CAPITULO 46 – UNHA E CARNE
Foi um beijo curto, pois ele a afastou, olhando diretamente para sua barriga.
Conhecia aquela mulher como sendo uma das mais lindas e exuberantes de Londres, tendo seu corpo perfeitamente esculpido por mãos generosas! Era conhecida em seu circulo social como o “o anjo do amor”, e várias vezes Rony havia concordado com essa designação.
Hoje, no entanto, sabia que suas táticas eram falhas e aquilo que considerara sublime em seus tempos de inexperiência, eram apenas ataques sexuais comuns e rotineiros na cama de um homem vivido.
Porém uma barriga de nove meses não era o que esperaria de sua ex-amante! Ainda mais em sua casa! Diante de Hermione!
-Minha vida, eu o procurei tanto em Londres! – ela falava entre as lágrimas – Oh bom Deus, Harry não quis me dizer onde estava! Como pode? Olhe meu estado amor! Foi uma luta encontrá-lo a tempo! Veja! – ela sorriu olhando para a barriga dilatada – Vê? Nosso filho Rony! Eu o achei a tempo de vê-lo nascer! Oh, amor! Estou tão feliz!
Lilá o abraçou novamente, um abraço rápido, segurando seu rosto e rindo feliz como uma criança.
-Harry me contou do seu noivado! Sabia que era mentira! Como poderia noivar e me deixar para trás? Hã? Na cidade me disseram que vivia com uma mulher nessa casa, mas deveria saber que era sua irmã! Imagine se me abandonaria logo agora! Se nosso amor seria tão pequeno minha vida!
Em sua felicidade transbordante ela não notou-o paralisado, mas notou logo atrás a feia e pálida criatura, estagnada e prostrada ao chão, em choque. Hermione viu seu olhar de reconhecimento e não acreditou que aquilo estivesse acontecendo bem diante dela!
Um gosto amargo estava em sua boca, e um súbito frio se instalou na boca de seu estimado, e diante de seus olhos apenas a imagem dos lábios pintados de carmim, grudados ao lábios cheios e doces de Rony.
Seu marido! Seu Rony!
-Oh, aí está! – Lilá disse convicta – Estava começando a achar que não tinha criadas! Vamos querida, apanhe minhas malas na varanda e leve-as para o quarto do seu patrão! Mas cuidado com a frasqueira! Não quebre nenhum dos perfumes sim? – vendo sua expressão ela olhou para Rony e maneou a cabeça – Agora sou sua patroa, vá de uma vez! Não queira testar minha paciência querida. Mais tarde veremos algo mais... Adequado para que use ao me servir. – ela disse medindo-a da cabeça aos pés com repulsa.
Hermione sentiu o sangue gelar em suas veias. Engoliu em seco, e foi difícil, pois engolia um grito e o choro, tudo junto.
Os olhos estupidamente azuis pálidos da sua visita miravam-na com certa dúvida diante de sua atitude pouco sutil. Era uma mulher bem vestida, elegante. E seu rosto lembrava um anjo. Fazia com que Gina e Hermione parecem espantalhos diante de si e de sua vestimenta. A face estava corada, mas havia muito ruge em suas faces para saber se era natural ou apenas conseqüência de sua maquiagem.
-Santo Deus... – Gina sussurrou, achando que a qualquer momento haveria uma gritaria do tamanho do mundo! Previamente, segurou o braço de Hermione e falou – Venha Hermione, vamos para a cozinha.
-Querido, deixa sua criada ignorar um capricho meu? – Lilá sorriu para ele incrédula, e Rony percebeu a dimensão do que aconteceu ali.
-Lilá? – ele perguntou tolamente.
-E quem mais seria Rony? – seu sorriso poderia iluminar uma noite escura.
Era tão linda como um anjo. A beleza estonteante realçada pela maternidade.
-Sente-se Lilá – Harry tomou a dianteira ao notar o choque de seu amigo.
-Querido? – Lilá começou a ficar incerta ao notar sua palidez e sua expressão de choque – Querido?
Eram duas mulheres com expressão muito parecidas. Hermione parecia tão sem chão quanto Lilá ao notar sua surpresa em vê-la.
Lilá estendeu uma das mãos enluvadas em renda e tocou sobre seu peito, onde o coração batia, sorrindo ao ver como seu coração estava acelerado pela camisa.
-O que esta fazendo aqui Lilá? – Rony perguntou se afastando e olhando para Hermione. Ela tinha uma expressão muito parecida de quando a conheceu, e seu olhar direcionado a ele, era um olhar de magoa, rancor e humilhação.
Quase esqueceu-se de lilá, diante do perigo desse olhar, mas sua voz doce o trouxe de volta a realidade:
-Ah meu querido! Harry foi tão malvado com nós dois! Recusou-se a contar-me seu paradeiro! – falou com ares de raiva – Foi preciso um detetive segui-lo para descobrir para onde vinha! Eu o segui claro! Não pude vir ontem, pois precisava repousar da longa viagem - ela contornou o ventre e havia emoção em seu olhar – Veja, era apenas um semente quando partiu, e agora, é uma fruto criado, pois faltam poucos dias para o nascimento!
-Rony – Gina disse suave – Porque não nos apresenta sua amiga? – era uma sugestão para que explicasse aquela situação toda.
Mas a explicação era ainda pior, pensou!
-Lavander Brown. Mais conhecida como Lilá Brown - ele sintetizou.
-Srtª. Brown – Gina cumprimentou e antes que a tocasse para um comprimento, Rony a impediu.
-Lilá é uma cortesã – ele avisou engolindo em seco e afastando a irmã virginal de perto da má influencia.
-Não fale assim amor. Sabe que por você mudei minha vida - ela disse magoada, a expressão de choro ressurgindo rapidamente.
-Não. – ele disse seco – Minha vida é que mudou. Não estou noivo. Estou casado.
Lilá olhou para a pequena feiosa perto dele, tão ultrajada e soltou um risinho incrédulo. Só poderia ser aquela criatura!
-Oh pobrezinho. Como puderam obrigá-lo a isso?
Seu tom de desdém ridicularizou Hermione ao extremo, e depois de tanto tempo calada, finalmente falou:
-Tem razão, como puderam obrigá-lo a isso?
Era uma mulher a beira de cometer assassinato, e sua frase dizia isso.
E se houvesse justiça naquele mundo, que enterrasse Rony e Lilá na mesma cova, assim pouparia espaço e trabalho! Visto que tanto um como outro não mereciam uma gota de suor de um coveiro!
-Não se preocupe Srtª.Brown, minha criada levará suas coisas... Para o inferno, junto com a Srta! – ela rosnou.
Lilá deu um passo para trás, amedrontada.
-Que falta de educação! – disse com expressão coquete.
-Falta de educação é uma cortesã em minha casa! Ponha-se daqui para fora! E você! – ela apontou para Rony – Vá com sua amante! Com sua família – havia desdém ao olhar para a barriga gigantesca. – Saiam daqui os dois. Ou melhor, os quatro! – apontou Harry e Gina. – Leve-a para a casa de seus pais!
-Hermione... – ele tentou segurá-la, mas ela soltou-se com um empurrão, furiosa como poucas vezes sentira-se em sua vida.
Aquele abraço, aquele beijo, diante dos seus olhos, era um punhal cravado em seu coração! Aquela mulher esperava um filho! E agora, ele iria embora!
Como pudera abaixar a guarda? Como pudera ser tão tola?
-Saia! Nunca o quis aqui dentro! – acusou com ódio.
Todo o carinho, toda a entrega de antes havia se transformado em ódio. Sentia-se traída!
Espezinhada! Humilhada! Ridicularizada!
-Não diga isso sem me ouvir primeiro! – ele mandou no mesmo tom, segurando seus braços para que não fugisse dele – Harry tire Lilá daqui! – ele não pediu, mandou, esquecendo a polidez.
-Não vou a lugar algum!- Lilá disse calma, fitando Hermione com desprezo – Essa mulher é louca! Ronald exijo que a tire dessa casa imediatamente! Como pode achar que me trocaria por... Isso? Não creio que seja verdade!
-Chega, Brown – Harry disse enfadado, apanhando o casaco e a capa da mulher e segurando seu braço para lhe dar apoio – Vamos até o carro de aluguel que a trouxe. Pode voltar amanhã quando todos estiverem mais calmos.
-Nem pensar! – Lilá soltou-se batendo o leque nervosamente em suas mãos – Ronald Wesley! Prometeu-me casamento! Prometeu-me seu coração! E não sairei daqui de mãos vazias! É sua obrigação cuidar de mim e do nosso filho!
Ele sequer ouviu as palavras, não com Hermione furiosa pretendendo fugir de suas mãos como areia no vento. Se a deixasse ir, talvez não houvesse mais volta. Jamais ouviria uma palavra sua que fosse! Tiraria suas próprias conclusões e o descartaria para sempre de sua vida e de seu coração!
-Deixe essa maltrapilha ir! Ronald! Olhe para mim! – ela tornou a exigir e quem perdeu a paciência foi ele.
-Essas são as roupas que posso dar a minha esposa e se é tão pouco para você, sinto muito! – ele respondeu raivoso e Lilá mudou imediatamente a expressão para algo choroso.
Era experiente o suficiente para saber quando dera um passo em falso.
-Meu bem, não estou pensando direito. Como poderia achar que o encontraria casado? E casado com uma mulher perturbada? Meu amor, essa terra é tão quente, estou a tanto tempo viajando para encontrá-lo... Oh... Temo ter prejudicado minha saúde e minha capacidade de pensar!
Notando que Rony parecia ter mais interesse na mulher magrela que se debatia para escapar, ela fez a única coisa digna na sua atual situação. Deixou o leque escorregar das mãos, e aproveitando-se da presença próxima de Harry logo atrás de si, forjou um desmaio, usando de toda a pompa e circunstância a qual aprendera a usufruir em beneficio próprio.
Se isso não atraísse sua atenção, nada mais o faria!
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Rony não soube o que fazer, com uma mulher furiosa em seus braços e outra fingindo um desmaio nos braços de Harry. Gina olhava para os dois com desconfiança, e ela não segurou um comentário áspero:
-Parece que Srta.Brown conhece intimamente a ambos...
-Infelizmente, temo ter que confirmar – Harry disse com sinceridade, comprando seu olhar.
Em seu julgamento, havia algo nascendo entre eles, e seria honesto com aquela jovem birrenta, antes que sua vida virasse de pernas para o ar.
Não desejava estar na pele de Rony, mas sabia que tinha sua parcela de culpa nesse episódio lamentável.
-Como se atreve a colocar uma meretriz sob o meu teto? – Hermione perguntou furiosa.
-Não seria a primeira – ele respondeu no mesmo tom, sentindo a pele delicada dos pulsos dela entre os seus dedos apertados. – Mantenha as duas aqui – ele disse a Harry, antes de tomar à dianteira.
Praticamente arrastou Hermione para o quarto.
Autora: Eu sou uma mulher pratica e racional, tenho até um certo liberalismo na minha concepção conjugal sobre traição....mas se me aparece uma Lilá desse jeito em casa...nem sei, acho que dava até policia! Aff, apoio a Hermione. Tem que fazer barraco mesmo!