CAPITULO 65 - REVOADA
Era bem cedo quando Hermione estava na varanda da frente da casa, observando Rony colocar as malas de Gina na carruagem de Harry. Por insistência, ele levaria Gina pessoalmente e aproveitaria para ter uma conversa com Arthur. Rony insistira para que Duran fosse com eles na carruagem, mas Hermione sabia que em algum momento do caminho, o menino iria parar junto ao cocheiro.
Era inevitável, pois Duran amava cavalos e não perderia a oportunidade de conduzir raças tão valiosas, e Harry e Gina não perderiam a oportunidade de conversarem a sós sobre o acontecido.
Suspirando, ela acenou para Gina, mas não teve seu cumprimento retribuído. Triste, saiu andando pelo gramado em direção a Rony. Ele observava a carruagem se afastar e tinha as mãos na cintura, contrariado.
Ela sabia que tivera uma conversa com Harry logo cedo, mas não pudera ouvir o que diziam, pois falavam muito baixo. Segurando o xale em volta dos ombros, ficou bem perto e Rony olhou para ela.
-Harry é uma boa pessoa – ela disse baixo, não querendo irritá-lo – Não merece que desconfie dele.
-Não desconfio. Sei que não aconteceu nada entre vocês dois – ele respondeu frio e distante.
Não acontecer nada não queria dizer que ambos não quisessem que acontecesse, e esse pensamento o estava matando!
-Será que eles marcaram a data? – tentou mudar o assunto.
-Meu pai está procurando uma fazenda para Harry. Depois, eles marcarão a data.
-Talvez pudesse se interessar pela fazenda dos Gueen. Não fica muito longe daqui, e soube que o filho do velho Gueen anda metido com dividas de jogo – ela sugeriu e os olhos de Rony a estudaram em cada detalhe.
-Seriam nossos visinhos – foi um comentário carregado de ironia.
-Não exatamente. – defendeu-se - Pensei apenas que quando forem para Londres, seria bom terem fronteira com a fazenda de Ginerva, afinal um administrador precisa ser fiscalizado.
-Harry me contou que não quer que eu fiscalize a fazenda que ele comprar – era definitivamente uma acusação!
-Não foi isso que eu disse – ficou na defensiva – Há muito trabalho aqui. Além disso, notei que tem o desejo de retomar parte do seu trabalho de advogado, e isso tomará muito tempo. Pedi que não o sobrecarregasse. Foi só isso!
-E porque pediu? – havia uma nota de acusação em sua voz.
-De que me serve um marido caindo pelos cantos de cansado? – retrucou.
Estava ficando nervosa, e suspirou, sentindo-se tonta. Sentia muito sono e estava enjoada desde que pusera os pés para fora da cama.
-Tem razão – ele disse analisando sua expressão cansada – Está com frio? – notou a forma como segurava o xale.
-Um pouco – admitiu.
A manhã estava quente e abafada, mas ela tinha vestido um vestido de mangas longas.
-Está abatida também – colocou ambas as mãos em sua face. – Não tem febre.
-Estou um pouco nauseada. – confessou, sentindo-se frágil diante desse homem tão forte e grande. - Não sei o que tenho, mas estou tão cansada.
-Venha, vou te levar para a cama – ele a ergueu no colo, e Hermione enlaçou seu pescoço sem se opor.
Dentro de casa, Juanita os acompanhou e ajudou-a a mudar de roupa, vestindo uma camisola mais confortável. A face de Hermione estava esverdeada, e a náusea mais forte.
Prevenida, Juanita colocou uma bacia ao seu lado no chão, recomendando que a chamasse quando precisasse, e com um discreto empurrão levou Rony para o corredor.
-Estava demorando - ela disse sorrindo – Hermione só tinha enjôos. Agora, está tendo o pior de uma gravidez.
-Ela está bem? – perguntou preocupado.
-Oh sim, ela vai vomitar até se arrepender de ter aberto as pernas e então, vai dormir um pouco. Vou fazer um chá e ajudá-la.
-Deveria contar – ele disse pensativo.
-Não, é melhor não. Já são bem ruins os enjôos, não precisa de um ataque dos nervos para complementar! – ela sorriu batendo em seu ombro com divertimento – Não é primeira mulher do mundo a passar por isso. Só é a primeira a não notar – ela riu e Rony maneou a cabeça, inconformado.
-Vou entrar e lhe fazer companhia – se ofereceu.
-Imagina! - Juanita deu de ombros – Sua parte já está feita, e bem feita! Agora é a vez dela. – riu da própria piada – Volte para o trabalho e cuide de fazer essa fazenda lucrar. Um filho em tão pouco tempo de casamento, é sinal que haverá muitos outros!
Embevecido com essa possibilidade ele voltou ao quarto para ver se ela estava bem. Hermione estava pálida, e parecia prestes a vomitar quando o viu e lamentou.
-Eu vou trabalhar, me avise se piorar está bem? – ele perguntou beijando sua testa.
-O que eu tenho Rony? – havia um gosto horrível e amargo em sua boca, por isso fugiu de um beijo, não queria que ele sentisse esse gosto.
Rony beijou em sua bochecha, sorrindo ao mentir:
-É resultado dos remédios que tomou para as costelas.
-Oh Deus, isso é tão horrível – ela colocou uma mão sobre o estômago - Vá, vá trabalhar Rony. Não quero que fique aqui.
-Mas eu quero te fazer companhia – ele beijou sua mão e Hermione o empurrou.
-Não quero que fique vendo – ela reclamou - Além do mais, o trabalho não pode esperar por você!
-Sempre brigona - ele sorriu deixando-a finalmente.
Hermione esperou a porta fechar para dobrar o corpo, apanhar a bacia no chão e pôr tudo para fora. Quando terminou ergueu os olhos e avistou Juanita com expressão compadecida. Ela tinha uma toalha limpa nas mãos e uma bacia com água.
Depois de vomitar mais algumas vezes, ela ajudou-a e insistiu para que comesse um pedaço de pão e bebesse um copo de leite. Isso acalmou seu estômago e ela conseguiu descansar. Juanita fechou a porta, quando ela adormeceu.
Quando entrou na cozinha foi recebida por Lilá, desconfiada:
-O que tem a mulher de Rony?
-A pobrezinha sofre dos nervos. Não notou? – ela respondeu dissimulada. – Hermione é muito nervosa. É um mal de família.
-Nervos? - ela perguntou ainda desconfiada.
-Sim, às vezes tem seus ataques. É assim desde criança – Juanita começou a lavar a louça do café.
-Desde criança? Então, ela passa mal desse modo desde criança por causa dos nervos? – começou a acreditar.
-Não é uma pena? Uma moça tão doce, sofrer desse modo dos nervos!
Acreditando, Lilá sentiu-se aliviada. Por um segundo achara que aquela megera estaria grávida. Se fosse o caso teria que dar um jeito nela antes que a criança nascesse. Mas se era apenas problemas de nervos era uma benção, pois Rony não agüentaria muito tempo uma mulher louca!
Juanita observou-a rir, e ficou aliviada por ter acreditado. Aquela mulher era meticulosa e trapaceira, e não seria nada bom se soubesse da gravidez.
Não ainda.
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Depois de um dia todo fora, Rony voltou ansioso para casa. Estava no celeiro guardando o cavalo quando um de seus empregados se aproximou. Era um rapaz baixo e sempre tímido. Ele falou rapidamente e disse que iria partir no dia seguinte.
Sentindo o mundo ruir sob seus pés, ele voltou para casa. Antônio Dias lhe dissera uma verdade que não queria conhecer. Dissera que estava contando apenas porque iria partir e não desejava ver um patrão tão bom ser feito de bobo.
Que muitas vezes vira Hermione e Harry juntos no celeiro, em conversas íntimas. Nunca vira nada físico, mas havia muito sentimento entre eles, e que resolvera alertar o patrão, pois era uma boa pessoa e não merecia uma traição.
Não eram amantes, mas estavam apaixonados. Era quase tão pior do que serem amantes! Abatido, ele marchou para casa, e olhou acusador para a imagem que o esperava na porta. Do lado de fora, Hermione o esperava na varanda.
-Oi - ela disse sorrindo.
Sim, ela sorria para ele. Parecia muito animada e corada. Mais saudável do que pela manhã quando a deixara de cama.
-Está de pé? – perguntou distante.
-Sim! O mal estar já passou há horas! – ela apanhou sua mão e segurou – Dormi um pouco e acordei nova em folha! Até cozinhei!
-Cozinhou? - ele engoliu em seco.
-Dei folga para Juanita, coitada, tem tanto trabalho! Servi o jantar para sua amante... Quero dizer, sua ex-amiga, e ela está no quarto, pois a proibi de sair de lá! Sem Gina e sem Harry, deve saber, ele ainda não voltou e acho que vai dormir na casa de seus pais... Bem... Eu pensei que poderíamos jantar em paz.
-Jantar em paz? - ele ainda a olhava com desconfiança e mágoa.
-Sim, comer sossegados, sem brigas ou conversas estranhas! – ela sorriu.
-Porque esse súbito bom humor? Harry mandou noticias?
-Sim, ele mandou um bilhete dizendo que está tudo bem, e Gina já conversou com os pais – disse inocente, sem notar a tensão que o fez se afastar.
-Vou me lavar antes de comer – ele se afastou, mas Hermione segurou sua mão.
-Não quero que diga que não cumpro minhas obrigações – ela disse antes de beijá-lo.
Um beijo casto, rápido e tímido, pois não queria mostrar seu verdadeiro desejo de estar com ele. Corada, afastou-se para servir a mesa.
Rony sumiu para dentro do quarto, lavando o rosto e as mãos, e trocando a camisa suja do trabalho por outra limpa.
A raiva dera lugar a mágoa e a constatação que aquele casamento fora um erro. A fazenda não lhe despertava mais o interesse do principio, e não havia mais sentido fazer planos de vida com uma mulher apaixonada por outro homem!
-A comida vai esfriar – ela chamou na porta do quarto, observando-o secar o rosto e encará-la com mal disfarçada fúria.
-O que cozinhou? – perguntou apenas para mudar de assunto.
-Batatas assadas e frango. Pobre Juanita, está chateada comigo por ter sacrificado uma de suas galinhas. – abriu um lindo sorriso – Mas estou com tanta vontade de comê-la! Até sonhei ontem à noite com um suculento prato de galinha cozida! Tem arroz branco e molho também! E, fiz algo doce – ela corou muito quando notou que estava se revelando.
-Torta de nozes? - ele tentou se descontrair.
-É a última, pois acabou a farinha. Precisamos ir à cidade! E rápido! Juanita está desesperada por causa do pão. Os homens não ficam sem pão no café da manhã!
-Deveria estar descansando - ele alertou, olhando para ela.
Hermione estava corada e radiante.
-Dormi a manhã toda! - ela reclamou – Pensei em depois do jantar, começarmos a trabalhar nos processos que precisa analisar. O que acha?
-Perfeito – em outro dia ele exultaria em vê-la tão carinhosa e dedicada, mas hoje, estava arrasado.
Era culpa, disse a si mesmo. Estava apaixonada por Harry e se culpava por isso.
A mesa estava impecável, mas a comida tinha gosto de areia em sua boca. Em dado momento, Hermione parou de comer e olhou para ele ressentida.
-Está ruim não é?
-Está delicioso - ele respondeu atravessado.
-Está sentindo falta de mais gente? Quer que chame aquela mulher? Isso melhorará o gosto da comida? – seu incomum bom humor se esvaiu, e ela desistiu de comer.
Infelizmente não podia parar, estava obcecada com a idéia de comer galinha. Com ódio voltou a comer, sem encará-lo.
-Não comece Hermione - ele mandou, irritado.
-Começar com o que? Quem está me tratando com indiferença é você! - ela reclamou, mastigando a comida com raiva.
-Não é indiferença, estou apenas cansado – mentiu.
-Não seria hora de contratar mais gente? - ela perguntou, lembrando que nos bons tempos a fazenda tivera mais funcionários do que tinham agora.
-Estou pensando nisso. Primeiro temos que ir a cidade, vender parte do que colhemos e pagar a hipoteca. Depois, farei as contas.
-Tenho economizado minha parte... Se for necessário – ela deu de ombros.
-Guarde seu dinheiro para suas compras pessoais Hermione - ele mandou sério.
-Gostaria de comprar um brinquedo para Ruanzito quando formos à cidade - ela disse pensativa – Ele é pequeno demais para brincar com os irmãos, e não tem brinquedos de sua idade.
-E não é problema de Juanita? - ele alfinetou.
-Pobre Juanita, como pedir dinheiro para brinquedos de um filho que não é de Suarez? É um bom homem, mas não é um santo! Além disso, o menino me faz companhia – ela argumentou. – E é seu aniversário no próximo mês!
-Guarde sua energia, logo terá uma criança para ocupá-la – deixou escapar em sua amargura.
Hermione deixou de comer, fitando-o como se olhasse para o próprio demônio.
-Pretende criar o filho de sua ex-amante? É isso?
-É claro que não Hermione – lembrou-se que Hermione não deveria saber ainda da própria gravidez – Me refiro aos filhos que teremos.
-Deseja mesmo começar com esse assunto? - ela lamentou ter tido a idéia de fazer aquele jantar.
-Não. Não desejo – tomado de um sentimento maior que a raiva, ao lembrar que essa mulher carregava seu filho e padecia de todos os sacrifícios que o corpo feminino padece para conceber, Rony segurou sua mão e levou aos lábios. – Seu jantar está delicioso e a companhia é melhor parte. Não sinto falta de nada.
-Mas está aborrecido comigo - ela puxou a mão ressentida.
-Esteve no celeiro com Harry alguma vez? - ele perguntou a queima roupas.
Aturdida, Hermione concordou.
-Sim, estive – foi sincera. – Por quê?
-Empregados os viram juntos no celeiro várias vezes. – ele respondeu desistindo da comida. Perdera o apetite.
-Pois garanto que foi apenas uma vez, e falamos sobre Gina.
-Sobre Harry se casar? – distorceu suas palavras.
-Não. Sobre ele assumir sua responsabilidade depois de... - conteve a verdade -... De beijá-la e iludi-la. Pode ter acabado nossa amizade, mas sempre terei afeto por Gina, não permitirei que passe dificuldades. Ainda mais nas mãos de algum homem! – era uma acusação indireta.
-Não falaremos mais disso – ele resmungou.
-Que importa? Falando ou não o assunto está presente. – ela lembrou-o com mágoa.
Terminaram o jantar em silêncio e ela apenas resmungou que Juanita lavaria a louça na manhã seguinte. Os dois entraram na biblioteca e ele admirou o modo como ela organizara os livros e revistas que Harry trouxera a seu pedido. Havia um grande livro aberto sobre a escrivaninha e ele folheou.
-Tenho lido quando estou sozinha ou na sala, fazendo companhia a Harry. Não poderia deixar Gina sozinha com ele, e também, não desejava monopolizar sua atenção – ela explicou.
-Monopolizar sua atenção? – ele ironizou.
Hermione fechou os olhos por um segundo pedindo paciência aos céus. Tentar uma trégua com esse homem era a pior coisa que já decidira na vida!
-Por onde devo começar? - ela mudou de assunto.
-Sente-se aqui – ele apontou a cadeira ao frente da grande mesa. – Está confortável? Pode ser demorado.
-Sim, sempre fiquei por longas horas lendo para meu pai, sentada em uma cadeira como esta. – explicou.
-Vou ditar então – havia um tom de repreensão em sua voz, e ela apanhou o papel e a caneta.
Rony era coeso e direto em suas considerações. Era interessante acompanhar seu raciocínio, embora, vez ou outra, não se continha e pedia alguma explicação ou dava uma opinião. Pacientemente, ele explicava ou ouvia.
Em duas horas tinham evoluído e ela estava cansada. Mas não reclamou.
-É um trabalho cansativo. – Rony comentou – Harry sempre teve mais vocação do que eu.
-Porque escolheu advocacia? – ela perguntou curiosa.
-Eu lhe disse uma vez Hermione, ser pobre em Londres é complicado. As boas oportunidades estavam no meu grupo de amigos e no circulo social que freqüentava por causa dessas amizades, e boa parte dessas pessoas tinham ligações com o mundo da lei. Advogados, juízes, escrivães. Pareceu lógico seguir o caminho mais fácil.
-Fez um bom trabalho – ela ironizou, pois era nesse tom que Rony vinha lhe tratando durante toda a noite. – Posso ir dormir ou devo esperá-lo?
Perguntou com indiferença, levantando e entregando o trabalho.
-Porque não me esperaria? – ele retrucou.
-A noite passada não teve interesse que o esperasse.
Ótimo, agora ele sabia que estava incomodada com isso!
-A noite passada Ginerva verbalizou o que todos temos visto. – ele acusou.
-Que Harry e eu somos amantes?
-Que estão apaixonados - ele insistiu.
-Bem, se todos vêem isso, então, deve ser verdade – retrucou com a pouca dignidade que lhe restava.
-Está gostando dessa situação não é? Dois homens aos seus pés! – ele levantou-se com os olhos nublados pela raiva, e Hermione deu um passo para trás ofendida.
-Se estivesse aos meus pés nesse momento, eu o esmagaria Wesley! –disse entre dentes, irritada – Posso ou não ir dormir? É sua maldita última noite e não quero que me acuse de quebrar nosso acordo! Por isso decida-se logo!
Tomando sua revolta como proteção a Harry e não como ultraje sorriu com sarcasmo.
-Vamos ao quarto, para que possa desfrutar daquilo que jamais será de Harry.
-Meu Deus! - ela estacou, olhando para ele com horror.
Aquele homem achava mesmo que estava apaixonada por Harry? Pior, que estava se oferecendo a Harry?
-Esse joguinho que está fazendo com nós dois, me dá nojo – ele queria que sentisse um décimo ao menos da mágoa que sentia.
Foi para o quatro, mas ela demorou um segundo para segui-lo. Aquela frase queimou dentro de Hermione. Nojo? Ele tinha nojo dela?
Humilhada, seguiu para o quarto, sentindo o corpo pesado. Sem forças para se defender e causar nele a mesma mágoa e dor que sentia.
No quarto, Rony despira as roupas e a esperava na cama. Sem olhar em sua direção, Hermione despiu o vestido, e com um rápido olhar para ele, despiu o resto das roupas.
Como odiava esse homem!
Não podia simplesmente engatinhar sobre a cama, nua! Mas ele se importava? Claro que não!
Sentou-se na beira da cama, do lado dele, e esperou. Tinha um dos braços sobre os seios e os joelhos curvados para não se expor tanto.
Rony se moveu e ela entrou nos lençóis, se cobrindo e esperando.
-Espero que não esteja pensando em Harry – ele disse com amargura.
Hermione quase riu. Esse homem realmente era louco!
-Porque pensaria? Quem parece não conseguir parar de pensar em Harry é você! – havia uma ponta de divertimento em sua voz e ele estreitou os olhos.
-Acha divertido, brincar com nós dois? - ele sentiu o sangue esquentar de raiva
-Não, mas você parece ansioso para trazer Harry para essa cama!
Suas palavras o deixaram pronto para a briga. Ela tinha coragem de provocá-lo?
-Quer me enlouquecer, é isso?
-Quero é que me deixe em paz! – finalmente mostrou a irritação e o ódio que sentia – Se não me desejou na noite passada, porque pretende fazer isso agora? Deixe-me em paz!
-Está com raiva porque não a quis na noite passada? – ficou surpreso.
-Vá para o inferno! – ela virou-se, olhando para o espelho, e viu seu olhar confuso e seu sorriso triunfante. Fechou fortemente os olhos com raiva.
-Estava furioso com as palavras de Gina - ele explicou tocando seu ombro, e escorregando a mão por seu braço, até alcançar o lençol e tirá-lo.
Hermione se manteve quieta, os braços protegendo seus seios. Não queria ceder aos seus caprichos. Seria bem feito não colaborar!
Rony a fez girar, e ficar de costas. Olhando-o com ódio mortal, ela deixou que separasse suas pernas, e notou que ele também não estava com a melhor das expressões, estava contrariado e amargo por desejá-la apesar das desconfianças.
Esperava que fosse consumar o ato, por isso fechou os olhos se recusando a participar.
Hermione queria irritá-lo e desafiá-lo simplesmente com o ato de repudiá-lo. Rony olhou para seu corpo despido e perdeu um pouco da raiva. Fingia desinteresse, mas não estava tensa, ou martirizada, estava relaxada e entregue.
Cínica, cobria os seios, mas deixava a mostra o mais interessante!
Olhando aquele corpo corado, a pele perolada num tom bronzeado, um pouco mais pálido, agora que não pegava tanto sol trabalhando na plantação, sentiu o desejo arder ao observar as curvas de seus joelhos, as coxas lisas e macias, os tornozelos finos e delicados. As entradas de suas virilhas, naquele recanto triangular, parcialmente oculto pelas pernas fechadas.
Suas mãos coçavam para tocar aquela penugem macia entre suas pernas, e cedendo a tentação, separou seus joelhos. Hermione ficou tensa e ele quis provocá-la.
Entre seus joelhos, deslizou os dois dedos entre os pêlos, sentindo a textura e acariciando em movimentos circulares sobre o clitóris. Ela ofegou, mas continuou fingindo desinteresse.
Ótimo. Se ela queria ser hipócrita, ele também seria!
Descendo o rosto, deu uma profunda lambida em sua fenda e ela gemeu, abrindo os olhos apressadamente, surpresa e deliciada.
Sorrindo, ele agarrou seus braços e a fez descobrir os seios, e indignada, Hermione tentou empurrá-lo.
-Fique quieta! – mandou, mas ela se debateu.
-Se você não me quis ontem, eu não o quero agora! – ela recusou tão pateticamente que ele riu.
-E é por isso que está molhando os lençóis? – esbarrou um dedo entre seus grandes lábios, exibindo a umidade viscosa que havia ali.
-Oh. – ela se calou – Você é um porco!
-Sou mesmo? – quando falou, seu hálito soprou sobre sua intimidade e ela ficou sem palavras.
Sorrindo malicioso, afundou a língua em sua intimidade, e o mundo desapareceu para Hermione. Rony sugou e lambeu; a língua deslizando com pressa por cada canto, cada relevo, sem parar. A ponta da língua parou mais tempo sobre o clitóris lambendo com movimentos rápidos e Hermione apertou seu ombro, arranhando a pele quando as sensações cresceram.
Torturador, Rony subiu e beijou seu umbigo, impedido seu gozo prematuro.
Impaciente, Hermione ergueu o quadril pedindo por mais, mas ele ignorou. Seus olhos focalizaram em sua face, os olhos fechados, os lábios entreabertos buscando ar, enquanto gemiam baixo, o rosado de suas bochechas se intensificando quando mais a provocava.
Era uma tentação. Rony ergueu o corpo para beijar sua boca e reivindicar seu carinho quando espiou o espelho e notou o quanto erótico eram os dois juntos refletidos. O corpo tenro de Hermione sob o dele, as pernas entrelaçadas, os braços unidos. Uma imagem para a vida toda. Se fosse um pintor retrataria essa imagem em uma tela, mas como não era, guardaria em sua memória!
-Hermione – ele chamou, esfregando a coxa entre suas pernas. Ela se moveu, se esfregando de volta. – Venha comigo – ele mandou e ela abriu os olhos.
Hermione não entendeu o que queria. Rony sentou-se na borda cama, de frente para o espelho.
-Levante-se.
Ela sentiu o chão frio embaixo da planta de seus pés e se arrepiou. Estava nua, de pé, na parca luz do lampião, tendo uma de suas mãos seguras por Rony.
-Sente-se aqui. Quero te ver.
Hermione achou algo inocente, e sentou-se em seu colo. Ele fechou as pernas, e ela sentou contra sua barriga sentindo em suas costas o contato daquele ereção que a deixava tensa e molhada. Gemeu ao contato e ele agarrou seus seios.
As mãos de Rony agarraram os seios, e apesar do desconforto que sentia neles nos últimos tempos, não protestou, pois cada aperto queimou no fundo de suas entradas, e quando Rony começou a beliscar seus mamilos, sugando seu pescoço, ela deitou a cabeço para o lado entreabrindo os olhos e vendo o reflexo de ambos no espelho da penteadeira.
-Oh, Rony... – ela choramingou diante da sensação de aperto em seu ventre, desejando tanto tê-lo dentro de si que poderia explodir a qualquer momento.
-O que você quer Hermione? Peça! – Ele exigiu; aquela imagem dos dois sendo erótico e estimulante e levando-o ao limite do autocontrole.
Hermione queria tudo, queria sua língua em seus seios, queria seu membro dentro de si. Queria aqueles dedos enlouquecendo-a. Queria mais. Queria morrer em seus braços apenas para reviver com um beijo demorado e deliciosamente selvagem.
-Faça – ela pediu, sem detalhes, incapaz de se expressar.
Rony queria mais, queria ouvir os detalhes, mas não dava para torturá-la sem torturar a si mesmo. Feliz com o que tinha, soltou seus seios e segurou sua cintura, fazendo-a se erguer um pouco. Hermione não entendeu sua intenção até sentir a cabeça do pênis cutucando sua entrada. Naquela posição era difícil, e Rony a forçou para baixo, mordendo a boca para não gritar quando começou a entrar.
-Apertada, é tão apertada! – ele grunhiu quando entrou finalmente. Hermione estava literalmente sentada sobre ele, tão íntimos quanto dois seres podem ser. Homem e mulher, sem dúvidas ou indagações.
Apoiando as mãos em suas coxas peludas, Hermione subiu e desceu, sendo guiada por Rony, gemendo e se contorcendo a cada investida. Forte e quente. Duro e palpitante.
Tinha os olhos fechados, e respirava arfante, exultante pelas sensações inacreditáveis que seus corpos alcançavam juntos.
Sobre ele, fincado em seu íntimo, não era mais a Hermione, interiorana e sofrida, era uma mulher sexy e selvagem, levando seu homem à loucura.
Rony segurou seu braço e o pôs sobre seu ombro, trazendo-a para tão perto que ela gritou, pois ele separou suas pernas, uma a cada lado de suas coxas, mantendo-as afastadas, enquanto descia a boca para lamber e chupar seus seios.
Hermione jogou a cabeça para trás, os cabelos dançando em volta deles e ergueu os seios mais altos, para serem chupados. Rony puxou a pele tenra e mordeu, arrancando suspiros e reclamações desconexas. Lá embaixo seu membro entrava e saia com velocidade, e ele encarou o espelho olhando para Hermione.
Sentada contra ele, as costas apoiadas em seu peito, aberta sobre seu mastro, totalmente a mostra, era delirante.
-Olhe, Hermione – ele sussurrou em seu ouvido – Olhe para nós dois!
Sem entender, ela olhou para o espelho e conteve a respiração. Parou os movimentos encarando ‘aquilo’ a sua frente.
Não podia ser ela mesma! Oh Deus, não podia!
-Não pare - ele massageou seus seios, enquanto se movia mais devagar, entrando e saindo com cautela, pois estava hipnotizada pelos movimentos. – Não pare Hermione.
-É tão... - ela não tinha palavras – Oh Rony, é tão intimo! – Enlaçou seu peito com o braço livre, deixando as sensações subjugarem seu intelecto, os olhos fixos no reflexo dos dois.
-É delicioso! - ele acelerou, vendo-a fechar os olhos incapaz de mantê-los abertos. – Goze Hermione, quero vê-la gozar.
Atendendo ao seu pedido, ela acelerou os movimentos de quadril, e Rony assistia de camarote o membro sumir e reaparecer entre suas dobras. Sua vagina inchada, úmida e rosada, aberta para recebê-lo, mesmo agora que aumentava próximo ao gozo.
Hermione choramingou, descendo com força, resistindo ao prazer que se anunciava em seu ventre, querendo prolongar a sensação, e levou uma das mãos para baixo, sem notar que se tocava sobre o clitóris.
Um toque rápido, pois ao notar, ela tirou a mão rapidamente. Rony colocou a sua, não desejando forçá-la quando estava tão perto do prazer final.
Pulando sobre ele, Hermione sentiu o mundo girar a sua volta e as idas e vindas violentas a fizeram se chocar contra ele como uma desesperada. Tão perto, não via nem ouvia nada, olhos bem fechados, um seio sendo chupado enquanto aqueles dedos magníficos trabalham em sua intimidade castigada pela sua masculinidade.
As sensações cresceram de tal modo que Hermione sentiu o tremor a percorrer da cabeça aos pés no instante que a sensação em seu clitóris foi demais, e correu sobre cada tensão nervosa de seu corpo, incendiando aquele ponto especial dentro dela, bem no fundo de seu canal vaginal, onde aquele pênis fabuloso acariciava sem trégua em cada funda penetração.
Ela não ouviu o próprio grito, pois foi abafado pelo beijo molhado e desesperado que Rony lhe deu, gozando junto ao sentir seu orgasmo apertá-lo em ondulações desesperadamente deliciosas.
Quando o arrombo passou, ele olhou para o espelho e viu que Hermione também olhava. Havia muito sêmen escapando dela, e suas coxas estavam completamente meladas pelo próprio gozo e o dele. Era uma imagem terrivelmente reveladora.
-Preciso me mexer – ela disse tão baixo que ele mal ouviu.
Rony fechou as pernas, permitindo que as dela se juntassem, ela se apoiou na cama para erguer o quadril, gemendo ao se retirar. Rony teve um vislumbro de seu vale úmido e arrombado e quis mais. Hermione não agüentaria outra dessas, pensou, sorrindo ao vê-la cambalear. De pé, se apoiou no encosto da cama para não cair, as pernas tremendo.
Rony também levantou, apanhou sua camisola que estava descartada no chão, e usou-a como toalha, se limpando. Havia causado uma grande confusão na beira da cama, mas poderiam dormir sem trocar os lençóis, por isso estendeu a mão para ela e a guiou para a cama. Com carinho, surpreendendo-a, limpou entre suas pernas, sentindo seu estremecimento, e descartou o pano, deitando ao seu lado, puxando os lençóis e puxando-a para seu corpo.
Sentindo o cheiro daqueles cabelos crespos e macios, ele sentiu também o cheiro de sexo, e gozo e suspirou contente.
-Talvez... – Hermione disse baixo, a mente confusa, não a impedindo de lembrar o quanto se sentia humilhada.
Primeiro, na noite anterior a rejeitara.
Naquela manhã a tratava com atenção e carinho incomum, e a noite a desdenhava, e acusava de traí-lo.
“Esse joguinho que está fazendo com nos dois me dá nojo”
A voz de Rony ainda ecoava em seus ouvidos. Nojo. Como poderia viver com essa humilhação? Apesar de estar em seus braços, não podia esconder e negligenciar a sede de vingança de causar-lhe a mesma dor e decepção.
-Talvez não esteja fazendo nenhum joguinho com você e Harry – sua voz era muito baixa mesmo, o corpo languido e satisfeito, a face escondida em seu peito.
-Hermione... – ele desejou dizer que não importava mais, que estava louco de ciúmes e perdendo o sentido de verdade, mas ela não deixou.
-Talvez apenas... Esteja apaixonada por Harry.
Essas palavras ficaram sobre ele. Levaria esse sussurro para o tumulo. Seu pior medo, seu pior infortúnio.
Hermione amava Harry.
Quando conseguiu assimilar a surpresa, o choque, o horror, tentou se afastar. Empurrou-a para longe e pretendia saltar da cama, não sabia o que faria, mas não poderia ficar ali!
Também não foi longe, pois os gritos cortaram o silêncio da noite.
AUTORA: Hermione não perde uma! Que menina desaforada!
Eu no lugar faria igual ou até pior! Hehe...
(te cuida marido, não levo desafio para casa não!!!!! hehehe)
P.S: gritos na noite? E não são dos dois? O que será dessa vez? ;-)
Beijos.
Vamos agradecer a Mi, ela conseguiu mandar a tempo!