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39. COLOCANDO A CABEÇA NO LUGAR


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 39 – COLOCANDO A CABEÇA NO LUGAR


 


 


 


 


 


 


Rony praticamente correu para casa. Eram quase dez da manhã e pelas suas contas, Hermione deveria estar despertando. Iria lhe dar um banho, por isso tanta presa. Era um cretino, mas não podia evitar a ansiedade.


Cruzou com Juanita e apressou-se para dentro da casa. Esperava ter a oportunidade de acordá-la. Quem sabe com um suave beijo de bom dia? Não, ainda não, seus lábios estavam machucados ainda.


Desejou não ser tão bruto e ter se lembrado de trazer uma flor. Sim, poderia ter apanhado um ramalhete de flores do belo jardim que sua mãe mantinha! Mas na pressa de deixar o trabalho e vir para casa, esquecera.


E se pensasse bem, Hermione poderia achar demais. Não sabia se ela gostava de flores. Sabia que apesar de desmerecê-lo, ela usava as louças que lhe comprara. E usava as roupas de baixo, mais isso não era mérito, estava doente e não conseguia gritar com as feridas em seu rosto.


Se bem, que se ela quisesse gritar, tinha certeza que o faria!


Nada era capaz de barrar-lhe a passagem quando Hermione estava decidida a passar!


Ele respirou fundo antes de abrir a porta do quarto. A casa estava silenciosa e a primeira coisa que viu, foi que ela lia um livro. Recostada contra os travesseiros, lia calmamente.


A segunda coisa que notou, foram seus cabelos molhados, penteados para trás, longe da face. E a terceira coisa que notou, foi Gina arrumando uma pilha de roupas.


-O que faz aqui, Rony? – ela perguntou sem entender – Não deveria estar trabalhando?


-Sim... Mas achei que daria banho em Hermione, como fiz ontem.


Havia tanta decepção em sua voz, que era impossível não notar. Gina olhou de um para o outro, e então respondeu:


-Um homem não deve banhar sua esposa. É... Amoral que faça isso! Além do mais, tem uma empregada e também estou aqui. Não há porque abandonar o trabalho por causa disso!


-Gina, não fale nesse tom comigo – ele repreendeu, mas sem muita autoridade.


O belo nariz arrebitado de sua apimentada irmã se elevou e ela revirou os olhos, sabendo que não poderia freá-la, por mais que desejasse.


-Desculpe meu irmão – eram as desculpas mais falsas que já ouvira na vida.


-Está desculpada - aproximou-se e beijou a irmã, aproveitando para despentear os cabelos cuidadosamente cuidados e penteados.


-Oh, não faça isso! – ela reclamou, correndo para o espelho enquanto ele a deixava, com um sorriso e se aproximava da cama.


-Bom dia, Hermione.


-Bom dia, Rony – ela respondeu, abandonando a leitura e olhando para ele.


Havia mais em seu olhar, uma coisa diferente. Um desafio. Ele gostou de saber que estava melhor, pois a fragilidade não lhe caia bem. Preferia penar nas mãos de Hermione, desde que ela estivesse consistente e forte como era seu normal. Tinha medo de vê-la desabar e não ser capaz de ampará-la.


E descobrira nesses últimos dois dias, que precisava dela ao seu lado. E precisava muito!


-Não me esperou – ele disse baixinho, pois Gina velava a conversa, impedindo-os de falar mais abertamente.


-Sinto muito – era mentira, ele pensou.


-Eu deveria saber que não a pegaria desprevenida para sempre – ele reclamou, beijando sua testa e olhando para seu olho roxo. Analisou os cortes no lábio, e os arranhões e os achou menos feios que ontem. – Como está o ombro e a perna?


-Consegui mexer o braço sem tanta dor – havia quase um traço de alegria na voz – Mas ainda não consegui dobrar as pernas. – ela disse pensativa – não consigo mover a perna sã... O médico não disse se isso é normal também?


Uma sombra cruzou os olhos azuis e ele desviou o olhar para suas pernas, cobertas pela manta e tentou sorrir.


-Ele disse que precisa de repouso – escapou da resposta – Gina, porque não faz uma massagem? Uma boa massagem deve ajudar a circulação do sangue nas pernas de Hermione.


Gina iria negar, mas algo em seu olhar a fez mudar de idéia. Havia um traço de desespero, e ela olhou para Hermione achando que tinha mais do que preocupação exacerbada.


-Preciso voltar ao trabalho, já que Hermione conseguiu me enganar - tentou fazer graça, apanhando sua mão e beijando os dedos.


-Tenha um bom trabalho, meu irmão – Gina disse meiga, e ele sorriu.


Era momentos como esse que enganavam os olhos de um homem, pensou. Uma face angelical, olhos azuis como o céu, e cabelos lisos e brilhantes, um conjunto capaz de cegar os olhos de um homem, ainda mais quando a voz era suave e o sorriso meigo. Mas Gina não era meiga. Era uma fera. Manhosa sim, mas também, muito arisca.


Pobre, Harry. Estava começando a ter pena da enrascada em que colocaria o amigo. Mas se a sua própria enrascada era uma dica, poderia dizer que Harry seria um homem muito feliz. E nada entediado. Embora, pudesse às vezes se pegar pisando em ovos!


Esses pensamentos eram agradáveis, mas não subjugavam outros pensamentos mais profundos. Sentia medo.


Medo de pensar no que aguardava em suas vidas, caso Hermione ficasse permanentemente ferida. Não podia aceitar tal coisa, ou sequer aceitar esse pensamento!


Voltou ao trabalho para esquecer. Para impedir-se de pensar sobre isso, e também, para descontar no esforço braçal todo o medo e frustração!


 


............................................................................


 


Gina lia o livro sem vontade. Hermione dormia calmamente na cama, mas ela não conseguia parar de pensar. Rony escondia alguma coisa.


Fazia pouco tempo que reencontrara seu irmão, mas como os demais, era transparente e sua alma estava em seus olhos. E ver medo e dor, quando deveria haver alegria em ver a mulher se recuperando, era algo preocupante.


Talvez estivesse feliz com o pensamento de enviuvar, decepcionando-se com sua boa recuperação.


Não.


Esse pensamento não condizia com o homem desesperado que fora buscar-lhe em casa, para ajudar a cuidar da mulher.  Muito menos condizia com o homem honesto e íntegro que seu irmão se apresentara ser.


Intrigada, ela abandonou a leitura aproximando-se da janela aberta, admirando a paisagem. Por ficar em uma área privilegiada com o bosque e o lago perto, o ar naquelas bandas era mais ameno. Menos quente. Menos seco. Era agradável.


Suspirando, pensou no amigo de seu irmão. Estava ansiosa pela sua chegada. Conhecia Harry Potter a muitos anos, de ouvir falar e de seus sonhos também. Sorriu.


Seu irmão sempre escrevia sobre ele, e suas aventuras a seu lado. Castigos no internato, passeios, dramas. E desde que aprendera a ler, ela devorava aquelas cartas, lendo e relendo, adorando saber o que Harry Potter fazia ou deixava de fazer. Tornara-se para ela um distante sonho e surpreendia-se de Hermione não se lembrar do quanto falara sobre ele, dia após dia, exaltando as qualidades que apenas supunha ter.


Era encantada por um homem que só existia em suas fantasias, mesmo assim, era um cálido sonho que parecia possível de realizar-se, agora que Rony o traria ali!


Ansiosa, não notou que Hermione havia acordado.


-Parece sonhadora – ela sussurrou da cama, sem se mexer de entre os lençóis, apenas olhando para sua etérea imagem exaltada pela luz do dia que a banhava pela janela.


-Penso em Harry - confessou, esquecendo momentamente a mágoa pela amiga.


-Nunca se viram Ginerva. – lembrou-a desse ‘detalhe’.


-Sim, mas iremos nos ver – sorriu sonhadora – Papai está ansioso para que as obras dessa casa fiquem prontas antes que Harry chegue!


-É certo um pai lançar a filha aos braços de um estranho? – Hermione perguntou surpresa.


-Sim, quando a segunda opção é vê-la casada com algum peão beberrão! – suspirou – Meu pai tem medo que fique solteirona por falta de boas opções, e se Rony garante que seu amigo é um bom partido... Papai não quer perder a oportunidade!


Hermione sabia que quando dizia ‘papai’ não se referia a Artur, mas sim, a ela mesma.


-Diga-me uma cosia Hermione - ela falou após um pequeno momento de hesitação. – Como é... Como é a vida de casada?


-Seu irmão e eu não somos casados. Temos um acordo – foi sincera.


-Sim, mesmo assim, Rony contou que vocês são um casal. – ela confidenciou notando a ex-amiga ficar escarlate de constrangimento. – Contou também que está feliz com esse casamento, o que me faz querer saber como é a vida de casada!


Gina não tinha pena dela, pensou. Queria vê-la ofendida e humilhada. Embora, admitisse que não se sentia assim. Ser esposa de Rony não era causa de vergonha e se surpreendia por esse tipo de conclusão!


-Não quero falar sobre isso – ela decidiu ser má com Gina, do mesmo modo que era.


Sabia quanto sua amiga ruiva era curiosa e isso a mataria!


-Ora, Hermione! Não seja malvada! Sabe que minha mãe jamais me contaria os detalhes ultrajantes! Quer que seja ignorante na minha noite de núpcias?


-Sim, é exatamente o que desejo.


Gina mediu forças com ela, mas por fim, conteve o ato de implorar e fechou-se em sua irritação. Hermione teria rido se não estivesse tão dolorida.


Gina era terrível, e terrível era também a falta que sentira de sua amiga! Falta da sua voz, das suas atitudes mimadas e intempestivas. Até mesmo de sua crueldade crua. Gina era desbocada e falava tudo que pensava! Certa ou errada, ela afiava as garras e arranhava para valer!


No entanto, era mais divertido quando assistia, e não quando era o alvo!


-Quer um pouco de água? – Gina perguntou lembrando-se das ordens de Rony sobre enfiar-lhe comida goela baixo!


-Sim... - arregalou os olhos quando a água veio acompanhada de leite, pão macio, e biscoitos. – Não tenho fome.


-E quem se importa? – Gina fingiu indiferença, cortando o pão em pedaços mínimos, para que pudesse comer sem se ferir ainda mais.  – Já disse, tenho que obedecer meu irmão.


-Espero que Harry seja bem feio – Hermione grunhiu antes de engolir o maldito pão.


Gina teria rido, mas não queria dar o braço a torcer. Ela não gostava mais de Hermione! E parte disso, era não achar graça de seu costumeiro mau humor e de sua acidez natural!


 


 


............................................................................


 


 


-O que está acontecendo?


Rony perguntou tão logo pôs os pés dentro da casa. Juanita lavava os pratos calmamente como se não ouvisse os gritos vindos do quarto.


-Sua irmã conseguiu o que desejava – Juanita disse satisfeita – Alguém finalmente perdeu a calma com ela!


Rony não deu atenção e correu para o quarto.


Pela porta aberta avistou Gina de pé, vermelha, esbravejando. Hermione tinha a face ainda mais enrugada, pela dor e pela raiva.


-O que está fazendo, Ginerva? - ele entrou, agarrando seu braço e tentando tirá-la do quarto.


-Foi ela quem começou! – Gina gritou empurrando-o e se soltando. Ela estava quase chorando, mas ele sabia que por trás disso, não havia raiva, mas sim tristeza – Foi ela!


-Acalme-se! – ele mandou, mas Gina afastou-se, limpando as faces e olhando para Hermione com ódio.


-Eu a odeio! – ela esbravejou.


-Cala a boca, Ginerva! – havia mais que ordem em sua voz, havia raiva – sou seu irmão, tem que me respeitar!


-Respeitar? Casou-se com uma louca e quer respeito?


-Eu mandei calar a boca! – ele perdeu a calma, tentando arrastá-la para fora do quarto, mas ela bateu pé e soltou-se.


-NÃO! NÃO PODE ME CALAR! DIGO APENAS O QUE TODOS PENSAM! HERMIONE É LOUCA! INTRATÁVEL! CRUEL! É UMA PENA QUE NÃO TENHA MORRIDO!


Nem bem terminou de proferir essas palavras, a mão de Rony caiu sobre seu rosto. Era a primeira vez na vida que batia em uma mulher e era a primeira vez na vida que Gina apanhava.


Chocada, ela deu um passo para trás, as lágrimas correndo, o pranto irrompendo.


-Oh meu Deus, Gina! – ele não acreditou no que havia feito. Tentou abraçá-la, mas Gina tentou se afastar, não conseguindo – Me perdoe, irmã. Não queria fazer isso, lhe juro! Não queria feri-la!


Gina se deixou abraçar, chorando.


-Eu me descontrolei... Por favor, me perdoe. – estava horrorizado com a própria atitude, ainda mais com a tempestade de emoções que o corriam da cabeça aos pés, ainda sob o impacto das palavras da irmã. A idéia de Hermione morrer, o fez perder a cabeça.


Estava no limite há dois dias, mas Gina não tinha culpa disso.


-Por favor, irmã, diga que me perdoa. – implorou novamente, acariciando seus cabelos, culpado.


Gina não respondeu, e Rony afastou-se, segurando seu rosto entre as mãos e forçando-a olhar para ele:


-Não pode dizer essas coisas Gina, e esperar que não cause emoção. Não pode rogar a morte de alguém, e esperar que não cause revolta. Não deveria bater, nunca deveria bater em uma mulher, mas não posso ouvir esse tipo de coisa e ignorar. Tirou-me do sério, mas estou arrependido. Por favor, diga que me perdoa.


-Não quero que Hermione morra... – ela balbuciou entre o choro, abraçando o irmão – Porque me sinto assim?


-Porque é jovem e está magoada – ele olhou para a irmã com afeição – Peça o que quiser Gina, eu lhe dou; apenas me deixe reconquistar sua afeição!


Gina afastou-se dele, muito magoada, e não olhou para Hermione. Apanhar era algo doloroso não apenas fisicamente. Era algo horrível. Estar frágil diante de um homem.


-Vou contar para o papai desse tapa – ela ameaçou.


-E vai contar também que roga pragas para a minha família? – ele surpreendeu-a com essa pergunta – Vai ter coragem de dizer a nosso pai que é cruel o bastante para desejar ver minha família destruída?


-Ela não é sua família! – argumentou fracamente.


-Sim, é. A escolha foi minha, e espero que respeite isso.  É imperdoável o que fiz, mas não se esconda atrás do fato de ser mulher para esconder o que você fez!


-Eu... – Gina pareceu entender a dimensão do que fizera ao olhar para a expressão do irmão.


Orgulhosa, olhou para Hermione, que estava chocada demais para se manifestar e então, olhou de volta para o irmão.


-... Podemos falar em particular meu irmão?


Rony olhou para Hermione, mas ela não os olhava. Fitava a colchão sobre a cama com demasiado interesse.


Na sala, longe dos ouvidos de Hermione, Gina virou-se para o irmão.


-Não me bateria se não houvesse dito mais que uma praga. – era uma verdade – O que o faz tão sensível? O que tem Hermione que o deixa tão nervoso? Diga-me!


Rony engoliu em seco, olhando para a determinação da irmã.


-Não saberei o tamanho do dano, até ver Hermione andar novamente - ele contou, sentindo agora isso ser verdade. Não era apenas um pensamento. Era uma espera.


-Oh, Deus! – Gina cobriu os lábios assustada e esqueceu-se de tudo. A briga, a razão para brigar com ela! – Hermione sabe?


-Não – ele baixou o rosto, sentindo-se pequeno. Miserável. – Não contei ainda.


-Não conte - ela apressou-se a dizer – Hermione sempre pensa nas coisas ruins antes das boas! Não conte! É apenas uma possibilidade... Talvez não aconteça.


-Eu sei – ele estendeu a mão em sua direção – Me perdoe Gina.


Ela maneou a cabeça, abraçando-o.


-Eu que peço perdão... Se soubesse!


-Porque brigavam? – ele perguntou agora que se sentia perdoado.


-Hermione se recusa a contar sobre a noite de núpcias! – ela confessou, sem nem ao menos corar – Como posso me casar se não sei o que acontece?!


Rony sorriu, apesar dos olhos cheios de lágrimas, ele sorriu. Sua irmã era uma alegria.


-Prometo convence-la a contar.


-Faria isso por mim? – ela perguntou em expectativa.


-É isso, ou eu mesmo contar – ele disse e ela riu suavemente.


Um riso triste, mas já era um riso.


 


 


 


Beta: Que fofo os dois, e que medo pela Mione!


 


AUTORA: minha beta está tranquilex, porque sabe como continua...hehe... Gina é uma megerinha, mas não é má. Apenas mimada, mas digamos, que terá sua oportunidade de amadurecer...


Capitulo do dia 10/12. Gente, não fiquem de madrugada esperando!!! Eu estou colocando tarde, porque é a hora que aqui a internet fica boa, e assim, todo dia tem cap novo. Agora, se lerem durante a noite perde a graça....hehe. Alem disso dormir pouco dá rugas (e o que eu estou fazendo aqui acordada???????????????)


 


Beijos!!!!


 




 

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