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4. Instinto


Fic: In Aeternum


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Capítulo 4- Instinto


-Ronald Weasley-


Rony não sabia explicar a felicidade que crescia em seu peito ao ver o irmão sentado à mesa, comendo. Ele Hermione estavam sentados também, tomando um chá e comendo alguns biscoitos caseiros que Gina fizera.


Ele mirou Hermione, que agora sentada ao seu lado esboçava um sorriso tão puro, que o hipnotizou por breves instantes.


Jorge parecia estar realmente disposto a recomeçar. Seu rosto parecia ter mudado para sempre, parecia mais sombrio. Mas ele agora comia, mirando o prato.


Ergueu os olhos para o casal sentado à sua frente, e tomou um grande gole de suco de abóbora.


- Onde está todo mundo?


Rony sorriu. Parecia que ele recuperava o humor aos poucos.


- Daqui a pouco eles aparecem.


Rony olhou para fora, tentando imaginar que horas eram. Passos desciam a escada apressados e Rony desviou sua atenção para ver quem chegava.


- Harry está estirado lá em cima, o preguiçoso. Resolvi descer...- Gina viu primeiramente, que Hermione e Rony comiam os biscoitos que fizera.- Ahá, gostaram dos biscoitos?


Hermione sorriu abertamente para a amiga.


- Estão ótimos!


- Estão mesmo, não é Jorge? Eu se fosse você terminava o seu “almoço atrasado” logo, pois sua sobremesa está seriamente ameaçada.


Gina pareceu não se dar conta do que estava acontecendo.


- Você sempre ameaça qualquer comida ao seu redor, Rony.- ela riu.- Olha só quantos biscoitos você já comeu!


- Ah, não fui eu não. Foi Hermione!


- Eu?- a garota riu e Rony a acompanhou. Os dois querendo que Gina percebesse logo que Jorge estava ali, com eles.


Repentinamente a ruiva pareceu se dar conta das palavras que ouvira e virou rapidamente para olhar o irmão. A reação dela não foi a que Hermione realmente esperava. Afinal, Gina parecia ser a que melhor estava lidando com tudo. Ao longo dos anos, ela deixara de ser aquela garota infantil e parecia ser extremamente corajosa para enfrentar os seus problemas.


Ela correu até o irmão e o sufocou em um abraço. Molly Weasley entrava na cozinha naquele momento, também não percebendo o que se passava.


- Ginevra! Isso são modos! Deixe seu irmão respirar.


Mas o instinto da mãe havia sido mais rápido do que o de Gina. Ela mirou, aturdida o filho e correu para ele. As lágrimas já lhe transbordavam os olhos e ela afagou os seus cabelos, repetidamente.


- A comida está boa, querido?- ela parecia querer disfarçar todos os sentimentos que tomavam conta dela.- Se você quiser posso fazer um bolo ou...


- Está ótima, mamãe...- o garoto sorriu para ela- Obrigado.


Mas a partir daí Jorge não teve muito sossego. Todas as pessoas que estavam na casa nos últimos dias pareciam estar se acumulando na cozinha, querendo fortalecer Jorge e conversar com eles. Todos pareciam demasiado felizes para se importar com horário ou qualquer outro compromisso. Após alguns minutos Harry desceu, e após se recuperar da surpresa de ver Jorge no meio de todos, sugeriu à Gina que começassem os preparativos para a janta.


Quando o sol começava a se pôr no horizonte, Hermione decidiu se movimentar no meio da multidão que enchia a cozinha agora e começar a colocar os pratos na mesa, a voz da Sra. Weasley chegou aos seus ouvidos.


- Querida, vamos colocar a mesa lá fora.


Todos foram pegos de surpresa. Mas afinal, havia algo para comemorar. Jorge precisava sentir o quão era amado. Precisava saber que a perda do irmão seria superada não apenas por ele: mas por toda a família, que permaneceria unida. Todos queriam demonstrar o quanto ficaram felizes por tê-lo de volta ao convívio.


Rapidamente, contentes com a idéia, toda a família ajudou um pouco, levando pratos e talheres para a rua. As mesas foram montadas rapidamente e todos se sentaram.


Gina armou uma pequena cena em que se fingia ofendida com o fato de ninguém mais se voluntariar para ajudar com a janta. Mas o sorriso em seu rosto desmanchara toda a mentira.


- Teddy ficará lá em casa por uns dias. Por isso precisamos voltar. - Hermione escutou Gui falar ao Sr. Weasley.- Mas em alguns dias ele volta para a casa de Andrômeda, se precisarem de nossa presença por aqui...


Hermione observou Arthur Weasley ouvir o que o filho falara, mas ficou feliz que não continuasse na conversa sobre isso. Ainda era muito doloroso pensar que aquela criança cresceria sem os pais, Lupin e Tonks.


Mas logo as conversas foram interrompidas porque Harry e Gina traziam à mesa o jantar. Rony vinha logo atrás, aparentemente fora responsável pela janta também. Hermione abriu um sorriso para ele e o ruivo prontamente veio se sentar ao seu lado.


Ela adorava a naturalidade que surgia entre eles nesses pequenos atos, e temia que fosse perdida por qualquer onda de constrangimento que pudesse descer sobre eles.


A comida estava tão maravilhosa que Hermione sentiu como se todos os problemas tivessem evaporado temporariamente. A mesa enchia-se de conversas: não eram tão animadas como antigamente, mas pareciam aos poucos quererem retomar o padrão.


Rony, como sempre, ocupava-se em esvaziar o prato. Hermione desviou a atenção do ruivo e mirou o outro lado da mesa, onde a Sra. Weasley passava a mão pelo cabelo de Harry, carinhosamente.


- Você sabe querido, você é como se fosse da família. - ela parecia ter a voz embargada, Hermione abaixou os olhos e escutou atentamente.- Não houve nenhum momento, desde que você e Rony se conheceram, que eu não sentisse como se você fosse um Weasley.
Hermione atreveu-se a olhar para Harry. Ele parecia imensamente emocionado e a Sra. Weasley tinha lágrimas nos olhos.


- E-eu sinto o mesmo por vocês, Sra. Weasley. – a voz do amigo também parecia diferente.


- E agora, você e Gina! Quero dizer, não posso afirmar que fiquei surpresa. Nós mães sempre sabemos o que se passa, por mais que vocês queiram esconder.


Nesse momento, ela desviou o olhar de Harry e mirou Rony, que para a surpresa de Hermione encarava a mãe de boca aberta.


- Não é, Rony?- ela riu para o filho mais novo.


- Que foi?- o garoto pareceu assustado. Hermione observou as bochechas dele tingirem-se de um vermelho vivo, enquanto ele tentava desviar o olhar ao responder para a mãe.


Gina e Harry riram-se demoradamente, juntamente com a Sra. Weasley, que agora encarava Hermione, que voltou sua atenção para o prato de comida.


Ela não sabia se era a atmosfera que se formara na mesa ou se o nível das conversas havia atingido um pico crítico, mas ela sentia como se aquilo fosse uma cena final de um filme.


Todos pareciam querer colocar as conversas em dia. Jorge permanecia estranhamente quieto, mais escutando do que falando. A maioria das conversas agora se focava no relacionamento Harry/Gina.


- Desde que Harry apareceu aqui em casa, eu vi que Gina sentia-se acanhada. - a Sra. Weasley falava, mirando o marido. - Não é mesmo, Arthur? Cheguei até a comentar com você! Lembro claramente disso, pois você afirmou que eu deveria estar enganada, o ciúme de pai falando mais alto.


- Não é fácil ver que a sua garotinha cresceu. - Arthur Weasley olhou Gina por breves instantes. - Mas não poderia haver alguém melhor para a nossa caçula.


Harry parecia extremamente sem graça e abaixava a cabeça, apenas respondendo quando perguntado. Hermione sabia que o garoto já se sentia como se estivesse em casa, porém quando começara a ser tratado como genro, a coisa mudara um pouco de figura.


Fleur foi até a cozinha e voltou depois de alguns instantes com a sobremesa. A colocou em frente a todos e voltou ao seu lugar, sacudindo os longos cabelos loiros.


Molly Weasley sorriu para ela quando a viu se sentar, e a garota sorriu de volta. Todos sabiam que no começo a Sra. Weasley desaprovara o casamento. Mas ninguém a julgava por ter mudado muitos dos seus pensamentos após o final da guerra: ela apenas queria ver a sua família feliz, e unida.


Hermione acompanhou os olhos dela, que pousaram em Percy demoradamente, e depois encontraram um a um dos filhos, o marido, Harry e Gina e ela e Rony. Quando a Sra. Weasley se levantou, agora com lágrimas nos olhos, e murmurou que iria pegar mais algumas cervejas amanteigadas, Hermione a acompanhou. Sabia que além da felicidade de ver grande parte da família ali, ela deveria sentir com mais intensidade do que nunca a ausência do filho.


Rony percebeu a movimentação de Hermione e a seguiu. Hermione havia diminuído o passo, dando tempo para que Molly tivesse um tempo sozinha.


- Tudo bem Mione?- a voz de Rony era um sussurro, e ele imitava Hermione, espiando para dentro da cozinha, onde a mãe agora encontrava-se parada, de costas para ele, a cabeça erguida como se quisesse conter as lágrimas.


- Vim apenas ver... você sabe...


Rony entendeu perfeitamente o que ela queria dizer. A pegou pela mão, sem perceber que ao fazer isso, causou um certo susto na garota. Juntos, entraram pela cozinha.


- Pode deixar isso com a gente, mamãe.


Rony a deixou a vontade e juntamente com Hermione pegou algumas cervejas amanteigadas. Saíram, deixando a mãe para trás.


- Ela precisa disso, sabe. Assimilar tudo que aconteceu.- Rony tinha um semblante triste e desiludido.


- Todos nós precisamos.- Hermione apertou suavemente o braço dele, para o reconfortar.


Ele sorriu para ela, e enquanto caminhavam de volta ao encontro dos outros, ele parecia ansioso para falar algo.


Assim que largaram as cervejas e as mesmas logo tiveram seu destino decidido pelos ocupantes da mesa, Rony fez sinal para que ele e Hermione se afastassem um pouco dos outros.


- Admiro muito o que você está fazendo, Mione.


Ela permaneceu em silêncio, tentando entender o que o ruivo queria dizer com aquilo.


- Você tem um respeito, quero dizer... além disso parece ter um carinho muito grande por todos da minha família. Enquanto está aqui, seus pais estão em casa... sem a única filha deles.


Hermione sentiu o rosto corar.


- Eles entenderam perfeitamente a necessidade que eu tinha de vir para cá.- sentia seu rosto arder, literalmente. Rony não pôde conter a sensação de alegria que o tomou ao escutar aquelas palavras.


- Você... não sente falta deles?


Ela afirmou com a cabeça.


- Eu...bom... pretendo os visitar rapidamente antes de...- ela fez uma pausa, incomodada.- ...antes de ir para Hogwarts.


Ao ver que Rony não respondia, provavelmente pensando as mesmas coisas que ela, ela continuou.


- Bem lembrado, preciso mandar uma carta para a professora McGonagall.- ela desviou do olhar de Rony.


Mas ela não precisou se preocupar com mudar de assunto nem nada, pois no instante seguinte Harry e Gina vieram de encontro aos dois. Harry descansava um braço no ombro da namorada, parecia contente de se afastar da mesa agora, onde o resto da família fazia piadas características, para implicar com o “novo integrante da família”.


- Eles sempre fazem isso.- Gina o consolava.- Não se preocupe. Até hoje implicam com Percy por causa da Penélope.


- Hum... então eu acho que é só porque sou o assunto novo.


Os dois riram e miraram Rony e Hermione.


- Está tudo bem, vocês dois?


Hermione abriu a boca para falar, mas Rony foi mais rápido.


- Está sim...- ele esboçou um sorriso, que parecia sincero.- Hermione estava me contando que pretendia mandar uma carta para Hogwarts hoje. Você terá companhia Gina.


Gina não pareceu surpresa com a informação, mas Harry agora mirava Rony com um olhar preocupado.


- Isso significa...- Rony parecia realmente preocupado em mostrar para Hermione que queria fazer as coisas darem certo.- ... que você terá uma espiã para você, em Hogwarts, Harry...


Rony riu demoradamente e Gina forçou uma risada falsa e debochada.


- Como se ele precisasse disso.- ela se colocou nas pontas dos pés e deu um breve beijo em Harry.


- E você também, não é Rony?- Harry respondeu, animado com a piada que se formava.


Rony mirou o amigo, erguendo uma sobrancelha.


- Eu o que?


- Gina também pode assumir o papel de espiã...- ele sorriu de um jeito abobado para Rony e desviou o olhar para Hermione, que para sua surpresa não estava nem um pouco envergonhada com as insinuações.


Por um momento, Rony achou que Hermione fosse desviar o assunto, mas ela tomou fôlego e respondeu a Harry:


- Harry Potter, que infantilidade...


Rony soltou uma risada debochada, que mais pareceu um bufar de um gato bravo.


- E você também, Ronald. Não sei qual dos dois ganharia numa competição para ver quem é o mais imaturo.


Rony ficou sem palavras, apenas queria mostrar para ela que o fato dela estar partindo para Hogwarts em breve não era motivo de brigas entre eles. Mas logo ela e Gina estavam conversando alegremente, comentando como os garotos podiam se portar como crianças quando provocados.


Harry aproximou-se lentamente de Rony.


- Você está bem mesmo... com isso tudo?- perguntou ao amigo.


- Tenho que estar, não?- Rony olhou tristemente para Hermione. Agora ela e Gina estavam mais próximas da mesa da janta, e vários de seus familiares participam da conversa delas, seja lá o que estivessem falando.


- Seria muito mais fácil... Se todos nós voltássemos...- Harry parecia decidido.- Mas se eu aprendi algo durante todos esses anos, é que devemos saber escolher corretamente entre o que é certo e o que é fácil.


Rony sabia que a imagem de Dumbledore estava ocupando os pensamentos de Harry agora, e lhe deu algum momento em silêncio.


- E o certo é...?


- Só saberemos depois dessa reunião no Ministério, não é? Mas eu estou disposto a começar a trabalhar logo. Apagar logo essa imagem repugnante de herói barato que-teve-sorte-nas-horas-certas.


Rony sabia o quão era importante para o amigo provar para toda a comunidade bruxa que ele tinha mais dons do que as pessoas podiam imaginar, que ele era capaz de fazer do mundo deles um lugar melhor. Sentia-se como o amigo ás vezes. Queria poder mudar a forma como sua família havia sido vista durante muito tempo e principalmente, queria dar uma vida melhor a todos.


- E além do mais, não vamos estar em Hogwarts, mas tenho certeza que Mione e Gina saberão lidar com nossa ausência. - Harry tinha um sorriso bobo no rosto.


- Não gosto quando você faz piada com a minha desgraça.


- Sua desgraça?- Harry riu.- Não sei do que você está falando!


Rony tomou fôlego e desviou o olhar de Harry.


- Você e Gina falam como se... como se...- ele parecia temeroso de falar tudo aquilo que pensava.-... como se eu e Mione tivéssemos, hum... você sabe...


- Namorando?- Harry falou com tamanha naturalidade, dando a impressão em Rony de que suas orelhas haviam expelido vapor.


- É...- foi só o que ele conseguiu dizer.


Harry repentinamente arregalou os olhos.


- Você está querendo me dizer- o amigo encarou Rony seriamente.- que desde aquele dia que Mione beijou você... Não aconteceu nada?


- Ah, bom...- Rony não se sentia a vontade escutando Harry falar daquele jeito.- Não é que não tenha acontecido nada... hum...


Mas Harry o encarava de um jeito como se quisesse o obrigar a continuar.


- Bom... Ela falou que Hogwarts não seria a mesma coisa sem mim...- agora ele mirava atentamente seus sapatos, consciente de que estava muito vermelho.- Eu falei várias coisas para ela... tentei me redimir por tudo que aconteceu, você sabe... por ter sido um panaca por tanto tempo...


Harry riu, debochando.


- Então apresse-se, ou você terá que pedir desculpas a ela por continuar sendo um panaca.


- Como é?


- Acorda, Rony!- Harry sacudiu os braços.- Será que só eu não fiquei surpreso por Mione ter tomado a iniciativa e ter beijado você? Enquanto você tentou negar durante todos esses anos o que sentia?


Rony o encarou nos olhos, sentindo-se imensamente idiota.


- Não sei quando foi ao certo que me dei conta sabe... do que sentia.


- Certamente foi depois de todos nós termos percebido, inclusive Mione.


- Foi por isso que você não ficou surpreso...? Por ela ter tomado a iniciativa?


Harry fez sinal de afirmativo com a cabeça.


- Eu sempre soube que isso iria acontecer, Rony. Na verdade, acho que tive certeza absoluta desde o nosso segundo ano, se bem que desde o primeiro dia em Hogwarts vocês já brigavam feito gato e rato então já dava para se desconfiar.


Agora que falavam abertamente do que ele e Mione sentiam um pelo outro, Rony sentia como se tivesse tirado um peso das costas. Parecia que Harry entendia certas coisas muito melhor do que ele.


- E nem me lembre do episódio Vitor Krum.- Harry falou repentinamente, e ele e Rony riram.


Mas Rony se calou, pensando em tudo que o amigo acabara de falar.


- Acho que já está na hora de eu tomar uma atitude mais... sensata...


- Mais sensata?- Harry aproximou-se do amigo e falou baixo, pois o Sr. Weasley parecia repentinamente interessado no que eles tanto falavam.- Eu acho, meu amigo, que você precisa pensar um pouco menos e agir um pouco mais.


Ele sorriu e Rony sorriu de volta. Aquilo que Harry o falara trouxera para sua lembrança tantas coisas, tantas situações que, olhando para trás agora, ele percebia como já demonstrava o que sentia por Hermione. Começou a lembrar e ao mesmo tempo a se perguntar, como a garota agüentara tanto tempo a sua implicância. Perguntou-se também, quando foi que ela percebera o que sentia por ele. Seu estômago deu uma reviravolta, mas não lhe foi incômodo. Se ele sabia que o que sentia por ela era mútuo, por que estava parado ali?


- Ronald Weasley-


Flashback


Seu segundo ano em Hogwarts certamente fora marcado fortemente pelos ataques do tal monstro controlado pelo Herdeiro da Sonserina. Os primeiros ataques já haviam acontecido e por todos os corredores havia comentários e indagações de alunos curiosos, querendo saber mais sobre a tal câmara secreta.


Hermione havia decidido pegar um livro da biblioteca para poder realizar a tal de Poção Polissuco, que os transformaria em alunos da Sonserina para que pudessem finalmente descobrir qual era a ligação de Malfoy com tudo que estava acontecendo. Porém, para isso, precisam da autorização de um professor para retirar o livro da seção reservada. Mas eles já tinham um plano. Esperaram até o final da aula de Defesa Contra a Arte das Trevas e Hermione fez o pedido para o Professor Lockhart.


- Bom, tenho certeza de que ninguém vai ser importar que eu dê a melhor aluna do ano uma ajudinha extra-ele falou calorosamente, puxando uma pena.


Aquilo era demais. Rony ficara completamente indignado e boquiaberto. Parecia que as pessoas simplesmente queriam ficar agradando Hermione, lembrando a ela o tempo inteiro o quão inteligente ela era. Recentemente, quando escutara se dirigirem a ela a elogiando, ele sentia uma sensação engraçada se apoderar dele, ainda mais que não era a primeira vez que aquele professor abelhudo fazia questão de lembrar a eles que Hermione era a melhor aluna do ano. Sabia que a cara que fazia o denunciava, mas felizmente o professor era tapado o suficiente para não perceber.


-Bonita não? Em geral eu a uso para autografar livros. - ele falava enquanto mirava a pena espalhafatosa que segurava.


Mas logo Rony conseguiu acalmar a raiva que se acumulava pelo professor, e o assunto mudou para a próxima partida de quadribol. À altura que os três saíram da sala, ele já esquecera porque o professor conseguia o tirar do sério.


- Eu não acredito- a voz de Harry o chamou para a realidade- Ele nem olhou o nome do livro que queríamos.


- É porque ele é um panaca desmiolado- Rony sentia que a sensação incômoda voltaria se eles continuassem falando de Lockhart - Mas quem se importa, temos o que precisávamos.


- Ele não é um panaca desmiolado-Hermione estava decidida a defender o professor.


- Só porque ele disse que você é a melhor aluna do ano.


Ele sentiu que seu rosto esquentava, mas resolveu não continuar a discussão. Porém, foi tirado do sério novamente quando ao chegarem à biblioteca, Mione recusava-se a entregar a autorização para Madame Pince, dizendo que gostaria de ficar ela.


Antes que outra discussão pudesse começar, Rony decidiu arrancar da mão dela o papel e o entregou a Madame Pince. Uma voz irritante no fundo da sua cabeça insistia em tentar se comunicar com ele.


“Sabe isso não é saudável. A atitude de Hermione não deveria lhe incomodar tanto.”


Mas ele mandou a tal voz se calar, e tentou ignorar ela pelo resto dos dias.


E realmente foi mais fácil manter o controle. Ele reparou que quando ficava próximo de Hermione, e não havia nenhum colega babaca ou professor charmosão por perto, a raiva não voltava. Ele tentava formular explicações para isso.


“A forma como ela fica feliz com os elogios é o que me irrita.”


Mas ele tentou afastar esses pensamentos também, decidindo que para um assunto que lhe parecia tão banal, ele estava gastando muito do seu tempo.


Nos próximos dias aconteceu algo que o deixou mais confuso do que estava, se é que isso era possível.


Harry havia perdido os ossos do braço, após o jogo de Quadribol, quando Lockhart tentara o ajudar com um feitiço logicamente errado. Rony e Hermione haviam decidido trabalhar na poção Polissuco, enquanto o amigo estava preso na Ala Hospitalar.


- Quero dizer, você pode me ajudar e assim não perderemos tempo. Quando Harry estiver completamente recuperado a poção já estará bastante adiantada. Ele está bem melhor agora, não é?Mas eu não acho que estejamos indo pra frente sentados aqui.


Rony olhou ao redor na sala comunal, a maioria dos seus integrantes conversava animadamente. Ele sabia que deveria concordar com a amiga para fazê-la parar de falar tão rapidamente ao ponto de lhe faltar o ar.


- Acho que você tem razão.- era estranho falar tão civilizadamente com Hermione.- O Harry não vai se importar, provavelmente vai gostar de saber que adiantamos o trabalho.


Hermione sorriu para ele.


- Ótimo.


Prontamente a garota se levantou e meio atordoado Rony a imitou. Mas ficou parado no lugar, pois Hermione subiu energicamente a escada para o dormitório. Ele ficou observando confuso, sem entender como Hermione nutria tamanha ansiedade. Em poucos minutos, ela fora e voltara do dormitório feminino com alguns materiais que precisariam e eles estavam alcançando o banheiro da Murta que geme.


- Hum... aparentemente a Murta resolveu mudar o cenário para variar.


Rony também percebera que não haviam os gritos e choramingos habituais. Murta provavelmente andava passeando.


Hermione rapidamente entrou em um boxe e começou a separar os ingredientes em ordem.


- Ron!- ela olhou para o amigo, censurando-o. - Sei que ninguém vem aqui, mas não devemos abusar da sorte!


- Certo.- foi apenas o que ele conseguiu dizer e se juntou à ela no boxe, que agora parecia tão apinhado de coisas que parecia ter diminuído significamente de tamanho. Hermione o olhou novamente com descrença, revirando os olhos enquanto puxava a porta que o amigo deixara aberta.


Hermione não dava atenção ao desconforto do garoto. Já estava em ação, preparando a poção. Rony permaneceu quieto em seu canto, mas de vez em quando Hermione lhe dava alguma ordem e ele prontamente obedecia. Em alguns minutos ele estava agachado junto com a amiga, os dois acrescentando na poção o que deveria ser posto, Hermione às vezes olhava o livro e murmurava algo para si mesma.


Rony tentava ajudar o máximo que podia, mas começava a sentir-se apreensível naquele boxe apertado e cada vez mais quente.
Uma ou duas vezes, seus olhos se perderam observando a amiga e ele se pegou reparando na cor dos cabelos fofos de Hermione, para logo desviar o olhar e culpar o calor infernal que rodeava eles por ter feito ele flutuar em pensamentos desconexos.


Hermione suspirou, cansada e ergueu os olhos da poção.


-Espero que isso esteja certo.


Ela segurou um vidro de ensaio com um líquido transparente e mirou Rony, distraidamente.


- Eu medi duas vezes, o que você acha?- ela ergueu o tubo para mostrar a Rony a quantidade de líquido que ali havia.


- Acho difícil você ter se enganado Mione. Deve estar na quantidade certa sim.


Hermione sorriu. Seus olhos se encontraram por um momento, Hermione não dava sinais de que iria desviar o olhar. Ele percebeu ela prender a respiração, parecia concentrada.


Rony achou estranha a reação da amiga. Ela sentia-se incomodada por ele a estar olhando? Mas logo sua pergunta foi respondida, o olhar de Hermione provavelmente não estava preso no seu. Ela estava atenta a algum movimento que estava acontecendo do lado de fora do boxe.


Hermione ficou tensa, olhando Rony como se pedisse auxílio. Se alguém estava ali, precisariam se explicar, formular uma rota de fuga. Não podia ser descobertos preparando aquela poção!


- Sou eu-a voz de Harry os sobressaltou. O tubo caiu com um estrépito e seu conteúdo se espalhou. Hermione soltou uma exclamação, assustada, mas ao mesmo tempo aliviada por ouvir a voz do amigo. Ela rapidamente espiou pelo buraco da fechadura


- Harry! Você nos deu um baita susto, entre, como está o seu braço?


- Ótimo


O amigo entrou no boxe junto deles e se pôs a observar a poção em preparação. Apesar de menos espaço disponível, Rony sentiu-se aliviado pela chegada surpresa do amigo. A tensão que ele havia sentido no ar até momentos antes, pareceu se dissipar.


A poção polissuco só ficaria pronta no dia de natal. Cedo pela manhã, Hermione entrou no quarto dos garotos já completamente vestida:


- Acordem!- disse enquanto afastava as cortinas das janelas.


Rony sentiu-se repentinamente exposto. Ele percebeu naquele momento, como deveria parecer um idiota naquele pijama velho.


- Mione, você não podia estar aqui...- ele falou enquanto protegia os olhos da claridade do sol.


- Feliz natal para você também- a garota lhe atirara um presente- Estou de pé há quase uma hora, acrescentando hemeróbios à poção. Está pronta.


Ainda aturdido olhando o presente que ganhara, ele tentava entender o que estava acontecendo.


- Tem certeza?- Harry parecia sinceramente surpreso.


- Positivo- Hermione empurrou Perebas e sentou-se na beirada da cama de Rony. Ele encolheu-se levemente, assustado com a aproximação.- Se vamos usá-la, eu diria que deve ser hoje à noite.


E foi o que fizeram. E essa lembrança lhe era levemente incômoda. Ele e Harry, com aparência de Crabble e Goyle, conversavam com Malfoy na sala comunal da Sonserina. Malfoy comentava que da última vez que a Câmara Secreta fora aberta, uma pessoa nascida trouxa havia morrido. Ele não sentia remorso algum de falar que dessa vez torcia para que acontecesse o mesmo com Hermione.


Rony não conseguiu disfarçar a raiva, e crispou os punhos. Tinha a necessidade de defendê-la. Como Malfoy podia realmente desejar a morte de alguém, tão friamente? Apenas ouvir isso o deixava nauseado, não gostava nem de pensar no perigo que Hermione corria sendo nascida trouxa.


Porém, Harry percebera que o amigo poderia se denunciar a qualquer momento e os tirou do apuro. Logo eles já haviam saído da sala comunal que mais parecia uma masmorra, e corriam de volta para o banheiro da murta-que-geme.


O pior do episódio ainda estava por vir: Hermione usara pêlo de gato na Poção Polissuco e precisou ficar semanas na ala hospitalar. Rony e Harry a visitavam todas as noites, levando o dever de casa para ela, que repetia que queria se manter em dia com a matéria.


- Que é isso?- Harry apontara para algo embaixo do travesseiro de Mione, certo dia enquanto a visitavam.


- É só um cartão desejando que eu fique boa logo- Mione tentara esconde-lo rapidamente, mas Rony conseguira o apanhar. A curiosidade falando mais alto, querendo saber o que a amiga escondia. Abrira e lera o cartão em voz alta. Conforme seus olhos percorriam as linhas, lhe ficava mais claro quem o mandara. Havia algumas breves palavras desejando que Hermione melhorasse e o resto estava lotado de todos os prêmios e nomeações do professor Lockhart.


- Você dorme com isso debaixo do travesseiro?- sentia-se enojado, e sabia que não estava conseguindo disfarçar.


Quando saíram da enfermaria, mais tarde naquele dia, Rony lembrava de ter indagado Harry:


- O Lockhart é o cara mais populista que você já conheceu ou o que?


Mesmo não parecendo humanamente impossível, a raiva de Rony pelo professor aumentou nos dias que se prosseguiram.


No dia dos namorados, Lockhart preparara tudo para decorar o castelo: com direito a cupidos entregadores de cartões e coraçõezinhos por todo lugar. Aquilo deixava Rony fisicamente enojado, não conseguia olhar o rosto iluminado de Hermione enquanto observava a decoração.


Lockhart agora anunciava e agradecia na frente de toda a escola as 46 pessoas que haviam lhe mandado um cartão, no dia dos namorados.


- Por favor, Mione, me diga que você não foi uma das 46?


Havia uma nota de pânico na sua voz. Certamente, a amiga não teria se exposto ao ridículo daquele jeito? Ela não podia realmente ter mandando um cartão para aquele professor charlatão!


Ela o ignorou, fingindo procurar algo na mochila. E ele sentiu seu ânimo murchar e bater no chão: aquele comportamento confirmava seus temores.


(...)


Mas certamente o pior momento de todos, naquele seu segundo ano de Hogwarts fora algum tempo depois. O susto que levara, quase o fizera esquecer tudo de ruim que havia sentido até então.


A professora Mcgonagall avisara a todos que o jogo de Quadribol, prestes a começar, fora cancelado. E agora, ela pedia que Harry e Rony a acompanhassem.


Rony pareceu adivinhar o que estava por vir. Sentiu um gelo se implantar no seu estômago e permanecer lá, até o momento em que chegaram à ala hospitalar. Mione e uma garota de cabelos crespos da Corvinal haviam sido atacadas e estavam lá, estiradas nas camas.


- Mione! –ela estava completamente paralisada.


- Elas foram encontradas perto da biblioteca. Suponho que nenhum dos dois tenha uma explicação para isso. Estava no chão ao lado delas.


A professora segurava um pequeno espelho circular, que apenas depois de resolverem o mistério do monstro que morava na câmara, fez sentido para os dois.


Naquela noite, a professora fora até a sala comunal, conversar com os alunos. Rony e harry permaneciam em choque.


Rony não falava nada. Sentia-se entorpecido. Ainda não havia se dado conta de que tudo aquilo fora real. Hermione estava lá, petrificada, sem consciência nenhuma do que estava acontecendo ao seu redor. Podia ter sido morta. Mas toda vez que esse pensamento lhe invadia, ele afastava para longe. Sentia-se tão mal quando pensava isso. Durante todo aquele tempo, tinham havido tantos momentos que ele tratara Hermione mal, respondendo para ela de um jeito mal educado, a ignorando quando estava zangado com ela.


E agora ela estava lá, sem poder se mexer, ou falar. Será que ainda podia escutar? Será que ela entendia, quando via Rony ali do seu lado na ala hospitalar, que ele realmente se preocupava com ela?


Foi a primeira vez que Rony realmente sentiu que lhe faltava um pedaço. Não gostava de admitir que tivesse a ver com o fato da amiga ter sido petrificada, mas a verdade é que nada parecia o animar.


Tudo pareceu ficar pior quando as visitas à ala hospitalar foram proibidas e ele e Harry não puderam mais ir ver Mione.


Rony literalmente perdera o controle durante uma aula do Snape. Estavam comentando sobre a saída de Dumbledore da diretoria da escola e Draco sugeria que o professor de poções se candidatasse ao cargo.


- Fico surpreso que os sangues-ruins não tenham feito às malas. Aposto cinco galeões que o próximo vai morrer. Pena que não tenha sido a Granger.


A sineta tocou no momento que Rony tinha saltado do banquinho.


Ouvir aquilo despertara nele um instinto de machucar Malfoy o máximo que ele pudesse, para que assim o Sonserino irritante pudesse entender o que significaria para Rony se o que ele acabara de falar tivesse acontecido. Rony sentiu todo o seu corpo tremer de raiva. Ele queria fazer Malfoy sentir a maior dor que já tivesse sentido, queria poder acabar com ele para que ele nunca mais pudesse falar de um jeito tão arrogante sobre Hermione.


- Me deixe agarrar ele- rosnava, enquanto Harry e Dino o seguravam pelos braços- Não estou nem ligando, não preciso da minha varinha, vou matar ele com as mãos.


A sua raiva era tamanha que parecia que tudo na sua mente tinha se esvaziado, e o rosto de Hermione parecia tão vívido. Ele lembrou da amiga, petrificada, parada naquela posição imutável, o rosto formando um semblante assustado. Ter ouvido aquelas palavras tão cruéis que Malfoy fazia questão que toda a turma escutasse, parecia ter acendido nele um sentimento de vingança para com o garoto.


Seu coração ficou apertado, pelo simples fato de imaginar como seria se as palavras de Malfoy fossem reais, se aquilo realmente tivesse acontecido.


Seus amigos que o seguravam não entendiam. Não eram eles que tinham que ver, quando fechavam os olhos a noite, o rosto de Hermione, agora tão assustador, parecendo estar esculpido em uma pedra.


Naquela noite, após a provocação de Malfoy, Rony ainda estava tomado pela raiva que só parecia crescer. Não acreditava que havia deixado os amigos o segurarem. Sentia raiva de si mesmo. Socou o travesseiro, fechando os olhos fortemente. O sono não vinha e Rony tinha medo de adormecer. Seu coração batia tão rápido.


Hermione, naquele momento, estava deitada na cama da ala hospitalar. Sozinha. Incapaz de se defender, de falar. E ele estava ali, ainda se arrependendo por não ter socado a cara de Malfoy até ele ficar irreconhecível.


Quando finalmente o cansaço o ganhou, ele mergulhou em um sonho confuso. Ele corria, mas parecia não sentir mais as pernas. Sabia que estava quase chegando. Precisava correr só um pouco mais. Uma risada fez ele olhar para cima. Um professor Lockhart, gigante, com pelo menos o triplo do tamanho de Hagrid, olhava para baixo.


“Você não pode passar daqui!”


“Eu preciso! Me deixe passar!”


O professor então ria, fazendo todos os babadinhos ridículos de sua roupa sacudirem. Atrás dele, ele via Hermione. Ela não estava gigante como o professor, mas tinha o rosto irritado e aquilo certamente assustava mais Rony do que a probabilidade de Lockhart o amassar como uma barata.


“Você está atrasado, Rony!”


Ele não entendia porque a amiga estava com raiva dele. Ele tentou falar com ela, mas a voz não saía. Harry, ao lado dela, apenas mirava a cena, calado.


Os dois viraram as costas para Rony e caminharam para longe dele. O professor continuava parado, não o deixando passar.


Mas o sonho tão sem sentido e confuso, repentinamente mudou de figura. Ele agora via Hermione estirada no chão, ao lado dela, a garota que havia sido atacada no mesmo dia. Os olhos de Hermione estavam parados, ela não respirava. Ele tocou levemente a sua mão, mas logo se arrependeu. Estava gelada. A garota ao lado dela, que parecia não ter mais vida, girou mecanicamente o rosto em direção a ele.


“Tarde demais.”


Sua voz era tão fria e tão assustadora, que Rony sentiu todos os fios de seu cabelo se arrepiarem enquanto ele voltava para a consciência, acordando em um pulo. Os sons do ronco de Neville o trouxeram a realidade. O quarto estava muito escuro, mas ele tentava focalizar a visão para que algo o acalmasse.


Hermione estava morta no seu sonho, assim como a garota ao lado dela, que apenas voltara como um zumbi para lhe encarar e lhe lembrar que era tarde demais, já se fora.


O coração de Rony batia tão forte, sua respiração estava descompassada. Ele sabia que não conseguiria mais dormir. O rosto da Hermione do seu sonho não saía de seu pensamento, parecia ter sido tatuado no fundo dos seus olhos.


(...)


E foi numa aula de Lockhart, que tanto irritava Rony (mesmo com Hermione longe) em que o professor afirmava perante toda a turma que Hagrid era o culpado pelos ataques, que ele e Harry decidiram o que iriam fazer.


Enquanto ambos tentavam manter a calma perante as acusações contra Hagrid, Harry rabiscava um bilhete: Vamos hoje à noite.


Referindo-se que iriam seguir as aranhas, que migravam em direção à floresta proibida, ele observou Rony ler o bilhete, engolir com força e olhar de esguelha para a carteira vazia em que Mione normalmente se sentava.


Muita coisa passou pela sua cabeça. Os olhos vidrados de Hermione fitando o nada, deitada em sua cama na ala hospitalar deram lugar na sua memória a uma imagem de Hermione conversando com eles, provavelmente enquanto tentava os convencer a antecipar um dever ou se dedicar mais a um trabalho. Essa imagem mudava para uma Hermione sorridente; um sorriso fora do padrão comum, é verdade: os dentes da frente um pouco maiores do que deveriam ser. Mas foi aquele sorriso na memória de Rony que o fez ter forças.


Ele olhou para Harry e concordou com um aceno de cabeça. Sua fobia de aranhas era forte ao ponto de quase o fazer desmaiar, mas para ajudar Hermione, ele seria capaz de enfrentar esse medo.


(...)


Sua maior recompensa, depois de tudo que ele e Harry passaram no ninho de Aragogue, foi escutar da professora McGonagall que as pessoas petrificadas seriam curadas à noite. Rony ainda sentia-a frustrado por não terem indagado Murta sobre a sua morte, que ele e Harry desconfiavam agora ter sido aquela de muitos anos atrás, causada pelo monstro da câmara. Mas agora tudo mudava de figura.


Até Harry reparara que Rony parecia mais feliz do que nos últimos dias:


- Então, não vai fazer diferença nunca termos perguntado nada à Murta. Mione provavelmente terá todas as respostas quando a acordarem! E mais, vai endoidar quando descobrir que vamos ter exames dentro de três dias. Ela não estudou. Seria mais caridoso que a deixassem onde está até os exames terminarem.


Sentia-se eufórico de saber que logo a amiga voltaria a seu convívio, tinha certeza de que ela saberia tudo. A amiga nunca falhara antes, sempre tinha todas as respostas.


(...)


Após saírem da câmara secreta, depois de todo o medo e estresse que haviam vivo lá, Rony se viu novamente migrando para a ala hospitalar. Dessa vez levando Gina. Porém, por maior que tivesse sido o trauma que tiveram, Rony não conseguiu deixar de sorrir ao saber que os alunos estavam prontos para receberem o antídoto, e voltarem a vida normal.


Ele deixou Gina sob os cuidados de Madame Pomfrey e foi lentamente até a cama que Hermione estava. Em poucas horas ela estaria de volta. Aquela sensação de esperança pareceu inflar seu peito, como um balão.


Ele olhou para Hermione e sorriu.


- Hoje de noite você já vai estar bem, Mione. Falta pouco agora. Quando você acordar, vamos contar para você com todos os detalhes o que aconteceu. Se bem que, provavelmente a escola toda já estará comentando.


Ele olhou para os lados para se certificar de que ninguém o observava. Pousou lentamente a mão na de Hermione. Estava levemente gelada. Aquele sonho ruim passou pela sua mente, mas ele esforçou-se para afastar qualquer pensamento pessimista. Ele desejou fortemente que ela pudesse o escutar, mas sabia que não fazia diferença se falasse com ela ou não. Mas parecia uma necessidade, estar ali ao lado dela.


Madama Pomfrey apareceu de repente, muito espalhafatosa. Rony soltou a mão de Hermione no susto. A enfermeira começava a expulsar todos os que estavam “sobrando” na enfermaria, alegando que as vítimas petrificadas ficariam muito confusas se acordassem e vissem tantas pessoas ao seu redor.


Rony sabia que ficaria ansioso até a hora que Mione acordasse. Planejou a esperar na saída da ala hospitalar.


- Até mais tarde, Mione.


Ele falou com uma última olhada para a amiga, e se deixou levar pelos estudantes que também estavam sendo expulsos dali.


Porém, a espera pareceu infinita e ele acabou decidindo ir de encontro a Harry, sua ansiedade não parecia melhorar ficando parado ali.


No meio da festa, Mione apareceu, correndo em direção aos dois.


Aquela sensação de que seu estômago dera uma cambalhota o tomou novamente ao ver a amiga bem, recuperada. Sentiu-se tranqüilo, tomado de uma emoção forte que ele não sabia explicar o que era.


- Você solucionou o mistério!Você solucionou o mistério!


Hermione dirigia-se a Harry, toda atenção voltada para o amigo. Rony sentiu-se levemente excluído, afinal, havia ajudado, nem que fosse um pouco. A alegria que tomara conta dele no momento que vira Hermione bem e recuperada, pareceu diminuir um pouco quando viu a amiga não poupar elogios quando se dirigiu à Harry. Novamente, o sonho daquela noite lhe veio em mente. Harry e Hermione lhe dando as costas, indo embora. Ele sacudiu a cabeça. Fora apenas um sonho.


Hermione arriscou um olhar para Rony, que tentou forçar um sorriso. Sabia que mais pareceria uma careta do que qualquer outra coisa. Toda aquela expectativa que criara em torno da volta de Mione ao convívio deles desapareceu, o deixando com uma sensação de que alguém furara com violência o balão que inflara dentro dele.


Mas logo estavam envolvidos em conversas e comentários sobre tudo que havia acontecido e ele se distraiu. O que aquilo importava afinal? Ele estava sendo muito sentimental. Mione estava bem e era isso que importava.


Ele arriscou um olhar para ela, e para sua surpresa, do outro lado da mesa, a amiga o mirava com um olhar no mínimo interessado, provavelmente querendo adivinhar o que se passava na cabeça do amigo.


Ela sorriu para ele, e sem perceber ele sorriu de volta. Era tão fácil se sentir envolvido quando estavam perto. Ela conseguia deixar suas emoções à flor da pele: quando discutiam, quando parecia que só estava tentando o irritar, quando ria que nem boba quando alguém lhe fazia um elogio.


Ele desviou o olhar e tornou a mirar o seu prato. Era muito novo naquela época para entender o que realmente estava acontecendo com ele. Mas após aquele segundo ano em Hogwarts uma coisa ele não conseguiu mais negar: a preocupação que sentia em relação à Hermione, era maior do que qualquer coisa que sentira antes. A raiva descontrolada que se apoderava dele quando alguém a magoava, ou falava mal dela, era tão forte que ele parecia sair de si. No fundo ele começava a perceber que aquilo era diferente, mas jamais admitiria.


No momento que o ano se encerrava e eles atravessavam a barreira que levava de volta ao mundo dos trouxas, ele só desejava algo, com toda a sua força: nunca mais ter a sua resistência forçada vendo a amiga em perigo. Toda aflição que passara já lhe mostrara o quanto se importava com Hermione e aquilo bastava. Ele guardou esse temor para ele, escondendo o máximo que pôde de todos a sua volta.


- Ronald Weasley-


A noite parecia mais fria agora, um vento soprava forte bagunçando os guardanapos que sobraram na mesa da janta. A Sra. Weasley agora recolhia tudo, com a ajuda de Fleur, e ambas voltavam carregadas para a cozinha.


Rony estava se sentindo confuso. Um filme passara em sua cabeça. Não sabia se havia sido a conversa de Harry e o amigo insistindo para que ele “agisse mais e pensasse menos”, ou se fora o fato de Hermione ter lhe lembrado que escreveria uma carta para Hogwarts aquela noite... O fato é que Rony sentia-se diferente. Sentia um arrepio que não tinha a ver com o vento que, agora parecia anunciar uma tempestade a caminho. Seu estômago parecia embrulhado, ele sentia-se nervoso sem saber por quê.


Ele arriscou um olhar para onde Gina e Hermione estavam sentadas agora. A irmã falava muito rápido e no instante seguinte Hermione se levantou. Gina fez um sinal afirmativo com a cabeça para a amiga e sorriu.


Rapidamente, Rony deu três passos largos em direção a elas.


- ... não se preocupe, Mione. Pode pegar a coruja que precisar. Também já estou subindo. Só vou dar “boa noite” para o Harry.


Gina piscou para Hermione e foi em direção a Harry, abraçando suas costas de um jeito protetor. Logo, Harry se virou sorrindo e abraçou a garota fortemente.
Rony desviou o olhar. Todo aquele carinho e amor estampados só lhe faziam ver tudo que ele sentia falta na sua vida. O mais próximo que estivera daquilo fora com Lilá, e francamente, não era nada do que ele imaginava. Com Lilá tudo parecia forçado, ela nutria por ele um sentimento que não era recíproco, e ele apenas sustentava a situação para ver o quanto mais ele podia irritar Hermione. (o que ela esperava que ele fizesse, afinal? Sabendo, através de sua irmã, que ela havia beijado Krum?)


Mas não eram aqueles pensamentos que o estavam incomodando no momento. Seus olhos se desviaram para Hermione, que estava indo em direção a porta da cozinha.


Seu pensamento trabalhou rápido, parecia até que iria ficar tonto com a mudança repentina em seu raciocínio.


Consciente de que agora, toda a sua família estava tão próxima que podia escutar tudo que falava (todos fugindo da chuva que ameaçava logo cair) ele correu até Mione e segurou seu pulso gentilmente, apenas para que ela parasse antes de chegar à porta.


Ela se virou, os olhos arregalados em uma expressão de surpresa. Relaxou a expressão ao ver Rony e sorriu.


- Ah, desculpa Mione é que...- ele precisava fazer algo. As palavras agora lhe fugiam. -... eu ouvi a Gina dizer que já estava subindo também e...


Hermione pareceu perceber que o garoto estava se sentindo confuso.


- Sim, eu só vou enviar a carta para a professora McGonagall e vou ir me deitar. Já é tarde.


Ela agora usava os dois braços para proteger o corpo do vento frio, seu rosto parecia demonstrar um leve desapontamento.


Um raio atravessou o céu naquele momento, sobressaltando a todos. Rony soltou o braço de Hermione.


- Hum, tudo bem...- ele abaixou o tom de voz, parecia que todos a sua volta eram capazes de ouvir o que ele estava falando.- Só queria conversar com você antes de você ir se deitar.


Hermione ficou paralisada, fitando o ruivo. Sua boca entreaberta, em choque.


- Ahn, o.k.- foi só o que ela conseguiu dizer.


Rony agora olhava ao seu redor, querendo ter certeza que ninguém escutara. Todos estavam ajudando a desmanchar a mesa, gestos de varinha eram vistos aqui e ali e panelas voando juntamente com toalhas de mesa, indo em direção à cozinha.


Os dois não pareciam saber mais como agir. Ficaram se encarando, seus olhos pareciam não conseguir desfazer o contato.


- Rony, me ajude aqui filho!- o Sr. Weasley agora tentava lançar um feitiço de levitação em muitos talheres ao mesmo tempo.


Rony olhou uma última vez para Hermione que sorriu para ele, esperando que ele entendesse que a conversa dos dois estava marcada.


O garoto foi rapidamente ajudar o pai, parecendo repentinamente nervoso com a interrupção.


- Você podia aprender a fazer isso de um jeito menos prático, mas mais seguro, papai.


- Hermione Granger-


Hermione riu e tomou o caminho da cozinha. Grossos pingos de chuva começavam a cair agora. Ela foi diretamente para o quarto de Gina, apanhou um pergaminho e se sentou à escrivaninha, pensando em como começar a carta.


Cara Professora McGonagall


Gostaria de conversar com a senhora a respeito do meu retorno à Hogwarts no início do período letivo para continuar meus estudos, considerando que agora estou um ano atrasada devido aos acontecimentos recentes. Espero que não aja problema em ingressar na turma que começará o sétimo ano agora, pois pretendo obter os N.I.E.M´s para prosseguir com os meus planos de carreira no Ministério, como a senhora sabe.


Espero poder contar com sua compreensão e auxílio nessa nova etapa.


Afetuosamente,


Hermione Granger


Hermione sabia que não precisava expressar muito tudo aquilo que estava se passando na sua cabeça naquela carta. Provavelmente a professora já estaria esperando por isso, sabia o quanto a garota se esforçara para chegar até ali.


Hermione suspirou e releu o que havia escrito. Dobrou o papel enquanto seu pensamento vagava e uma estranha sensação se apoderava dela.


Ela sabia que assim que a coruja partisse seu coração ficaria mais leve: era sua obrigação terminar Hogwarts. Para algumas pessoas aquilo poderia parecer uma besteira, mas todos os instantes que passara na escola ela se empenhara ao máximo para que no futuro todas as suas boas notas a levassem em algum lugar.


Ela sabia que se conseguisse chegar ao Ministério com um bom currículo, poderia trabalhar em defesa dos elfos domésticos e outras criaturas que eram julgadas inferiores por alguns bruxos. Não sabia que iria querer trabalhar para sempre com isso, mas para o começo já estava ótimo.


Queria construir uma história, uma vida independente. Era a primeira bruxa de sua família e sentia uma responsabilidade pesar em suas costas ao saber que seus filhos e netos a teriam como um exemplo maior do que o habitual, apenas por ela ser a primeira da linhagem mágica que poderia vir a seguir.


Hermione sacudiu a cabeça e riu sozinha. Um simples pensamento de retornar a escola a fizera imaginar como seria a sua vida depois de anos, quando já estivesse com filhos e netos. Conseguia praticamente se enxergar levando os filhos à primeira viagem do Beco Diagonal, os auxiliando da forma que gostaria que seus pais pudessem ter feito desde o começo.


Sentiu uma pontada estranha no pé da barriga quando os rostos dos filhos que agora imaginava começavam a tomar rosto: por mais que ela tentasse desviar sua atenção, as crianças tinham traços muito familiares, traços que lembravam incrivelmente certo ruivo que agora a esperava para terem uma conversa.


Decidindo que já exigira o bastante de sua imaginação, já criando uma família com Rony antes mesmo que soubesse qual seria o futuro dos dois, ela se levantou e foi em busca de uma coruja da família Weasley que pudesse usar, para que a carta chegasse o mais cedo possível às mãos da professora.


(...)


Hermione não entendia o porquê de estar se sentindo nervosa apenas por saber que ela e Rony iriam conversar. Estava começando a ficar levemente frio devido à chuva, mas ela sabia que todos aqueles arrepios que a tomavam não podiam ser só devido a isso.


Ela e Rony se conheciam há tanto tempo, já haviam falado sobre tudo e mais um pouco. Talvez tivesse relação com o fato de ela saber que dessa vez eles iriam conversar algo que estavam querendo dizer um ao outro desde aquele beijo em Hogwarts, antes de iram para a batalha.


A carta que Hermione mandara para McGonagall já estava, há essas horas, voando juntamente com Pichí. Realmente, sua consciência agora estava mais leve: iria até o fim, terminaria Hogwarts como sempre sonhara. Agora, a maior urgência do momento era visitar seus pais para a despedida tradicional do início do ano, agora sem medo de que não houvesse um reencontro.


Hermione caminhava de um lado para o outro na sala de estar, se perguntando onde estava todo o resto da família naquele momento. Rony logo viria conversar com ela e ela ainda não sabia como se sentia em relação a isso.


Vozes vinham da cozinha agora, seguidas de risadas. Ela escutou Molly Weasley oferecer chá para todos que estavam lá e teve que conter o impulso de ir até lá, segurar uma xícara de chá e adiar a tal conversa com Rony. Ele estava demorando, e ela estava criando expectativas em relação ao que iriam conversar. E ela aprendera, convivendo com o ruivo durante todo aquele tempo, criar expectativas em relação a ele, nunca era bom. Já se decepcionara tanto!


Ela sabia que já devia ser muito tarde, mas a família parecia não cansar de ficar ao lado de Jorge. Era possível ouvir sua voz agora, um pouco mais animada.


-...pretendo sim. Não vou deixar a loja abandonada. Lutamos muito por isso.


Alguém o perguntara sobre a loja dele e do irmão. Hermione sorriu ao saber que ele voltaria ao trabalho, que não pretendia desistir daquilo que havia sido, durante muitos anos, dedicação exclusiva dos gêmeos mais famosos de Hogwarts.


- Eu pretendo ajudar ele sabe, pelo menos no começo.- uma voz familiar veio da porta, sobressaltando Hermione que não conseguiu conter uma exclamação de susto.


Rony estava parado a fitando, um sorriso estampado no rosto.


- Você me assustou!- Hermione levou a mão ao coração, tendo certeza que ele acelerara muito mais devido à chegada do ruivo do que por culpa do susto.


- Desculpe.


Ela não conseguia enxergar com perfeição o rosto do garoto. As luzes que estavam acesas na sala estavam baixas, deixando uma sensação de conforto no ar. Ela ficou aliviada em saber que ele provavelmente não estava enxergando seu rosto corar.


Ela continuava naquela posição defensiva de antes, os braços firmes a envolvendo. Rony olhou rapidamente para si mesmo depois para ela. Interpretando que o que ela estava sentindo era frio, ele rapidamente tirou seu próprio moletom e estendeu em sua direção.


- Vista... está mais frio agora... er... a chuva...


Hermione pegou o moletom, sem muita certeza do que estava fazendo. Rony sendo cavalheiro não era um padrão, mas ela gostava de ver ele agindo assim. Parecia menos aquele garoto rabugento que ela conhecia, e mais o homem que estava se tornando.


Ela sorriu e vestiu a peça de roupa, inspirando profundamente para absorver o perfume de Rony.


- Hum... então...?- ela tentou o encorajar a falar. Estava se sentindo desproporcional vestindo aquele moletom números maiores que ela, mas estava muito consciente do olhar que Rony lhe dirigia agora. Seus olhos miravam os olhos do ruivo e dessa vez, ela não sentiu necessidade nenhuma de desviar.


Ela não sabia se era pelo fato de ele não poder enxergar seu rosto com clareza, ou se ela exagerara na dose de cerveja amanteigada (o que ela duvidava, considerando que não era uma bebida muito forte), mas não estava mais se sentindo nervosa como deveria. Aquela expectativa que se formava antes parecia ter se derretido com o calor que a tomava agora: estava se sentindo completamente protegida dentro do moletom de Rony.


No momento que esses pensamentos lhe tomaram ela se arrependeu de ter cogitado a hipótese de não estar nervosa. Lentamente, Rony deu três passos em direção a ela.


Hermione prendeu a respiração, mas não desviou o olhar. Seu coração batia tão forte agora. A aproximação dele já não lhe era mais estranha, após anos de convivência. Mas o olhar que ele lhe lançava era hipnotizante.


- Você mandou a carta?- a voz dele era suave, quase um sussurro.


- S-sim... espero que a professora McGonagall responda logo. Para que eu possa adiantar tudo.


Parecia que Rony não estava escutando 100% o que ela falava. Ele estava tão próximo agora que a respiração dos dois pareciam estar se confundindo.


O som da chuva que castigava as janelas pareceu sumir, juntamente com o barulho dos trovões. Hermione segurava as pontas do moletom que vestia, as torcendo com os dedos.


Ela inclinou o rosto para a direita e sorriu, fitando Rony nos olhos.


Ele sorriu de volta, sua mão direita alcançando a cintura de Hermione. A esquerda, rapidamente encontrou os cabelos da garota. Ele tirou uma mecha que lhe caía no rosto, Hermione fechou os olhos sentindo um arrepio lhe percorrer o corpo.


Era tudo diferente. Quando havia o beijado de surpresa aquela primeira vez, não havia prestado tanta atenção em todas as sensações que o ruivo ocasionava nela. Sabia quais eram suas respostas a outras situações: como quando Rony a abraçava despreocupadamente, quando ele a fitava exatamente daquele jeito que havia a olhado minutos antes. Mas agora a proximidade era tamanha, que parecia inquebrável.


- V-você queria conversar...- mas a pergunta não foi finalizada, e ela não se importava em ter sido interrompida.


Ela abriu os olhos e viu que Rony a encarava, um brilho no olhar. Ele parecia tão decidido e tão certo de si. Seus rostos estavam tão próximos, seu instinto foi fechar os olhos novamente, quando Rony terminou com a distância que ainda restava entre eles.


- Ronald Weasley-


Rony sabia que Hermione iria esperar por ele para que conversassem. A encontrou mais cedo do que imaginara. Ela estava sorrindo, escutando a conversa de sua família na cozinha. No momento que Jorge falava da loja, deixando todos contentes com a novidade de que iria continuar com o negócio.


Hermione estava parada na sala de estar quase completamente escuta, sorrindo para ninguém. Rony adorava ver o carinho que ela nutria pela sua família.


Quando ele falou em resposta ao que Jorge comentara sobre a loja, ele viu que a assustara. O costumeiro “cubo de gelo” tomou conta de seu estômago ao ter certeza de que estavam sozinhos e que ninguém os interromperia, pelo menos era o que ele esperava.


- Você me assustou!- a voz dela não parecia zangada.


- Desculpe.


Sua voz saiu, sem que ele percebesse, mais rouca do que o normal. Quando estava perto dela, seu corpo inteiro parecia mudar a forma como agia, seu jeito de se movimentar parecia mais cauteloso. Ele tentava calcular todos os movimentos.


Ele sentia-se apreensivo ao vê-la naquela posição defensiva, os braços ao redor do corpo. Olhou para si mesmo: estava vestindo seu moletom favorito do Chudley Cannons então provavelmente não estava sentindo o frio que Hermione estava. Sentiu-se aliviado ao deduzir que aquilo podia ser resolvido facilmente.


Não pensou duas vezes, tirou seu moletom e fez menção de o entregar a ela.


- Vista... está mais frio agora... er... a chuva...


Ela parecia ter feito um pequeno ritual para vesti-lo e Rony a ficou observando. Não sentia necessidade de falar agora.


Uma pontada estranha o tomou ao ver Hermione vestindo seu moletom. Era uma sensação boa. O tamanho era grande para ela, caía até abaixo de sua cintura. Seu pensamento não parecia mais o mesmo agora e ele tentava se lembrar se Hermione sempre havia sido assim, tão encantadora.


- Hum... então...?- a voz dela despertava nele uma sensação de euforia. Aquela voz que tanto o deixava nervoso na época de escola agora fazia suas pernas pararem no lugar, incapazes de se mover.


Mas ele sabia o que queria. Estava se sentindo um idiota, principalmente após a conversa que tivera com Harry, em que a amiga fizera questão de lhe lembrar que Rony parecia estar andando pra trás em relação à Hermione.


Lentamente, deu três passos em direção à Hermione, tentando manter seu pensamento livre de qualquer coisa que o deixasse mais ansioso.


Viu que Hermione prendera a respiração, ainda o fitava. Ele estava adorando observar as reações que causava nela. Sua mente se encheu de lembranças da época de Hogwarts: Hermione zangada por ele ficar olhando para Fleur, ou incomodada por qualquer comentário que ele fizesse sobre alguma garota. Como havia sido burro. Demorara o dobro do que uma pessoa normal demoraria para se dar conta do que estava acontecendo entre os dois.


- Você mandou a carta?- ele sabia que sua voz não era mais que um sussurro, mas ele estava tentando ganhar tempo.


- S-sim... espero que a professora McGonagall responda logo. Para que eu possa adiantar tudo.


Mas para que mais tempo? Uma voz gritava na sua cabeça agora.


Vá até ela, seu idiota!”


Quase oito anos. Ele não podia ter mais certeza do que queria. Mirava seus olhos, seus passos pareciam estar sendo guiados por um instinto que até pouco tempo atrás ele não sabia que tinha.


Não conseguia parar de olhar aqueles olhos castanhos que povoaram os seus sonhos durante longas noites em Hogwarts, por mais que ele tentasse afastar esses pensamentos em relação à amiga. Apenas depois foi que percebeu que não tinha porque fugir daquele sentimento.


Ele estava tão próximo dela agora, mas seus olhos estavam fora de foco. Seu coração batia rápido e ele se xingava mentalmente, se perguntando como ela fizera aquele dia, para tão rapidamente decidir que queria o beijar e ter feito, sem pensar duas vezes.


Ele lembrou daquele momento com detalhes, a sensação que se apoderara dele quando fora beijado por ela. Aquilo o impulsionou a continuar.


Ele sorriu para ela. Sua mão direita tremia, mas ele fez o caminho até a cintura de Hermione. No momento que a tocou, teve certeza que poderia continuar. Não devia mais ter medo, nem receio. Ambos sabiam o que sentiam.


A outra mão estava nos cabelos dela. Quando ele viu Hermione fechar os olhos, devido ao simples gesto de carinho por parte dele, ele sentiu que poderia flutuar dois palmos acima do chão se quisesse.


- V-você queria conversar...- a voz dela era tão fraca. Ele sentiu-se completamente anestesiado ao saber que ele era o responsável por tudo que Hermione estava sentindo.


Os olhos castanhos o estavam mirando novamente. Eram tão lindos, prendiam sua atenção de um jeito que nada mais seria capaz de tirá-lo dali, se Hermione quisesse que ele ali permanecesse.


Repentinamente, os lábios dela pareceram exercer um papel de ímã para com os dele. Beijá-la parecia mais uma necessidade do que uma vontade. A curiosidade se apoderou dele, mais forte do que nunca. Queria poder lembrar com mais detalhes ainda como era a sensação de beijar Hermione.


Ele fez seus lábios se encontrarem, sentindo o corpo de Hermione ficar rígido no momento que ele a envolveu com os braços, abandonando sua cintura e seus cabelos, agora com uma mão em sua nuca e a outra em suas costas.


Mas durou apenas alguns segundos. Antes que pudesse acabar com aquela ansiedade que o tomava e sentir tudo aquilo novamente, um barulho ensurdecedor quebrou o momento, fazendo com que aqueles instantes não chegassem nem próximo a um beijo verdadeiro.


Alguém entrava na sala de estar rapidamente, com a varinha acessa.


Ele e Hermione já estavam separados, não completamente distantes, mas para desapontamento de Rony, já não mais abraçados.


A luz da varinha de Arthur Weasley mostrou para Rony uma Hermione completamente corada e surpresa.


- Hoho, desculpem garotos. Sua mãe queria ter certeza de que a tempestade não estivesse destruindo nossa sala de estar.


O Sr. Weasley não pareceu saber que acabara de impedir o segundo beijo mais do que planejado. Ambos já estavam sentindo como podia ter sido, apenas para que agora a separação doesse quase fisicamente.


Rony sentia os lábios quentes, parecia que algo em Hermione havia o marcado, como se dentro dele houvesse um grito implorando para que ele continuasse de onde parou, para que o beijo acontecesse.


Logo, Molly Weasley veio atrás do marido para ter certeza de que nenhuma janela estava aberta e aproveitando para dizer aos garotos que deveriam ir descansar, comentando que Harry e Gina já estavam tomando o rumo da cama.


O estômago de Rony pareceu afundar alguns centímetros. Hermione o olhava atordoada.


- S-sim, senhora Weasley. Eu já estava indo.


Molly Weasley sorriu para ela e se virou para sair da sala, juntamente com Arthur.


Rony não sabia mais o que fazer. Tinha plena consciência de que deveria estar muito corado e parecendo um idiota, parado ali.


Hermione também parecia decepcionada por aquele momento maravilhoso ter sido quebrado. Ela estava mais próxima da porta agora, onde Rony podia observar mais atentamente seu rosto, parecia que ela havia corrido durante vários minutos: até sua respiração estava numa velocidade acima do normal.


A vontade que Rony tinha era de impedir que ela saísse dali, tomá-la em seus braços e continuar de onde tinha parado. Hermione parecia atordoada e se é que isso era possível, mais sem graça do que ele.


- Ahn... boa noite, Ron.- ela já estava na porta quando se virou para ele, uma esperança renascendo dentro do ruivo.- Seu moletom...


Ela fez menção de tirá-lo mas Rony apressou-se em dizer.


- N-não se preocupe com isso, Mione... fique com ele... eu... já estava indo me deitar mesmo.


- Hermione Granger-


O momento era tão constrangedor e tão cheio de significados para os dois. Hermione queria realmente poder ter tirado o moletom e ter devolvido à Rony, pois agora parecia extremamente quente debaixo dele.


Mas, ao mesmo tempo, sentia-se tão ridícula por ter deixado todos aqueles sentimentos aflorarem no momento que estavam próximos, que a vontade que tinha era de sair correndo dali.


Afinal, Rony sabia tudo que ela sentia. Ela havia demonstrado em diversos momentos! Então porque os dois estavam parados ali, um mais constrangido que o outro? Sendo que o que os dois mais queriam era que não tivessem sido interrompidos?


- Boa noite, Mione.- Rony rapidamente saiu da sala de estar, deixando uma Hermione completamente atordoada para trás.


Ela suspirou enquanto o imitava, indo em direção ao quarto de Gina, caminhando lentamente. Ela sabia o quanto o ruivo devia ter tomado de coragem para fazer tudo que havia feito. Ele demorara muito mais tempo do que ela para admitir o que sentia. Ela podia ver o tempo inteiro nos olhos dele a coragem que ele estava nutrindo para dar um passo adiante em relação aos dois.


Mesmo que estivesse agora com uma sensação estranha, de momento perdido, Hermione sentia um calor gostoso envolvendo seu corpo.


Entrou no quarto e fechou a porta, permanecendo com as costas coladas à ela enquanto pensava.


- Hum... que sorriso bobo é esse?- a voz de Gina a tirou de seus devaneios.


Hermione rapidamente fez o caminho até a sua cama de armar, colocada do outro lado do quarto.


- Não é nada.- sentiu seu rosto queimar, mas o sorriso teimava em continuar ali.


- O moletom do meu irmão fica bonito em você.- Gina parecia estar com um extremo bom humor.- Fico imaginando que peça de roupa sua deve estar com ele agora.


- Gina!- Hermione falou mais alto do que gostaria, sentindo-se completamente constrangida com a piada da garota.


- Calma Mione. Só estou brincando. - a ruiva piscou o olho para a amiga e se jogou na cama, suspirando.


Hermione relutava em tirar o moletom. Era tão reconfortante ter o perfume de Rony tão próximo a ela.


- Vai me contar o que aconteceu?- Gina a mirava, aquele olhar questionador que era igual a todos os Weasley, tomando seu rosto.


- Não aconteceu nada.- Hermione frisou a última palavra.


- Hum, sei... você vai querer me contar uma hora ou outra, Hermione Granger.- Gina riu demoradamente e se virou de costas para Hermione, puxando as cobertas sobre si.


- Quando tiver algo para lhe contar...


Hermione aproveitou que Gina estava de costas para se preparar para dormir. Mas ao invés de ir em direção ao seu pijama, ela simplesmente tirou o resto da roupa que estava usando, mantendo apenas o moletom por cima da blusa de manga curta que estava vestindo. Era tão grande que imitava o tamanho de uma camisola.


Sorrindo, ela se enfiou debaixo do edredom cobrindo-se quase até a cabeça.


Ela ouviu Gina rir novamente, aquilo estava começando a incomodar.


- O que foi, Gina?


- Nada não. - ela escutou as molas da cama denunciando que Gina se virava em direção à sua cama. – Só estou me perguntando como estará meu irmão uma hora dessas. Se você está assim.


- Assim, como?- Hermione sentiu o rosto corar, mas nunca escondera nada de Gina.


As duas haviam conversando muito a respeito disso, Gina sempre soubera o que Hermione sentia por Rony.


- Esquece, Mione.- Gina alcançou sua varinha e com um breve aceno fez as fontes de luz do quarto se apagarem.- Só estou curiosa para saber o que aconteceu.


Hermione suspirou, pensando em como poderia contar para Gina, para que ela entendesse tudo que se passava com ela. Afinal, não havia acontecido nada demais. Nem sequer um beijo. Mas para Hermione era o suficiente para povoar sua imaginação. Enquanto tentava contar para Gina que ela e Rony estavam na sala de estar, próximos demais um do outro, e que Molly e Arthur Weasley haviam impedido o momento de continuar, Hermione era tomada de um sentimento de ansiedade. Queira poder parar de conversar com Gina e fechar os olhos, assim seu pensamento poderia dar um destino àquela cena inacabada entre ela e o ruivo, enchendo seus sonhos de cenas que ela não gostaria de dividir com ninguém.

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