera! – apressou-se a defendê-la – Passou por um grande susto, e é uma pena, mas não me deixa me aproximar e consolá-la – admitiu – Rony tem idéia do que seria da minha vida se houvesse morrido? A culpa me assolaria até o fim dos dias! Eu...
-Hum, você fala muito de culpa Harry – ele cortou – Estive a um passo da morte, mas não vou mentir dizendo que isso me mudou ou me fez ver algo diferente em mim mesmo. Continuo o mesmo homem, o mesmo que não perde uma oportunidade na vida. Se a irmã não fosse minha, e o desejo fosse meu, pode ter certeza que teria feito o mesmo. Não sou um santo, e não posso pedir que seja um. O assunto Ginerva está superado, desde que esse casamento saia o mais rápido possível. E não se atreva a dizer que é culpado pelo que acontece novamente, o único culpado foi quem apertou o gatilho!
-Fui fraco e não o apanhei – Harry confessou humilde – Deveria tê-lo detido e garantido que fosse preso, mas fiquei louco quando vi que havia sido atingido. Não pensei.
-Acho minha vida mais importante do que a prisão do homem que atirou em mim – ainda havia um tom zombeteiro em sua voz.
Ria por dentro da expressão de Harry. Havia lhe perdoado há muito tempo, quando entendera que ambos estiveram errados naquele momento absurdo.
-Tenho uma confissão a fazer – Harry tinha a expressão pesada – Peço que me ouça até o fim.
-Fale – instigou, já sabendo o que ouviria.
-Amo Hermione. – Colocou para fora – não me pergunte que tipo de amor, pois ainda não sei. Amo Ginerva, um amor que me faz arder e desejar, mas não sinto isso por Hermione. Tenho medo de ser um amor ainda maior, por ser platônico, mas jamais, ouça, jamais tomei ou tomarei liberdades com ela. Pretendo construir uma família ao lado de Gina, e ser feliz. Não quero perder meu melhor amigo por um sentimento que jamais vou dar ouvido. Um sentimento que não muda quem eu sou, ou a minha honestidade. Ronald...
-Não precisa continuar – aquele assunto era pesado demais para ele naquele momento – Não falaremos mais disso. Hermione não será um assunto entre nós dois, não com cunho amoroso. É minha mulher, sei que um dia a amará desse modo Harry, como amiga.
-É tudo que mais desejo. Que me perdoe pelas mentiras, que me perdoe pelas palavras ásperas e, por ter o colocado em uma situação de risco. Além disso, não tenho palavras para agradecer por ter me defendido. Essa bala era para mim...
-Hum, ainda bem que não acertou. Maricas como é, já estaria morto – gozou, vendo o amigo sorrir – Deixe de marra Harry. Eu estou vivo! Dói que é o inferno, mas estou vivo! Além disso, Hermione está que é só doçura comigo.
Seu sorriso aliviou o coração de Harry que também sorriu.
-Dr. Nut fez um bom trabalho com você, mas se Hermione não houvesse tirado a bala e estancado o sangue, estaria morto – contou – Ele ficará aqui até que esteja recuperado, mas ainda não tenho certeza se é por medo de Hermione, ou por vontade de fazer jus à gorda recompensa que lhe dei por seus préstimos. E nem pense em reclamar do pagamento – ele disse notando que Rony falaria algo – é o mínimo que posso fazer depois de... Tudo.
-Não reclamo – sorriu sem vergonha – pague um tanto a mais pelo silêncio dele. Hermione não deve saber ainda do bebê. Sinto que estou quase a dobrando, mais um pouco e posso contar sem medo.
-Está enganado. Hermione vai se derreter quando souber da criança. Não é tão dura quanto parece e... – notando seu olhar, Harry se calou – É uma moça apaixonada, ficará feliz em ser mãe.
-Harry, você sempre foi meu amigo. Não deixarei que dúvidas e intrigas mudem isso. Dissemos coisas duras e feias, mas nada foi de coração. Esqueçamos tudo isso.
-Não posso esquecer. – Harry confessou – mas posso superar. Fiz e disse coisas das quais não me orgulho, mas não deixarei que isso controle minha vida.
-Muito menos que abaixe sua cabeça – ele lembrou, detestando a postura humilhada com que Harry se apresentara diante de si.
Ele concordou e os dois se olharam com reconhecimento. Teriam trocado um abraço de irmãos se Rony não estivesse deitado, imobilizado por algum tempo ainda.
Hermione conteve a curiosidade e o receio por quase meia hora, até não suportar mais e nada gentilmente achar um jeito de arrastar Gina para o quarto. Precisava saber o que conversavam; se discutiam ou se fizeram as pazes!
Não podia continuar na aflição!
Foi Gina quem quebrou o clima de harmonia entre os dois. Ela trazia uma bacia cheia de água morna e algumas toalhas. Harry se apressou a tirar o peso de suas mãos e pousar no chão.
Ela vestia um vestido mais velho e surrado, do tipo que não faria falta se estivesse manchado ou sujo. Os cabelos, antes cuidados e impecáveis, estavam presos em um coque frouxo, algumas mexas caindo sobre a face. Sua aura radiante havia sido renegada, e agora, exibia uma expressão culpada e triste.
-Fizemos as pazes, minha irmã – Rony avisou – Harry tem meu consentimento para desposá-la, pois voltamos a ser como irmãos. Porque não sorri? O que a faz tão triste?
Gina conteve a vontade de dizer que não queria se casar com um homem apaixonado por outra, mas a mostra do que aconteceria caso o resto da família descobrisse de sua desonra a impediu de responder.
-Gina não está acostumada ao trabalho de casa – Hermione cortou antes que ela dissesse alguma tolice.
-É isso, minha irmã? – ele insistiu e ela concordou com um aceno.
-Talvez seja hora de Harry levá-la para um passeio – ele disse, sorrindo para a irmã e para o amigo – Confio que serão prudentes.
-Rony... Não é uma boa idéia – Hermione disse alarmada com a idéia deles dois aprontando outra.
-Porque não? Um piquenique na beira do lado? Sempre é uma boa idéia! Além do mais, se casam em uma semana, Hermione.
-Bem, se você diz - disse ranzinza – Agora, seria possível que descansasse?
-Sim, seria possível – sorriu-lhe provocador.
Hermione esperou que Gina e Harry saíssem para trancar a porta.
-Porta trancada? Devo me assustar?
-Não, a menos que tenha medo de água – brincou – Vou lhe dar banho – avisou.
-Um banho de esponja? – desdenhou.
-Sim, não quer? – sorriu-lhe maliciosa.
-Depende de onde você pretende lavar – devolveu, sentindo o sangue ferver.
-Tenho que lavar tudo. – ela respondeu, tentando não rir de sua expressão esperançosa – Mas se não quer, chamo sua mãe.
Rony soltou uma gargalhada, reclamando da dor, e ao mesmo tempo rindo, até que o riso morreu, e Hermione tirou o lençol que o cobria...
AUTORA: ai ai ai.... espero que estejam curtindo a calmaria. Estou sem tempo para grandes comentários, por isso serei breve. Atualização normalizou a partir de hoje, ok?
Beijos