CAPITULO 31 – TENSÃO!
A primeira coisa que ele pensou ao acordar era que estava ficando completamente louco. Não havia outra resposta. Depois da noite anterior, ele passara toda a noite perdido em sonhos com seu amigo Harry Potter.
Movendo-se na cama, ele sorriu, imaginando a cara que seu amigo não faria se soubesse que povoava seus sonhos. Eram sonhos confusos, onde via Harry em algumas situações que viveram no internato.
Tentou lembrar-se do dia anterior, se havia pensando em Harry, ou falado dele, pois, normalmente sonhos refletem nossas lembranças e pensamentos do dia anterior.
Nu, ele sentiu os lençóis em volta dele e chutou-os para longe. Passou ambas as mãos pelo rosto querendo afastar o sono, e abriu os olhos.
Hermione estava quase terminando de vestir-se quando ele acordou. Ficou imóvel, pega de surpresa por seu sorriso, e pela súbita visão de sua nudez. Confessava, ainda não tinha visto seu corpo sem ser no ato de cópula, e era tão belo quanto em estado excitado.
Corada por ter esse tipo de pensamento, virou-se de costas e começou a abotoar o vestido, sabendo que não conseguiria sair antes de um confronto visto que ele estava acordado.
Tentando aparentar a mais completa calma, esperou.
Rony sentou-se na cama, olhando para ela, e esqueceu completamente os sonhos confusos com seu melhor amigo, lembrando-se da noite passada. A megera estava vestida e pronta para fugir dele. Era de se esperar.
Bem, na verdade, era de se surpreender que não o houvesse assassinado enquanto dormia. Sorriu ao lembrar que bem que ela tentara fazer isso, apontando a arma em sua direção. A bendita pistola estava na mesinha ao lado da cama, e ele apanhou conferindo que estava sem as balas. Havia tido a idéia de tirá-las de lá, e pedira ao menino Duran que entrasse no quarto as escondidas de sua mãe e fizesse esse serviço por ele.
Não era tão louco a ponto de afrontá-la com uma arma nas mãos!
Maneando a cabeça, ele deixou a arma no mesmo lugar que estava antes, e olhou para ela novamente. Hermione prendia os cabelos, e ele desejou ordenar-lhe que não o fizesse. Queria vê-los soltos, e abraçá-la, apenas pelo pequeno prazer de enterrar o rosto em seus perfumados cabelos crespos.
Subitamente, ele franziu a testa ao perceber que nunca a tivera em um abraço espontâneo, um que não fosse ao enlevo da paixão, quando ruía sua indiferença.
Não era homem de contentar-se com tão pouco.
Pretendia reclamar disso e exigir que ela repensasse sua postura, quando ela virou-se e tencionou sair do quarto.
Mesmo que não olhasse para ele, Rony pode ver suas olheiras e as marcas vívidas do choro. Foi como levar um poderoso soco.
Havia despencado exausto e não lhe dera atenção necessária. E sua Hermione estivera chorando por sua causa! Pela forma que a tratara.
A culpa o fez baixar os olhos quando ela o notou olhar. Vergonha. Como homem, sentia vergonha de ter causado sofrimento a sua mulher.
Engolindo em seco, sentiu-se o pior dos homens. Uma coisa era achar que estaria forçando algo que Hermione também desejava, apenas era turrona demais para admitir, outra bem diferente, é saber e ver o quanto a magoava e usava de seus sentimentos.
Ela não gostava dele. Era fato. Sentir desejo físico a fazia sofrer. E sofrer por não o desejar. Ponto. Não iria mais insistir.
Derrotado, deixou-a sair do quarto, sem falar nada.
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Desconcertada, ela saiu do quarto. Havia dado-lhe tempo para abordá-la. Todo o tempo do mundo para interceptá-la! Mas nada, ele a deixara sair sem vontade de conversar com ela.
E o que esperava? Havia apontado uma arma para ele em meio ao...! Deus! Ela parou no corredor, e cobriu o rosto com as mãos, inconformada ao lembrar-se de sua loucura! Havia apontando a arma para o peito de seu marido, enquanto ele apenas a possuía, como era seu direito, e até mesmo dever!
Horrorizada disse a si mesma que precisava de tempo. Havia chorado durante toda a noite, e sentia o corpo moído, do cansaço e do choro.
-Bom dia, Hermione.
A voz animada de Juanita logo cedinho a irritou. Não queria ver seu sorriso de mulher feliz e amada. Não queria mesmo!
-Aqui, tome. Seu chá – ela disse olhando em volta como se tivesse medo que a ouvissem.
Hermione não pediu explicações e apressou-se a apanhar a xícara.
-Oh, não! Esse não! – Juanita riu, tirando a xícara de suas mãos – a outra xícara.
Tinha duas sobre a mesa e Hermione bebeu seu chá avidamente, desesperadamente rezando que fizesse efeito. Não queria e não podia engravidar!
-O que é isso? – Apontou a outra xícara e Juanita riu baixo e maliciosa.
-É para Suarez – Ela tornou a sorrir, olhando-a com zombaria.
-Ele está doente? – Pensou se não teria pegado a doença de seu enteado, o pequeno menino que ardera em febre por dias!
-Não, mas eu estou – Vendo que não entendia, ela riu baixo – Suarez é um homem velho; não tem a vitalidade de seu marido, por isso, às vezes... Preciso de mais – Notando seus olhos se arregalarem, percebeu que agora, ela entendia quando se referia a esses assuntos – Um incentivo, para que ele de conta de me satisfazer!
-Juanita! - Ela criticou, tentando não sorrir de sua expressão maliciosa.
-É só um chá. Aprendi no saloon. O fará arder essa noite! Pois levanta até defunto!
Mesmo sem querer, Hermione sorriu, e quase riu. Juanita deu uma gostosa gargalhada e ela acabou acompanhando-a.
Isso foi à gota d’água, pensou Rony, vendo-a rir com Juanita. Ao seu lado, chorava. Ao lado dos empregados ria.
Sem um único bom dia ele passou por ambas, e bateu a porta atrás de si.
Hermione era capaz de sorrir para o próprio demônio, menos para ele! Furioso, ele desejava poder bater em alguma coisa para aliviar toda a raiva e frustração.
Seus sorrisos, ele pensou. Queria tanto seu sorriso, tinha seus gemidos, seu corpo contorcido de prazer, mas não tinha seus sorrisos. Era incapaz de fazê-la sorrir!
A única certeza era que de todas as mulheres do mundo, aquela era a única que não o suportava!
Contrariando a razão ele dirigiu-se ao campo, para o trabalho, desejando ser esse seu único pensamento e sua única preocupação, como era até pouco tempo atrás, quando a única coisa que desejava era se estabelecer perto da sua família!
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Hermione esperou o café da manhã e esperou ele estar longe para sair da casa e ir ao lago. Ficaria ali até sentir-se capaz de enfrentá-lo novamente. Havia esquecido de apanhar um livro, mas não se importou, pois se achava incapaz de concentrar-se na leitura. Sua mente estava ocupada em pensamentos tolos e ela se culpava por ser capaz de esquecer tão rápido de sua vida anterior a chegada de Rony.
Como podia simplesmente aproveitar? Aquela vida não era sua, deveria ter sido de Ann, sua irmã! Ela sim teria um marido como Rony e desfrutaria de todas as belezas que a vida pode trazer. Hermione ainda desejava poder viver sua vida só, dedicada a cuidar de seus pais.
Ela sentiu um impulso quase incontrolável de entrar na água do lago, e mandar as ordens de Rony às favas! Ele não tinha direito de pedir nada, depois da forma como havia a encurralado na noite anterior! Apesar disso, ela refreou o impulso e ficou olhando para o lado, sem ânimo para enfrentar os desafios de provocá-lo.
Ficou por várias horas, sentada, aproveitando a paz e o silêncio, até ouvir o som de cascos. Um pouco sobressaltada, olhou em volta, até notar que era alguém sobre um cavalo.
Uma linda égua branca, com crina marrom, quase dourado. Sobre a cela, uma linda moça ruiva olhava para ela com rancor. Hermione conhecia muito bem aquela doce jovem que a esnobava.
Ginerva Wesley fora sua melhor amiga desde o dia que saíra de seu berço! Unidas como irmãs, viviam juntas, inclusive em longas tardes de brincadeiras no lago. Aprendera a nadar junto com ela e seus irmãos. Não convivera com Rony, pois ele fora embora quando ela era apenas uma criança de três anos, e Gina tinha quase a mesma idade que ela.
Gina vestia um lindo vestido verde, com muitos detalhes e bordados, e ela lembrou-se de como a Sra.Wesley, ou melhor, Molly Wesley era ótima com a costura. Deveria tomar cuidado, pois agora, ela também era uma Sra.Wesley
Um súbito arrepio a percorreu ao lembrar-se da noite passada e de como ele a tomara como esposa, nas duas vezes em que estivera sobre seu corpo!
Seu coração estava descompassado e esperou que ela se aproximasse num trote lento.
-Olá, Hermione.
Ela disse com amargura, e era sempre esse seu tom quando ambas se encontravam. Sabia que no fundo Gina nunca a perdoara por ter deixado sua amizade. Ela mesma sentia muita falta de sua amiga ruiva e apimentada. Muita falta! Tanta, que não pensava nisso, ou desmoronaria!
Mas nunca tivera oportunidade antes de contar a ela.
Quando seu irmão morrera, e seu pai a colocara a frente da fazenda, soube que deveria se afastar de Gina, afinal, elas eram a sombra uma da outra, e não queria levar Gina pelo caminho que trilhava.
Andava em locais onde homens de todos os tipos circulavam, e nunca sabia se voltaria para casa viva, ou intocada. Fazia negócios, discutia preços, e era um milagre nunca ter sido abusada ou ferida, pois muitas vezes passaram por apertos frente a agregados bêbados e violentos.
Então, como poderia levar Gina consigo?
Era melhor que ela a odiasse, a odiar sua família, pois tinha certeza que os Wesley logo as afastaria. E não poderia culpá-los, por isso, ela mesma tomara a iniciativa!
-Olá, Ginerva – Disse em tom rouco, pois havia chorado muito a noite passada e sentia a garganta dolorida.
-Lindo dia para um passeio, não é? – Ela ironizou olhando em volta e então pousando os olhos azuis sobre ela – Meu irmão me deu permissão para entrar em sua fazenda sempre que eu desejar! Espero que não se importe, afinal, agora as terras são dele!
Hermione se controlou para não responder a altura, mas sabia que Gina não tinha amadurecido nem um décimo do que ela amadurecera. Não poderia culpá-la por ser apenas um moça ingênua e sentimental. Na verdade, deveria parabenizá-la e esperar que a vida a conservasse desse modo até o dia que tivesse realmente que crescer e amadurecer.
-Fique a vontade. Sempre foi bem vinda nas minhas terras – Ela disse sem rancor, levantando-se e ficando mais próxima, para tocar no cavalo.
Amava cavalos, e nunca tivera oportunidade de ter um animal tão vistoso e bem cuidado, de raça tão importante.
-É mesmo? Lembro-me de ter me proibido de avançar pela cerca!
Ela disse incapaz de conter a acidez.
Hermione lembrava-se desse dia, quando a mandara embora de suas terras.
-Foi há muito tempo, já havia esquecido – Disse, não querendo brigar com ela.
-Engraçado, eu não esqueci! - Ela disse séria e Hermione sorriu para a antiga amiga.
-Sempre foi rancorosa, também me lembro disso – Ela sorriu ainda mais quando Gina avermelhou e olhou para ela com ódio mortal.
-Disse a meu irmão, que era contra esse casamento, mas ele não me ouviu! – Ela disse em represaria e isso a feriu.
Gina sabia exatamente quem ela era. Havia apenas ela no mundo, que poderia dizer quem era a verdadeira Hermione, ou ao menos, quem ela fora um dia. As outras pessoas que a conheciam estavam mortas. Talvez por isso tenha doido tanto ouvir isso.
Afastou-se do cavalo e olhou para o lago, tensa, a voz presa na garganta.
-Espero que tenha um bom passeio.
Deu-lhe as costas e começou a andar para longe. Não queria mais chorar. A noite passada havia sido o suficiente para uma vida toda!
-Como sempre, vira as costas e vai embora! – Gina gritou se aproximando, pois tinha descido do cavalo.
Hermione parou e virou-se para ela, tentando não perder a razão e agir do mesmo modo que ela.
-Não estou virando as costas para você. Estou permitindo que prossiga seu passeio sem minha interferência, uma vez que parece não me suportar!
-E não suporto mesmo! Rony disse que está feliz, e minha mãe age como se acreditasse, mas eu sei que é mentira! E vou deixar bem claro, espero que ele te abandone assim que tiverem a prova desse casamento ser verdadeiro!
-Que prova? - Ela perguntou sem compreender.
-Ora! Vi quando meu pai falou a Rony, que com um filho, teriam a prova e viveriam em paz! Ou você acha que meu irmão gosta de você?
Ela sentiu as pernas lhe faltarem, e achou que fosse desmaiar. Tanto interesse, tanto desejo... era tudo mentira.
Subitamente, uma lembrança a fez sufocar a dor e perguntar:
-Quando seu pai disse isso?
-Ontem – Ela respondeu rápido demais.
-Ontem Rony esteve todo o dia com Suarez, cuidando do gado - Ela disse, pois Juanita lhe contara.
Pega no flagra em sua mentira, Gina avermelhou e subiu em seu cavalo.
-Espero que meu irmão logo caia em si e tome consciência da besteira que fez se casando com você!
Hermione não se deu ao trabalho de responder.
Observou-a galopar para longe, e pensou em como Gina havia crescido e ficado bonita. Ácida quando se dirigia a ela, mesmo assim, uma linda jovem. Rony tinha razão ao querer que seu amigo viesse de Londres conhecê-la. Seria praticamente impossível não se apaixonar por ela.
Sorriu, pensando na sorte que Gina tinha e não se dava conta!
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Seu passeio se prolongou pela manhã, e quando ela voltou para almoçar, os empregados já haviam almoçado e voltado para o trabalho. Inclusive, Rony levara Ford para conhecer os limites da propriedade e a velha viúva estivera na casa de Juanita, conversando com ela sobre assuntos que Hermione ainda não sabia quais eram.
A casa estava vazia e por isso ninguém a viu. Ela apanhou uma maçã, e chamou Duran para passear com ela. Não queria ficar sozinha, e o menino lhe faria companhia. Ele e seu irmão, o pequeno Ruizito, tão branquinho e de olhos tão claros quanto suas sobrancelhas muito loirinhas e seu cabelo que mais lembrava ouro puro. Eles andaram um pouco e Hermione parou ao lado deles para observar as ovelhas do outro lado do cercado, na propriedade Wesley, de Arthur e Molly Wesley.
Os meninos eram acostumados à privação e não reclamaram quando ela disse que não iriam se aproximar, mas, no entanto, não resistiu a permitir que eles subissem em algumas árvores e apanhassem algumas frutas silvestres.
Os meninos lhe faziam companhia e ela esqueceu-se dos problemas até o meio da tarde. Eles voltaram com as mãos e as camisetas cheias de frutas, e Hermione mastigava o pedaço de uma laranja quando ouviu as vozes alteradas.
Suarez estava dando bronca em um empregado e humilde o rapaz baixava a cabeça. Rony tinha razão, Suarez era um homem especial e de confiança. Era mirrado e parecia fraco, mas crescia quando se dispunha a fazer valer sua vontade.
Ele tinha um pulso forte e era respeitado, por se fazer respeitar.
Os meninos ficaram ali observando o padrasto lidar com a situação e ela voltou sozinha o resto do caminho, terminando sua laranja e pensando em coisas mais agradáveis.
Era estranho, mas com os dias passando, ela achava cada vez mais difícil se lamentar.
Sorriu vendo Juanita mexendo e fuçando naquele estranho modo de se banhar que Rony inventara. Ela olhava tudo e parecia muito, mas muito interessada.
-Céus, Hermione, onde esteve o dia todo? - Ela perguntou assim que a viu, e se não tivesse melhorado o humor, com certeza, Hermione a teria lembrado que era apenas uma empregada e não sua dona – Pois saiba que seu marido está com um humor insuportável! Esteve duas vezes em casa com uma desculpa qualquer, mas sei que estava atrás de você e quando não a achou, tratou-me como uma... rapariga!!!- Ela parou não querendo lembrar que já fora isso e um pouco mais!
-Não o leve a sério – Ela disse sorrindo ao pensar que ele não repetira a indiferença do dia anterior. Não resistira a xeretar!
-Não levo, mas sua visita sim! Ele conseguiu irritar o velho Ford e agora, eles estão oficialmente se estranhando.
Hermione não quis se meter, mas subitamente parou, olhando para ela e ficando um pouco chocada ao dar-se conta de algo.
-Juanita... Seu marido não havia ido à cidade? Quando voltou?
-Suarez... – Ela parou o que fazia e corou pega no flagra – Suarez não foi à cidade.
-Como não? – Sua face ficou pálida como gesso.
-Hum... – Juanita afastou o olhar, sabendo que aquilo não iria prestar! – Seu marido mandou outro empregado... É isso.
-Ele disse que enviou Suarez! – Elevou a voz, sentindo a verdade cair em sua cabeça como uma bomba.
-Deve ter se confundido com os nomes... – Ela não olhava para Hermione e isso era o mesmo que admitir sua mentira, visto que Juanita sempre olhava nos olhos!
Juanita olhou para ela e sua expressão e soube que não a convenceria. Suspirou e pôs ambas as mãos em sua farta cintura, olhando para a patroa com exasperação.
-Certo, ele mentiu. Mandou um dos empregados no lugar de Suarez, por que... porque precisava dele aqui. Foi isso.
-Não poderia abrir mão de Suarez por um dia? – Havia ironia em sua voz.
-Hermione, seu marido me manda embora se souber que Suarez tem-me contato suas conversas e que eu estou contando a você! Pense nos meus filhos antes de contar a ele! – Ela disse nervosa.
-Minha boca é um túmulo! – Ela assegurou, decidida que não precisava ouvir para entender. Já sabia exatamente o que ele quisera fazer com essa atitude!
-Ele deu ordens para que o rapaz fique na cidade por alguns dias. E que só volte semana que vem, com uma desculpa qualquer. Tenho a impressão que ele quer... Manter o velho Ford aqui por mais tempo – Ela tinha uma expressão de quem sabia à razão, mas achava melhor não contar.
-Ele não tem o menor senso de respeito por mim – Ela disse a si mesma e quando notou que Juanita ouvia e entendia, ela corou.
-Hermione, ele é seu marido!
-Oh, sim, ele é meu marido – A raiva a sufocou e teve que fechar os olhos para não gritar.
Rony, que ouvia a conversa das duas, estava imóvel, esperando sua explosão.
Há alguns minutos a vira se aproximar da fazenda na companhia dos dois meninos e a seguira, querendo pega-la sozinha e descontar nela a frustração de não a ter visto o dia todo. Mas ela avisou Juanita e Suarez e Rony achou melhor esperar e ver o que se passaria.
Fora descoberto, mas ela sabia de seus planos. Manter Ford no quarto ao lado para obrigá-la a saciar essa horrível necessidade que o consumia. Agora, tinha a confirmação. E daí? Ela o detestava de qualquer forma!
-Porque não... Conversam? Ele pode ter uma forte razão para fazer isso. – Até mesmo Juanita estava insegura com essa possibilidade.
-Não se preocupe, sei suas razoes! – A fúria soltou sua língua a ponto de não ter mais volta – Ronald tenta compensar o fato de não ser homem o bastante para mim, usando a presença de Ford para me subjugar! É apenas esse intento! Pois quando esse abutre for embora, não o aceitarei em meu quarto, nem mesmo sob tortura!
Suas palavras pesaram entre as duas, mas Juanita pode ler a mentira em sua face. Hermione era uma jovem apaixonada e as jovens apaixonadas são sempre extremistas. Seus olhos diziam mais, e ela lia perfeitamente em suas entrelinhas, por isso apenas acenou concordando, imaginando que Rony teria outras razões, e que estava enganada, sobretudo, nos encantos dele não serem suficientes.
É claro que eram! Mas orgulhosa Hermione nunca admitiria!
-Deixemos isso de lado, Hermione – Ela disse tentando acalmá-la – Me ajude a entender como ele fez isso, para que possa fazer um para nós. Não agüento mais carregar água para os meninos!
Hermione a segiu, e ambas ficaram analisando a engenhoca com interesse.
De longe Rony sentiu o mundo ruir aos seus pés. Que grande mentirosa ela era! Quase desfalecera em seus braços de tanto prazer e para ser franco, tivera que dar tudo de si, visto o quanto prazer ela lhe exigira, e agora mentia descaradamente!
E pior, para Juanita, que tinha aquela língua comprida!
Fechando os olhos, ele conteve o ímpeto de bater nela e invadiu a casa, deixando para trás o som da porta batendo com força.
Hermione olhou na direção por onde ele avançara e sentiu o coração parar diante de sua força e presença. Juanita parou o que fazia para sorrir. Pela forma como sua patroa olhava o marido, era de imaginar o quanto o estivesse massacrando na cama.
Mas não diria isso a ela. Não mesmo!
As duas continuaram olhando a engenhoca e Hermione percebeu como era bem elaborada, bombeando água do poço ao lado da casa, diretamente para um sistema artesanal que a levava para o lugar desejado. Impressionante.
Havia muitas coisas impressionantes nele, pensou e se recriminou, arrumando as roupas e achando uma desculpa qualquer para entrar na casa antes de Juanita!
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Rony bebia um copo de água quando ela entrou e o olhou como se fosse seu inimigo, como não disse nada sobre saber de Suarez, ele também não tocou no assunto.
Era muito cedo para jantar, mas ele sentia fome, por isso, apanhou um pedaço de pão e Hermione, contrariada até os ossos, cumpriu sua parte do acordo, apanhou uma das xícaras de sobre a pia e derramou um pouco de chá e serviu a ele junto com pão e frutas.
Ele que se empanturrasse!
Os outros empregados não vinham para casa comer no meio do trabalho. Só o fracote Wesley!
Decidiu que era melhor odiá-lo do que pensar nele!
Ele comeu de pé, olhando para ela com insistência.
Detestava aquela louca, como a detestava! Longe um do outro, cada um de um lado da cozinha, poderiam massacrar um ao outro com os olhos. Apesar da raiva, não paravam de se olhar.
Desafio, sim, era um desafio, para saber qual dos dois cederia primeiro!
Ambos desistiram quando Juanita entrou na cozinha e pigarreou para chamar a atenção dos dois. Ela andou para a pia, e olhou dentro da jarra virando-se para Hermione:
-Querida, onde está o chá de Suarez?
Não entrou em detalhes, mas quando ela arregalou os olhos, e olhou para Rony ela soube.
Ele terminou de beber pedindo mais, ao que hesitante Juanita o serviu com o resto do chá, sem saber se era o certo, mas sem coragem de contar nada. Hermione parecia petrificada.
Paralisada, observou-o sorver o último gole e se afastar, para bem longe dela!
Apavorada, ela olhou para Juanita.
E agora?
AUTORA: Ah, pobrezinho, estou com tanta pena dela! Vai se catar, Hermione, com essa sorte menina, você não precisa de mais nada! É só relaxar e aproveitar! Hehehehehehehe... ah, se fosse eu....
(não deu para resistir, tive que comentar esse!)
Viram, também posso colocar uma pitada de humor nessa fic! Hehe...
N/Beta: Gente, o Rony vai pegar fogo hein, levanta até defunto, RS!
CAPITULO DO DIA 03/12.