CAPITULO 30 - ÊXTASE
A noite se anunciava com o sol caindo no poente, e Hermione olhou pela porta da cozinha que ficava sempre aberta, para permitir o acesso deles e de Juanita, esperando vê-lo se aproximar.
Um dia todo longe dela. O que esperava?
Rony sempre achava desculpas, ao menos duas ou três vezes ao dia, para vir a casa infernizar sua vida com sua presença e seus olhares desconcertantes, e hoje, não deveria ser diferente, mas fora.
Ela olhou para o chão, se perguntando como poderia ser diferente. Havia magoado e ofendido aquele homem, e ele não a perdoaria por isso!
Sentia um aperto no peito ao pensar nisso, mas não podia negar, era um passe para sua liberdade, pois quanto mais ele a detestasse, mais longe se manteria!
Quase sem perceber, pusera-se a vigiar sua volta. Ford e a Sra.Barth estavam jantando, mas ela não tinha fome. Raramente tinha fome, mas hoje, sobretudo, seu apetite desaparecera.
-A cerca está dando trabalho. – Ela ouviu Juanita dizer contrariada dentro da cozinha sendo obrigada a suportá-los, pois a anfitriã estava perdida em seus pensamentos e lamentos. – O Sr.Wesley está reconstruindo um grande trecho que cerca as terras que fazem divisa com seus familiares.
Ela ouviu Ford instigar a conversa e afastou-se, cruzando os braços e segurando o xale sobre os ombros. Estava começando a esfriar e isso queria dizer que em poucas semanas o outono chegaria. Até lá o plantio estaria terminado e o gado gordo o suficiente para ser vendido.
Conhecia todo o procedimento, mas era a primeira vez que via isso acontecer alheia a sua participação, e pior, era a primeira vez em que estava feliz em não fazer parte disso.
Fechando os olhos, ela pensou ter ouvido passos, mas teve certeza que era o pequeno Duran correndo atrás das galinhas que Juanita cuidava com tanto zelo.
Pensativa, ela lamentou a vida que tinha, lamentou não ir ver as sepulturas dos pais e da irmã, e lamentou estar ali, esperando-o. Não era necessário, disse a si mesma. Ele conhecia o caminho!
É claro que conhecia apenas não queria voltar!
Talvez, ele tivesse desistido e ido para a casa de seus pais. Talvez jantasse e dormisse lá como punição. Ou quem sabe, não se desse ao trabalho de voltar!
Com uma sensação ruim, ela olhou para o céu, que estava cada vez mais avermelhado e pesado, e achou que a noite seria terrível, como aquele anoitecer acinzentado e aquela brisa fria.
Gostaria de ter o poder de mudar tudo, nunca ter cruzado com Rony e não estar agora, com aquele peso no coração!
Homem odioso!
Não podia compreendê-lo, embora exigisse sua compreensão!
Rony parou a uma curta distância esperando para ver o que Hermione faria. Um dia todo longe dela sem que cedesse a tentação de vê-la, era quase um milagre!
Vira quando ela saíra da casa para olhar o céu, e se perguntava em que ela pensava. Hermione era o grande mistério de sua vida. Entendê-la era um desafio cada vez maior.
Agora, olhando para o nada, ele poderia romanticamente supor que estivesse preocupada com sua demora, ou sentida pela discussão de mais cedo, mas não se enganaria em vão.
Ela não o queria.
Provavelmente, estava apenas fugindo da presença de Ford.
Esse pensamento reavivou a raiva de mais cedo, quase aliviada no árduo trabalho no campo.
Sentindo-se observada, ela virou-se quando os passos tornaram-se mais próximos. Engoliu em seco, afastando o olhar, culpada, ao vê-lo se aproximar.
No mínimo, ele a sacudiria e tentaria colocar em sua mente a marra suas opiniões. Mas se pensava que estava de boa, esperando-o, estava muito enganado! Seus olhos ficaram arregalados, quando ele passou reto por ela.
Sem um único olhar. Como se não existisse.
Engolindo em seco, subitamente enfurecida, ela o seguiu. Não para falar com ele, ou vê-lo, mas ansiosa para ouvir suas explicações por tanta demora!
Não que esperasse que dissesse algo a ela, uma vez que a falsa animosidade entre eles havia finalmente ruído, mas ao menos a Ford ele se explicaria!
Calada, observou-o com olhos de fúria mal contida por ter sido ignorada. Nem um único olhar desde que chegara!
Ele sorria para Juanita e devorava seu prato, pois era um homem constantemente faminto, e adorava comer! E adorava doces, agradecendo a Juanita pela deliciosa torta de maçã, quando sabia melhor que ninguém que era ela quem fazia os doces naquela casa!
Cínico!
-Esperava ir embora ainda essa noite filho – Ford lamentou, devorando um pedaço de cordeiro.
Essa frase despertou o interesse de Hermione, principalmente quando Rony parou de comer, e olhou para ela diretamente, antes de responder com uma satisfação tão grande na voz que a desconcertou:
-Tivemos um problema com a roda da carroça. Suarez foi à cidade arrumar outra.
-Não haveria uma na fazenda de seu pai?
Sim, ela pensou. O velho estava coberto de razão!
-Infelizmente não – ele abriu um glorioso sorriso provocador, e estreitou os olhos, quando a viu sair apressada da cozinha.
Juanita não demorou a segui-la levando consigo uma bacia de água quente.
Bem, perderia seu banho, logo hoje que tinha planos para puni-la por sua mal criação. Puni-la por não gostar dele!
Sim, era o que faria!
Era irracional, porém Hermione destruía toda sua capacidade de pensar!
Levou mais de uma hora para que Ford desistisse de vencer a luta contra o vinho que Rony empurrou para ele durante todo o jantar. Era um homem fraco. Um porco. A viúva parteira logo se recolheu, pois aparentemente sua paciência em ficar ali havia se esgotado, e Rony olhou para Juanita com olhar acusador quando ficaram sozinhos, e ela não se moveu um centímetro sequer, até ter terminado a louça.
Quando finalmente a casa ficou silenciosa, ele soube que era o momento que esperava desde aquela manhã. Desde a noite passada para ser sincero. Pois depois de terem feito amor, ele ficara ainda mais desejoso de sua jovem esposa.
Dera-lhe descanso e paz, e ela o retribuíra com quatro pedras nas mãos! Virando mais um copo de vinho, ele se levantou e marchou para o quarto.
Hermione deixara a porta fechada como ele ordenara, mas aquele pesado móvel não deveria estar atrás da porta até agora. Hermione estava pedindo!
Com raiva acumulada, ele empurrou a porta com toda sua força e o móvel cedeu, abrindo uma brecha que ele usou para entrar, depois empurrou a porta e recolocou o móvel no lugar, para prendê-la enquanto não arrumassem trancas.
Prometeu a si mesmo que aquela louca não teria as chaves quando colocasse fechaduras naquelas portas. Caso contrário, era capaz de mantê-lo na rua para sempre!
Virando-se em sua direção, encontrou-a escovando os longos cabelos. Um olhar e ela fingiu não notá-lo. Vestia a camisola de dormir e estava sentada do seu lado da cama, e ele imaginou o quanto queria que ela dormisse ali, no seu canto, em seus braços, como na noite passada.
Percebendo onde estava ela levantou-se apressada e colocou a escova de cabelos sobre a penteadeira, tentando não olhar para ele através do espelho.
Não conseguiu. Ele arrastou o pesado baú que ficava no canto do quarto e colocou aos pés da cama, e ela virou-se indignada, pois era por ali que subia na cama para dormir, visto que a cama ficava encostada na parede.
Perdeu a vontade de reclamar, quando ele a encarou com desafio, esperando que fosse ela a primeira a jogar lenha na fogueira de rancor que queimava entre eles. Mas Hermione se calou.
Não daria o braço a torcer nem que sua vida dependesse disso!
Fervendo de ódio, esperou que ele dissesse algo, qualquer coisa que fosse! Não era possível que não fosse tentar fazê-la mudar de idéia! Ele estava sempre tentando fazê-la mudar de idéia sobre tudo! Se dissesse que o céu é azul, ele a tentaria convencer que é rosa! Era assim! Sempre assim!
Tentando não parecer tão abalada, ficou mexendo em seus pertences sobre a velha penteadeira, fingindo não notar quando ele começou a se despir.
Dessa fez, ele não seria o primeiro a ceder. Não mesmo!
Notou que ela não conseguiu conter-se e quase sorriu, quando após quinze minutos de pesado silêncio ela se rendeu:
-O que aconteceu com a carroça?
A voz de Hermione era aguda, e ela estava nervosa.
Bem, conseguira tirar a Srt. Gelo do seu pedestal. Sentia-se um rei. Ainda não, pensou. Ela ainda não provara o gosto da sua revolta!
-A roda quebrou. Só isso. – ele tentou não sorrir ao lembrar-se de seu arrombo de ódio ao destruir a roda e arquitetar seu plano de vingança!
-Só isso? - ela virou-se incapaz de ignorar tanta coincidência.
-Sim, o que mais espera que diga?
Era um desafio, e Hermione comprou seu olhar.
Era em momentos como esse que ele sentia o sangue ferver e não era apenas de raiva. Era muito mais, era desejo. Forte e intenso, correndo em suas veias!
-Algo deve ter acontecido para que a roda quebrasse – ela disse num tom de inegável acusação, entre dentes, segurando os gritos que teimavam em querer escapar de sua garganta diante de sua falsa inocência.
-E o que acha que aconteceu? - ele despiu a camisa e ela afastou o olhar, tudo para não olhar para ele e ver o que perdia. Não quis verbalizar sua suspeita, por isso deixou em suspenso, a verdade pairando entre eles – Acha que posso ter destruído a roda para me vingar de você? Que posso ter planejado te seduzir durante várias noites, mantendo Ford no quarto ao lado? É isso que está pensando?
Teve que olhar para ele procurando por revolta ou quem sabe sinceridade. Se ao menos ele não estivesse sorrindo! Uma punção de medo correu dentro dela, e se não fosse tão covarde admitiria que o acelerado de seu coração nada tinha a ver com medo.
-Não pode fazer isso. Jurou que nunca me obrigaria a nada!
Disse em tom baixo, rouco. E isso o deixou em alerta.
-Não vou obrigar, por mim, pode gritar a vontade que eu paro na hora. Mas só se você gritar e pedir para parar.
Ele deu um passo em sua direção e ela se afastou, dando um passo para trás.
-Porque isso? – Havia pânico em sua voz.
-Porque no momento que gritar, vai assumir a perca da fazenda. Ford saberá de tudo. E perdera além das terras, o grande sacrifício que fez a noite passada. Tudo irá voar pela janela! – Havia muita ironia em sua voz e ela quis fazer mesmo isso. Jogar tudo pela janela!
Acuada, ela olhou para ele com rancor. Então, era tudo mentira. O doce calor do carinho, quando dissera a noite passada que cuidaria dela caso perdessem a fazenda. Era apenas uma mentira. Não somente mentira, assim como sua promessa de não ser como os outros homens!
Rony quase desistiu ao ver uma sombra de tristeza passar por seus olhos, mas não esmoreceu.
-Porque não vai ao saloon? - ela disse com voz fraca, pois não era algo que desejava. Por alguma maldita razão, sentia vontade de gritar só de pensar nisso.
Essas sensações já existiam dentro dela, mas desde a noite passada, pareciam mais fortes, mais vívidas.
-Porque não quero. Já disse isso mais de uma vez!
Era impossível não se irritar com ela!
-Quando Suarez volta?
-Quer saber por quanto tempo vai ter que me agüentar te perturbando?
Havia tanto rancor em sua voz, que Hermione nem se deu ao trabalho de responder.
Acuada, ela pensou em como se livrar dessa situação.
-Eu não quero que aconteça de novo – Ela disse com a voz mais fraca do que gostaria.
-É uma pena, porque eu quero! – Ele sentiu prazer em colocá-la numa posição de fragilidade.
Quem sabe assim, sentisse um décimo da sensação terrível que se abatera sobre ele depois da sua rejeição!
-Afinal, qual o problema de dormir com seu próprio marido?
Ele deixou escapar inconformado com sua expressão de desalento.
Ela não respondeu, e ele esperou, mais nada. Hermione tencionou sair do quarto, mas foi pega na própria armadilha, pois aquele móvel impedia sua passagem.
Ele observou quieto, suas tentativas de arrastá-lo e então, perdeu a paciência:
-Não vai sair desse quarto. Fique quieta!
Ela ergueu o queixo e continuou tentando movê-lo, até fazer Rony perder totalmente qualquer resquício de paciência.
-Eu disse para parar!
Ignorando-o do mesmo modo como fora ignorada ainda a pouco, fora da casa, ela continuou com suas tentativas falhas e ele aproximou-se segurando seu braço e arrastando-a para longe da porta.
-Mandei parar! – Ele rugiu baixo, mas perigoso e ela ergueu o queixo em desafio, tentando soltar-se.
-E quem disse que faço o que manda?
Erroneamente, ela segurou seu braço, para tentar fazê-lo soltá-la, mas a única coisa que conseguiu foi um arrepio a percorrendo dos pés a cabeça ao sentir sua pele quente e os pêlos de seu antebraço em sua pele suave.
Odiava aquele homem, odiava-o com a mesma força que o desejava e isso era insuportavelmente assustador:
-Sou seu marido, querendo ou não. Afastar-me não muda o fato – Ele disse ainda mais baixo a voz mais grossa pelo desejo de ser tocado por ela, mesmo que fosse apenas um toque de raiva – Porque não aceita o inevitável?
-Porque não quero... – As palavras morreram em sua boca, antes que pudesse dizê-las. Ele não deveria saber o mal que a afligia, ou ficaria fraca diante dele!
-O que você não quer? – Ele segurou-a com mais força, e ela desistiu de se soltar, achando que ele merecia sentir a mesma raiva que ela.
-Não quero um filho seu! – Praticamente cuspiu as palavras na cara dele, a fronte cheia de ódio.
Era um ódio falso, pois o queria muito mais do que repudiava, mesmo assim, era impossível agir de outra forma, visto que não sabia como lidar com tantos sentimentos conflitantes.
Era a mais descabida mentira! Não desejava um filho que pudesse perder. Não deseja um marido que a deixasse um dia. Mas quem sabe, sentindo o quanto o detestava ele desistisse?
-Deveria ter pensando nisso antes de dizer sim no altar - Ele disse sem saber como responder aquela afronta.
-Eu pensei! Disse-lhe com todas as palavras! Agora, não se faça de injuriado e me deixe em paz!
Novamente tentou se soltar, mas ele apenas riu dos seus esforços.
-Vou deixá-la em paz, Hermione. Quando estiver satisfeita e quieta nos meus braços, terá toda a paz que deseja – Era uma promessa erótica, mas que a paralisou de medo pela verdade escarrada.
-Não faça isso – Ela tentou pedir, mas sua própria arrogância juvenil a impedia de ser humilde – Não me obrigue a isso!
-Já disse que não a obrigo a nada. Grite Não, e eu paro! A escolha é toda sua!
Achando que ela cederia, ele soltou-a para ver o que faria.
-Juanita disse que os homens sabem evitar isso... - Seus lábios tremiam, e ele achou que iria chorar.
-Sim, eu sei evitar. Mas acontece que EU quero um filho. – Dizia isso apenas para feri-la, pois jamais a faria passar por isso se não fosse seu desejo!
-Não vou carregar um filho seu! – Sua expressão de desalento passou, pois se ele queria feri-la, ela também queria fazer o mesmo com ele!
-Ah, vai sim! – Ele riu, andando pelo quarto e tirando os sapatos – Como uma doce esposa apaixonada, vai carregar quantos filhos Deus nos mandar. – Havia sim, muita ironia em sua voz – E também criará todos os filhos bastardos que eu trouxer para essa casa! Porque é essa sua obrigação!
Nunca em sua vida, pensaria desse modo, mas queria tira-la do sério.
-Faça isso, e lhe dou um filho de outro homem! De vários outros! – Ela ameaçou – Me obrigue Ronald, e me deito com todos os empregados dessa fazenda! Eu juro que...!
Não terminou sua frase, pois ele a segurou com força, calando suas palavras amargas.
-Vou trancá-la nesse quarto para o resto de sua vida se voltar a repetir isso.
A frase era suave, mas tão intenso seu olhar, que a calou.
Como se detestasse a idéia de tocá-la, ele a soltou e ela quase caiu. Suas pernas estavam fracas. Toda ela estava bamba. Não sabia se de raiva, medo ou outra coisa.
Essa ‘outra coisa’ que deixava seu coração acelerado, a respiração rala e seu corpo tremulo. Aqueles olhos azuis, pensou, deveria evitar perder-se neles!
Fingindo indiferença, como se não estivesse afetado pelas suas ameaças e, sobretudo, pela sua presença, ele moveu-se pelo quarto.
-Tire a camisola! – ele disse em tom banal, tentando não parecer tão ansioso quanto se sentia.
-Não! – Ela disse baixo, se mexendo pelo quarto, em direção a cama, e por um segundo, se ele fosse outro homem, e ela outra mulher, poderia até achar que preferisse a cama, a fazer amor de pé no meio do quarto. Mas era Hermione, e ele sabia o quanto era ardilosa!
Contendo o riso, ele a deixou subir na cama, e se aproximou, tirando a calça e o resto da roupa. Estava nu, observando-a subir na alta cama, e engatinhar pelo colchão em direção a parede atrás de algo.
Esse ‘algo’ se encontrava escondido sob o pesado colchão, e era sua arma, a mesma que ela deveria querer usar contra ele, para intimidá-lo.
Contendo o impulso de rir de sua vã tentativa de fugir, ele segurou seu tornozelo. Poderia ter agarrado-a, mas não resistiu ao ver a poderosa e gélida Hermione chocada.
Ela teve que parar e olhou para trás, em sua direção alarmada.
-Me solte! – Ela exigiu, naquela posição ingrata e constrangedora. – Me deixa!
Balançou o tornozelo e ele segurou com mais força, adorando o movimento rítmico de seu traseiro, cada vez que ela tentava se soltar. Esquecendo da vingança, ele subiu na cama de joelhos e segurou seu quadril, deixando-a em pânico.
-Não! – Ela não gritava, mas havia algo patético em sua expressão de completo desamparo.
-Sou pior que a sarjeta, Hermione – Ele lembrou-a disso, irônico, lembrando-se do porque queria magoá-la forçando-a ao que não queria fazer. – A escolha é só sua!
Ela calou-se, sem saber o que fazer ou dizer. Não poderia gritar. Não poderia perder a fazenda. Não poderia perdê-lo... Perder a vida que tinham. Essa súbita consciência a fez sentir fúria. Não seria subjugada! Não mesmo!
Com uma tentativa de coice, quis acertá-lo, mas ele apenas riu, segurando suas pernas e mantendo seu quadril erguido, quando ela quis se mover e quem sabe rolar para a cama, e fugir dele.
-Não se mova! – Era uma ordem, e quando ela não obedeceu, ele lhe deu uma palmada suave na nádega esquerda.
Ela arfou incapaz de falar ou reclamar.
Não era uma agressão, e pareceu mais uma carícia, pois era muito suave e ele manteve a mão ali, acariciando seu corpo com intimidade. Assustada, sentiu quando ele puxou a camisola e a levou acima de seu quadril, deixando-a nas suas costas, revelando seu corpo.
Ela fechou os olhos, morta de vergonha, e sabendo que agora não teria volta. Nua, estava exposta de uma forma que nunca pensou ser possível uma mulher ficar frente ao marido!
-Por favor... – Ela quase implorou, sem saber que era para que parasse ou não.
Rony fingiu, em seu íntimo, que era um pedido por mais. Suave, mas decidido, ele encostou-se às curvas suaves de sua mulher, apertando as nádegas macias entre seus dedos e correndo os dedos pelas suas coxas, enquanto curvava-se sobre ela, beijando suas costas.
Seu quadril masculino entrou em total atrito com sua pele, e ela sentiu o membro se acomodar ali, perigosamente íntimo, e tentou aproveitar seu descuido para se afastar, mas ele manteve-a firme em suas mãos.
-Linda como uma raposa traiçoeira – Ele disse suave, mas sincero – Se não me quer, por que eu a quero tanto?
Ela não soube o que responder, e ele não queria respostas. Não queria mesmo!
Sua frase a deixou quieta, e Rony aproveitou-se desse momento de confusão, para mover-se e olhar bem para ela. Era uma bundinha redonda e morena, curvas certas e harmoniosas de uma mulher pequena. Mas ele podia ver suas coxas apertadas uma contra a outra, tentando talvez defender-se de seu olhar, mas não adiantava, ele via o que desejava. Lábios úmidos e rosados, esperando por mais.
Ele gemeu, colocando a mão entre suas pernas e ela apertou ainda mais as coxas, barrando sua passagem. Era de esperar que não fosse colaborar. Por isso insistiu, e seus dedos logo acharam caminho.
Muito molhada, pensou, esfregando os dedos longos naquela região tão delicada. Ela não gemia, ou emitia sons e ele desejou ver seu rosto, mas não daria o braço a torcer. Mergulhou um dedo testando o caminho, e ela arfou, fazendo-o sorrir. Ela olhou para trás, mesmo sem querer, e permitiu sem querer que visse o brilho em seus olhos.
O mesmo brilho da noite passada, quando sucumbira aos seus braços. Aquecido pela constatação de que ela não o detestava tanto assim, ao menos na cama não lhe era indiferente, ele prosseguiu.
Mergulhou o dedo longo até a metade, ouvindo o som assustado que escapou de seus lábios. Ela merecia um beijo, pensou, por ser tão linda e doce, merecia um beijo.
Doce? Esse pensamento quase o fez rir, ao lembrar-se da sua convicção de não querê-lo. Ela merecia ser tratada com o mesmo descaso que o tratava!
Lembrando-se da razão de estar subjugando-a, ele tirou a mão, achando ter ouvido um lamento, e endireitou o corpo, roçando a ponta de seu pênis inchado e rijo em seus lábios úmidos, dizendo com a voz rouca pelo desejo.
-Grite não, e eu paro! – Era um aviso e um desafio.
-Não quero! – Ela disse, tentando não se mover, tentando não se forçar contra ele, tentando refrear a vontade incontrolável de se oferecer – Não faça!
-Vou gozar minha semente dentro de você, e tão profundamente, que irá implorar por mais! - Ele grunhiu, enquanto se empurrava sem gentileza.
Hermione fechou os olhos, mordendo os lábios para não gritar. Seu corpo foi lançado à frente, pelo impacto, mas ele a segurou firme pela cintura, mantendo-a no lugar, enquanto assistia seu membro desaparecer dentro dela.
Ele jogou a cabeça para trás, quando a delícia de possuí-la passou por ele e o fez consciente do quanto queria aquela mulher. Aquele querer doentio era desconhecido para ele até ver Hermione pela primeira vez!
E isso também o assustava, tanto quanto a necessidade de se fazer presente dentro dela. Dentro do seu corpo, de seu coração e de sua alma!
Contrariando seu desejo de puni-la, ele se retirou com cuidado para não machucá-la. Ela não lamentou, ou reclamou, manteve-se quieta, e de cabeça baixa, os cabelos impedindo-o de ver o que sentia, ou pensava.
Incapaz de se conter, diante daquele vale liso, escorregadio e delicioso que descobria sempre que estava dentro dela, ele mergulhou novamente, sentido o acesso mais fácil, agora que ela fora deflorada na noite passada. Era apertada, mas não a ponto de se ferir com a presença de um corpo masculino.
Esses movimentos lentos o tiravam do sério, e precisando vê-la, ele esticou as mãos e afastou a camisola, agarrando os seios que balançavam a cada investida. Ela soltou um som, um gemido baixo, de quem não quer se revelar e ele obrigou-se a penetrá-la mais forte, apenas para fazê-la gemer novamente.
Com o rosto um pouco de lado, pode vê-la de olhos fechados, e gemendo, mesmo que tentasse conter o som. Essa certeza, de que estava com ele naquele momento de prazer, o fez perder o controle e começar a investir rápido e forte.
Hermione baixou a cabeça ao sentir os movimentos contra seu flanco, se acelerarem. Ele estava em todos os lugares. Suas mãos apertando seus seios, seu membro preenchendo-a em cada pequeno cantinho de sua intimidade, suas coxas contra as pernas, seu cheiro, sua presença...
Ela abriu os lábios, sem notar que precisava de ar, quando aquela mesma sensação da noite passada a tomou de assalto, contrariando seu desejo de dizer não. Gemendo, ela se rendeu, sentindo e assentindo ao prazer que a percorria da cabeça aos pés.
Perdido em seu próprio desejo, ele não soube dizer se o tremor que a percorria era de prazer ou dor. Suas pernas delicadas tremiam, e parecia sofrer em suportar o peso que ele forçava sobre ela, e Rony se moveu apenado de seu esforço.
Hermione abriu a boca para xingar quando ele parou no exato momento em que ela sentia o mundo começar a rodar sob seus olhos fortemente fechados, ele a soltou e ela sentiu sua falta, mas a fazia deitar, e um pouco de lado, ela olhou para ele.
Rony viu algo selvagem em sua face, e em sua expressão arfante e cobriu-a com seu corpo novamente, agora deitava, afastando suas pernas o mais largo que pode, e penetrou-a novamente, profundamente, buscando seus lábios entreabertos para um beijo.
Hermione quis negar-se aos seus beijos, mas os movimentos entre suas pernas eram gostosos demais para que se desse ao luxo de lutar. Ele entrava e saia se apoiando nos braços. As mãos em cada lado do seu corpo, a parte superior do corpo grudada a seus seios, e ela deixou-se beijar, correspondendo com a mesma loucura que ele. Era um beijo desesperado e mesmo sem saber como, seus braços finos agarravam suas costas, uma das mãos agarrando sua nádega firme e talhada pelo trabalho árduo. A outra mão desistiu de seus cabelos fartos e ruivos e juntou-se a outra, sem notar, sem perceber que o puxava mais para dentro, cada vez mais dentro!
Ele gemeu a esse contato e ela o sentiu avançar, todo dentro de seu corpo, era quase insuportavelmente prazeroso senti-lo desse modo. Os movimentos rápidos, fortes, intensos, molhados e quentes. Ouvia o som molhado que se formava cada vez que suas intimidades se encontravam, e ouvia também o som de seu beijo cheio de língua e mordidas suaves. Ouvia, cheirava e sentia.
Ela jogou a cabeça para trás quando foi demais para ela, e ele ergueu seu tronco, batendo forte dentro de sua intimidade aberta para recebê-lo. Lambeu seus seios, mordendo um dos mamilos muito excitados e endurecidos pelo desejo. Ela soltou um grito baixo, e ele aumentou a velocidade, sentindo aquele corpo derretido sob o dele.
Hermione movia o quadril mais devagar, recebeu seu desespero, incapaz de acompanhá-lo como deveria, mas não havia reclamações, ela não podia fazer nada se estava paralisada.
Uma de suas mãos correram para seu ombro masculino e apertou a carne com força, querendo que ele olhasse para ela. Era estranho, mas queria olhar em seus olhos. Depois de um dia todo sem se olharem, ela queria seu azul profundamente doce, perdido em seus olhos.
Rony se perdeu nas nuvens de prazer que viajavam nas pupilas castanhas e sorriu docemente, tendo-a tão entregue e perto de gozar.
Hermione arfava e gemia, e correspondia, e se desse sorte, nunca mais poderia esquecer-se daquele momento enquanto vivesse, pois ele se esforçava para levá-la ao limite.
Ele baixou a cabeça, olhando para a junção de seus corpos e então, gemeu também, se entregando e permitindo-se gozar com ela. Ela quase o acompanhou, mas o sorriso na face dele, a fez perceber, por sobre a nuvem de prazer e desejo, que ele vencera.
Subjugada. Vencida.
Ele tinha o que queria e ela mesma lhe entregava de bandeja!
Apesar disso, não conseguia conter as sensações que a engoliam e a sugavam para o mundo que Rony criava para ambos quando a possuía. Ele tinha os olhos fortemente fechados, gemendo e investindo como um louco e ela percebeu o quão perto sua mão direita estava da beirada da cama e da parede.
Ele pagaria pelas sensações desesperadas que a percorriam. Fechando os olhos por um segundo ela quase desistiu, até sentir o contato gelado da arma em seus dedos.
Rony congelou no lugar, quando sentiu algo gelado tocar seu peito. Parou na mesma hora.
Estava profundamente dentro daquela mulher que apontava uma arma diretamente para o seu coração.
Ela tremia da cabeça aos pés, e ele sentiu seu corpo apertar o dele, ondulando intimamente a cada funda respiração. Descabelada, corada, arfante. Ela o encarava.
-Hermione... – Ele não sabia nem o que dizer, olhando dela para a arma.
-Pare agora! – Ela disse com uma força de vontade que não sabia que existia.
-Não! – Ele disse ignorando a arma, e se movendo para frente. Sentiu o dedo engatilhar a arma e o som alto o fez olhar em seus olhos. Ela engoliu em seco e ele se ajoelhou entre suas pernas, mantendo a penetração, mas olhando para ela, um pouco longe da arma, mas perto o bastante para matá-lo a queima roupa. – Não vou parar.
Ele avisou, segurando seus joelhos erguidos e continuando as investidas. Ela não atiraria.
-Eu juro que atiro – Ela disse fraca, olhando-o pelos olhos semicerrados, pois a pequena interrupção apenas aumentara a sensação de estar próxima ao cume do amor – Eu atiro se não parar...
-Atire! – Ele disse ficando mais ousado, mais forte, mais rápido – Você me mata de qualquer jeito!
Ouvir essas palavras ditas em sua voz entrecortada, a deixaram a beira do precipício. Ele gemia mais forte agora, e a arma pesava em suas mãos, sempre olhando para ele. Seu membro inchou dentro dela, e ela sentiu-se sendo rasgada, tão forte era o desejo e a paixão.
Desesperada por mais, gemeu, e agarrou-se a ele, puxando seu corpo sobre o dela, a arma esquecida em suas mãos, enquanto abraçava seus ombros e seu pescoço. Ele apoiou uma das mãos no colchão e segurou sua cabeça com a outra, beijando como um louco sedento pela água da vida, que apenas ela poderia lhe ofertar.
Aquele beijo foi o que faltava para a sensação crescer em seu ventre e se espalhar. Pegava fogo, sua pele pegava fogo. Aquele fogareiro a consumiu e ela gritou quando o orgasmo a cobriu em seu manto de sensações deliciosas. Rony assistiu seu prazer e acelerou, querendo acompanhá-la.
Hermione aproveitou aquelas sensações ao máximo, seu corpo ficando mole e suave sob o dele, apenas recebendo seus empurrões, vendo-o cavalgar atrás da mesma sensação que ela. Incapaz de resistir ela assistiu ao prazer que cruzou a face masculina, e ouviu seu gemido longo e profundo ao gozar. Ele era perfeitamente lindo sentindo prazer, pensou, sentindo mais que isso. Ele tremia, e num segundo de bom senso, ela lembrou-se do que acontecia quando ele gozava.
Um fio de desespero a percorreu e tentou se afastar. No exato momento em que ele ejaculava, ela se afastou, e ele escapou de dentro dela. Abrindo os olhos de susto ele segurou-a com as duas mãos, e a prensou na cama, penetrando-a novamente, apenas pela delícia de obrigá-la a aceitar sua semente.
Chocada, ela conteve a sensação de prazer que a percorreu com esses movimentos. Era uma devassa! Uma cretina, uma...! As palavras lhe faltaram quando o prazer voltou. Voraz e inconseqüente, tão forte quanto o anterior, ela gemeu fechando os olhos e se deixando levar pelo prazer. Rony levou uma das mãos entre suas pernas, tocando sobre seu clitóris quando ela começou a gozar novamente, desejando enlouquecê-la.
Aquela pequena bruxa o estava matando de prazer!
Exausto, ele deixou-a gozar o quanto quis, agüentando até o fim apesar da exaustão, e então despencou sobre seu corpo macio, quando ela deu o último gemido de êxtase.
Levou um minuto para lembrar-se e conseguiu mover-se o bastante para puxar seu braço e ver a arma em sua mão. Hermione abriu os olhos, encarando-o sem saber o que deveria estar sentindo.
Sobre ela, ainda segurando-a com carinho, o corpo pesando sobre o dela, a intimidade de estar entre suas pernas macias, ele agarrou sua mão e tirou a arma. Ela estava toda mole embaixo dele, e não ofereceu resistência.
Com a sombra de um sorriso, ele abriu a arma e mostrou a ela, o compartimento das balas vazio. Seus olhos castanhos ficaram chocados encarando-o, ele sorriu:
-Não sou tão louco assim – Ele explicou, roçando os lábios nos seus – Enquanto Ford estiver nessa casa será minha mulher, querendo ou não.
Aquela altura, depois de tudo, ela não tinha forças para lutar, mas não concordou. Amanhã seria outro dia e suas forças voltariam, pensou, esperando placidamente.
Ele colocou a arma na mesinha ao lado da cama, e baixou a cabeça para beijá-la. Hermione deixou, sentindo aquele delicioso prazer de estar em seus braços.
Havia um nó em sua garganta diante das palavras dele, de como a subjugara a sua vontade apenas por ser mulher e estar em uma posição difícil, dependendo dele e de Ford.
Movendo-se, ele a deixou mais confortável, deitando-se ao seu lado, e antes que a puxasse para seus braços, Hermione virou-se de lado, longe dele, e abraçou ao próprio corpo, como se pudesse se proteger de seu olhar.
Essa atitude o feriu mais profundamente do que suas palavras o fizeram naquela manhã.
Fazê-la desejá-lo não era o suficiente.
Sentindo-se o último dos homens, ele puxou o lençol sobre eles, e a cobriu, protegendo-a de si mesmo, e virou-se para o outro lado, deixando-a só, já quer era isso que desejava.
Não viu suas lágrimas, nem ouviu seus soluços baixos, pois estava muito cansado e exaurido do ato de amor, tanto que adormeceu mesmo sem querer.
Ela não chorava por causa dele, mas pela vida que a fizera ter medo de amar. Não queria perder novamente. Não podia perder mais nada em sua vida.
Quando Ford fosse embora, eles se afastariam para sempre. E com o tempo ela o esqueceria.
Esqueceria.
Autora: Autora: As NCs dessa fic não são apenas NCs simples, elas têm que ter gancho para acontecer. Só falta uma agora, para ficar um tempo sem.
Espero que tenham curtido!
Sempre estou colocando os comentários da minha beta, porque acho a coisa mais fofa a forma como ela se deleita com a fic!!! Heheh....
Beta: Tipo assim, eu precisei ler isso algumas vezes pra saber o que dizer sobre esse capítulo, você consegue se superar a cada nc, carambola, queria saber como consegue fazer isso, fiquei em êxtase lendo isso.
Até tapinha têm em meninas, só falta agora puxão de cabelo e mordidas não? Rsrsrsrs amei essa parte, não me matem, amo a Mione, por isso gosto de vê-la sofrer um pouquinho *beta sádica*, mas cá entre nós, quem não gostaria de sofrer desse jeito hein?
Quero muito, mas muito mesmo ler a terceira vez deles, logo, logo, não percam, mas com certeza esperem como eu *campanha pressionem a Marja por uma mais nc avassaladora* uma nc arrebatadora. P.S: Amei, preciso dizer mais alguma coisa?