CAPITULO 45 – VISITA INDESEJADA!
Os dedos abriam os botões de pérola da camisola lentamente, possivelmente para não acordá-la. Hermione se pegou lembrando que até pouco tempo atrás não o deixaria chegar tão perto! Estava fraquejado, afinal, nesse ultimo mês, sequer lembrava onde havia ido parar sua arma.
Gina dissera não querer aquilo por perto, e ela também não insistiu.
Era estranha a forma como vinha sentindo-se. Nos primeiros dias daquele casamento a única coisa em que podia pensar era na família perdida. Ouvia as vozes em seus sonhos, via seus rostos sempre que fechava os olhos, e sentia um sentimento de perca gigantesco no peito. Mas agora, cada vez mais raramente se pegava pensando neles.
Sentia falta de Ann, de sua mãe e de seu pai, além das longas conversas que tinham, mas não era mais um sentimento ruim, era saudade. A culpa parecia ter ido embora, e Hermione lamentava esse fato. Sentira tanto medo nos dias de solidão antes de casar-se! Sem a família, sem proteção... Sem Rony!
-Acorde Hermione - ele sussurrou em seu ouvido, enquanto afastava os dois lados abertos da camisola, revelando seu corpo nu.
O corte entre os seios havia cicatrizado e havia apenas uma marca avermelhada onde a pele se recuperara. Sobre as costelas havia ainda uma grande marca roxa em tons escuros, e ela havia tirado a faixa há alguns dias, sinal claro que estava realmente melhor. Mesmo assim, Rony ainda tinha receio de feri-la.
-Você me prometeu que faríamos amor. Lembra? – ele beijou sua testa, enquanto seus dedos seguiram pelos ombros, e pelo braço numa caricia despretensiosa.
-Bom dia Rony - ela disse abrindo os olhos e focando-se nele.
Olhou para si mesma, nua e exposta, mas não sentiu vergonha alguma. Corou, sim, era verdade, não era tão experiente a ponto de não sentir constrangimento diante de um homem, mas não era vergonha propriamente, era apenas algo que vinha da rígida criação moral que recebera na infância.
-Desejo amá-la agora - ele disse, descendo beijos por sua face, e seu pescoço. Sentiu seu suspiro, e se pegou pensando se amá-la calmamente seria tão arrebatador quando amá-la no furor da paixão renegada!
-Mesmo que precise deixar Gina sozinha com Harry? - ela desafiou-o com o olhar.
Havia divertimento em seus olhos e ele achou isso quase mais atraente que seu corpo exposto.
-Confio em Harry - ele disse incerto, nada disposto a deixar Hermione escapar.
A mão graúda desceu pela sua barriga, tocando sobre o umbigo, sentindo o leve tremor que estava ali, como se seu estômago estivesse inquieto. E estava. Havia um frio percorrendo-a e culminando em seu ventre, tornando-a ansiosa e estranha, por mais calma que pudesse parecer.
-Terá de ser à noite – ela disse convicta, porém sem saber se resistiria.
-É preciso mesmo essa bobagem de chás? – havia uma nota de irritação em sua voz e ela o empurrou gentilmente, fechando a camisola.
-Prefere que crie seus filhos sem amor?
Era um ponto interessante, e Rony pensou em dizer-lhe que duvidava de suas palavras. A Hermione que ele conhecia era capaz de amar. Via a forma como agia e tratava os filhos de Juanita, e havia muito carinho e amor em seus gestos. Havia sim, muito sentimento e emoção dentro dela para que acreditasse nessa bobagem que ela inventara para si.
Porém, como poderia com argumentos bater de frente com sua dor?
Rony não era de se render fácil, por isso, voltou a tentar, introduzindo uma das mãos entre suas coxas, e ela poderia facilmente fulminá-lo com seu olhar de rancor.
-Não é apenas Juanita quem conhece meios de evitar filhos Hermione – disse suave, querendo seduzi-la – eu tenho meus truques também.
A raiva pareceu dar lugar à curiosidade, mas ela não perguntaria. Definitivamente, Hermione não perguntaria!
-Está dizendo isso apenas para me enganar – disse convicta.
-Não – ele sorriu de sua expressão exasperada – Estou dizendo isso porque meu desejo é maior do que minha consciência. Se confiar em mim, posso provar-lhe o que digo.
-E como saberei que não está mentindo? – perguntou na defensiva.
-Vai saber no exato momento em que acontecer – notou seus olhos brilharem por curiosidade – Às vezes em que fizemos amor foram suficientes para que saiba o que acontece Hermione. E saberá a diferença. Quando acontecer, notará imediatamente a diferença!
Havia em sua voz um traço de humor e ela se pegou pensando em como alguém poderia ser tão leve e espontâneo.
-Corro o risco de ser ludibriada – ela disse, sem acusação, apenas uma constatação, e ele entendeu que era uma brincadeira, o mais perto de uma piada que ela poderia chegar.
-Sim, corre – ele concordou no mesmo tom.
Hermione riu, olhando em seus olhos e mordendo o lábio.
Tinha tantos medos, mas estava cada vez mais difícil lembrar-se deles quando estava nos braços de Rony!
Rony tinha razão, não havia razão para não serem um casal de verdade, pois ele concordava em não ter filhos. Concordava em aceitar seu medo. Esse homem a protegera e cuidara dela num momento tão difícil!
Se fosse apenas um homem ambicioso, seria mais prático ter desejado a viuvez, não é? Esse pensamento vinha consumindo sua capacidade de resistir desde o dia em que ele a salvara.
Esse e tantos outros pensamentos e Hermione entreabriu as pernas, confirmando que confiava em sua palavra. Aliviado, Rony afastou a camisola, ajeitando-se sobre ela, para não machucá-la.
-Olhe para mim Hermione – ele pediu e ela obedeceu – Dessa vez não faremos outros carinhos, porque não posso esperar. Essa noite, no entanto, lhe prometo que mostrarei tudo àquilo que ainda não conhece.
Era uma promessa e ela concordou, sem entender a que se referia, se existia mesmo mais do que já andaram fazendo!
Oh, Deus!
Sua respiração se acelerou, quando uma das mãos confirmou o quanto ela estava pronta, passando os dedos em sua intimidade, antes de ajeitar o quadril e começar a penetrá-la.
Hermione fechou os olhos, desfrutando e deixando ser desfrutada!
A sensação era arrasadora, e gemeu quando ele avançou mais um pouquinho. O braço musculoso estava ao lado da sua cabeça, onde ele apoiara o cotovelo no travesseiro, e ela não resistiu, beijou o músculo arrancando dele um gemido mais fundo, ao parar, procurando seus lábios.
-Rony!
O gritinho do outro lado da porta o fez grunhir, afastando os lábios de Hermione e olhando para a porta incrédulo.
-Não acredito nisso – ele sussurrou, fazendo sinal para que ela não fizesse barulho, para que Gina fosse embora.
-Rony, meu irmão, acorde! – as batidas eram mais fortes e ele não pode ignorar.
-Estamos levantando Ginervra! Deixe-nos!
Sua irritação trouxe uma chama dentro do corpo de Hermione, pois a cada grito, seu corpo se retesava e a penetrava mais fundo.
-Oh... – ela gemeu baixinho, abraçando-o com ambos os braços e ele lhe deu atenção, sorrindo ao notar seu prazer.
-Hoje mesmo Gina vai embora! – ele desabafou, antes de beijá-la profundamente.
-Rony, abra a porta! – Gina exigiu – Há visita para você, meu irmão!
-Já disse que estou indo! – ele gritou novamente, e Hermione arfou de prazer, pois ele nem notava o tamanho do desejo que despertava, se movendo um pouco, para ajeitar-se.
Tinha a atenção na porta, como se esperasse que Gina fosse invadir a qualquer momento, e sorriu quando ela se moveu, tentando fazê-lo se mover.
O quadril delicado se moeu contra ele, aprofundando a penetração, e então recuando, num ritmo lento e difícil, pois ele era muito pesado para forçá-lo a fazer o que não queria!
-Azar o seu irmão, porque sua visita vem de Londres!
O grito de Gina o fez desviar a atenção de Hermione. Outra visita de Londres?
-Não! – ela reclamou, segurando-o pelo braço, alarmada por querer se afastar.
-Uma visita de Londres... O que pode ser? – ele perguntou, preocupado.
-Algo do seu antigo trabalho...? – ela sussurrou; o cérebro trabalhando a despeito do corpo – Rony, não...
-Não o que? – ele perguntou parado, esperando que ela pedisse.
-Não... Não pare – pediu em tom de súplica.
-Oh Hermione, eu não pararia! – ele beijou-a, agarrando seus cabelos com ambas as mãos e investindo em sua intimidade com calma, porém com veemência.
Do outro lado da porta Gina estava ficando desesperada, ainda mais quando a visita tirou a capa que vestia na sala. Ela abafou um grito, e voltou a bater na porta desesperadamente:
-Rony, Jesus amado, meu irmão! Venha logo!
O desespero em sua voz o alertou de algo errado e teve que parar.
-Me espere – ele avisou, se afastando.
Hermione não acreditou que isso estivesse acontecendo de novo! Fúria cresceu, e ela pensou seriamente em arrastar Gina de volta para casa pelos cabelos! Quanta inconveniência!
Sentindo um ardor entre as pernas ela sentou-se na cama, olhando para ele se vestir.
-Quero ir com você – ela pediu, e ele entendeu.
A ajudou a se levantar e depois que se vestiu, fechou seu vestido, parando para beijá-la nos lábios entreabertos, ao notar seu vermelhão. Colheu-a em um abraço quase tirando seus pés do chão, soprando em seu ouvido uma doce promessa:
-Essa noite, nada nos afastará.
Era a promessa de um homem obstinado e ela sorriu.
Rony estava começando a se acostumar com sorrisos. Ela sorria para ele com certa freqüência, e esse tipo de sorriso era novo, era um riso alegre. Feliz.
Segurando sua mão, ambos saíram do quarto, e Gina olhou-os com surpresa pelas mãos dadas e ao mesmo tempo horror.
-O que aconteceu? – ele perguntou irritado com a irmã menor.
-Sua visita... Harry... Está fazendo às vezes de anfitrião... – ela estava tão insegura e corada que Hermione duvidou do que seria.
Aflito por achar ser outro problema Rony avançou, soltando sua mão para não arrastá-la com ele.
Logo atrás dele, Hermione chegou à sala, a tempo de ver Harry sentado em uma poltrona, e no sofá uma mulher loura, muito bem penteada e vestida, com as roupas mais lindas e caras que Hermione já vira em sua jovem vida. Ela ergueu o rosto apreensivo na direção deles e seu rosto se iluminou no instante em que viu Rony, levantando-se com destreza inacreditável para seu estado, e atirando-se em seus braços:
-Oh, Rony, meu amor! - ela irrompeu em prato – Minha vida! Achei que nunca o encontraria!
Rony não retribuiu a saudação olhando para Harry por cima de seu ombro. Não retribuiu o abraço, surpreso demais para afastá-la.
E quando a moça afastou-se o suficiente para olhá-la, a surpresa foi tamanha ao ver seu estado, que não a impediu. Por isso, Lavander Brown sua ex-amante o beijou bem no meio de sua sala.
Autora: Bem que a Hermione merecia essa!!! hehe
Beta: Pobre Hermione, a Marja adora maltratá-la!!!