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Visualizando o capítulo:

1. Ab initio


Fic: In Aeternum


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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A história e seus personagens são propriedade de J.K Rowling, Warner Bros e Editora Rocco.

Memórias do primeiro ano:


(trechos de: Rowling J.K- Harry Potter e a Pedra Filosofal, tradução de Lia Wyler- Rio de Janeiro: Rocco, )


Capítulo 1- Ab initio


Aquela cena parecia estar acontecendo em câmera lenta. Todas aquelas pessoas no chão, familiares ao redor. Era muita dor para suportar, era muita tristeza continuar olhando para os rostos daqueles que se foram.


Harry e Hermione estavam um pouco afastados da família Weasley, lhes dando privacidade para aceitar, aos poucos, a perda de Fred.


Harry, com o canto do olho observava Hermione travando uma luta interna. Os olhos dela estavam extremamente vermelhos, as mãos apertadas uma na outra, meio que estendidas à frente, obviamente se perguntando se deveria ir em direção a Ron.


- Mione... - Harry achou sua voz, parecia não falar a dias. - Vá... Ele precisa de você...


Ela não pareceu pensar duas vezes. Harry a seguiu, logo atrás, indo encontrar Gina.


Harry passou o braço ao redor da ruiva, num gesto natural e acolhedor. A garota apenas afundou o rosto no peito dele e ali permaneceu ainda assimilando os últimos acontecimentos, lágrimas molhando a camisa de Harry.


Hermione sentiu-se completamente estranha perante aquela situação. Não saberia agir com aquela naturalidade ao ir de encontro a Ron. Ele estava ali, a apenas um metro de distância dela. As mãos fechadas fortemente ao lado do corpo, os olhos ocultos pelas lágrimas.


"Você o conhece há anos... nada precisa mudar..."


Após esse pensamento, Hermione estendeu a mão e foi em direção a Ron. Segurou sua mão fortemente, e com um breve aperto, o fez saber que ela estava ali para ele.


Ele olhou para o lado rapidamente, incapaz de sorrir. Curvou-se em direção a ela e a abraçou. Ela retribuiu o abraço, com segurança. Acariciou os cabelos dele e deixou que as lágrimas lhe escorressem pelo rosto.


Aquele momento lhe lembrou o enterro de Dumbledore, quando abraçados desse jeito, eles haviam se fortalecido para o que estava por vir. Não era justo que um momento doloroso como aquele se repetisse tão repentinamente, quando mal haviam cicatrizado as feridas mais recentes.


Ron não dava sinais de que iria se afastar do abraço de Hermione. Era tão estranho, momentos antes estavam em uma guerra contra Voldemort, uma guerra que parecia não ter fim. Parecia muito óbvio que nem todos sairiam vivos. Mas a realidade os atingiu com mais força do que deveria.


Hermione evitou olhar os outros corpos, percebeu que Harry analisava todos que estavam deitados ali, como se fosse o culpado pelas mortes. Ele possuía lágrimas nos olhos, mas parecia mais forte. Parecia saber que aquilo era preciso.


Ela desviou o olhar, não estava facilitando as coisas observar toda aquela cena e acreditar que era verdade.


Instintivamente, ela beijou Ron no rosto. Ele se afastou levemente e a olhou nos olhos. Eles compartilharam aquele olhar, se entendiam melhor daquele jeito.


Quantas vezes haviam gritado um com o outro, discutindo por besteiras, por motivos que agora, perante o grande buraco que havia surgido na família Weasley, pareciam tão insignificantes.


A única coisa que importava, que ela tinha certeza que queria, era jamais sair do lado do ruivo. Queria muito poder dizer isso a ele. Ela sabia que naquele olhar ele entendeu tudo que sua cabeça imatura de garoto jovem não havia o feito entender naqueles sete anos.


- Vem... - ele sussurrou para ela para que o seguisse.


Caminharam para longe de toda a família. Ron não queria ficar observando aquela cena, fazia tudo parecer extremamente real. Já teria que suportar toda a dor dos outros familiares quando fizessem o enterro do irmão. Ele já estava pensando em tudo, e achava que deveria tomar as providências, pois os pais provavelmente não teriam força para tal.


Ele parou e apenas intensificou o abraço. Naquele momento era apenas o que ambos precisavam: ter um ao outro.


-Ronald Weasley-


Ron estava sentado em sua cama na Toca. Vários pensamentos passavam pela sua cabeça. A guerra terminara, mas deixara cicatrizes. O luto de sua família parecia permanente. Faltavam risadas, faltava a alegria contagiante e permanente dos gêmeos.


Jamais seria a mesma coisa.


Ele sentia-se completamente vazio, sozinho. Sentia-se envergonhado de admitir que o que mais queria, naquele momento, era um abraço, como aquele que recebera logo depois da guerra. Queria alguém que estivesse ao seu lado para lhe dizer que tudo iria ficar bem.


Sentia-se tão sem chão. Perdido, sem saber para onde ir. Sabia que naquele momento Harry e Gina estavam lá embaixo com sua mãe, que não voltara plenamente às atividades da casa. Mas não era Harry que iria lhe fazer sentir-se melhor.


Gina mal falava, mas Harry entendia e estava ao lado dela naquele momento difícil. Ron precisava de alguém que estivesse do lado dele, incondicionalmente.


Claro, Hermione estava lá. Provavelmente na cozinha, pois de vez em quando ele escutava movimentação lá, a garota deveria estar se responsabilizando pelo almoço. Ele ainda não falara direito com ela desde aquele dia em Hogwarts. Gina havia lhe falado que a garota havia ido de encontro aos pais, já que necessitava desfazer o feitiço de memória deles e explicar-lhes tudo. Porém, ela havia retornado mais cedo do que Rony esperava, e ele torcia internamente para que ele fosse o motivo disso.


A garota respeitou o momento de dor da família dele. Permaneceu em silencio ao seu lado durante o enterro de Fred, murmurando palavras de força, sempre segurando sua mão. Quando seus parentes o rodeavam, o abraçando e chorando em silêncio ela o deixou. Ele estava muito agradecido por isso. Ela estivera do seu lado, mas sabia respeitar o seu momento de tristeza.


Ron se deitou e jogou as pernas para cima da cama. Naquele momento, enquanto estava aprofundado em seus pensamentos e memórias, tudo parecia tão surreal. Tudo aquilo que haviam vivido nos últimos meses parecia distante, quase um sonho. Era como se ele estivesse tão entorpecido ao ponto de não conseguir assimilar corretamente a dor que sentia internamente, como se não conseguisse trazer à tona tudo que estava sentindo.


A guerra terminara há cinco dias, porém estavam na Toca a apenas há três. Logo após partirem de Hogwarts, tiveram que cuidar de diversas coisas. Com certeza a mais dolorosa fora o enterro de Fred. Na memória de Ron não estavam apenas os seus sentimentos relacionados ao acontecido, mas principalmente os do irmão, Jorge. Lembra-se do rosto contraído do irmão, durante a cerimônia fúnebre, lágrimas pareciam ter manchado eternamente o rosto sardento de Jorge. Ele não falara uma palavra desde então, apenas acenava com a cabeça quando era questionado. Isolara-se no quarto, sem comer. A Sra. Weasley mandava frequentemente algo para que o filho de alimentasse, mas os pratos de comida voltavam intocados ou apenas parcialmente remexidos, apenas os copos de água pareciam voltar completamente vazios.


Ron compreendia, e não passava por sua cabeça tentar forçar o irmão a superar aquilo. Ainda era muito cedo. O tempo era o melhor remédio para situações como aquela.


Suspirou. Com os olhos fechados, ele deixou sua mente vagar. Ela tomou um rumo inesperado, fugindo de toda a realidade que o cercava naquele momento. Ele parecia estar vendo passar como um filme, tudo que havia acontecido até ele chegar ali.


A paz que tomava o mundo bruxo (e trouxa) naquele momento, era mais do que merecida. Ele repetia incansavelmente para si mesmo: tudo vai ficar bem, tudo já está se ajeitando... Acabou...


Mas o fato dele lembrar de tudo que tinha acontecido até ali, a lembrança das pessoas que haviam sido tiradas tão precocemente do seu convívio e jamais voltariam, só trazia a sensação de um gosto amargo em sua boca. Quantas coisas deixara de fazer? Quantas vezes viveu sem aproveitar realmente todas as coisas boas que o rodeavam?


Lembrou de Hogwarts. A sensação que se apoderou dele naquele momento foi tão forte que ele sentiu como se tivesse afundado em uma espécie de penseira, onde todas as suas lembranças o engolfavam e o faziam olhá-las, encará-las completamente. Sentiu um aperto no peito tão forte, tão repentino. Apertou os olhos com força. Lembrava de Hogwarts, agora, como sua casa. Sentia saudades da sala comunal, do dormitório, das refeições no Grande Salão, até dos corredores... Do caminho que faziam em direção às aulas...


Os jardins, o campo de quadribol... Tudo agora parecia estar em seu passado, e ele não havia se dado conta de como sentiria falta. Sentia que não havia aproveitado tudo que podia enquanto estava lá, só havia dado valor quando perdera.


Repentinamente, uma sombra se apoderou dos seus pensamentos. Estar em Hogwarts significava estar cercado de seus amigos. Como seria agora? Voltaria para terminar o ano que não cursara? Seria possível conseguir uma carreira de auror como recompensa por ter ajudado a derrotar você-sabe-quem? Tentava fugir dessas perguntas, pois elas faziam aumentar a sensação de que um buraco havia sido feito em seu peito. Estaria sozinho a partir de agora? Teria que seguir um caminho diferente de Harry e de Hermione?


"Um caminho diferente...?"


O rosto de Hermione pairou em seus pensamentos. O aperto no peito aumentava quando pensava nela, aumentava consideravelmente. Ela certamente iria querer voltar a Hogwarts, ele praticamente podia escutar ela argumentando com ele e Harry de que deveriam voltar e cursar o último ano.


Ele agora tinha certeza de seus sentimentos, mas não se sentia capaz de fazê-los virem à tona completamente. Por que tinha que ser tão infantil? Por que simplesmente não saia daquele quarto bagunçado, descia a escada e ia conversar com ela? Por que sentia esse medo, essa sensação de que algo estava sendo tirado dele?


Afinal, eles se conheciam desde a primeira viagem de trem para Hogwarts. Sete anos haviam se passado... E ele ainda não sabia direito como lidar com essa sensação que se apoderava dele toda vez que ela vinha em seu pensamento.


Seu pensamento vagou. Fazia tanto tempo que se conheciam! Memórias indistintas começaram a passar perante seus olhos. Ele lembrava de tudo com uma clareza inacreditável.


Ele sabia que no momento que botara seus pés no trem, em seu primeiro ano, havia começado a traçar uma história diferente. Uma história que ela fazia parte.


" Mione...."


Flashback


Era sua primeira viagem de trem para Hogwarts. Naquela viagem conhecera Harry, sentaram-se juntos na mesma cabine. Ron sentia-se completamente deslocado, com suas vestes e materiais de segunda-mão.


Há poucos minutos atrás, Rony estava saboreando feijõezinhos de todos os sabores, juntamente com Harry, na cabine do trem. Agora, com os pensamentos vagando, dividido entre a ansiedade de chegar logo em Hogwarts e a preguiça que se abatera nele após experimentar os doces, o ruivo fitava a paisagem pela janela, que agora mostrava matas e rios serpeantes.


Uma batida na porta da cabine fez ele se sobressaltar e olhar, curioso, procurando saber quem se aproximava.


Foi quando conheceu Neville, que procurava seu sapo. Rony sorriu ao se lembrar que, quando o amigo saíra da cabine, após ele e Harry afirmarem que não haviam visto o sapo, havia debochado do futuro colega.


- Não sei por que ele está tão chateado. Se eu tivesse trazido um sapo, ia querer perder ele o mais depressa que pudesse. Mas, trouxe Perebas, por isso nem posso falar nada.


Perebas era seu rato, que o acompanhara durante anos, sem revelar sua verdadeira identidade que veio à luz no terceiro ano dos garotos em Hogwarts: Ron sentiu uma sensação estranha no estômago ao lembrar de todos os pensamentos que passaram em sua cabeça quando descobriu que levara para cima e para baixo um dos partidários de você-sabe-quem, Pedro Petigrew.


Ron deixou sua mente vagar, aqueles momentos seguintes pareciam ter se fixado em sua mente. Conseguia lembrar com clareza.


- Ele podia estar morto e ninguém ia saber a diferença. Tentei mudar a cor dele para amarelo para deixar ele mais interessante, mas o feitiço não deu certo. Vou-lhe mostrar. Olhe...


Naquele momento ele empunhara sua primeira varinha, bastante gasta e lascada, como muitos dos outros materiais escolares que possuía. Agora, ele lembrava dessa época com carinho, sem constrangimentos, mas quando tivera que começar os estudos em Hogwarts, com todo material de segunda mão, parecia extremamente assombroso.


- O pêlo de unicórnio está quase saindo. Em todo o caso...


E foi nesse momento. Foi após essas palavras, quando ele levantou a varinha para mostra a Harry o feitiço de que falara, que ele a viu pela primeira vez.


Neville apareceu na cabine, dessa vez acompanhado dela.


- Alguém viu um sapo?Neville perdeu o dele.


A voz dela o irritou profundamente. Parecia que queria os mandar procurarem o maldito sapo.


Com seus 11 anos de idade, o que reparou além do jeito irritante da garota, foram seus cabelos incrivelmente armados. Quando ela falou, reparou que seus dentes da frente eram maiores do que deveriam ser, e reprimiu uma risada.


- Já dissemos a ele que não vimos o sapo.


Ele olhou nos olhos dela ao dizer isso, nervoso por ter sido interrompido pela garota. Mas ela mirava sua mão, atenta. Tinha um olhar no rosto que, ele lembrou com uma leveza estranha nos seus pensamentos, a acompanhava sempre que estava curiosa ou ansiosa.


- Você está fazendo mágicas?Quero ver.


Sentou-se na cabine, próxima aos garotos, aguardando o feitiço que esperava que Rony fosse executar.


Rony sentiu-se nervoso com a aproximação da garota mandona. Não estava nem um pouco tentado a realizar um feitiço na frente dela, ela parecia criticar tudo com os olhos.


- Hum... Está bem.


Pigarreou.


- Sol, margaridas, amarelo maduro, muda para amarelo esse rato velho e burro.


Ele agitou a varinha, mas nada aconteceu. Para sua surpresa, a garota desatou a falar de um jeito rápido e engolindo as pausas e vírgulas.


- Você tem certeza que esse feitiço está certo?Bom, não é muito bom, né?Experimentei uns feitiços simples só para praticar e deram certo. Ninguém na minha família é bruxo, foi uma surpresa enorme quando recebi a carta, mas fiquei tão contente, é claro, quero dizer, é a melhor escola de bruxaria que existe, me disseram. Já sei de cor todos os livros que nos mandaram comprar, é claro, só espero que seja suficiente, aliás, sou Hermione Granger, e vocês quem são?


Ele pareceu esquecer por um momento de responder qual era o seu nome, e só desejou que ela não ficasse na mesma casa que ele. Considerando que toda sua família era da Grifinória e que a garota afirmara que preferia ir para lá, ele achou que só por milagre iria se livrar daquele monte de cabelos castanhos e voz irritante.


" Talvez se eu for para a Corvinal mamãe não se importe muito..."


- Hermione Granger-


As pessoas naquela cabine tinham ficado suficientemente surpresas com sua velocidade de fala e felizmente, não tinham o preconceito ridículo contra pessoas nascidas trouxas. Hermione não achou simpático dizer também, que havia lido Hogwarts, uma história e diversos outros livros que falavam sobre a escola, a partir do momento que recebera a carta.


(...)


Hermione conseguia lembrar da sensação de felicidade que inflou seu peito quando leu a carta. Parecia uma piada. Tinha que ser uma piada. Aquelas coisas não existiam. Magia? Bruxo? E o pior: uma escola para lhes ensinar tudo que precisam saber?


Seus pais, dentistas, chegaram apenas no final da tarde daquele dia que ela recebera a carta. Ela a achara logo no final da manhã, no hall, caída no tapete da entrada. Estranhou, pois as outras cartas já haviam sido recolhidas mais cedo, provavelmente pelo seu pai. A carta havia chego de outra maneira? Em outro horário? Apenas depois ela descobriu que uma coruja a trouxera. Entre o intervalo que recebera a carta e a hora que seus pais chegariam em casa, ela permaneceu ansiosa, achando que tudo aquilo não passava de um sonho. Seus pais ficaram paralisados ao ver o conteúdo da carta e primeiramente a ignoraram, fazendo o ânimo de Hermione despencar: achavam que a carta era uma farsa?


No começo da noite, uma leve batida na porta a fez se sobressaltar. Estava sentada junto a seus pais no sofá da confortável sala de estar, assistindo televisão.


Seus pais trocaram um olhar apreensivo, não esperavam visitas. Sr. Granger levantou do lugar em que estava sentado, desfazendo o abraço que envolvia a mulher e se dirigiu à porta.


Parada lá, estava uma mulher com um sorriso sincero no rosto, uma pasta escura segura na mão direita.


- Boa noite, meu nome é Caridade Burbage. Sou professora em Hogwarts e vim até aqui para esclarecer qualquer dúvida que tenham a respeito da escola.


O sorriso dela não tremeu, nem mesmo quando a Sra. Granger ergueu-se do sofá com um pulo e se colocou ao lado do marido, os dois com caras extremamente surpresas.


- D-dúvidas?- a voz do pai de Hermione saiu tremida.


- Claro, o que quiserem saber.- ela inclinou o rosto para dentro da casa, fitando Hermione.- Certamente Hermione deve estar muito curiosa para saber mais informações, não?


Hermione continuava paralisada, sentada. O único movimento que conseguiu fazer foi afirmar com a cabeça.


Os pais de Hermione obviamente estavam divididos. No rosto deles havia a expressão de que não acreditavam realmente que aquilo estivesse acontecendo.


- Entre, por favor.


A voz da Sra. Granger estava firme, e ela acenou para que a bruxa entrasse. Aparentemente, preocupada em deixar a mulher parada na soleira de sua porta.


- Obrigada. Com licença.


A professora Caridade caminhou com muita leveza até próximo ao lugar em que Hermione estava.


- Tudo bem, Hermione?


- Tudo...- a cabeça de Hermione já estava trabalhando a mil por hora.- Desculpe, mas... como sabe quem eu sou?


- Oh, querida. Você recebeu a carta, não? De Hogwarts, quero dizer.- uma certa surpresa perpassou o rosto da professora.


- S-sim mas... como...?


- Calma, querida. Vou explicar tudo.


Ela mirou os pais de Hermione, ainda parados na porta, trocando olhares ansiosos.


- Certamente gostaram de saber mais detalhes sobre os futuros estudos de sua filha, não?


O pai de Hermione voltou ao sofá, como um zumbi e sentou-se ao lado da filha, passando os braços ao redor dela e mirando a professora, como se fosse um ser que inspirasse cautela.


A mãe de Hermione tinha o rosto nervoso, e pareceu falar antes que pudesse conter a si mesma.


- Então não é uma piada? Ou você veio até aqui para rir da nossa cara?


- Piada?- a professora agora se sentava numa poltrona ao canto, mesmo sem ter sido convidada a fazê-lo, provavelmente sentindo que a conversa duraria mais do que planejara.


- Nunca ouvimos falar dessa tal de...essa Hog alguma coisa.- a voz do Sr. Granger era mais calma. A mãe de Hermione pareceu mais tranqüila ao ver que o marido participaria da conversa e juntou-se a ele e Hermione no sofá.


- Hogwarts é uma escola de Magia e Bruxaria. Sou professora da matéria intitulada Estudo dos Trouxas.


- Perdão? Estudo do que....?


- Trouxas.- o sorrido no rosto de Caridade diminuiu um pouco.- É como chamamos pessoas que não são dotadas de magia. Foi pedido a mim que viesse até a casa de vocês explicar tudo para que ficassem tranqüilos.


Os pais de Hermione continuavam com uma cara que beirava o pânico.


- A carta diz que...- a mãe de Hermione começou.


- Sim, o período letivo começa dia primeiro de setembro.- Caridade a interrompeu da maneira mais delicada que pôde.- E Hermione, como não possui parentes dotados de magia, provavelmente precisará de certas instruções para comprar os materiais que necessita.


Hermione finalmente pareceu achar sua voz.


- E-eu fui escolhida para a escola? Por que?


- Minha querida, muitos bruxos aparecem em famílias não-mágicas e a partir daí dão um jeito de se adaptar ao nosso mundo. Existem diversas famílias que possuem bruxos desde gerações há muito esquecidas. Você manifestou magia, mesmo que seus pais não sejam bruxos e tem uma vaga a esperando na escola.


- Como isso é possível? Quer dizer, quando você diz bruxo...você quer dizer....?


- Você vai aprender tudo com calma, Hermione. Certamente você sabe melhor do que eu e seus pais que sempre soube que havia algo diferente em você?


A voz da professora abaixou o tom ao falar isso. Hermione sentiu como se uma pequena explosão acontecesse dentro do seu cérebro. Como ela podia saber? Diversas vezes acontecera!


Lembrava-se quando tinha apenas oito anos e alguns garotos mais velhos haviam quebrado o balanço da pracinha perto da sua casa. Quando chegou perto do balanço e o tocou com a mão, lamentando não poder mais se divertir nele, ele magicamente pareceu se prender de volta à parte da corrente que estava solta. Na escola, antes das férias começarem, havia ficado realmente nervosa com algumas meninas que sempre debochavam de seus cabelos e do fato dela sempre responder as perguntas dos professores e após alguns dias, todas as meninas briguentas haviam aparecido cheias de marcas nos rostos, a escola inteira não se aproximava delas com medo de que fosse algo contagioso, mesmo que os pais delas afirmassem que nenhum médico fora capaz de detectar perigo nas manchas. Hermione ria internamente ao lembrar que realmente acreditara que sua raiva havia sido a responsável por aquilo.


- Filha?- a voz de sua mãe a tirou de seus pensamentos.-Filha o que ela está dizendo...?


- Mamãe eu...- Hermione fechou os olhos e respirou fundo, sabendo que o que falaria soaria mais idiota ainda falado em voz alta.-... já fiz certas coisas acontecerem, coisas que eu sei que ninguém mais podia...


Seus pais ficaram em silêncio, mas a voz da professora Caridade a tranqüilizou.


- É exatamente assim que começa querida. Pequenas coisas, principalmente em momentos em que está assustada.


Hermione a mirou, os olhos arregalados de surpresa.


- Eu sempre achei que... fosse algo errado...comigo...


- Não é nada errado, Hermione. Claro que, após ingressar na escola você aprenderá a controlar essa magia, saberá também que após obter uma varinha não será autorizada a praticar feitiços longe da escola...


Mas Hermione não estava mais ouvindo, ela olhava para os pais agora.


-... você poderá comprar todo o seu material no Beco Diagonal. Aqui está anotado a localização de um pequeno bar onde há a entrada para o local. Só os bruxos podem enxergar, mas certamente você conseguirá guiar seus pais. Você é uma menina muito inteligente, Hermione. Estamos realmente ansiosos para vê-la na escola.


A cabeça dos pais de Hermione certamente estavam cheias de dúvidas, mas eles não conseguiam traze-las à tona.


- Quando quiserem comunicação com a escola fiquem a vontade. Sabemos como pode ser apavorante receber uma notícia assim. Tenham certeza que sua filha estará cursando a melhor escola de magia que existe.


Após isso, Hermione ficou fitando a tela da TV, sem realmente prestar atenção no que passava. Seus pais agora, conversavam com a professora querendo saber detalhes, ela pacientemente respondia, mas mesmo assim eles não pareciam muito convencidos de que tudo era real.


Dois dias se passaram sem que se comentasse nada sobre a visita de Caridade Burbage. Parecia que os Granger queriam realmente acreditar que tudo não passava de um sonho. Hermione, porém, sentia-se extremamente ansiosa.


Convenceu seus pais que deveria, pelo menos, ir em busca de mais informações. Pesquisou tudo o que pôde; tudo o que estava ao seu alcance, que infelizmente, não era muita coisa. As pessoas ao seu redor pareciam estar completamente alheias ao mundo da magia.


Certo dia, convenceu seus pais a pele menos irem até o centro de Londres. Eles tinham no rosto uma expressão estranha, os rostos vermelhos, aparentemente com medo de que começassem a apontar para eles e rirem, dizendo que haviam caído em uma pegadinha.


- Granger, quanto tempo!- um conhecido do seu pai veio em direção aos três, animado lhe dando um aperto de mão.- O que lhes trás aqui, tão cedo?


O pai de Hermione pareceu extremamente sem graça e desviou o assunto, sua mãe sorrindo sem graça para o homem.


Hermione afastou-se um pouco deles, sentindo-se levemente desapontada. Não havia visto sinal nenhum de que bruxos realmente existiam! Devia ser uma piada...de mal gosto, por sinal.


Enquanto fingia observar uma vitrine, enquanto seus pais continuavam conversando com o estranho, ela avistou um grupo muito peculiar de pessoas. Duas mulheres com roupas muito diferentes das habituais, uma trajava um vestido longo verde escuro, e usava um chapéu idêntico aos que as bruxas dos contos de fadas usavam. A outra, parecia mais jovem e mais adaptada, suas roupas passariam despercebidas se não fosse pelo caldeirão que segurava na mão direita. Ao lado delas estava um homem, o único que não chamava a atenção pela suas roupas, mas seu olhar assustado de um lado para o outro mostrava que ele claramente não estava à vontade.


- Vamos mamãe, você pode, por favor, apressar o passo?- a garota que segurava o caldeirão falava, aos susssurros.


Hermione aproximou-se, com cuidado, querendo escutar o que conversavam. Avistou seus pais, a apenas alguns passos de distância,


- Por que a pressa, Julie?- a mulher sorria. - São poucas as vezes que posso observar os trouxas de tão perto...


- Ela está certa, querida... Vamos logo para o Caldeirão Furado... Yve deve ter terminado suas compras no Beco Diagonal, assim todos juntos poderemos ir embora.


Hermione reconhecera várias palavras do diálogo: trouxas, Caldeirão furado, Beco diagonal.


Mas seu cérebro trabalhava tão rápido que tudo pareceu se encaixar como num enorme quebra-cabeça. Seria possível que aquelas pessoas fossem o que ela estava pensando que eram?


Eles caminharam um pouco, o tal lugar que procuravam não era muito distante. Esquecendo-se completamente de seus pais, Hermione os seguiu. Quando eles passaram pela pequena porta do bar, que continha os dizeres Caldeirão Furado em uma placa que pendia acima da porta, ela entrou junto.


Não estava muito cheio. Uma garota veio em direção à pequena família.


- Tudo pronto... Podemos ir... - seu rosto estava corado e tinha um sorrido radiante. - Agora que também posso aparatar, será mais rápido.


- Hunf... - a garota chamada Julie retrucou. - É isso então... Você provavelmente estava espalhando a novidade por ai. Grande coisa, eu passei no teste de primeira...


- Julie, não implique com sua irmã. - o homem falou.- Cada um tem seu tempo, se ela teve mais dificuldades que você, você deveria tê-la apoiado, e não criticado.


- Ah, claro... já basta ela achar que é melhor em tudo. Ainda bem que não há como aparatar em Hogwarts, pois eu conheço essa peste, ela provavelmente aparataria a cada dois passos só para mostrar que sabe...


Era o bastante. Hermione não precisava de mais nada. Disseram o nome da escola, falavam palavras que ela desconhecia. Era óbvio que estava naquele bar que a professora Caridade falava.


Sua cabeça continuava trabalhando a milhão, e torcendo para que seus pais não se desesperassem com o seu sumiço temporário, ela foi em direção a uma senhora de idade, sentada em uma das mesas. Um homem que estava recolhendo alguns pratos na mesa próxima a observou.


- Me desculpe, mas... A senhora poderia me informar o melhor caminho para o Beco Diagonal?


Obviamente a senhora achou que fosse uma piada.


- Onde estão seus pais? Eles obviamente saberão guia-la...


- E - eu.... - Hermione gaguejou. – Eles são, você sabe... trouxas.


Um olhar de assombro passou pelo rosto da mulher e ela encarou Hermione de cima a baixo. A menina não sabia se era assim que deveria falar a respeito de seus pais, mas aguardou a mulher voltar a falar.


- Você é uma nascida trouxa...olhe só suas roupas! E, obviamente, está mais perdida do que um elfo doméstico em dia de faxina....


Hermione não sabia o suficiente para sentir-se ofendida com aquilo. Mas o olhar da mulher, falava mais do que mil palavras.


Hermione sentiu uma mão em seu ombro e se sobressaltou.


- Com licença, senhorita... Por aqui...


Era o homem que a estivera observando, tinha um pano sobre os ombros.


- Ahn...obrigada...


Ela o acompanhou até uma pequena peça, nos fundos, que parecia funcionar como depósito. O homem prontamente tirou uma varinha do bolso. Observando a cara de assombro de Hermione, ele abaixou a mão.


- Existem pessoas que julgam os outros apenas porque são diferentes. Você provavelmente encontrará muitas dessas pessoas a partir de agora...


- Você quer dizer em... Hogwarts?- Hermione sentiu-se confusa com o que o homem estava falando, mas certamente ele conheceria a escola.


- Em Hogwarts e em muitos outros lugares... - ele sorriu. Parecia ser uma pessoa simples. Hermione sorriu de volta.- É a primeira vez que vem ao Beco Diagonal, não é?


Ela apenas afirmou com a cabeça.


- Percebi que estava deslocada... Aquela mulher com que você conversou, bem...- ele desviou o olhar.- Digamos que existem certos preconceitos no nosso mundo, estão tão arraigados nas tradições que algumas pessoas simplesmente não se importam de demonstrar...


- Hum....- Hermione sentiu que aquilo deveria significar mais do que ela estava conseguindo assimilar. Baixou a cabeça e esperou que o homem mostrasse a ela como ir ao Beco Diagonal.


Escutou um barulho repentino de tijolos raspando um no outro e levantou os olhos. Surgira diante dela uma passagem, uma espécie de portal e do outro lado era possível ver várias pessoas, apressadas entrando em lojas, conversando, rindo. Todas trajavam vestes parecidas com a família que vira adentrar o Caldeirão Furado, porém pareciam, se é que isso era possível, mais espalhafatosas ainda.


- Pronto!- o homem sorriu e se afastou, voltando ao bar.


Hermione sabia o que deveria fazer. Como sempre fazia quando não conhecia algo, compraria um livro a respeito. Lembrou que na carta havia uma folha em anexo dizendo vários livros que deveria comprar, sentiu um gelo no estômago ao lembrar que a carta agora estava bem guardada, em sua casa. Seus pais, após muito discutirem, haviam dito que só iriam até o Beco Diagonal para que ela parasse de os incomodar a cada minuto. Ainda não pareciam convencidos o suficiente para deixa-la andar com a carta por aí.


Mas não deveria se preocupar com isso agora. Estava com pressa. Seus pais provavelmente a estavam procurando. Ela tinha algum dinheiro, iria comprar algum livro que lhe interessasse e voltaria outro dia para explorar melhor o lugar.


Porém aquela primeira visita ao Beco Diagonal não foi fácil. Adentrou a Floreios e Borrões e várias pessoas a observaram com o canto do olho, principalmente quando ela se dirigiu ao caixa e o homem riu, explicando para ela ( com calma, como se ela fosse uma estrangeira que não entendia a língua local) que ela deveria trocar o seu "dinheiro de trouxa" por dinheiro de verdade.


Mas em poucos minutos, adaptada a nova situação, Hermione havia achado o Banco Gringotes, que não era nem de longe difícil de se enxergar, trocado o dinheiro e retornado a livraria, com a cabeça erguida, para comprar o livro que havia separado: Hogwarts, uma história. Foi isso que deu para comprar com o dinheiro que tinha. Ela voltou correndo para a passagem, folheando o livro, fingindo estar interessada na leitura, esperando que alguém abrisse a passagem para que ela fosse junto.


Quando retornou para os seus pais naquele dia, mostrando, radiante, o livro que comprara, recebeu finalmente um resquício de sorriso dos dois. Não pareciam querer acreditar que era verdade, mas a menina sabia que era apenas questão de tempo.


Foi o livro mais rápido que lera, considerando que normalmente não demorava mais do que um ou dois dias para finalizar uma leitura. Seu cérebro queria guardar todos os detalhes, datas, nomes. Era tudo tão fascinante e ela se viu, repentinamente, aprendendo coisas que jamais imaginou que poderiam existir.


Após alguns dias, juntamente com seus pais, retornou ao Beco Diagonal, dessa vez tendo cuidado para não demonstrar muito que sua família não era dotada de magia. Reconheceu o homem que a ajudara no outro dia, lhe explicou que apenas compraria sua varinha naquele dia, e ele lhes ajudou a alcançar o Beco Diagonal. Essa visita com certeza superara a primeira. Seus pais pareciam fascinados também, e em pouco tempo haviam encontrado alguns casais que entendiam o que estavam passando.


- Ah, não se preocupem... Ela será muito bem cuidada em Hogwarts. Nossas filhas também estão indo para lá, seu primeiro ano. - o homem que falava mirou Hermione sorrindo fraternalmente. - Você será colega delas. É uma pena que elas não tenham vindo hoje conosco, já compramos todo os seus materiais.


A esposa do homem sorriu e dirigiu-se a mãe de Hermione.


- Na verdade viemos comprar coisas para a casa, sabe... Além do Beco Diagonal apenas Hogwsmeade é inteiramente nosso, você sabe... Bom, vocês são trouxas certamente não conhecem... - vendo que o assunto tomara outra direção, ela rapidamente desviou do que estava falando. - Não passo uma semana sem o Removedor de Manchas para Roupas da Madame Malking e... –ela continuou falando, explicando alguns produtos usados no dia a dia de uma família bruxa.


No final do dia, Hermione comprara tudo o que precisava: livros, vestes, penas, tinteiros. O mais emocionante fora sua varinha, quando chegou à loja teve que esperar enquanto outra pessoa era atendida. Observou atentamente um menino com o rosto redondo, que parecia estar se atrapalhando com qualquer varinha que era posta em suas mãos.


- Ora, vamos!- uma senhora idosa que acompanhava o garoto parecia impaciente. - Não haverá nenhuma varinha nessa loja que sirva para você, Neville!? Esforce-se menino!


Após mais duas tentativas, uma varinha funcionara. Ou melhor, não havia feito nada de muito destrutivo na loja. Apenas mexera parcialmente uma fita métrica que estava em cima do balcão. Após um segundo aceno da varinha, a fita desenrolou-se e enrolou-se novamente.


- Unf, finalmente!- a senhora idosa desatara a falar de novo.- Mas eu continuo achando que você deve usar a antiga varinha do seu pai e guardar essa, pois com certeza acabará espatifando essa em mil pedaçinhos.


O garoto pareceu sinceramente magoado com o comentário.


Alheia aos comentários que a senhora idosa continuava fazendo, Hermione admirava-se: achara a escolha da varinha simplesmente fantástico. Esperou o menino sair em companhia da senhora e dirigiu-se ao balcão, onde o homem, que se apresentou como Olivaras, começou a puxar diversas varinhas para que ela experimentasse.


Sentia-se nervosa. E se descobrisse que não era capaz de fazer uma varinha funcionar? Porém, para sua surpresa, a terceira varinha que provou, parecera funcionar.


O homem arregalou os olhos e ela sentiu que, ter feito uma chama azul aparecer no tinteiro da mesa, mesmo que por um breve segundo, era mais do que o vendedor esperava de um calouro.


- Muito bom! Essa varinha é sua agora!- e ele desatou a falar em centímetros, material e feitiços que a varinha se adequaria mais.


Antes de ela sair, ele falou que havia se surpreendido com o modo como ela havia sido escolhida pela varinha. Após descobrir que ela era de uma família trouxa, ele não poupou os comentários.


- Incrível, e alguns sangues-puros ficam horas e mais horas por aqui, enquanto eu tento pelo menos ajudá-los. Você viu o garotinho de antes? Bom... Isso mostra que as diferenças entre nós não são tantas.


Ele sorriu e ela sorriu de volta. Seus pais que antes apenas assistiam, parados ao fundo da loja, foram em direção a ela. Seu pai colocou a mão em seu ombro e sorriu.


Aparentemente, após aquele dia, eles haviam deixado que seus corações se inflassem de orgulho. Não apenas pela filha ter sido descoberta bruxa, mas por aparentemente, ter dons que ela mesma desconhecia.


As compras daquele dia foram jogadas em cima de sua cama e logo todos os pacotes estavam abertos. Lera os livros em uma velocidade incrível, ficara realmente tentada a provar alguns feitiços. Tinha medo de que algo desse errado.


O primeiro que tentou não deu muito certo. Ela deveria conseguir fazer flutuar o livro para que estava apontado sua varinha, mas ele apenas se ergueu da mesa e bateu com um estrondo, voltando para baixo. Mas a partir daí ela viu que era capaz e o primeiro que realmente dera certo fora o feitiço Reparo que elatentou enquanto apontava para um copo quebrado no chão da cozinha. Ela tentou executar o feitiço antes que sua mãe voltasse com a vassoura e a pá para juntar os cacos. Hermione segurou o copo, quando sua mãe adentrou a cozinha ela colocou na mão dela o objeto agora, concertado. Olhando para o chão, onde o copo estava antes e após mirando o copo intacto em sua mão, a mãe de Hermione deixou-o cair novamente, com um estrépito.


Hermione riu e executou o feitiço novamente, dessa vez, explicando para sua mãe o que tinha feito.


- Você me deu um baita susto, isso sim... - mas a mulher sorria, o rosto agora iluminado.- Mas não acho que deva ficar fazendo mágicas aqui em casa, filha. O Sr. Patil, pai de suas futuras colegas, explicou que deveríamos ter cuidado com certas regras. Lembra do que a professora Caridade falou?


- Ahn, certo... - Hermione guardou a varinha, sentindo medo de ser repreendida antes mesmo de chegar a escola.- Foi muito gentil da parte dele e da professora explicarem tudo aquilo...


- Ele viu que não conhecíamos ahn, esse mundo... O mundo deles... Digo...- ela sacudiu a cabeça- O seu mundo... Não é? Se bem que, não me sinto culpada de me sentir fazendo parte dele, mesmo que remotamente. Afinal, sou sua mãe!


A mulher tinha lágrimas nos olhos. Hermione a abraçou.


- Sentirei sua falta... Mas sei o quanto significa para você ir para essa escola.


- Virei nas férias, mamãe. Manterei contato com vocês, quero contar tudo que acontecer lá, quero que vocês saibam de tudo. Em Hogwarts eles têm várias corujas que os alunos podem usar... Para, ahn, se comunicar...


- Só vamos precisar nos acostumar com elas... - a mãe ria agora, as lágrimas caindo em seu rosto. - Bom, provavelmente serão mais eficientes que o carteiro na hora de achar a nossa casa... Dizem que possuem um ótimo senso de direção, as corujas.


E assim os dias passaram, e conforme se aproximava o dia da viagem para Hogwarts Hermione sentia-se mais e mais nervosa. Lera novamente algumas partes dos livros que achou que era mais importante e à noite, antes de dormir, ela repetia o que tinha lido para si mesma. Não podia chegar à escola sabendo menos que os outros. Haveria outros como ela lá? Ou seriam todos de famílias bruxas? Será que já saberiam como fazer mágicas?


No dia da viagem ela não teve dificuldades para chegar à plataforma do trem. Lera o suficiente e sabia agora como chegar à plataforma 9 ½. Despediu-se de seus pais, prometendo escrever para eles no momento que chegasse ao castelo. Não sabia ao certo o que iria a esperar, só sabia o que tinha lido, sobre as casas que dividiam os alunos desde o primeiro dia, tradição dos fundadores da escola que perdurava até os dias atuais, matérias ensinadas...


Mesmo assim, a sensação de ansiedade parecia estar levando a melhor. Abanou para seus pais, quando o trem ganhava velocidade. Sentindo-se sozinha, com medo, sem saber direito o que esperar do que viria a seguir. Tinha a sensação constante de que seu estômago tinha ficado para trás, na plataforma. Decidiu que era melhor procurar uma cabine.


Por coincidência, encontrou logo na quarta cabine o menino que se atrapalhara com a varinha na loja do Sr. Olivaras. Ele parecia estar tentando encontrar algo no chão. Encheu-se de coragem, torcendo para que o menino não a julgasse por ser nascida trouxa, como a mulher no Caldeirão Furado fizera.


- Olá!- ela resolveu começar um diálogo, já que a porta estava aberta.


- Alô!- o menino a olhou e sorriu, levantando-se. – É meu sapo, Trevor... Ele não pára de querer fugir...


- Você quer ajuda?- Hermione prontamente entrou na cabine e começou a vasculhar os cantos dela, procurando pelo sapo do menino.


- Obrigado... Vovó me mata se eu o perder...


O menino parecia estar falando sério. Inclusive, pareceu nem notar quando uma senhora empurrando um carrinho cheio de doces parou a porta.


- Alguma coisa do carrinho, queridos?


Hermione observou, boquiaberta, a variedade de doces e guloseimas que havia naquele carrinho. Ela nunca vira aquele tipo de comida antes, mas lembrava vagamente de uma loja no Beco Diagonal em que era possível ver através da vitrine alguns produtos coloridos e parecidos com aqueles, que agora ela estava tentada a comprar.


- Ahn... - Hermione se aproximou da mulher. Analisou brevemente o que estava no carrinho.


Por fim, ela resolveu comprar dois sapos de chocolate, alguns bolos de caldeirão e uma varinha de alcaçuz. Entregou o dinheiro à mulher, ficou contente ao perceber que agora já sabia perfeitamente como lidar com o dinheiro bruxo.


- Obrigada... - Hermione agradeceu. A mulher agora fitava o garotinho, que permanecia ainda abaixado, parecendo acreditar que o sapo apareceria, como que por mágica. Pareceu deduzir que o garoto não queria nada e foi embora.


- Ele vai aparecer... - Hermione resolveu se sentar, já que a busca não parecia surtir resultados. - Toma...


Ela ofereceu para ele os doces que havia comprado.


- Coma um desses... "Sapo de chocolate"... Quem sabe não dá sorte e encontramos o Trevor?- ela sorriu.


- É... – ele começou a comer o chocolate e ela o imitou. - Quem sabe não se perdeu no trem... Esqueci a porta aberta...


- Iremos procurá-lo!


Eles terminaram de comer, porém Hermione tinha a sensação de que estava comendo algo que pesava mais do que deveria na sua barriga. Achou todos os doces deliciosos. Ficou imaginando que tipos de comida serviam em Hogwarts, já que o que experimentara até então, era completamente diferente do que conhecia.


- Eu sou Neville... É meu primeiro ano em Hogwarts...


- É meu primeiro ano também!- ela resolveu fingir que não havia o visto comprar sua varinha aquele dia no Beco Diagonal, o garoto não parecia ter muita auto-estima para agüentar saber que alguém em Hogwarts vira sua avó falando que nenhuma varinha serviria para ele. - Meu nome é Hermione.


Ela raciocinou: considerando o jeito de Neville e sua clara timidez, ele provavelmente era uma pessoa que não a julgaria por ser quem era.


- Eu... Quero dizer, meus pais são trouxas... – ela levantou os olhos e o encarou. Estava traumatizada com o jeito como aquela mulher a tratara.


- É? Legal!- ele não parecia achar que aquilo era algo ruim. Sorriu para ela. - Você deve conhecer muitas coisas legais! Vovó sempre fala que os trouxas se viram relativamente bem sem magia. Como deve ser isso?!


Ela riu. Começou a se sentir a vontade. Quando percebeu, estava falando muito rápido, como normalmente fazia com as pessoas que conhecia.


- Normal... Bom, quero dizer... Eu conheço muito pouco da vida dos bruxos. Provavelmente você conhece coisas muito mais legais do que eu. Eu sei apenas o que li... E sabe, em Hogwarts a biblioteca é dotada de diversos livros sobre assuntos variados inclusive a vida de trouxas. Estou ansiosa para poder saber mais sobre tudo, feitiços, encantamentos, a história!


- Mas então você conhece Hogwarts!- o menino pareceu confuso.


- Bom só o que li. Você já leu Hogwarts, uma História? É um livro realmente fascinante. Foi o primeiro livro que comprei sabe, queria saber mais.


- Não, nunca li. – ele pareceu levemente decepcionado. - Você está muito bem informada, para quem nasceu trouxa.


Ela sorriu abertamente.


- Obrigada! Fiz o máximo que pude, já li todos os livros da lista e alguns mais, sabe? Tive medo de ficar para trás, considerando que é a primeira vez que tenho um real contato com o mundo bruxo.


Neville pareceu apavorado.


- Bom, eu não tenho tanta facilidade com os estudos sabe... – ele estava constrangido, seu rosto tingira-se de vermelho. - Fui criado pela minha avó, ela sempre fez o melhor que pôde. Vive dizendo que eu é que não tenho miolos o suficiente...


Hermione sentiu pena do garoto. Resolveu mudar de assunto, para que ele ficasse mais a vontade.


- O que você acha de procurarmos o Trevor?


- Acho que tudo bem, então...


Eles se levantaram e saíram da cabine. Enquanto caminhavam, Hermione decidiu investigar um pouco mais sobre a escola.


- Você sabe como funciona a seleção dos alunos quando chegam a Hogwarts?


- Ah, você está falando das casas... - Neville a mirou. - Vovó falou que eu saberia quando chegasse lá.


Hermione reparou que o garoto tivera um calafrio ao falar isso.


- Elas são Grifinória, Lufa-lufa, Sonserina e Corvinal... Não são?


- É-é... Se você diz... – ele parecia não ter tanta certeza. Hermione percebeu que apenas o fato de ser nascida trouxa, despertara nela um interesse pelas coisas dos bruxos, algo que poderia ser vantajoso para ela. Talvez as crianças bruxas achassem esses assuntos chatos depois de algum tempo. Ela sabia pouco sobre as casas, sabia que Dumbledore, o famoso diretor da escola, pertencera a Grifinória.


Procuraram em várias cabines o sapo de Neville. Perguntavam para as pessoas, pediam licença para dar uma olhada.


Hermione estava sendo gentil com Neville, sentia que o garoto era deslocado. Não estava planejando ser grossa com nenhum aluno, ainda tinha a sensação de que era a intrusa ali.


Porém, quando entraram em uma cabine e foram maltratados, ela não conseguiu se conter.


- Alunos do primeiro ano não deveriam ficar por ai, bisbilhotando... – uma garota, com vestes negras que possuíam uma serpente bordada, impediu a entrada deles na cabine. – Aqui só entram os monitores...


- Não estávamos bisbilhotando!- ela sentiu o rosto queimar. – Estamos procurando o sapo de Neville!


Outras pessoas dentro da cabine deram risada, juntamente com a garota.


- Pois continuem procurando... - e com um sorrisinho debochado no rosto, a garota fechou a porta da cabine e voltou para perto dos outros.


- Monitores, hein?- Hermione não gostava muito da sensação de que outras pessoas sabiam mais do que ela. Era um sentimento egoísta, mas que se apoderava dela sem que ela pudesse evitar.


- Tudo bem... Vamos voltar para nossa cabine... Provavelmente vovó vai achar ele escondido em algum cesto de roupa suja... Vai ver ele ficou em casa e nem vi...


- Não. - Hermione sentia-se estranha, tendo sido repreendida pela colega mais velha. - Vamos procurá-lo, se você o trouxe ele está aqui em algum lugar.


Mas não encontraram o sapo. A única coisa que acontecia conforme o tempo passava, era que a raiva de Hermione crescia. Algumas pessoas eram muito mal educadas e na terceira vez que reparou o bordado de serpente nas vestes de uma delas, ela se dirigiu a Neville.


- Por que a serpente? – ela apontou para as vestes de uma garota que acabara de voltar ao seu lugar, rindo deles.


- Hum... Estão com as roupas de Hogwarts... Olhe... - ele apontou para outras meninas que caminhavam pelo corredor, com vestes de outra cor com uma águia bordada.


O cérebro de Hermione deu uma guinada tão rápida nos seus pensamentos que ela sentiu-se tonta.


"Uma águia, um texugo, um leão e uma serpente. São os símbolos das casas em Hogwarts!"


Finalmente ela se lembrou dessa parte do livro sobre Hogwarts, mas como Neville não parecia tão interessado no assunto das vestes, ela resolveu se calar.


Voltou à cabine e apanhou suas vestes de Hogwarts, neutras, sem nenhum bordado ou gravata de identificação. Vestiu-as e foi de encontro a Neville que tinha ficado parado em uma cabine conversando com duas meninas gêmeas de cabelos lisos, negros e brilhantes.


- Essa é a Hermione!- ele falou para as meninas.


- Olá! – Hermione reparou que elas também já estavam com vestes de Hogwarts, neutras como as suas.


- Oi!- elas responderam juntas.


- Essas são Padma e Parvati. – Neville as apresentou. - Essa é Hermione.


Ele olhou das gêmeas para ela e pareceu se sobressaltar.


- Vou colocar minhas vestes!


E saiu.


- Primeiro ano também, não?- Hermione dirigiu-se as meninas.


E a partir daí elas conversaram um pouco de tudo enquanto Neville não vinha. Ela reparou que ele estava demorando mais do que deveria, provavelmente se atrapalhando com as vestes.


Padma estava falando sobre as casas de Hogwarts agora. Hermione escutava atentamente, pois algumas informações que ela lhe dava, não estavam no livro que lera.


-... E Corvinal também é muito interessante. Não gosto muito da Sonserina, sabe... Papai falou que muitos bruxos das trevas eram da Sonserina.


Um filme passou na cabeça de Hermione, enquanto lembrava de tudo que lera sobre a História dos bruxos. A ascensão e a queda do bruxo mais temido de todos os tempos chamado Voldemort, como ele havia sumido após tentar matar um garotinho que ainda era bebê, chamado Harry Potter.


Ela descobriu após algum tempo visitando algumas cabines com as meninas e Neville, que retornara algum tempo depois, que jamais se mencionava em voz alta o nome aquele bruxo poderoso, Voldemort. As pessoas simplesmente se dirigiam a ele como você-sabe-quem.


E a maioria das pessoas que estariam no primeiro ano não pareciam gostar nem um pouco da Sonserina. Ouviu muitos dizerem que Corvinal e Grifinória estariam OK, mas riam-se de se acabar quando alguém falava:


"Sim, mas ainda tem a Lufa-lufa!"


Provavelmente era alguma piada interna que ela ainda não compreendia.


- O que eu gosto da Grifinória é que só aceita pessoas corajosas. - uma menina chamada Lilá inflou o peito de ar após falar aquilo.


Pessoas corajosas? Hermione gostou daquilo. Estava se sentindo cada vez mais confiante, por estar ali conversando com pessoas que nunca vira na vida e algumas delas, inclusive, sabiam muito mais coisas do que Neville.


- A Corvinal adota os inteligentes... – Padma sorriu. - Mamãe ficaria orgulhosa...


- Vá você para a Corvinal, então! E agüente todos aqueles colegas sabichões!


Hermione sentiu uma sensação esquisita nas pernas. Ela certamente não queria ir para Corvinal. Ir para lá significava conviver frequentemente com pessoas que saberiam muito mais que ela. Ela não iria se sentir a vontade. Por mais que fosse inteligente e se desse bem nos estudos, agora ela estava em uma escola diferente.


Ela descobriu que as crianças bruxas recebiam educação em casa, até irem para Hogwarts, portanto ficaram muito interessadas quando ela falou da escola que ia anteriormente.


-... Mas estou muito ansiosa para começar Hogwarts, é claro! Descobrir que sou bruxa foi uma emoção que vocês não podem imaginar! Meus pais ficaram meio receosos no começo, mas agora estão me dando todo o apoio. Com certeza viram os pontos forte de Hogwarts e compreenderam o caminho que estou tomando.


- Hogwarts é a melhor escola de magia que existe!- a garota chamada Lilá falou, os olhos brilhando.


Todos ali estavam tão eufóricos que não perdiam para a velocidade de fala de Hermione.


Dentre as casas de Hogwarts, Grifinória parecia a mais interessante para ela no momento, só estava indo para a escola, pois se arriscara a seguir aquela família de bruxos e ir ao Beco Diagonal sozinha. Havia sido perseverante naquilo. Acreditara desde o começo que iria para Hogwarts e fizera tudo que estava ao seu alcance para conseguir.


Após algum tempo, ela e Neville resolveram dar uma última volta pelo trem em busca de Trevor, pois os alunos nos corredores não paravam de falar que deveriam estar chegando. Toda vez que pensava que faltava pouco, ela sentia algo se remexer em sua barriga, mas continuava agindo com confiança e determinação, não demonstraria seus medos. Faria o seu melhor desde o momento que botasse seus pés em Hogwarts.


Neville voltou de um lado do trem e ela de outro, ele estava cansado com os olhos baixos.


- Desisto... Acabei de visitar todas as cabines que faltavam.


- Venha comigo!


Hermione tinha certeza que o garoto não deveria ter feito o trabalho direito. Por isso, o obrigou a acompanhá-la a todas as cabines que ele recém havia olhado.


Faltavam poucas cabines para terminarem, já não parecia haver esperança de acharem o bichinho do menino.


- Alguém viu um sapo?Neville perdeu o dele.


Haviam dois garotos sentados dentro dessa cabine.


Hermione vira pela primeira vez Harry e Rony. Não podia imaginar uma dupla mais fora de sintonia. Um deles tinha os cabelos vermelhos de um jeito que parecia atrair seus olhos de um jeito incômodo. O outro, os cabelos escuros e desgrenhados e um rosto de quem estava, obviamente, absorvendo todos os detalhes que podia.


- Já dissemos a ele que não vimos o sapo. – o garoto ruivo lhe respondeu.


- Você está fazendo mágicas?Quero ver. – sentiu-se ansiosa ao ver que o menino tinha a varinha em punho. Sentiu-se empolgada, veria alguém que, provavelmente entendia de magia, realizar um feitiço.


- Hum... Está bem.


Pigarreou.


- Sol, margaridas, amarelo maduro, muda para amarelo esse rato velho e burro.


Ele agitou a varinha, mas nada aconteceu. Hermione sentiu uma espécie de inquietação interior e desatou a falar.


- Você tem certeza que esse feitiço está certo?Bom, não é muito bom, né?Experimentei uns feitiços simples só para praticar e deram certo. Ninguém na minha família é bruxo, foi uma surpresa enorme quando recebi a carta, mas fiquei tão contente, é claro, quero dizer, é a melhor escola de bruxaria que existe, me disseram. Já sei de cor todos os livros que nos mandaram comprar, é claro, só espero que seja suficiente, aliás, sou Hermione Granger, e vocês quem são?


Após terminar de falar ela sentiu que não deveria ser tão enérgica com pessoas que estava conhecendo agora. Mas os garotos, mesmo com cara de surpresa, responderam. O ruivo falou primeiro.


- Sou Rony Weasley.


-Harry Potter.


Aquele era o garoto que havia derrotado você-sabe-quem! Ela ficou imensamente feliz de conhecê-lo, não podia acreditar que tinham a mesma idade e que ele seria seu colega em Hogwarts. Conhecer Harry Potter parecia fortalecer nela a sensação de que tudo aquilo realmente existia. Aparentemente, ele não parecia ter consciência de sua influência na história dos bruxos.


- Verdade? Já ouvi falar de você, é claro. Tenho outros livros recomendados, e você está na História da magia moderna e em Ascensão e queda das artes das trevas e em Grandes acontecimentos mágicos do século XX.


-Estou?


"Com certeza ele não tem consciência de quem é." ela pensou. Mas ela não o julgou. O garoto perdera os pais, provavelmente crescera alheio ao mundo da magia, como ela.


- Nossa você não sabia, eu teria procurado saber tudo que pudesse se fosse comigo. Já sabem em que casa vão ficar? Andei perguntando e espero ficar na Grifinória, me parece a melhor, ouvi dizer que o próprio Dumbledore foi de lá, mas imagino que a Corvinal não seja muito ruim... Em todo o caso, acho melhor irmos procurar o sapo de Neville. E é melhor vocês se trocarem, sabe, vamos chegar daqui a pouco.


A ansiedade aumentava consideravelmente agora e Hermione não conseguia ficar parada. Resolveu sair da cabine e começou a circular pelo trem, sentindo que não conseguiria ficar parada até o trem parar e ela finalmente poder conhecer a escola. Hermione chegou a separar-se de Neville para ir a frente do trem perguntar ao maquinista se faltava muito tempo para chegarem, não agüentava mais a ansiedade que se apoderara dela.


(....)


Hermione olhou para a Sra. Weasley, agora sentada na mesa da cozinha mexendo uma mistura de bolo sem nem ao menos olhar o que estava fazendo. Gina e Harry haviam saído há instantes atrás, Harry dizendo que iria obrigar Gina a dormir um pouco. Mas a ruiva ganhara a briga e apenas concordara em tirar um cochilo no sofá.


Estivera tão perdida em pensamentos desde então, lembrando de todos os passos que a levaram até onde estava que esquecera que a matriarca dos Weasley não estava em condições de cuidar sozinha da casa.


- Deixa que eu faça isso, senhora Weasley!- Hermione tirou de suas mãos a tigela e com um aceno de varinha a mistura começou a ser remexida sozinha.


- Ah, obrigada querida... Mas sinto que preciso me distrair, sabe... Fazer as coisas do modo trouxa de vez em quando dá tempo da mente descansar...


Ela olhou para a mistura do bolo que agora era despejada magicamente em uma fôrma já untada. Hermione com outro aceno da varinha, fez a fôrma entrar no forno pré-aquecido.


- Claro, eu entendo... Só quero ajudar...


A Sra. Weasley sorriu brevemente, um sorriso cansado.


- Obrigada, querida... Obrigada pela ajuda.


Ela suspirou e olhou para o relógio dos Weasley, que na opinião de Hermione deveria ter sido retirado para que não lembrasse a cada instante da morte de Fred: ninguém na família precisava ser lembrado disso, a dor os lembrava todo dia.


- Mas... Porque você não vai dar uma espiada no Rony... Ele ainda não desceu...


- Claro... - mas Hermione não se sentia a vontade de ir até o quarto do ruivo, principalmente porque após ter o beijado, esse assunto nunca mais voltara à tona.


- Acredite querida... Ele precisa de você do lado dele nesse momento... Mais do que precisa de qualquer um de nós. - ela sorriu para Hermione.


Aquela sensação tão familiar e ao mesmo tempo tão incômoda, no pé da barriga, tomou conta dela. Sabia que não era possível esconder nada das mães, elas tinham um sexto sentido impressionante, e certamente a Sra. Weasley percebera, até antes mesmo de seu filho, que havia algum sentimento diferente entre os dois. Mas ficou nervosa, mesmo assim.


Ela sorriu de volta e rumou para as escadas, subindo em direção ao quarto do garoto que povoava seus pensamentos e sonhos desde que conseguia se lembrar. Sentiu um frio na barriga enquanto fazia o caminho, mas concordava com a Sra. Weasley, ela sabia que poderia ajudá-lo, principalmente naquele momento. Ela queria estar perto dele.


E ela desejou naquele momento mais do que nunca, que pudesse fazer alguma diferença e trazer um pouco de conforto para Rony.


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