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3. Ciúmes- o primeiro sintoma


Fic: In Aeternum


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capítulo 3- Ciúmes- o primeiro sintoma


Memórias do segundo ano:


(trechos de: Rowling J.K- Harry Potter e a Câmara Secreta, tradução de Lia Wyler- Rio de Janeiro: Rocco, )


- Ronald Weasley-


Rony não gostava nem um pouco da idéia de permanecer ali, na cozinha, auxiliando nas tarefas domésticas. Mas sabia que era necessário. Sabia que a saudade que sentiam de Fred agora não se comparava ao sentimento que sua mãe tinha. Ele ainda tinha a nítida sensação de que o irmão havia saído de férias, havia feito uma longa viagem. Ele vivera toda a sua vida aprendendo a lidar com a distância dos irmãos: Gui trabalhando (e viajando) para o Gringotes e Carlinhos cuidando de dragões, na Romênia. Mas de certa forma, toda a família sabia que eles viriam visitar, uma hora ou outra. Podiam ficar meses sem se ver, mas ainda tinham a alegria de receber cartas, uma notícia uma vez ou outra.


Assim que chegaram à cozinha, Rony e Hermione tinham se separado. Ela agora auxiliava no fogão, enquanto Gina cozinhava, agitando a varinha mais do que devia. Ele e Harry estavam na pia, cuidando da louça. Harry insistia em lavar a louça do modo que ele chamava “jeito tradicional”, enquanto Rony ria e com apenas um aceno da varinha realizava todo o trabalho.


- Sabe, quando éramos bruxos menores de idade você adorava realizar feitiços sem prévia autorização. - Rony mirou o amigo, que sorriu.


- Se você está falando das vezes em que foi detectada magia na casa dos Dursley, na maioria levei a culpa sem nem ter feito nada...


- Hum, certo...- Rony desviou o olhar, rindo.- A propósito, como anda a sua tia Guida?


Harry esboçou um sorriso maior ainda e mirou o amigo, erguendo apenas uma sobrancelha.


- Sabe, fico imensamente feliz de dizer que não sei. - ele desviou o olhar, apenas para fechar os olhos como se algo que lembrasse o fizesse sentir-se extremamente bem.- Não sei nada dela, nem de meus tios... e acredito que eles também não queiram me ver nem pintado de ouro.


- Hum, certo...- mas Rony não se sentiu convencido.- Acho ainda que você deveria dar notícias. Sempre achei aqueles trouxas os piores da espécie, sabe... Sei tudo o que fizeram com você.


Rony parou para estudar a expressão no rosto de Harry.


- Pelo menos para saberem que você está vivo, cara.


Para sua surpresa, Harry não pareceu se ofender nem achar que era uma piada.


- Gina vem me dizendo isso há alguns dias... Desde que voltamos.


Rony achou melhor deixar o amigo com seus pensamentos. Por mais mal que os Dursley tivessem feito a Harry, a guerra parecia deixar um vão que precisava ser preenchido: estava acontecendo em todo o mundo bruxo ao mesmo tempo, famílias que se reencontravam depois de muito tempo, parecendo se dar conta de que caso as coisas não tivessem ido tão bem, talvez não tivessem a oportunidade de se falarem novamente. Estava tudo tão diferente, como se houvesse uma grande comemoração de que todos faziam parte. Corria até um boato de que a data do final da guerra seria um feriado no mundo bruxo, em homenagem a todas as mortes que haviam ocorrido direta ou indiretamente devido à Voldemort. Rony gostava dessa idéia, com certeza a família assimilaria melhor a perda de Fred se houvesse essa forma de homenagem.


O sol agora brilhava triste através da janela da cozinha. Rony sabia que seu pai não deveria estar trabalhando naquele momento, tudo ainda era muito recente e certamente ninguém no Ministério obrigaria Arthur Weasley a voltar ao trabalho tão cedo, quando as feridas da perda familiar ainda estavam abertas.


Repentinamente lhe veio em mente as outras mortes que haviam ocorrido: Tonks, Lupin... Haviam perdido tantas pessoas do seu convívio e era como se já tivessem aos poucos se conformando! Seu estômago pareceu dar uma cambalhota engraçada: poderia ter acontecido com qualquer um deles. Qualquer um. Hermione, Harry e ele estiverem expostos aos perigos da guerra mais do que algumas das pessoas que haviam morrido na batalha em Hogwarts.


Olhou ao redor, distraído, observando sua irmã, Harry e Hermione. Todos absortos em suas tarefas. Aquela sensação ruim insistia em permanecer ali, parecia trazer um gosto amargo a sua boca. Naquela mesma cozinha, anos atrás, haviam vivido tantos momentos felizes, descontraídos. Ele sabia que não havia dado o devido valor. E agora, apenas o que tinha, eram as lembranças daqueles anos em que toda a família encontrava-se ao redor daquela mesma mesa.


Flashback


Eram suas primeiras férias de verão após ter iniciado Hogwarts. Após todo o estresse de conseguir resgatar Harry da casa dos tios, onde estava sendo mantido trancado no quarto, agora Rony e o amigo aproveitavam os últimos dias de descanso na Toca.


Repentinamente, Percy senta em cima de algo cheio de penas, mesmo que houvessem claramente enormes falhas que deixavam exposta a pele da coruja castigada da família. Percy sentara em Errol sem querer, fazendo Rony praticamente pular da cadeira para ir ao resgate do bichinho.


Ele sentia o que era, sabia o que lhe aguardava. Havia escrito uma carta há um bom tempo (será que fazia tanto mesmo?) para Mione, falando que tentariam resgatar Harry da casa dos tios. Ele prometera se corresponder com ela e a manter a par da situação, mas infelizmente não parecia que a promessa fosse ser completamente cumprida. Quando ele sentava-se com a pena em mãos para lhe escrever algo, lhe fugiam as palavras e qualquer coisa que ele escrevesse lhe pareciam completamente idiota quando relia a carta. Optou por simplesmente perguntar como ela estava, indagar sobre as férias e puxar o assunto sobre Harry. Como ele e Hermione passavam a maior parte do tempo brigando, ele não levava muito jeito para se comunicar com ela sem ser ironicamente. Ficara com uma sensação de que sua carta poderia ter soado de um modo como ele não gostaria, e torceu para que a amiga não notasse como ele ficava sem graça de lhe escrever.


- Errol!- exclamou Rony, recolhendo a coruja inerte da mão de Percy e extraindo a carta que ela trazia presa sob a asa. - Finalmente chegou a resposta de Hermione. Escrevi a ela avisando que íamos tentar salvar você dos Dursley.


Harry assentiu, seguindo Rony.


Ele levou Errol até o poleiro na porta dos fundos e tentou faze-lo encarrapitar-se, mas a coruja tornou a desmontar, por isso Rony a deitou na tábua de escorrer, resmungando “Patético". Em seguida ele abriu a carta de Mione e leu-a em voz alta.


Queridos Rony, e Harry se estiver aí.


Espero que tudo tenha corrido bem, que Harry esteja bem e que você não tenha feito nada ilegal para tirá-lo de lá, Rony, porque isso criaria problemas para o Harry também. Tenho estado realmente preocupada e, se Harry estiver bem, por favor, mande me dizer logo, mas talvez seja melhor usar outra coruja, porque acho que mais uma entrega talvez mate essa aí.
Estou muito ocupada, estudando, é claro...


- Como é que pode!- exclamou Rony horrorizado. - Estamos de férias!


(não entrava na sua cabeça que a garota estivesse aproveitando o seu tempo de folga estudando, quando já tinham que fazer isso o ano inteiro em Hogwarts)


... e vamos a Londres na próxima quarta-feira comprar os livros novos. Por que não nos encontramos no Beco Diagonal?


Mande notícias do que está acontecendo, assim que puder.


Afetuosamente,


Mione


Obviamente ela estava preocupada com Harry e ele fez um registro mental para lhe responder assim que pudesse. Mas ao mesmo tempo em que sentira ansiedade para ler a carta e alívio ao ver a letra da amiga, sentiu algo completamente estranho. Não sabia explicar perfeitamente bem o que era, mas era a nítida sensação de Hermione não se dirigia a ele na carta. Claro, na parte em que o repreendia achando que tinha feito algo ilegal para ajudar o amigo ela falava com ele. Mas no resto, parecia mais preocupada em saber se Harry estava realmente bem e não perguntava em nenhum momento como ele estava.


Rony sabia que essa memória, da simples carta de Hermione, já lhe dava indícios de como sua mente era capaz de montar ilusões, ao ponto de achar que a amiga não lhe dava atenção e focava apenas sua preocupação em Harry.


- Bom, isso se encaixa perfeitamente. Podemos ir comprar todo o material de vocês, também – disse a Sra. Weasley, começando a tirar a mesa e arrancando o filho de seus pensamentos - Que é que vocês estão planejando fazer hoje?


Os meninos planejavam jogar quadribol, mas Rony sabia que a mãe provavelmente tinha outros planos para eles. O que era bom: sabia que conseguiriam convencê-la a os deixar jogar um pouco e após isso, a ajudariam nas tarefas domésticas. Ocupar a cabeça era disso que ele precisava. Assim, ele não ficaria imaginando o que Hermione estava pensando: levantou-se da mesa e segui os irmãos, tentando focar seu pensamento longe, pois forma-se um filme nítido e cheio de cores em sua mente, onde Hermione dizia para quem quisesse ouvir que Rony não fazia nada mais do que sua obrigação ajudando Harry e que pouco importava para ela se ele tivesse sua varinha destruída pelo Ministério, caso precisasse usar magia para ajudar o amigo.


Balançou a cabeça, tentando varrer esses pensamentos que por tanto tempo lhe incomodaram, insistindo em retornar.


(...)


Após alguns dias, o trio estava junto novamente, no Beco Diagonal. Rony sentia-se mais aliviado, pois vendo o comportamento dos amigos sentia-se menos excluído e as ilusões não arranjavam espaço na sua cabeça.


Foram até a Floreios e Borrões para comprarem os livros necessários para o segundo ano em Hogwarts. Muitas pessoas estavam se acotovelando para entrar na loja. Uma grande faixa estava estendida nas janelas do 1º andar:


GILDEROY LOCKHART


autografa sua autobiografia


O MEU EU MÁGICO


hoje das 12:30 às 16:30


- Vamos poder conhecê-lo! Mione gritou esganiçada. Ao ver a expressão no rosto de Rony, as sobrancelhas erguidas, apressou-se em complementar. - Quero dizer, ele é o autor de quase toda a nossa lista de livros!


O garoto não entendia (ou esforçava-se para negar que entendia) porque aquela alegria de Hermione havia o deixado tão ofendido. Após, observando o modo como ela se portava perante o tal Gilderoy, ele sentiu-se incomodado. Os olhos dela ficavam fixos e ela tinha uma expressão no rosto que lembrava muito a que a sua mãe exibia naquele exato momento.


Hermione, por outro lado, era apenas uma menina de doze anos que sentia-se extremamente ansiosa para conhecer o famoso autor. Ele havia escrito todos aqueles livros, obviamente era alguém que possuía um conhecimento vasto. Aquilo a fascinava! Além do mais, a beleza do sorriso dele parecia fazer suas bochechas corarem. Quando ela percebeu, estava se comportando como todas as outras mulheres que estavam ali em busca de autógrafos, sorrindo sem perceber e sem conseguir desgrudar os olhos de Gilderoy que começava seu discurso.


(...)


Rony foi tirado bruscamente de suas memórias pela voz de Hermione. Chegou a ficar confuso, estivera tão imerso em pensamentos. A Hermione de suas lembranças era completamente diferente da garota de 18 anos parada diante dele.


- Ron?- ela o olhou como se achasse que repentinamente o garoto enlouquecera. - Você escutou?


O que ele deveria ter escutado ele não sabia porém deveria estar parecendo realmente distraído, já que Harry e Gina agora o olhavam também.


- Eu já vi esse olhar antes...- Gina desviou sua atenção do irmão e se voltou ao que estava fazendo.- Saia de dentro da própria cabeça, irmãozinho. E coloque a mesa, por favor.


- Claro, irmãzinha- ironizou.- Estava distraído, é só.


Mas apesar de Gina e Harry agora estarem conversando entre eles, Hermione não parecia achar que deveria tirar os olhos do ruivo.


- Está tudo bem?


Ele fez sinal de afirmativo com a cabeça e começou a buscar os pratos e talheres para colocar a mesa, desviando do olhar dela. Parecia que suas pernas perdiam um pouco do movimento quando ela lhe encarava com aquele olhar intrigado. O mesmo olhar que ele havia visto a primeira vez no trem para Hogwarts, em seu primeiro ano.


- Hermione Granger-


Finalmente tudo estava pronto para o almoço. Gina e Harry conversavam, haviam parado completamente de trabalhar agora. Gina já estava sentada em uma cadeira à mesa e Harry estava escorado confortavelmente no balcão da cozinha. Ela tampouco podia puxar assunto com Rony, pois além de minutos antes ele ter se perdido nos próprios pensamentos, ele agora, para sua surpresa, com um aceno de varinha fazia a louça dos preparativos do almoço ser lavada.


Aos poucos a cozinha começou a lotar. O Sr. Weasley já havia voltado para a casa, estivera com Gui e Fleur o dia todo. Aparentemente, todos haviam tirado folga inclusive Carlinhos que chegara a cozinha juntamente com o pai, o irmão e a cunhada. Todos os Weasley pareciam sentir a necessidade de ficarem juntos naquele momento, apesar de que Hermione ouvira conversas de que logo Fleur e Gui voltariam ao trabalho e ao dia a dia em sua casa. Felizmente, Carlinhos parecia ter mais dias de folga disponíveis ou simplesmente resolvera, por precaução, que não voltaria a cuidar de dragões enquanto sua cabeça não estivesse 100% focada nessa atividade.


Todos se sentaram à mesa. Hermione sentiu uma pontada de tristeza ao perceber que a família não sentia apenas falta de Fred, mas de Jorge também, que ainda não retornara ao convívio. Rony mirava a mesa também, um olhar triste pairando sobre a família, e ela teve certeza que o ruivo pensava o mesmo que ela. Todos conversavam, mas não era em tom animado como estava acostumada a ver na Toca. Pareciam voz contidas, em respeito a dor que todos certamente partilhavam.


Quando Rony escolheu o seu lugar, ao lado de Harry, ela fez o caminho até eles e acomodou-se também. Com a varinha, fez todas as travessas irem até a mesa a ajeitou tudo para que a família pudesse desfrutar da refeição, sem se incomodar com mais nada.


Estava tão quieta, focando-se apenas em tentar ficar invisível a todos, que se surpreendeu quando a voz doce da Sra. Weasley chegou aos seus ouvidos.


- Querida, você leva muito jeito com feitiços domésticos. - ela sorria para Hermione, que timidamente sorriu de volta. - Está tudo perfeito, obrigada.


- Imagine Sra. Weasley. Vocês sempre me acolheram tão bem todas as vezes que estive aqui, gosto de ajudar no que puder.


Ela percebeu que a matriarca da família desviou os olhos rapidamente em direção à Rony, como que para avaliar a reação do filho mais novo. Mas ele já estava alheio a todos ao seu redor, comendo rapidamente tudo o que tinha no prato.


Hermione fitou o próprio prato e começou a comer, mesmo sem sentir fome. Observou todos a sua volta acalmando-se, como se uma mão invisível fizesse pairar sobre eles uma aura de calmaria. Ela instantaneamente pensou que, aquilo que sua mãe sempre lhe falara estava certo.


As pessoas são mais felizes com a barriga cheia.”


Aquele pensamento pareceu a alegrar um pouco, conhecendo Rony como conhecia, ela sabia o quão bem um bom prato de comida podia fazer a um Weasley. Seu instinto naquele momento, era ir até o quarto de Jorge e obriga-lo a comer. Sabia que ele iria se sentir melhor, mas aparentemente, ninguém ainda forçara à volta dele à convivência familiar.


Ela voltou sua atenção para as conversas que eram mantidas ao seu redor. Gina parecia ser a que melhor havia se recuperado do trauma, conversava tranquilamente com o pai e os irmãos.


- Eu acho bem provável que queiram melhorar a situação lá no Ministério, sabe papai - Gui dirigiu um olhar cheio de significados ao Sr. Weasley.- Colocar as pessoas certas nos lugares certos.


- Você quer dizer que papai será promovido?- Gina demonstrou sincero interesse pela conversa.


- Pom, pelo menos lá no Grrringotes as coisas mudarã.- Fleur parecia estar forçado o melhor do seu inglês, perante a família do marido.- Querrrem apenas pessoas de confiança trrrabalhando com o ouro. Aprrenderam a não dar crrédito para qualquer um.


Percy não parecia tão animado com a conversa quanto deveria.


- O que você acha Gui?- dirigiu-se ao irmão. – Ouvi alguns boatos...


Hermione tentava centrar-se e entender o que estavam falando, parecia que se referiam a mudanças nas pessoas que trabalham no Ministério da Magia.


- Sei que vocês podem criar expectativas erradas a respeito disso, mas... - Percy endireitou-se na cadeira. - Estavam pensando em mudar papai de cargo... para um mais alto...


Todos prenderam a respiração, querendo acreditar no tal boato. Mas para a surpresa de todos, o Sr. Weasley riu. De um jeito contido, mas debochado.


- A guerra termina e eles acham que podem se redimir de tudo o que fizeram distribuindo cargos. - ele fincou o garfo com força no empadão de galinha que estava no prato. - Um dia eles, quem sabe, descubram que a pessoa só é feliz quando vive para aquilo que a faz se sentir completa.


Hermione sentiu uma pontada de emoção ao ouvir aquilo. Certas frases do Sr. Weasley faziam muito mais sentido para ela, pois ela tentava encará-las como lições de vida.


- Você está querendo dizer, Arthur querido...- Molly Weasley pareceu interessada na conversa, repentinamente.-... que se lhe deixassem você sairia por ai enfeitiçando outro modelos de carros para que voassem por ai, invisíveis, auxiliando no transporte imperceptível de bruxos?


O Sr. Weasley fitou a mulher tão rapidamente, parecia que havia levado um choque. Obviamente, a lembrança do carro voador havia o pego de surpresa.


- Claro que não, Molly querida...- ele apressou-se em responder.- Eu gosto do que eu faço. Lá no Ministério, quero dizer...


Gui reprimiu uma risadinha debochada.


- Trouxas são apenas um hobby...


Abruptamente, vários pares de olhos se fixaram em Hermione.


- Ah, não se ofenda, por favor, querida...- o Sr. Weasley pareceu envergonhado, repentinamente.- Mas trabalhei com o mal uso de artefatos de trouxas durante muito tempo, não que eu não tenha gostado de ter sido promovido na época que a guerra estourou. Trabalhar com objetos falsos, que imitam feitiços, certamente ocorreu na hora certa e...


- Nós sabemos exatamente o que você faz, querido...- a Sra. Weasley parecia aos poucos recuperar o bom humor.- Só não queremos que saia descartando ótimas propostas antes de avaliá-las.


Hermione continuava com a sensação de que não chegara ainda na velocidade adequada para acompanhar a conversa. Parecia mais uma discussão em família do que um simples bate-papo, por isso ela resolveu se calar.


Lembrava-se claramente da história do carro voador do Sr. Weasley,e o modo como ele, mesmo que por breves instantes, tornara Harry e Rony celebridades para a Grifinória.


Flashback


Ela soubera após algum tempo que era verdade: Harry e Rony haviam chego à escola no tal carro voador que todos falavam. Seu segundo ano em Hogwarts e já estavam realizando entradas triunfais.


Ela não os via desde aquele dia no Beco Diagonal. Encontrou-os parados diante do quadro da mulher gorda, obviamente não sabiam a nova senha, considerando que não haviam aparecido nem na cerimônia de seleção nem no jantar de Início Letivo.


Hermione correu ao encontro deles:


- Aí estão vocês! Onde se meteram? Os boatos mais ridículos... Alguém disse que vocês foram expulsos por terem batido com um carro voador.


A idéia lhe parecia absurda. Era de se esperar que Rony fizesse algo do gênero, mas Harry era muito mais centrado, certamente não arriscaria tanto sua permanência em Hogwarts.


- Bem, não fomos expulsos- foi Harry quem lhe respondeu. Rony apenas a encarou, um olhar sério.


- Vocês não vão me dizer que realmente chegaram aqui voando? – ela replicou em tom severo.


- Pode poupar o sermão- Rony parecia extremamente impaciente- Mas não é isso que está em questão...


Assim que o retrato da mulher gorda se abriu, todos lá dentro os estavam aplaudindo.


Aquilo pareceu afastar dos pensamentos de Rony, pelo menos temporariamente, a raiva que sentia por ser repreendido pela garota logo no primeiro dia. Hermione realmente gostava de brincar com sua paciência. Por que era sempre para ele que ela dirigia o olhar acusador? Será que ela não via que ele e Harry estavam juntos na confusão? Mesmo que a maioria das sugestões de descumprirem o regulamento fossem dele, Harry era suficientemente cabeça-de-vento ao ponto de acatar todas elas. Mesmo assim, Hermione insistia em lhe olhar daquele jeito: dava-lhe a impressão de que ela via através dele, e ele tinha a sensação subjetiva de que não conseguiria mentir enquanto ela lhe dirigisse aquele olhar.


Hermione fez cara feia enquanto os meninos eram cumprimentados pelos colegas que faziam algazarra na sala comunal, todos querendo saber exatamente como fora a chegada deles.


O mau-humor da garota se manteve até na manhã do outro dia, quando ela apenas os cumprimento com um frio “Bom-dia.”


Por que Rony tinha que ser tão infantil ao ponto de achar que merecia aplausos por todas as besteiras que fizesse? Se seus colegas continuassem agindo assim, feito idiotas que adoravam uma confusão para ter o que comentar, ele e Harry certamente jamais aprenderiam a lição.


Durante o café da manhã, ela fora tirada dos seus pensamentos por Errol, que caira em cima da mesa, desmaiado, com um envelope vermelho e úmido no bico.


- Ah, não...- ela ouviu a voz baixa de Rony, lamentar-se.


- Tudo bem, ele ainda está vivo...- Mione cutucara Errol devagarinho com a ponta do dedo, para se certificar que tudo estava bem com a coruja.


Mas logo ela entendeu o porquê do lamento do ruivo. Aquilo não era uma correspondência normal, era um berrador.


Ela lembrava da situação que Rony teve que enfrentar quando todo o Salão, todos os alunos de todas as casas, escutaram o conteúdo do berrador, que de tão alto fez a cabeça de Hermione, que estava ao lado de Rony, latejar.


No mesmo momento, toda aquela raiva que ela sentia pelo ruivo se meter em confusão e arrastar Harry junto, pareceu se dissolver. Ver ele se sentir humilhado perante a escola inteira foi a pior sensação que ela já experimentara até então. Por que tinha que se importar tanto com ele? Ele certamente não teria tanta empatia com ela! Ela não sabia explicar, só tinha a certeza de que Rony não precisava ter passado por aquilo. Claro que ela queria que ele aprendesse que todas as suas atitudes teriam conseqüências, mas o olhar assustado e o tom de vermelho que tingiu o rosto do garoto pareceu acender nela algo novo.


Ela não conseguia pensar em nada inteligente para dizer e, ao mesmo tempo, não queria parecer mandona.


Ela fechou o livro Viagens com Vampiros, de Gilderoy Lockhart e olhou para o cocoruto da cabeça de Rony.


- Bom, não sei o que é que você esperava Rony, mas você...


- Não me diga que mereci- ele retrucara com rispidez. Ótimo, o objetivo dela de não tentar parecer ser crítica, não havia dado certo. Ela resolveu permanecer calada o resto do tempo.


- Ronald Weasley-


Ela não precisava esfregar na sua cara que o que ele tinha feito era errado. O berrador de sua mãe acabara de fazer isso. Mas Hermione tinha aquela mania irritante de sempre querer demonstrar que tinha razão.


Deixaram o castelo juntos, Rony ainda mantinha a cara emburrada. Percebeu as tentativas frustradas de Hermione de puxar conversa com ele, parecia extremamente simpática novamente. Mas ele não daria o braço a torcer, se ela queria que ele se sentisse culpado pelo que havia feito, ele a faria sentir-se culpada por sempre querer os atormentar com essa história de “regras existem para serem cumpridas”.


Era aula de Herbologia. Harry, Rony e Hermione dividiram o tabuleiro com um garoto de cabelos cacheados da Lufa-lufa.


- Justino Finch- Fletchley- o garoto apertara a mão de Harry.- Eu sei quem você é, é claro, o famoso Harry Potter... E você é Hermione Granger, sempre a primeira em tudo.


Hermione dera um grande sorriso quando o garoto apertara sua mão.


Rony não sabia quem era aquele garoto mas certamente não gostava dele. Na época ele tentou justificar a raiva que sentira dele, pensando que era porque ele estava de mau humor, ou porque o berrador de sua mãe o deixara atormentado. Mas atualmente ele sabia, que a raiva se apoderara dele no momento exato que o garoto elogiara Hermione tão calorosamente e relacionava-se exclusivamente a isso.


- E Rony Weasley. O carro voador era seu, não era?


Ele apenas o cumprimentou, o rosto sério.


Quem ele pensa que é?” Foi o pensamento que pairou em sua cabeça.


Hermione começava a trabalhar nas plantas agora, ainda esboçava um sorriso no rosto.


Rony sentia uma raiva inflar em seu peito. Ela havia ficado muito feliz com o elogio daquele garoto. Feliz até demais.


Eles começaram a realizar as tarefas propostas, mas Rony certamente não estava se concentrando tudo o que poderia. De vez em quando, arriscava uma olhada para Hermione, para se certificar de que a garota não estava dando trela para o tal de Justino.


Era só que faltava...que elogio mais falso. Como se não disséssemos o tempo inteiro para ela o quão inteligente ela é.”


Mas ele registrou mentalmente isso. As palavras que usava para dizer a Hermione que reconhecia sua inteligência não eram tão gentis quanto as que o colega usara. E aquilo só o fez sentir mais raiva. Já a magoara antes por causa de seu jeito grosso. E aparentemente, Hogwarts tinha muitos garotos que estavam dispostos a lembrá-la de suas melhores qualidades.


A raiva continuou junto com ele. Parecia que não queria abrir espaço para outros sentimentos. Aquilo permaneceu ao longo do dia. Além de tudo, estava zangado por sua varinha estar quebrada. Parecia que tudo conspirava para que ele testasse sua paciência.


Enquanto juntavam-se aos outros no salão principal, Rony observava a coleção de botões perfeitos que Hermione fizera na aula de Transformação. Não ficara feliz de ver os ótimos resultados que a amiga conseguira.


Quem sabe ela está na esperança de receber novos elogios de seus admiradores?”


- Que vamos ter hoje à tarde?- perguntara Harry, roubando momentaneamente a atenção de Rony.


- Defesa contra a Arte das Trevas- Hermione respondera muito rápido. Rápido até demais, para a opinião de Rony. Certamente, a amiga estava esperando ansiosa às aulas do professor Lockhart. Aquele pensamento fez as entranhas de Rony revirarem.


Pelo canto de olho ele viu o horário de Hermione, estranhamente rabiscado.


- Por que... - apanhou o horário dela-... você sublinhou com coraçõezinhos as aulas de Lockhart?


Hermione puxara o horário de volta, corando loucamente.


Rony sentia como se seu cérebro tivesse sido programado para não deixar seus pensamentos progredirem. Pareceu ficar travado ali, olhando aqueles corações desenhados e sentindo mais raiva ainda do que sentira o dia todo.


Hermione agora guardava o horário na mochila e Rony permaneceu olhando para ela, abobado.


Isso não era algo que deveria o incomodar, ou era?


Mas a resposta para as suas perguntas logo foram respondidas, embora ele não quisesse admitir quais eram.


Lockhart realizara um teste em que todas as perguntas eram sobre sua vida pessoal. Assim que se recuperara do susto de ver tamanha baboseira em um teste, Rony teve que lidar com a visão do inferno, perante ele.


Lockhart estava decepcionado com o resultado do teste.


Pudera- pensou Rony- ele parece achar que o mundo gira em torno dele.”


Um sorriso tentou brincar em seu rosto quando ele começou a imaginar a cara do professor caso ninguém soubesse responder o que ele havia solicitado. Imaginou Hermione, o rosto vermelho, sendo pega de surpresa por não saber algo em um teste pela primeira vez na vida. Por um tempo ele permaneceu deliciando-se com a visão de Hermione criando raiva do tal “professor bonitão”, apenas por ele não ter lhe dado uma boa nota. Foi pescado de seus pensamentos pela voz do professor:


-... mas a Srta. Granger sabia que a minha ambição secreta era livrar o mundo do mal e comercializar a minha própria linha de poções para os cabelos, boa menina! Na realidade- ele olhara o teste- ela acertou tudo! Onde está a Srta. Hermione Granger?


Misturado à surpresa incômoda que ele sentira, agora havia uma espécie de pânico ao ver Hermione levantar a mão trêmula.


- Excelente! Excelente mesmo! Dez pontos para a Grifinória! E agora, ao trabalho...


Tudo fora o inverso do que ele imaginava. Ela acertara tudo. Tudo. Como era possível? Ela certamente gastara mais tempo estudando coisas úteis como as outras matérias que iriam ver logo adiante? Ou vai ver, ela já havia lido todos os livros de Lockhart nas férias e por isso fizera questão de frisar em sua carta que estava ocupada estudando.


Mas Rony concentrou-se em tirar a raiva do professor fajuto da cabeça. Pois logo ele os deixara na sala, enfrentando diabretes que ele mesmo soltara, e não fizera questão de colocar de volta na gaiola. Harry afirmara que o professor não sabia o que está fazendo.


- Bobagem. Você leu livros dele, vê só todas as coisas incríveis que ele fez.- Hermione insistia em defende-lo.


- Que ele diz que fez - foi o máximo que Rony conseguiu dizer sem deixar sua raiva transparecer, enquanto a vontade que tinha era de gritar na cara da garoto que o tal professor que ela tanto admirava era uma farsa, e que ela devia sentir-se uma idiota por idolatrá-lo tanto.


(...)


A mesa do almoço já havia sido retirada e a cozinha agora parecia estranhamente silenciosa, enquanto cada um dos seus antigos ocupantes tomava seu rumo. Rony terminara de levar a louça para a pia, com curtos acenos de varinha. Gina sacudiu as mãos à frente quando o irmão se aproximou:


- Deixa comigo!- virou-se de costas e fez a louça começar a se lavar.- Você ajuda o Harry lá em cima.


Harry, que estava sentado a um canto com o olhar perdido, levantou tão rapidamente da cadeira que Rony tivera a impressão que o amigo havia se assustado à menção de seu nome. Ele seguiu Rony que, com uma última olhada na cozinha, pôde visualizar de relance um sorriso de Hermione, que começava a ajudar Gina.


Enquanto subiam as escadas, Rony percebeu a inquietação do amigo. Harry parecia querer dizer algo, mas não conseguia.


- Tá tudo bem?- Rony tentou forçar um diálogo.


- Ah, sim.- Harry desviou o olhar.- Só estava pensando, sabe... se não estou sendo uma espécie de intruso, passando todos esses dias aqui...


Rony parou de subir a escada e fitou o amigo, abobalhado.


- Do que você tá falando?


- Você sabe...- Harry parecia querer dizer aquilo há dias.-Hermione está aqui porque quer ficar com você nesse momento difícil. Mas ela tem a casa dela, os pais dela. E eu... Bom... Não pretendia mesmo voltar para a casa dos Dursley.


Por um momento Rony pareceu digerir o que acabara de ouvir. Havia uma sensação de felicidade em ouvir de outra pessoa, e não de seus próprios pensamentos, que Hermione estava ali por causa dele. Mas ao mesmo tempo em que aquela idéia lhe enchia de ânimo, saber que seu amigo sentia-se como um intruso ali, o deixou incomodado.


- Você nunca foi um intruso aqui, Harry. Você é como se fosse da família. Além do mais, aposto que Gina obrigaria você a ficar aqui, de qualquer jeito.


Mas Harry não parecia estar acompanhando a velocidade da conversa. Repentinamente, ele mirou Rony, o olhar extremamente sério.


- Você pretende voltar? Para Hogwarts, quero dizer.


Parecia que engolira várias pedras de gelo rapidamente.


- Ahn... acho que não. Bom, tivemos um ano muito conturbado e não há nada mais justo do que recebermos um “diploma por mérito”.


Vendo que a expressão no rosto do amigo não se anuviara, continuou.


- Afinal, Hogwarts ainda vai estar uma bagunça depois de tudo o que aconteceu. Eu pretendia começar a trabalhar logo, sabe. Tocar a vida para frente.


- Achei que você não iria querer voltar à rotina de estudos, depois de tudo isso.- Harry parecia estar pensando longe, enquanto falava.- Eu também não sei se quero voltar. Quer dizer... Aquela Hogwarts que nós conhecemos, não existe mais.


Rony mergulhou em lembranças e ele sabia que Harry também estava lembrando de tudo que haviam vivido na escola. Rony parecia conseguir caminhar pela lembrança do castelo, dos jardins, da cabana de Hagrid. Quase conseguia enxergar as salas de aula cheia de seus colegas, ele Harry e Hermione sentados juntos, rindo, enquanto a aula não começava.


- Tenho uma reunião marcada no Ministério. Semana que vem.- Harry falou, abruptamente, o retirando de seus pensamentos.


- Sério? Por que foi que não me contou?


- Recebi a coruja hoje. - Harry sacudiu os ombros, desconfortável. - Imagino que irão me oferecer algum emprego, pelo menos foi o palpite de Percy.


- Você falou para o Percy sobre isso?- Rony sentiu uma leve pontada de indignação.


- Foi a primeira pessoa que me veio em mente, sabe. Não sabia o que pensar... E Gina não queria que eu fosse.


Rony raciocinava rápido, tentando achar alguma ligação entre a carta que Harry recebera e alguma vantagem nisso.


- E você aceitaria trabalhar lá? Bom, depois de tudo isso, quero dizer... o Ministério não ficou muito do nosso lado no começo.


- Sim, eu sei. Mas espero que dessa vez tudo seja diferente. Agora, com as coisas mais tranqüilas, poderíamos focar mais o trabalho, melhorar a realidade da população bruxa. Certamente houveram muitas alterações depois da guerra.


- Verdade... há muito o que fazer ainda.- Rony voltou a subir as escadas, lentamente. Tentava assimilar a idéia de Harry trabalhando no ministério. Parecia que as coisas seriam mais fáceis para o amigo, ele começaria a trabalhar e logo poderia se manter com o próprio salário. Se tinha algo que Rony gostaria imensamente de mudar era o fato de ser pobre. Ele não tinha vontade de voltar para a escola mas imaginara, também, que naquela altura do campeonato ele, Harry e Hermione já tivessem recebido os devidos créditos por seus feitos. Ainda era tudo muito recente, mas ele esperava algum reconhecimento. Sentia-se decepcionado ao ver que nada na sua vida mudara ainda.


O trabalho de arrumar os quartos foi feito quase silenciosamente por ele e Harry. O amigo sentia que não deveria obrigar Rony a falar, conheciam-se há bastante tempo e Harry sabia como Rony se sentia em relação a esse tipo de coisa: o melhor amigo ganhando destaque e ele, sempre para trás.


Após algum tempo, Harry falou que iria para o quarto organizar suas roupas, alegando que não queria que a Sra. Weasley se incomodasse em lavá-las e passa-las, já que ele estava ali à toa e poderia ajudar. Rony ficou algum tempo parado em seu quarto, mas logo decidiu que de nada adiantaria ficar se perguntando porque Harry sempre levava os créditos por tudo, ele só acabaria sentindo-se mais inferiorizado.


Resolveu descer para a cozinha, provavelmente descobriria algo para fazer nos jardins. Talvez se livrar de alguns gnomos: fazia tanto tempo que não realizavam uma limpeza efetiva para se livrar das criaturas.


Estava passando pela cozinha quando sua mãe, que agora tomava uma xícara de chá fumegante, o parou.


- Ah, Rony... esqueci de lhe avisar.- ela levantou-se rapidamente e foi de encontro ao filho, tirando algo do bolso do avental.- Chegou uma carta para você hoje de manhã.


O sorriso que a mãe lhe deu foi tão sincero e tão cheio de orgulho que ele nem precisou olhar o envelope para saber do que se tratava. Era uma carta praticamente igual a de ão o Ministério queira vê-los. Na cabeça de Rony só podia ser uma coisa: eles finalmente iriam reconhecer todo o trabalho que tiveram, desde as Horcruxes até todas as dificuldades que haviam passado durante a guerra. A única diferença que havia na carta dele, ele imaginava, era o começo, que lamentava as perdas que sua família sofrera e esperava poder ajudar no que fosse necessário. Mesmo que houvesse a assinatura de Quim, o auror da Ordem da Fênix, agora Ministro da Magia, ele sabia que não dependia apenas do amigo da família qualquer decisão que o Ministério fosse tomar. Aprendera após todos aqueles anos, que tudo funcionava como uma seqüência, e que o líder muitas vezes servia apenas para representar as decisões tomadas por um grupo de outros líderes.


Mas o efeito que aquela carta gerara havia sido positivo. Repentinamente ele não se sentia mais inferior nem invejava o fato de Harry ter uma reunião no Ministério. Parecia que uma nuvem que pairava em sua cabeça havia sido varrida para longe. Pelo menos uma coisa a menos para se incomodar.


- Hermione também recebeu uma parecida, sabe...- Molly Weasley pareceu achar que seu sorriso valera mais do que qualquer elogio, esperaria as novidades após a tal reunião que iriam comparecer.- Mas ela não quis ler.


Rony levou um susto com a revelação.


- Como assim ela não quis ler?


- Ela falou que saberia por você e por Harry do que se tratava e se achasse pertinente abriria a carta.- ela olhou para os lados para ver se ninguém estava ouvindo.- Sinceramente, acho que ela gostaria de adiar um pouco qualquer proposta que o Ministério queira lhe fazer.


- Mas nós nem sabemos se é uma proposta!- Rony sentiu-se em pânico, querendo entender o porque Hermione parecera ignorar a carta.- Pode ser simplesmente uma solenidade, uma... uma homenagem aos serviços prestados e...


- Rony- a mãe sorria bondosamente.- ... claro que isso também vai acontecer, nós sabemos. Era questão de tempo até a mídia querer lança-los para o sucesso. Mas seu pai e Percy andaram ouvindo boatos de que...


- Por isso papai fez todo aquele sermão sobre estarem distribuindo cargos!- ele interrompera a mãe.


- Seu pai só não quer que fiquem deslumbrados com os holofotes que serão focados sobre vocês. Mas eu sei que vocês saberão exatamente como agir.


Rony sabia que ainda havia muito o que ser dito, mas a mãe pareceu querer encerrar o assunto, por hora, naquele momento. O deixou sozinho na cozinha, ele permaneceu de pé parado, mirando a carta atentamente. Talvez o fiozinho de felicidade que causara nele instantes antes tivesse diminuído agora. Por que seu pai achava que ficariam deslumbrados? Tinha medo de que virassem marionetes do Ministério como ocorrera com Percy?


Ainda cheio de perguntas em sua cabeça, ele abriu a porta e saiu para o jardim, o pensamento vagando longe.


(...)


- Hermione Granger-


Hermione levantou-se da cama lentamente. Não havia sido uma boa idéia tirar um cochilo depois de terminar o que tinha quer ser feito na cozinha. Ela tinha a sensação de que acordara mais cansada.


Mirou seu reflexo no espelho e tentou achatar os cabelos. Por fim, desistiu de faze-los ficarem no lugar e soltou um longo suspiro.


O que roubava seus pensamentos agora era a carta que Molly Weasley colocara em suas mãos após a saída dos garotos da cozinha. Ela retornara, quando ela e Gina estavam terminando a limpeza, e lhe entregara, dizendo que chegara aquela manhã. A carta agora estava dentro de um livro, sobre a escrivaninha de Gina.


Hermione mirou o livro, apreensiva. Todos na casa pareciam ter a mesma teoria: de que o Ministério tentaria recrutar o maior número de pessoas que haviam participado do “exército da guerra” para limpar a imagem ruim que se formara nos últimos tempos. Desde seu quarto ano em Hogwarts, ela sabia com o que gostaria de trabalhar melhorando a realidade de criaturas que eram consideradas inferiores pelos bruxos. Agora que se aproximava da hora de decidir o que faria da vida, ela sentia-se tentada a integrar a equipe que fazia valer o direito de criaturas mágicas.


Mas voltar a Hogwarts não saía de seus pensamentos. Ela podia praticamente visualizar seu retorno. Com certeza a Professora McGonagall daria um jeito de conseguir uma vaga para ela na turma de Gina. Ela queria voltar, queria prestar os N.I.E.M´s e conseguir alcançar tudo aquilo que desejava desde que colocara os pés em Hogwarts.


Ela resolveu sair do quarto. Estava começando a ficar com dor de cabeça de tanto tentar calcular perfeitamente todas as probabilidades que se mostravam agora diante dela.


Precisava de ar, precisava espairecer. Sabia que não podia fugir de tudo aquilo, que precisaria pensar e decidir logo. Uma luz pareceu se acender dentro de sua cabeça: escreveria uma carta para Hogwarts naquela noite ainda. Se tinha algo que ela realmente queria, era voltar para lá. Senão, todos os últimos anos de estudos e dedicação teriam sido em vão. Claro, o último ano havia sido realmente conturbado e ela esperava poder voltar à ativa e recuperar o tempo perdido nos estudos. Mas ao mesmo tempo que decidia isso em sua mente vinha outra imagem: ela sozinha no trem indo para Hogwarts. Seu instinto lhe dizia e ela não era capaz de negar isso: Harry e Rony não iriam querer acompanhá-la. Após tudo que acontecera ela não os julgava: sabia o que devia passar em suas mentes. Eles certamente gostariam de se juntar a outras pessoas que haviam lutado contra Voldemort e trabalharem como aurores, impedindo que novos bruxos das trevas tivessem oportunidade de surgirem.


Ela parou repentinamente de andar, Rony estava a apenas alguns passos dela, sentado na grama, cutucando o chão com a varinha.


Ele pareceu sentir a aproximação da garota e se virou para encará-la. Seu rosto estava intrigado, mas ele esboçou um sorriso assim que a viu.


Ela se aproximou dele e se sentou ao seu lado, silenciosamente. Os dois tinham tantas coisas em mente, que parecia que se começassem a dialogar, poderia terminar em briga.


- Mamãe me falou que você também recebeu uma carta do Ministério.


- Sim...- Hermione não pretendia começar a falar sobre aquilo naquele momento.


- Você vai? Quer dizer, eles nos chamaram para uma espécie de reunião...


- Tenho certeza que você e Harry podem receber o tal prêmio sozinhos.- vendo o olhar de assombro no rosto de Rony, ela continuou.- Porque provavelmente haverá um prêmio. Fotos, entrevistas... essas coisas.


Rony desviou o olhar e encarou o chão, sorrindo.


- Ás vezes, quando você fala assim, você me lembra muito a Hermione que conheci.


- Eu sou a Hermione que você conheceu.- ela sorriu para ele.- Desculpa, Ron... só não sei se eu deveria ir para o Ministério com vocês. Provavelmente Harry irá ganhar uma medalha por serviços prestados à Hogwarts e após isso eles irão insistir para que vocês integrem a academia de Aurores.


Era bom escutar isso da voz dela. Mesmo que ela não parecesse muito feliz com a idéia, Rony sabia que ela estava certa. Era isso que iria acontecer. Ele não precisava se preocupar em terminar Hogwarts nem nada, pois o que haviam feito no último ano provara para toda a comunidade bruxa que possuíam muito mais conhecimento do que muitos bruxos adultos e eram capazes de se tornarem aurores. Hermione sempre tinha razão quando tentava adivinhar o que estava por vir. A mente dela trabalhava de um jeito diferente, analisando todas as probabilidades e caminhos que poderiam ser seguidos.


- E isso te incomoda...por que...?


- Não me incomoda. Sério.- ela frisou com o olhar o que dizia, pois Rony parecia incrédulo.- Só não quero ter que ficar me esquivando das pessoas nessa tal reunião. Eu ainda pretendo conseguir um emprego no Ministério, sabe.


Rony parecia entender o que ela estava dizendo. E mesmo que ele soubesse desde o início qual seria a escolha dela, lhe dava uma certa melancolia ter que escutá-la.


- Mas não pretende conseguir esse emprego agora, nesse momento...?


Ela movimentou a cabeça em resposta.


- Não, não pretendo.- ela inspirou profundamente e encarou os olhos azuis de Rony.- Eu quero voltar para Hogwarts, Rony.


Ele acenou positivamente com a cabeça, para ela saber que havia entendido.


- Harry e eu conversamos e, bom... você sabe...


- Sei.- ela mirou o chão.- Imaginei que vocês fossem integrar o Ministério logo de cara, querem entrar para a ação.


Um sorriso apareceu no rosto da garota e ela lhe olhou novamente nos olhos.


- Não vai ser a mesma coisa... Hogwarts...


Parecia que as palavras não queriam sair. Ela tinha medo que se falasse mais, acabaria se magoando. Ela queria muito poder dar um jeito de aquilo funcionar. Poder estar ao lado de Rony e terminar os estudos. Ela praticamente conseguia enxergar como seria. Eles voltariam para Hogwarts e teriam toda aquela rotina novamente. Café da manhã no grande salão, assistir às aulas juntos, ficar até tarde em frente à lareira na sala comunal. Seria imensamente perfeito se pudesse ter tudo isso com Rony ao seu lado.


- Não vai ser a mesma coisa... sem você...- ela sabia que aquelas palavras não tinham sido mais que um sussurro, mas ele havia a entendido, disso ela tinha certeza. Pois no mesmo momento que ela o olhou, ele a mirava intensamente.


- Eu sempre soube que você iria querer voltar.- ele agora falava baixinho, como se os dois pudessem se entender mesmo que não houvessem palavras.- E você pode ter certeza, Mione...


Ele parou. Sabia que deveria continuar. Ele precisava assumir um certo compromisso com a garota. Sabia que se falasse o que queria falar, era como se um elo invisível se formasse entre os dois. Ele sabia, desde que estivera em Hogwarts que era isso que ele queria. Ele queria assumir perante ela o que sentia.


- ... que eu estarei do seu lado. Mesmo que eu não esteja todas as horas do dia lá com você, como era antigamente...- as palavras agora doíam, perante a realidade que se armava em frente a eles.- Eu errei o suficiente no passado para saber o quanto me machucaria te perder.


Finalmente ele conseguira. Parecia que o ar lhe escapara dos pulmões. Essa hora chegaria, mais cedo ou mais tarde. Ele precisava admitir para ela tudo o que sentia. Por mais que os dois soubessem que havia algo surgindo entre eles, eles precisavam desse impacto de realidade. Precisavam de algo concreto que lhes mostrasse verdadeiramente o quanto gostavam um do outro.


Ele observou surpreso, uma lágrima se formar no canto do olho de Hermione. Lentamente, a lágrima percorreu o seu rosto. Ele teve o instinto de se aproximar dela, terminar com aquela distância agonizante que existia entre eles.


- Será que você entende, Ronald...- ela deixou outras lágrimas caírem.- ...o quanto eu esperei por esse momento?


Ele ficou paralisado. Estaria ela falando de voltar a Hogwarts? Dos dois?


- Espero que você saiba o quanto você significa para mim...- ela desviou o olhar, procurando reunir coragem para falar tudo o que tinha que falar.- E... durante todo esse tempo eu... fiquei imaginando... quando seria...quando você... falaria...


- Mione...- calmamente, ele a envolveu nos braços deixando que ela deixasse seus sentimentos aflorar.


Hermione o abraçou de volta, fechou os olhos com força e inspirou profundamente o doce aroma que vinha dos cabelos ruivos de Rony.


Ele passava as mãos suavemente pelas costas da garota, tentando acalma-la.


- Um dia eu ainda vou me redimir com você, por todos os momentos em que eu fui um idiota.


Mas ela não respondeu. Queria poder ficar envolvida no abraço dele para sempre. A respiração dele era calma, e ela sentia-se imensamente em paz descansando a cabeça em seu peito.


Ouviram passos no gramado, alguém estava se aproximando. Ambos não tinham vontade de quebrar aquele momento. Hermione sentiu uma pontada de decepção, pois havia sentido por instante que finalmente poderiam recuperar todo o tempo perdido em anos de brigas e discussões. Mas ela estava calma por dentro, apenas por ter ouvido do ruivo aquelas palavras que ela tanto desejava ouvir. Isso já fazia dela a garota mais feliz do mundo.


E ela sabia que, mesmo quando fosse para Hogwarts, não estaria realmente sozinha. Sabia que eles fariam dar certo. Afinal, Rony sabia aparatar. Provavelmente com um pouco mais de prática seria tão bom quanto qualquer bruxo adulto. Eles poderiam se encontrar em Hogsmeade, poderiam começar a traçar uma história.


Ela resolveu erguer o rosto para o ruivo ao seu lado, que também parecia surpreso por alguém estar interrompendo aquele momento tão único dos dois.


Mas ele não se separou dela, continou a envolvendo com os braços e suspirou longamente, como se estivesse acostumado a ser interrompido por algum membro da família.


Virou o rosto em direção ao recém chegado e seu rosto encheu-se espanto. Hermione virou o rosto também, procurando entender o que poderia ter pego Rony de surpresa.


Jorge estava parado, olhando para eles enquanto sorria levemente. Seu rosto parecia anos mais velho do que Hermione se lembrava. Tinha grandes marcas escuras abaixo dos olhos e mirava os dois com um olhar extremamente cansado.


- Sabe... - sua voz era rouca, mas ainda mantinha um certo tom divertido.-... Costumávamos apostar quanto tempo demoraria para vocês dois se ajeitarem. Depois de um tempo cansamos de perder dinheiro um para o outro.


Pega de surpresa, Hermione gaguejou e sacudiu a cabeça. Sentia-se feliz em ver que Jorge estava ali, conversando. Resolveu manter a conversa.


- Vocês... Apostavam...?


Para a surpresa de dois, Jorge aproximou-se mais e sentou-se ao lado deles. Estava praticamente irreconhecível daquele jeito, não parecia aquele garoto sempre alegre e brincalhão. Nenhum dos dois pareceu se importar de ter o momento romântico interrompido.


- Não apenas nós dois, entendem... - eles sabiam que ele se referia ao irmão, mas aparentemente ainda não conseguia falar seu nome.- Toda Hogwarts parecia acompanhar as brigas de vocês dois como se fosse uma novela.


Ela virou o rosto para Hermione e Rony, e sorriu. Dessa vez foi um sorriso verdadeiro. Ambos instintivamente sorriram de volta.


Hermione sentiu uma espécie de onda migrando pelo seu corpo, sentia-se aliviada de finalmente ver Jorge novamente. Gostava muito dos gêmeos por mais que eles tivessem mania de quebrar as regras e aprontar com os alunos mais novos, eles eram sempre bem-humorados, formavam uma imagem de alegria impenetrável e inquebrável.


Se ela estava se sentindo imensamente emocionada, podia imaginar o que se passava na cabeça de Rony agora. Ele continuava a abraçando fortemente e agora mirava o irmão com lágrimas nos olhos.


- Hei, Jorge... Vamos lá para a cozinha e você pode comer alguma coisa. Não foi a mamãe que fez toda a comida, mas está deliciosa.- Rony parecia, a todo custo, querer trazer o irmão de volta a vida de verdade.


- Hum... acho que tudo bem, então.- mas ele continuava mirando o horizonte, o olhar distante.


Hermione queria muito poder saber o que estava passando na cabeça dele. Mas ela sabia que não deviam ser pensamentos felizes. A saudade que deveria sentir do irmão era uma daquelas dores que chegava a machucar fisicamente.


Ela torceu intimamente para que Rony não cometesse algum deslize que fizesse o irmão se sentir mal.


- Vamos então...- ela resolveu se levantar, para que ambos a seguissem.


Os três ficaram de pé, Rony ainda mirando o irmão. Ela desvencilhou-se do abraço do ruivo e lhe deu um breve toque no braço. Ele a mirou e ela fez sinal com os olhos, para que ele entendesse a sugestão que ela lhe dava. E ele entendeu.


Rony caminhou até o irmão e o abraçou. Jorge, no primeiro momento permaneceu com os olhos vidrados, como se estivesse se adaptando novamente a vida fora de seu quarto. Após alguns instantes, abraçou Rony de volta.


Hermione sentiu que mais uma lágrima teimosa descia pelo seu rosto, mas permaneceu parada ali, olhando para os dois irmãos. Ela sabia o quanto um abraço significava, o quanto podia ajudar.


Rony estendeu o braço e juntou Hermione a eles, e os três foram caminhando em direção à cozinha, sorrindo.


Ela queria entender o porquê dele ter decidido sair do quarto justo naquele dia, e porque escolhera eles para partilharem desse momento de renascimento dele. Sentia-se feliz . A dor da família Weasley era a sua dor. Assim como a felicidade que eles sentiam, também era sentida por ela.


Flashback


Rony e Mione haviam ido juntos para campo de quadribol, assistir o treino da Grifinória. A caminhada até lá não havia sido muito pacífica, haviam implicado um com o outro até chegarem lá. Rony aproveitava para debochar de Lockhart, afirmando que ele era uma fraude, mas Hermione parecia determinada a o defender até o fim. Por fim, preferiram ficar em silêncio e assistir o jogo, já que quanto mais conversavam, principalmente quando Harry não estava por perto para apartar, mais conseguiam se magoar.


Repentinamente, os jogadores da Sonserina invadiram o campo, alegando iriam treinar no lugar da Grifinória. Hermione começou a sentir o sangue lhe subir à cabeça, agora eles estavam literalmente debochando do time da Grifinória. Das arquibancadas, não conseguiam escutar com perfeição tudo que acontecia.


- Vamos até lá, Rony!- Hermione levantou-se em um salto.


- Vamos... –Rony olhou intrigado para o campo- Por que eles não estão jogando? Hoje é dia do treino da Grifinória não é?


Rony apertou o olhar e suspirou indignado.


- Que é que o Draco está fazendo lá? Aposto que está querendo comprar briga com o Harry!


- Fique quieto, Ronald!- ela já estava andando em direção ao campo.- Como se você também não quisesse algum motivo para implicar com a Sonserina.


- Ah, eu quero mesmo...- ele sorriu. – Quero saber do Harry o que está acontecendo.


- Como se você se importasse! Acontecendo uma briga, você não se importaria de ganhar uma detenção.


Rony ficou nervoso e apressou o passo.


- Você está certa. Vamos ver se consigo uma detenção.


E passou pela frente dela. A garota bufou de raiva. Por que ele tinha que ser tão irritante? Parecia que todas as oportunidades que ele tinha ele precisava implicar com ela.


Ele era muito mais alto e mais rápido que ela, e já estava chegando perto dos jogadores. Ela correu até ele.


- Ah, olha ali... - disse Flint, o capitão da Sonserina, enquanto olhava para Rony e depois para Hermione. - Uma invasão de campo.


Rony ignorou o garoto e se virou para Harry.


- Que é que está acontecendo? Por que vocês não estão jogando? E o que é que ele está fazendo aqui?


Olhou para Draco, reparando nas vestes de quadribol que o garoto vestia.


- Sou o novo apanhador da sonserina, Weasley. O pessoal aqui está admirando as vassouras que meu pai comprou para ao nosso time.


Rony olhava as vassoura, boquiaberto.


- Boas, não são? Mas quem sabe o time da Grifinória pode levantar um ourinho e comprar vassouras novas também. Você podia fazer uma rifa dessas Cleansweep 5. imagino que um museu talvez queira comprá-las.


O time da Sonserina explodira em gargalhadas. Rony ficou sem fala. Não podia acreditar naquilo. Eram vassouras ótimas e caras. Ele estava prestes a abrir a boca para retrucar o que Draco dissera, mas a voz de Hermione o pegou de surpresa.


- Pelo menos ninguém do time da Grifinória teve de pagar para entrar.- a garota falava com aspereza. Rony olhou para ela surpreso, os olhos da amiga cintilavam - Entraram por puro talento.


Rony não conseguia explicar a sensação que aflorara dele naquele momento. Parecia que Hermione traduzira o que estava entalado na garganta dele. A diferença é que o raciocínio dela havia sido muito mais rápido. Inclusive para Draco, que havia ficado parado, provavelmente em choque com a resposta da garota, pensando em algo inteligente para falar.


Pelo rosto de deboche que Draco exibiu, ele provavelmente não achara nenhuma ofensa à altura.


- Ninguém pediu sua opinião, sua sujeitinha de sangue ruim.


Agora Rony sabia exatamente o que se passava com ele. Sentiu um ódio mortal subir desde os dedos dos seus pés até o pescoço: e ali, parecia o enforcar. E ele sabia exatamente o que precisava fazer para extravasar aquela raiva. Ele sabia que às vezes implicava com Hermione, mas jamais seria capaz de ofendê-la daquele jeito. Ele percebeu naquele momento, que a tentativa de alguém magoar Hermione, o deixava com os nervos à flor da pele.


Fred e Jorge haviam se atirado em direção a Draco, porém Flint os impedira de chegar até o loiro que ainda esbanjava uma expressão de superioridade.


- Como é que você se atreve!- a voz de Alicia parecia mais aguda do que de costume.
Hermione observava tudo, aturdida. O que estava acontecendo? Ela sabia que havia sido uma ofensa, e das grandes. Olhou para Rony que estava imensamente vermelho, aquela expressão de raiva que ela agora tanto conhecia no ruivo. Ela observou ele mergulhar a mão nas vestes:


- Você vai me pagar- apontara a varinha, furioso para a cara de Draco.


Hermione sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Seja lá que sangue ruim significava, ela sentia-se devidamente vingada. Ninguém precisava bater em Draco ou faze-lo se desculpar, o que ela sabia que era impossível. Ao ver Rony apontando a varinha para a cara do loiro, ela sentiu um calor envolvendo seu corpo. Era raiva misturada com uma felicidade estranha, por estar sendo defendida daquele jeito.


Um jorro de luz verde saíra da ponta oposta da varinha de Rony, atingindo-o na barriga. Hermione sobressaltou-se quando o ruivo caiu de costas na grama.


- Rony! Rony! Você está bem?- ela foi ao encontro dele, com a maior velocidade que pôde atingir. Seu coração batia rápido, parecia querer saltar do peito.


Rony abrira a boca para falar, mas não saia nada. Repentinamente, com um arroto, várias lesmas caíram de sua boca.


Hermione sentia-se entorpecida, paralisada. Ouviu a voz de Harry, que parecia vir de longe, sugerir que levassem ele a casa de Hagrid. As lesmas caindo da boca de Rony a fizeram recuar no primeiro momento, mas ela se encheu de coragem e ajudou a amparar o amigo. Afinal, aquilo havia acontecido porque ele queria defendê-la.


Ela ainda tinha aquela sensação estranha dentro dela. Mesmo vendo o amigo vomitar lesmas, enquanto Hagrid lhe providenciava um balde, ela aquele orgulho estranho por ter sido defendida por ele.


- Melhor para fora do que para dentro - Hagrid sorriu, olhando para Rony e após mirando Hermione.


Ela sentia-se ansiosa, apreensiva:


- Acho que não há nada a fazer exceto esperar que a coisa passe- ela observava Rony- É um feitiço difícil de fazer em condições ideais, ainda mais com a varinha quebrada.


Ela falara aquilo com o intuito de fazer Rony se sentir melhor. Queria que ele entendesse o quanto se sentia vingada pelo fato de o amigo ter se ofendido com o que Malfoy falara. Olhou nervosa para o amigo, esperando que ele entendesse o quanto aquilo havia significado para ela.


A conversa agora pairava sobre Lockhart. Hagrid contara aos garotos que ele era o único candidato a vaga de professor de Defesa Contra a Arte das Trevas.


Hermione sentiu que murchara um pouco: achava que Dumbledore havia o contratado porque acreditava que fosse realmente capaz de assumir o cargo.


Mas ela afastou esses pensamentos, pois Hagrid agora indagava sobre o que havia acontecido com Rony.


- Malfoy chamou Mione de alguma coisa, deve ter sido muito ruim porque ele ficou furioso.- Harry franziu a sobrancelha enquanto falava.


- Foi ruim- Rony juntou todas as forças para conseguir falar- Malfoy chamou Mione de sangue-ruim, Hagrid...


Ele tentou atenuar a voz, para não assustar a garota, sem se dar conta que a amiga não sabia ao certo o que aquilo significava.


- Ele não fez isso!- Hagrid arregalou os olhos, ofendendo-se também.


- Fez sim- Mione entrou na conversa, a voz calma - Mas eu não sei o que significa. Percebi que era uma grosseria muito grande, é claro...


Rony ficou mais calmo ao ouvir a voz dela. Se deu conta de que a amiga realmente não entendera a ofensa de Malfoy.


- É praticamente a coisa mais ofensiva que ele podia dizer- Rony, ofegante, tentava explicar toda aquela sensação ruim que havia se apoderado dele por escutar Malfoy a xingar - Sangue ruim é o pior nome para alguém que nasceu trouxa, sabe, que não tem pais bruxos. Existem uns bruxos, como os da família de Malfoy, que se acham melhores que todo mundo porque tem o que as pessoas chamam de sangue puro.


Fizera uma leve pausa para arrotar uma única lesma.


- Quero dizer, nós sabemos que isso não faz a menor diferença. Olha só o Neville Longbottom, ele tem sangue puro e sequer consegue pôr um caldeirão em pé do lado certo.


- E ainda não inventaram um feitiço que a nossa Mione não saiba fazer- Hagrid complementara, Mione sentiu seu rosto ficar púrpura.


- E é uma coisa revoltante chamar alguém de...- Rony enxugara a testa suada- sangue sujo, sabe. Sangue comum. É ridículo. A maioria dos bruxos hoje em dia é mestiça. Se não tivéssemos casado com trouxas teríamos desaparecido da terra.


Ele olhou de esguelha para Hermione, que o observava, escutando atentamente o que ele falava. Ela tentou lhe passar pelo olhar tudo que estava sentindo. Um leve sorriso se formou no rosto da garota e Rony ficou surpreso.


O rosto do ruivo tingiu-se, combinando com seus cabelos. Agora raciocinava que tudo que havia falado mostrava o quanto se importava com tudo aquilo. Ele deixara escapar todos os pensamentos que tinha a respeito daquilo.


Tinha ainda vontade de ter falado certas coisas que ficaram guardadas, apenas para ele.


A conversa continuava, mas ele permaneceu um tempo imerso em seus pensamentos.


Minha família é toda de bruxos, mas certamente isso não nos garante vantagens. Hermione tem muito mais facilidade do que eu em tudo.”


E agora seu pensamento vagava, tentando imaginar como a magia aflorara na garota. Ele olhava para ela e não conseguia acreditar que o primeiro contato de Mione com a magia havia sido no ano anterior.


Eu detesto admitir- ele pensou, enquanto mirava o rosto da garota de cabelos cacheados- mas ela é a bruxa mais talentosa que já conheci.”

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