CAPITULO 60 – SERPENTE NO NINHO
Gina olhou para Hermione com a sensação de culpa remoendo-a. Achava que sua expressão fechada na mesa do jantar era resultado da magoa que lhe causara pela manhã. Harry ergueu os olhos do vinho e contemplou a linda jovem e seu olhar tristonho, se perguntando por que não teria lhe contado a razão de tanta tristeza.
Não era apenas medo de ser apanhada, estava feliz em casar-se. Desejou estar a sós para questionar a razão de seu silêncio. Com a sombra de um sorriso, conscientizou-se que em apenas poucos dias tornara-se escravo da voz de uma mulher.
Mulher não. Menina. Apesar de ter se apoderado de sua virgindade, Gina era inocente em muitos sentidos. Via o mundo com tanta inocência que o emocionava.
Correu os olhos sobre a sala e observou como Hermione parecia entretida com o livro que tinha em mãos. Rony fizera questão que fizesse sala, e ela não hesitara em apoderar-se de um livro. Era uma forma sutil de desafiá-lo.
E o que Rony esperava? A pobre fazia sala para a ex-amante de seu marido!
Harry estreitou os olhos notando que ela corava. Pegou-se tentando lembrar se havia nesse livro alguma passagem indiscreta, mas logo sorriu. Aparentemente a causa de seu corado eram seus próprios pensamentos.
-Não olhe para Hermione desse modo – Gina disse baixo ao seu lado – Me envergonha.
-E de que modo olho para sua cunhada?
Os dois estavam lado a lado, enquanto Lilá estava esparramada sobre uma poltrona. No outro sofá Rony estava ao lado de Hermione, observando-a calado, aquela sala tão silenciosa que irritava.
-Com... - ela engoliu em seco, contendo uma palavra imprópria, porém muito usada por seus irmãos mais velhos em suas conversas no meio da noite.
Muitas vezes ela levantava da cama para ouvir atrás das portas e tentar entender um pouco sobre o que acontecia entre um casal.
-Com? – Harry insistiu.
-Com desejo de homem. – ela afastou o olhar indignada.
-E de onde tirou essa idéia? – viu seus olhos azuis soltarem faíscas e continuou – creio ser inocente demais para criar em sua mente a possibilidade de seu futuro noivo pretender deitar-se com sua cunhada! Ainda mais, sendo eu, melhor amigo de seu irmão!
-Por que... Acha que não pensaria isso?
-Porque é uma jovem doce. Ao menos, acredito ser terna demais para tal maldade – esperava que fosse sincera.
Gina baixou os olhos envergonhados.
-Srt. Brown me contou como era mulherengo em Londres, e disse que reconhece seu interesse, e que deseja Hermione. – foi sincera.
-Lilá é uma cortesã e mente com a mesma facilidade com que respira.
Raiva o tomou ao pensar nas coisas picantes que aquela mulher deveria estar colocando na cabeça de Gina.
-Ronald – sua voz soou forte demais para uma calorenta noite entre amigos.
-Diga meu amigo – ele falou absorto, bebendo seu vinho com a mente em outro lugar. Nada no mundo poderia estragar seu humor!
-Amanhã cedo, mande um de seus empregados reservarem um hotel na cidade. Encontre uma parteira e garanta que nada falte. Pagarei.
-Porque isso agora? – ele estreitou os olhos perdendo o humor ao ver a seriedade de Harry.
Hermione abandonou a falsa leitura com o coração acelerado diante da idéia de se livrar de Lilá.
-Quero Lavander longe de Ginerva – ele respondeu apesar do falso ofegar ofendido de lilá.
-E o que fiz? - ela perguntou coquete.
-Tem falado de assuntos maliciosos com uma jovem solteira, uma dama de família, não uma qualquer! – ele alterou a voz e Rony se ergueu revoltado.
-O que disse a minha irmã? – fez com que Lilá se erguesse do sofá, segurando-a pelo braço.
-Não disse nada errado! Contei-lhe do tempo em que fui... Próxima a Harry. Apenas isso. Se vão casar, que mal há que ela saiba de seu passado?
-Não acredito que não tenha dito palavras ou descrito atos que minha irmã não deva conhecer! - ele reclamou.
-Rony, amor da minha vida, solte meu braço. Não sou uma caipira desengonçada que seja surrada e cale a boca! – ela agrediu.
-O que quer dizer? – ele não acreditou no que ouvia.
-As paredes têm ouvidos, e não o culpo por ter dado uma lição nessa coisinha sem graça - ela amansou a voz – querido, deixe Harry com seu ciúmes e venha falar comigo em particular – pediu acariciando seu rosto.
Hermione esperou com a respiração suspensa que a defendesse e desmentisse, mas não o fez. Contrariando sua expectativa, levou Lilá para a biblioteca.
Para a biblioteca.
Hermione engoliu o pranto. Não podia chorar. Por mais que doesse a ponto de perder o ar.
-O que será que eles têm para conversar a sós? – Gina perguntou maliciosa.
-Porque não nos diz? - Hermione perguntou ferina – São tão amigas. Deve saber de seus segredos!
-Hermione! - ela reclamou, olhando para Harry com medo do que pensaria dela.
-É bom que Harry saiba que se casa com uma mulher capaz de ter amizade com uma cortesã. Assim, estarão preparados para as traições e maledicências que trará a vida dele!
-Não diga isso Hermione! - ela levantou-se rubra.
-Porque não? Acaso não foi o que fez pela manhã? – ela também se levantou – Vou me deitar. Boa noite – disse seca apressando o passo para o quarto.
Na sala, Gina sentou-se pesadamente sobre o sofá.
-Harry... Não fiz por querer – ela tentou explicar – Achei que... Pudesse ter uma amiga, depois que... Hermione me abandonou, nunca mais tive uma amiga – sentiu lágrimas nos olhos e não teve coragem de olhar para ele.
-Terá muitas amigas – ele consolou, apanhando sua mão e beijado a pele com ternura – mas para isso, terá que aprender a entender as pessoas. É próprio da idade que se deixe levar por sorrisos aduladores. Te ensinarei a reconhecer as pessoas que não lhe são boas de verdade.
-Mesmo? – um pequeno sorriso nasceu em sua face – Não está zangado comigo?
-Estou zangado com seu irmão que permite essa situação continuar, e com Lavander que se aproxima de ti apesar do meu pedido para que se afaste.
-Tenho a impressão que Rony gosta de mantê-la aqui – Gina confidenciou – Sabe por que meu irmão age assim?
Harry riu suavemente, acariciando uma longa mexa de cabelo ruivo que lhe caia ao ombro.
-Rony quer que a esposa sinta ciúme. Hermione é muito fechada, ele tenta chamar sua atenção – contou.
-Ora! Pois por minha atenção jamais terá que fazer algo assim! Harry, só faço pensar em você! – contou entre um longo suspiro de vergonha.
-Não se acanhe, pois sofro toda a noite lembrando-me de nós dois. Desejando estar contigo novamente – ele confidenciou
-Eu poderia...
-Não. Não quero agir desse modo. Pelas costas de Rony. Desejo tê-la após o casamento, com todo o respeito que merece – tranqüilizou-a.
-Não pode ao menos, me beijar às vezes? – perguntou atrevida, pousando uma mão em sua perna. Quase sobre o joelho.
-Pois, se o fizer, acabarei te deitando nesse sofá e saindo dessa casa dentro de um caixão – provocou.
-Pois iria contigo - garantiu, com a doçura de uma moça apaixonada.
-Então, é melhor que nós dois permaneçamos vivos – a fez sorrir, acariciando seu rosto com ternura. – Amo seu sorriso Ginerva. Me faz sentir vontade de sorrir também. Sorrir sem razão, como um bobo.
-Harry... – suspirou se inclinando em sua direção.
-Gina, suba para seu quarto! – Rony disse erguendo a voz ao entrar na sala encontrar sua irmã reclinada sobre um homem.
-Boa noite, meu irmão – ela disse levantando-se, arrumando a saia do vestido e o beijando na face com uma expressão tão angelical, que varreu sua fúria e o fez retribuir seu beijo num afago fraternal.
-O que fez com Lavander? – Harry perguntou com uma ponta de divertimento.
-Adverti que sairá dessa casa no dia que nascer seu filho. Não posso correr o risco de ser considerado responsável por ela.
-É tão difícil sua situação? – Harry se interessou no mesmo momento.
-Agora, creio que não. Paguei três parcelas da hipoteca e tudo corre bem. Mas não posso correr o risco de perder a fazenda. Hermione ama essas terras e fez de tudo para conservá-las. Não é direito que as perca por minha causa.
-Ao menos seu casamento parece estar assegurado – Harry tratou de assegurá-lo – Qualquer um vê que perturba Hermione.
-Sim, tenho sobre ela o mesmo efeito que uma doença fatal. Ela me odeia. Essa tarde... – se conteve antes de falar tudo. Em outros tempos não teria contido a vontade de falar. -... Me fez perder, novamente o controle sobre minhas ações. Hermione parece fria como uma geleira, mas é apaixonada e voraz. Pragueja com a mesma voracidade com que beija.
-Deseja que fique invejoso? – Harry provocou – Espero que seu pai concorde com um casamento rápido. Sua irmã é de enlouquecer qualquer homem. Sabe, nunca fui paciente antes.
-Me contaria se houvesse feito algo que me envergonhasse frente minha família não é? – Rony deu-lhe a oportunidade de confessar os beijos que dera em sua irmã.
-Se tivesse coragem, sim, contaria – respondeu incapaz de confirmar.
-Então não conte – ele respondeu, respirando fundo e digerindo essa verdade. – Aquilo que não sei, não posso tomar partido. Faça a minhas costas Harry, pois a decepção mataria meu pai.
-Rony... – ele abriu a boca para confessar.
-Não sou tolo. – Rony definiu levantando-se – A pressa desse casamento também é minha. – Foi um longo dia Harry.
-Sim, foi um longo dia. Não o prenderei. Sei que tem pressa de deitar-se – maliciou sorrindo.
-Vá dormir Harry. – ele reclamou falsamente ofendido.
Sozinho na sala, Rony maneou a cabeça, pois Harry tinha razão.
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No quarto, entre as cobertas, Hermione se pegou pensando no que estariam fazendo na biblioteca. De certo, o mesmo que fizeram naquela tarde.
Virada contra a porta. Ela afundou o rosto no travesseiro, se conscientizando que no fim, tudo daria no mesmo. Fosse Susan, ou Lilá, o certo é que ele iria embora.
Sempre soubera. Então, porque a surpresa? Porque a dor?
Sentia-se desperta demais, e queria dormir antes que ele aparecesse no quarto com seu olhar sedutor e seu sorriso malicioso!
Passara o resto do dia após o encontro da tarde de cabeça baixa, morrendo de vergonha. Aquele homem tinhoso tivera a ousadia de fazer aquelas coisas com seu corpo! Deus!
Só de pesar, sentia uma enorme vergonha!
Como queria ter sua mãe ao seu lado para perguntar como se livrar desse sentimento. Não que tivesse coragem para contar a ela do acontecido que por certo a deixaria incrédula, mas sim, perguntar como se livrar daquelas sensações de estar encurralada.
Mentira, ao afirmar que não teria nada nessa noite. Se a tocasse, cederia.
Angustiada, sentiu um frio no estômago e se encolheu em seu canto contra a parede. Não ouvia vozes na sala, porque não vinha se recolher e dormir?
Porque esse maldito homem tinha tanta disposição? Passava o dia sobre um cavalo fiscalizando o trabalho e ajudando, e a noite era capaz de ficar acordado em longas conversas, sem contar sua disposição para... Perturbá-la.
Ao menos não ouvia sons vindos do quarto que aquela mulher insuportável dormia. Sinal que estava só.
Fechando os olhos, ela se moveu na cama, incomodada com a dor em seus seios. Estavam sensíveis, e tinha alguns dias que a irritava para dormir de bruços. De lado, ela abraçou o travesseiro e tentou dormir.
Estava quase conciliando o sono quando ouviu passos e a porta sendo aberta.
Rony despiu-se e entrou nu na cama, decidido a reverter o jogo a seu favor.
-Hermione? – abraçou-se a seu corpo, e não foi afastado.
-Me deixe – ela resmungou, adormecida.
-Não pode estar dormindo, eu quero você - ele beijou seu ombro, enlaçando sua cintura e a apertando contra si, de conchinha. Ergueu uma de suas pernas e colocou sobre sua própria coxa, querendo abrir caminho, mas ela nem se mexeu.
-Hermione? – insistiu.
Tentou de novo, acariciando seus seios sobre a camisola fina. Apertou o seio jovem, sentindo o bico enrugar sob a caricia. Sorriu.
-Não aperte, dói – ela disse quase desperta – me deixe dormir...
-Não quer dormir de verdade – ele sugestionou, mas parou quando ela se moveu, virando-se em sua direção e se encolhendo contra ele.
Toda quietinha, inocente e inofensiva. Dormia em seus braços como um anjo e ele conteve a decepção. Apertou-a contra si e teve que se contentar em desfrutar apenas de sua presença.
Apagou o lampião e abraçou-a, deixando que dormisse e descansasse em seus braços.
Na escuridão, ele sorriu e beijou sua testa enquanto ela respirava mornamente contra seu pescoço.
Pensou no filho que poderia estar sendo nutrido e protegido dentro de Hermione naquele momento, e acariciou sua barriga com cuidado para não acordá-la.
Logo, também dormia.
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No outro quarto, Lilá desgrudou o ouvido da parede, onde tentara ouvir alguma coisa. Hoje estavam silenciosos e não pode ouvir a conversa, muito menos o ato em si.
Não conseguira trazer lucidez a mente de Rony, muito menos conseguira que aquela cadela desnutrida e feia largasse o osso e o abandonasse, mas poderia usar de outras armas para acabar com aquele casamento.
Sentou-se na cama e acariciou a barriga sorrindo.
A tola Ginerva lhe dera munição para a guerra e assim que seu filho nascesse ela venceria.
De um jeito ou de outro.
Beta: Mil perdões Marja e ma todas as leitoras, estava completamente incomunicável, sem internet e sem computador, como dizem, desgraça pouca é bobagem NE, RS, mas agora acho q já está tudo resolvido e vou poder betar normalmente, perdões e prometo que logo envio todos os capítulos betados para serem substituídos, beijos a todas e desejo que tenham tido um natal e uma virada de ano excelentes, beijos e até o próximo capítulo!