CAPITULO 75 - DESFECHO FINAL
A caderneta de Harry estava sobre o sofá, o mesmo em que ela fizera amor com Rony na noite passada, e Hermione se aproximou. Sentia uma pontada de dor no abdômen e gemeu.
Gina olhou em sua direção, talvez se lembrando de algo. Dos pedidos incessantes de sua mãe Molly, sobre não chatear Hermione e causar-lhe problemas na gravidez.
A dor era forte, e ela sentou-se.
-O que foi? – Gina perguntou assustada.
-Uma dor forte. – estava quase sem ar – Pode me trazer um pouco de água?
Por dentro, Gina tremia quando voltou com a água. Hermione bebeu todo o conteúdo do copo sentindo a dor ir embora lentamente.
-Estou melhor. Muita agitação – ela reclamou segurando o pulso de Gina quando ela tentou se afastar – Sente-se ao meu lado, vamos ter uma conversa.
-Não. Eu não tenho nada para dizer... - Gina quis espernear, mas o olhar duro de Hermione a fez parar.
-Isso é bom, pois não vai dizer, vai ouvir – ameaçou. Gina sentiu-se ao seu lado e Hermione notou que ainda estava de penhoar. – Rony entendeu que não deveria ter brigado com Harry. Vai achá-lo e tentar concertar o que fez. Provavelmente a raiva vai passar e Harry vai pensar com clareza. Vai se arrepender de ter desistido do casamento.
-Não vou me casar com um homem que não me ama! – ela respondeu segurando aquele maldito diário entre as mãos.
-Gina, meu pai tinha um livro de notas como esse. Os homens que tem muito em que pensar costumam tê-los. Eu quero que leia com atenção. Desde o começo. Note a diferença. Harry escreveu sobre assuntos de negócios, porque então escrever algo tão pessoal? Não lhe parece estranho?
-Homens apaixonados fazem coisas estranhas – ela disse, odiando o tom da própria voz.
-Agora entendo – Hermione disse, achando que havia apenas um modo de convencê-la – Você não ama Harry.
-O que? – Gina arregalou os olhos – Sou louca por ele!
-Não. Não é! Qualquer mulher verdadeiramente apaixonada ficaria grata ao destino pela oportunidade de se casar com o homem que manda em seu coração!
-Mas ele ama você!
-E daí? Mesmo que fosse verdade, ainda assim, não haveria nada entre nós! Casada, teria todas as oportunidades do mundo de fazer Harry se apaixonar por você, já que insiste em crer que ele não te ama. Será que é cega? Será que não vê a realidade?
-Ama meu irmão? – Gina perguntou a queima roupas notando seu rubor e a forma como agarrou as abas do penhoar, como se estivesse se lembrando de algo que pudesse responder essa questão por ela.
-Não estamos falando de mim! Abra bem os seus ouvidos Ginevra! Vai perder seu noivo, e não é para mim ou para qualquer outra mulher! Vai perdê-lo por não a suportar mais!
-Não sabe o que diz... – Gina pareceu insegura.
-Me diga Gina, porque Harry se descontrolou com você a ponto de trair tudo em que acredita; trair a amizade de Rony apenas para tê-la, e comigo, supostamente acreditando que me ame, nunca tentou nada? Nem um toque, nem um olhar malicioso. Nada!
-E quem entende os homens? – Gina tentou não ficar por baixo.
-Eu entendo o que faz seu irmão perder a cabeça. – confessou - Ele fica dizendo... Fica repetindo que me ama, e sendo verdade ou não, está sempre tentando me convencer a ceder. Está sempre tentando tocar em mim. Vai dizer que Harry não faz o mesmo com você?
-Harry é respeitoso... - Gina suspirou confessando – nos beijamos o tempo todo.
-Ele sente desejo e ternura. É mais que a maioria dos casamentos tem! – avisou.
-Meu irmão é um marido apaixonado. Não tenho o direito de querer o mesmo? – ela revidou magoada.
-Apaixonado? Pois olhe em volta e vera a razão de tanto amor. Seu irmão é ganancioso. É o único sentimento que envolve nosso casamento! – não diria jamais sobre seu coração acelerado sempre que aquele homem se aproximava. – Ouça com atenção: não quero seu noivo. Nem para marido, nem para amante. Se for verdade que ele me ama, estará desiludido e livre para qualquer outra mulher. Se você não o quiser, haverá outras. O que prefere? Amar e ter uma oportunidade de ser amada, ou casar-se com um homem por quem não sente nada?
-Virarei freira – ela disse petulante.
-Pois que então seja! Case-se com Harry, honre sua família, pois foi você quem trouxe a vergonha ao nome Wesley, e então, vá para um convento! – decidiu – Falarei com sua mãe sobre sua súbita vocação! Não se preocupe.
Gina temeu que fizesse mesmo isso. Mas Hermione não faria agora.
A dor havia voltado e ela se queixou. Ficou um bom tempo no sofá tentando recuperar a compostura, dizendo a si mesma que seu emocional era culpado por suas dores físicas.
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Levou quase uma hora para que Rony encontrasse o rastro de Harry. Não estava no caro hotel da cidade onde era esperado que um homem de seu porto buscasse refúgio. Muito menos na finíssima casa de chás.
Estava quase desistindo, quando uma movimentação chamou sua atenção. Instinto o fez desmontar o cavalo e avançar em direção ao pior local da cidade.
O mesmo bar imundo de onde saíra o homem que ousara bater em Hermione e acabara morto e enterrado em uma cova rasa, no meio do mato, escondido de todos. Um forasteiro sem nome e sem escrúpulos, como a maioria dos homens que freqüentavam aquele lugar.
Logo na entrada, avistou a briga. Harry provocava um grandalhão enquanto enchia a cara com o uísque barato e falsificado, ao qual não era acostumado.
Bêbado como um gambá, mal podia ficar de pé.
A camisa manchada pelo sangue da outra briga que se envolvera mais cedo, estava aberta. A calça suja pelo pó das estradas. Os sapatos lustrosos, manchados de barro. Ele suava muito, e tinha os olhos desfocados, pois as lentes de seus óculos estavam quebradas e ele os perdera no caminho.
Harry ria e tirava sarro com a cara do brutamonte, provocando e querendo briga.
Estava sem rumo, perdido e sem chão. Perdera o melhor amigo. Perdera a noiva. Era acusado de ser vil e desonesto. Frustrara a todos que confiavam nele, e mentira.
Suas mentiras criaram a teia onde ele se debatia. Deveria ter contato a Rony no mesmo dia em que perdera o controle e possuíra Gina. Estariam casados, felizes e não haveria mais dúvida sobre sua lealdade.
Pouco se importando se aquele grandalhão iria quebrar seu pescoço ou não, ele fez uma piada sobre sua óbvia ignorância e maus modos, arrancando risadas dos outros homens a sua volta, que instigavam uma boa briga. Loucos para verem o riquinho e mimado almofadinhas feito em pedaços!
Harry gargalhou quando o homenzarrão tentou acertá-lo. Desviou-se e ele caiu contra algumas mesas perto dali. Ainda rindo, sentiu o sangue aquecido pelo álcool e pela adrenalina de descontar em alguém toda sua raiva.
Que o mundo explodisse! Ele não tinha mais nada porque lutar!
Seus olhos doeram por forçá-los a enxergar e manter-se alerta. Via claramente a imagem de sua doce Gina, gemendo em seus braços, a pele clarinha, arrepiada e macia sob seus dedos. Ouvia seus sussurros de amor em seu ouvido, e a agonia o fazia mais inconseqüente.
Em seu íntimo desejava poder provar que era inocente, achar um meio de provar que não escrevera aquelas maledicências. Que estivera esquecido de Hermione e as emoções que ela lhe despertava desde que passara a ficar hospedado na casa dos Wesleys.
Tudo em que pudera pensar e sentir, fora o calor da pele de Ginevra inalcançável ao seu toque. Seu perfume virginal, seus lábios rosados.
Perdera isso, a inocência e a pureza que o destino colocara em suas mãos! Perdera tudo!
Farto daquele sentimento de desespero avançou contra o homem, esmurrando-o e sentindo-se o grande poderoso.
-CHEGA!
Ele ouviu um grito, e uma massa de carne e cabelos se interpôs entre os dois, impedindo que o homem gigantesco lhe acertasse um soco que provavelmente lhe tiraria a consciência.
-Solte-o! – Rony acertou o homem, jogando-o longe.
Olhou para a imagem patética de Harry, e estava prestes a gritar até obrigá-lo a ouvir a voz da razão quando o homem se recuperou e avançou. Assumindo a briga, ele livrou-se do homem mais facilmente que Harry faria em seu estado de embriagues.
Certo da vitória ficou surpreso quando o homem tirou a arma da cintura e apontou para Harry. Seu assunto era com o cara da cidade grande, rico e metido que queria briga. Além disso, um pouco de ouro não faz mal a ninguém.
Rony lutou com o homem, a arma entre eles dois, tentando impedi-lo de acertar Harry ou qualquer outra pessoa. Harry caiu no chão quando tentou ajudar. Quase no mesmo instante ouviu o som de um tiro.
Com os olhos fechados, ele se protegeu, cobrindo o rosto com os braços.
Em seu estado de embriaguez, esperou pacientemente o momento em que a dor lacerante do tiro fatal levaria sua vida insignificante para junto de seus pais.
Como nada acontecia, se moveu, achando que agora sentiria a dor, pois deveria estar anestesiado pelo susto e choque de ser baleado.
Olhando em volta, registrou os movimentos apresados, o homem fugindo, seus amigos o seguindo, e quando conseguiu fixar o olhar, nem mesmo sua miopia o impediu de ver.
De pé, com as mãos na barriga onde o sangue vertia, Rony tentou falar. Palavras de perdão e pedido de ajuda. Mas o som não saiu. O mundo escureceu e ele caiu de joelhos antes de tombar para frente.
Morto. Harry via, mas não acreditava.
Morto.
Seu melhor amigo. Seu único irmão. Sua única família.
Ele matara Ronald Wesley.
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O coração de Harry saltou no peito ao avistar a fazenda. Seguia sobre o cavalo de Rony, enquanto logo atrás dois homens vinham trazendo uma charrete com o corpo.
Vê-lo baleado e sem vida lhe trouxera a lucidez que o álcool lhe tirara, e a primeira coisa que fizera fora arrumar um modo de levá-lo até o único médico da cidade. O desgraçado estava na fazenda Gueen e era longe, e primeiro teria que passar pela fazenda Granger-Wesley.
Aturdido, havia mandado um homem muito bem pago na frente, atrás do médico.
Agora, avistando a porteira da fazenda, seu coração parecia que ia parar.
Na varanda, de pé, observando quem se aproximava ao longe, Hermione protegeu os olhos do sol, tentando distinguir quem seria. Conforme foram se aproximando, ela avistou Harry. Animada pela idéia de tudo ter finalmente se resolvido, virou-se para dentro da casa chamando por Gina.
Voltando a atenção para os homens que se aproximavam, não encontrou a imagem de Rony. Ele deveria estar junto, afinal fora buscar por Harry!
Seus olhos passearam pelos homens sobre as celas dos cavalos e então para a carroça. Foi quando seus olhos pescaram a imagem de um braço que pendia para fora da carroça. Uma pele pálida, com sangue pelas mangas da camisa.
Não foi preciso ver mais.
Deu um passo para trás, e quando Gina chegou até ela olhando com expectativa para Harry, era tarde para dizer qualquer coisa. Ela olhou para a expressão da cunhada onde um desespero a deixara paralisada, e sem compreender, olhou novamente para os homens que entravam pela porteira.
Seus olhos azuis viram finalmente o motivo de tanto horror, e de seus lábios escapou um grito desesperado enquanto corria em direção ao irmão morto.
Hermione ouviu seu grito e a assistiu correr. Seu corpo estava paralisado. Não podia se mexer, não podia pensar. É claro que um dia isso aconteceria.
Sozinha. Estaria novamente sozinha.
Rony há abandonaria uma hora ou outra, mas preferia mil vezes não estar ali para vê-lo morto. Achando que não poderia haver dor pior que a da perca dos pais.
Mas estava enganada.
Juanita correu pelo pátio, atraída pelo grito de Gina, assim como os outros empregados.
Harry desmontou do cavalo amparando Gina que chorava desesperadamente sobre o peito do irmão. Ele a abraçou e a afastou de Rony para não aumentar seu ferimento. Ela se deixou levar, tomada pelos braços fortes do noivo.
Quando ergueu os olhos, Harry notou a figura simplória na varanda.
Não havia lágrimas.
Não havia desespero.
Mas o que havia em seus olhos, ele não saberia nomear.
Ia além da sua compreensão.
AUTORA: E aí? Por essa não esperavam, certo?
Meninas, essa atualização é referente a domingo, ok?
De hoje, até domingo que vem, vou postar dia sim dia nao, pois preciso escrever e ter capitulos novos, eu avisei que isso poderia acontecer, entao, nada de drama, ok? *sorrisão*.
Segunda que vem normaliza de novo!
Beijos