CAPITULO 47 – DIGNIDADE
Dentro das paredes, que até a pouco eram testemunhas do amor e do desejo, ele a prendeu, trancando a porta e ficando com a chave.
-Hermione, escute o que tenho a dizer! – ele pediu começando a se desesperar.
-Fale! Fale mais das suas mentiras! – ela retrucou, se afastando ao ser solta.
Humilhação corria em suas veias. O ciúme apertava sua garganta. Via tudo vermelho, por isso fechou os olhos.
-Eu lhe disse que não suportava cortezãs. Essa é a razão! – ele disse exasperado – Deixe-me contar minha história com Lilá, antes que pense o pior de mim, deixe que conte o que se passou entre nos dois na corte!
-Não me interessa! - ela gritou de volta, surda a qualquer desculpa – Não quero saber!
-Vai me culpar sem me ouvir? -ele elevou a voz sem querer – Não me obrigue a....
-A me fazer escutar? -ela ironizou exibindo os punhos avermelhados.
Na presa de segura-la e prende-la a ele, impedindo sua fuga, não notou o quanto era bruto.
-Sinto muito, Hermione -ele tentou se aproximar, mas ela escapou.
-Não encoste em mim! – avisou.
-Não vejo Lilá há meses, ela mesma admitiu que não sabia do meu paradeiro – ele tentou explicar, afastando-se para não provocar sua fúria - Deixe-me explicar...
-ELA ESPERA UM FILHO SEU!!!
Bem, isso resumia a situação.
-Não, Hermione, não é nada disso!
-DISSE QUE ME FARIA CRIAR SEUS BASTARDOS! ERA DISSO QUE FALAVA???!!!!!! - não era definitivamente uma pergunta.
Pego pela própria língua, ficou sem ação um segundo.
-Disse coisas, em nossas brigas, que não se aplicam a nossa vida, Hermione, do mesmo modo como disse coisas que sequer levei em consideração – ele tentou explicar, achando que ao menos um deles precisava se acalmar.
Notou a forma como ela apoiou uma das mãos sobre as costelas e a forma como respirava rapidamente, e soube que ela estava sentindo dor.
-sente um pouco, Hermione. Se machucar não vai ajudar em nada!
O olhar que ela lhe lançou era sujo. Um olhar de desprezo e repulsa. Acuado por esse olhar, ele elevou a voz sem notar:
-Se não se sentar, deixo-a trancada nesse quarto até me ouvir!
Esperou por segundos eternos até que cedesse. Provavelmente mais pela dor, do que pela sua ameaça, mas Hermione sentou-se na cama, a respiração se acalmando.
Provavelmente chegando à conclusão que preferia estar fisicamente bem para enfrentá-lo!
-Conheci Lavander há três anos, numa festa – ele começou a contar e afastou os olhos dos de Hermione, pois não suportava a acusação expressa neles – Nunca fui um santinho, Hermione. Viver na corte, sem um tostão no bolso, me fez aprender, que não podemos desperdiçar as oportunidades que aprecem na nossa vida, e Lilá foi uma grande oportunidade. Era jovem, precisava de uma companhia feminina, e não tentarei lhe explicar como funcionam os instintos básicos de um homem, pois conheço a forma como pensa, e sequer tentará entender! – suspirou pelas lembranças – o fato é que precisava de uma amante, mas não estava disposto a gastar com prostitutas ou cortezãs. Desejava naquela época abrir minha própria firma de advocacia. Foi quando Harry terminou seu caso com Lilá. Ele sempre disse que era uma mulher fácil de conviver e que era discreta, e era exatamente isso que precisava: discrição. Por isso, quando ela veio até mim de espontânea vontade e me convidou a sua cama, sem cobrar, agarrei a oportunidade. – Hermione poderia matar com o olhar, pensou, mas preferia isso, a deixá-la pensar algo ainda pior a seu respeito – Tive uma amante bonita e dedicada, e sempre soube que ela mantinha seus clientes. Era um acordo vantajoso para ambos! Então, no inicio do ano passado, ela jurou que não queria mais a vida que levava e parou com o trabalho de cortezã. Eu sempre fui sincero, e disse a ela, que não haveria casamento. E Lilá deixou claro que largava a profissão por sua causa e não minha! Há alguns meses, ela contou da gravidez, confesso que sequer acreditei que fosse verdade, pois não menti ao fizer que conheço meios de evitar isso. Nunca, nos meses em que tive relações com Lilá ejaculei em seu corpo. – era curto e grosso, mas ou era isso ou era nada. – Deixei claro que tínhamos chegado ao fim. Ela pareceu entender.
-Não pode jurar que não é seu filho! Juanita disse...nenhum métodos é garantido para evitar uma gravidez – sua voz tremia, e se fosse outra mulher, acharia ser ciúme, ou magoa, mas vindo de Hermione era raiva.
-Lilá também não pode jurar que o filho é meu – disse com paciência – Hermione, ela mentiu para mim durante meses, e confesso, fiz de conta que acreditava em suas mentiras, pois era mais cômodo para mim. Continuou a receber seus clientes pelas minhas costas, e foi essa uma das grandes razões para que não me apaixonasse por ela. É uma mentirosa. Agiu pelas minhas costas.
Hermione baixou os olhos, lembrando que ela mesma agira pelas costas dele, tentando vender seu único bem de valor. Talvez lendo sua mente, ele sorriu:
-Suas razões, Hermione, eram razoes inocentes que prejudicaram apenas a si mesma, já as razões de Lilá são menos altruístas. Ela deseja um tolo para casar-se. Um homem facilmente manipulável. Uma cortesã não pode ser uma mulher respeitada na sociedade e ao mesmo tempo continuar tendo sua fortuna e seus amantes. Ao meu lado, pensou que poderia ter ambos.
-Como sabe que ela não parou...com o que fazia? – precisava saber de todos os detalhes, talvez, para odiá-lo com mais força!
-Houve um dia, a última noite que passamos juntos. Eu fui até sua casa contar que viajaria para ver minha família e que ficaria alguns meses longe de Londres. Passamos a noite juntos, e pela madrugada, parti. Acontece, que esqueci o relógio que meu pai me deu anos atrás, ao me deixar no internato. Não deixaria essa lembrança para trás e voltei. Como possuía as chaves, entre e fui direto para seu quarto. Claro, não esperou sequer que trocassem seus lençóis – havia um traço de lamento em sua voz – Apanhei e o relógio na mesinha e sai sem que ela me visse, e duvido que poderia ver. Estava de quatro, sob o corpo de outro homem. Um dos muitos que recebeu naquela mesma noite. Eu fiquei escondido e contei, foram quatro. – ele riu dessa lembrança. Mas era um riso sem humor. - Foi a última noite juntos. Depois, pedi a Harry que não contasse do meu paradeiro. E quando voltasse a Londres, se ela insistisse, daria um jeito de acabar com suas esperanças. Por isso, Hermione, não sou o pai dessa criança, e se por ventura o for, jamais poderemos saber.
-Pelo que notei essa mulher não condiz com a jovem apaixonada que está na sala dessa casa! – havia muita amargura em sua voz.
-O que viu agora a pouco não passa de teatro, Hermione. Lilá conhece os homens como a palma de sua mão. É experiente para saber jogar com os sentimentos. Ela jamais me abordaria cobrando com clareza. Ela chora, abusa nas palavras de amor, e desmaia. É isso que as cortezãs fazem.
-Mesmo em um avançado estado de gestação? – havia sim um traço de duvida em sua voz e ele se aproveitou disso.
-Lilá está aqui, única e exclusivamente por causa disso. Uma cortezã grávida não lucra. Está sem clientes e sem um protetor, pois esse filho não me passou garganta à baixo como esperava que acontecesse ainda em Londres. Agora, ela espera arranjar um homem para cuidar dela, provavelmente, até estar recuperada e poder voltar a sua antiga vida de luxo e glamour. Como vê, não é uma linda historia de amor. – ironizou.
-Mas é uma boa historia – ela disse amarga – mas que não muda o fato, dessa mulher estar aqui dentro, cobrando-lhe casamento!
-Lilá pode cobrar o que quiser, mas não devo nada a ela. Estou casado e feliz com essa situação – era uma tentativa de amansá-la, mas que faliu quando ela se ergueu, emburrada.
Sim, dessa vez, ela estava mais do que apenas zangada, estava emburrada e entendimento o fez sorrir sem notar.
-Do que está rindo? – havia veneno na sua voz.
-Não estou rindo, estou surpreso. Hermione, está com ciúmes de mim?
-Realmente, é um homem de grandes ilusões – ela disse mordendo a língua e contendo um gigantesco ‘sim’ que desejava escapulir de sua boca.
-Me diga se acredita em mim – ele pediu tocando seu braço e não se surpreendendo que o afastasse com aquele mesmo olhar sujo que o desagradava.
-Livre-se dela e talvez acredite -ela ameaçou.
-É o que pretendo fazer – suspirou aliviado, por sair com vida daquele quarto – Hermione, venha comigo, esteja do meu lado, para que ela entenda que não há espaços para outra mulher em minha vida – pediu insistindo em tocá-la.
-Não toque em mim, Wesley – ela rosnou, afastando-se e esperando que abrisse a porta.
Como um cordeiro, ele destrancou a porta e deixou que passasse. Hermione aceitou andar a seu lado, a raiva tornando seus passos duros e ela sentiu dor nas pernas, por exigir tanto de si mesma.
Na sala a ilustre visita estava recuperada e ansiosa. Olhava para Harry, com cobiça, mas havia desistido de avançar sobre ele e sua fortuna há muitos anos, e sobretudo agora, entendia que não poderia competir com uma linda jovem pueril, como a irmã de Rony. Não no estado desagradável em que se encontrava!
Sua face se animou ao ver Rony de volta. Estava tudo resolvido em sua mente, convenceria Rony a anular o casamento com àquela mulher horrível, e então, se casariam! Simples!
-Meu querido! – ela não se levantou, foi ainda fingia um mal estar.
-Fique sentada Lilá – ele pediu, olhando de Harry para Gina – Ginerva, ajude Juanita na cozinha.
Gina pensou em negar, pois desejava participar da conversa, mas a grosseria de Hermione calou seus protestou.
-Faça o que seu irmão mandou, Ginerva.
Cabisbaixa, ela sumiu da sala, apenas para espiar pela cozinha, ignorando os chamados de Juanita para que não fizesse isso. Em poucos minutos, eram duas ouvindo atrás das portas!
-Diga-me, minha vida, que mandará essa mulher embora, e anulará esse casamento ridículo!
-E por que acha que faria isso, Lilá? – perguntou em tom cansado.
-Ora! Rony! Olhe para ela! Olhe para mim! Teremos um filho! Não quer seu filho sem nome, quer? Além do mais...qualquer um nota que essa mulher não serve para você! Seja lá os artifícios que usou para obrigá-lo a se casar, pode escapar! Peça a anulação! Harry será sua testemunha que foi obrigado! – ela apontou para Harry que deixou claro em sua expressão que não participaria disso!
-Lilá, não fui obrigado a me casar, para ser franco, eu quem obrigou Hermione a me aceitar – suas palavras ecoaram no vestíbulo, e por um segundo, Lilá se viu sem respostas.
Apenas um segundo.
-Entendo que a novidade o tenha encanto. Uma caipira! Mas, Rony...essa jovenzinha jamais poderá acompanhá-lo em Londres!
-Minha vida não é mais em Londres, minha vida é aqui – ele disse calmamente.
-Então, é isso – ela definiu, sorrindo – Ela é rica. – havia vitória em sua face – um pai rico que o obrigou a casar-se! Inacreditável, Rony!
-Por favor, Lilá, sente-se e escute atentamente -ele pediu.
Talvez notando a seriedade da situação, ela sentou-se. Rony olhou para Hermione, e tocou seu braço sabendo que não poderia rechaçá-lo em frente à Lilá.
-Sente-se também, Hermione. Ainda precisa descansar e convalescer – pediu e ela obedeceu, apenas para não causar mais demora em livrar-se daquela intrusa.
-Oh, Deus, além de rica, é doente? – Lilá ironizou – Jesus, não posso culpá-lo por ter se tentado a aceitar esse casamento! Meu querido, não o condeno. Se a saúde dessa mulher é frágil, apenas esperemos sua morte.
Ela falou com tanta naturalidade que Hermione respondeu no mesmo tom:
-É bom que saiba, que se pretendia morrer um dia, agora, farei de tudo para durar um século!
Era uma frase irreal, e Harry sorriu com carinho, olhando a pequena fera que defendia seu lar, sem nem perceber. Rony notou esse olhar, mas tinha algo mais serio em que pensar.
-Como pode uma mulher falar como um homem? -Lilá fingiu choque.
-E como pode uma mulher ter tantos amantes, a ponto de nenhum deles assumir seu filho?
Rony pensou que não precisava se defender, tendo Hermione ao seu lado.
-Foi isso que Rony lhe disse? –ela fingiu choque, e ele esperou que Hermione pudesse reconhecer o fingimento. – Desculpe, querida, mas não é verdade. Terei um filho de seu marido, ou melhor dizendo, do seu ex-marido, por que é impensável que me troque por você!
-Não sei, rameiras são facilmente esquecíveis -ela disse com desdém. – Afinal, são muitas. Ou acha, que assim como você, Wesley lhe tinha exclusividade?
Notou os belos olhos claros se arregalarem de surpresa, fitando Rony.
-Pelo que sei, foi ele que a abandonou e sequer disse onde estaria.
Aquilo deveria encerrar a conversa, mas Lilá era treinada para sair das piores situações.
-Vejo, que meu amor, não arrumou uma esposa, mas sim um peão para defende-lo. Devo temer um tiro?
Harry explodiu em uma longa risada, e Lilá o fitou como se tivesse duas cabeças.
-Não duvide, Lavander – ele respondeu por Rony – que corre mais perigo com Hermione do que com o mais corajoso dos peões.
-Outra razão para permitir que meu Rony seja feliz. Anule o casamento!
Ela quase esbravejou, ao notar admiração na voz de Harry. Conhecia aquele solitário homem, e sabia muito bem que arrancar admiração de Harry Potter era dificílimo!
Isso a assustou, tanto quando o olhar de carinho de Rony. Haviam raras mulheres que uma cortesã não pudesse vencer usando seu corpo e sua sensualidade. Raríssimas mulheres tão interessantes e apaixonantes, que mantivessem os maridos a despeito da cama.
-Ronald só sai desse casamento morto – ela disse levantando-se e olhando com desprezo para Lilá – Até uma hora atrás, não me importaria que fosse embora, mas agora, faço questão que ele fique! Que apodreça ao meu lado! Para que me pague tamanha humilhação!
Essas palavras o deixaram mudo. Não olhou para Harry humilhação também crescendo dentro dele.
Um suave “oh” chamou atenção para o fato de Gina estar ouvindo atrás das paredes. Harry ergueu-se imediatamente, ansioso para tirar sua possível prometida daquele ambiente, achando que se desejava aquela mulher casta, e pura, tinha que zelar por isso, e surpreendendo-se por pela primeira vez na vida se importar com isso.
-Prometi a Ginerva um passeio pela fazenda, meu amigo – ele disse quebrando o pesado silêncio hostil – Deverá ser o caso de fazermos isso agora. O que me diz?
-Não saíram sozinhos – ele disse descontando em Harry sua frustração.
-Aguardem um minuto, Sr.Potter. Faço-lhes companhia – Hermione disse depois de engolir em seco.
Esperava que fosse barrada, mas ele a deixou ir. Rapidamente, apanhou um livro e um longo lenço, saindo para a cozinha.
Harry aproximou-se de Rony esperando que ele pedisse que não fossem, mas ele apenas maneou a cabeça concordando.
-Mantenha as duas fora por um tempo. Vou me livrar desse problema.
Harry concordou, esperando achar um jeito de dizer a ele que não sentisse pena de si mesmo, pois sabia que aquelas palavras eram falsas. Hermione não controlara a própria fúria. Apenas isso.
Lilá segurava um sorriso quando ficou sozinha com Rony.
Por um segundo ele se pegou pensando em como era triste. Quanto o sorriso que desejava lhe era negado novamente.
AUTORA: isso aí, pra que fazer barraco se você pode destruir a auto-estima de seu maridinho mulherengo? Hã? Sábia Hermione!
Meninas quanto ódio da Lilá! Hehe...tadinha, ela é apenas uma vilanzinha tentando ganhar a vida...hehe
Quanto a Gina, a moça é um saco, admito. Baseei-me na minha cunhada. Mimadinha que é irritante! Ela ainda vai criar alguns problemas, mas vai demorar a sair da fic. E para quem espera, sim, ela vai sofrer um bocado.
Quando a Hermione, sofrer é com ela. Ninguém sofre melhor que Hermione!
Tive um problema para atualizar a fic, mas arrumei como puderam ver. Espero que não aconteça de novo, mas não posso prometer..snif...
Beijos.
P.S: não deu para esperar, beta do meu coração.