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26. A NOITE DOS SONHOS?


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 26 – A NOITE DOS SONHOS?


 


 


 


No meio da noite, Hermione acordou ao ter o ombro sacudido de leve.


-Hermione, acorde! – ele disse baixo, segurando o lampião acesso em uma das mãos – Hermione, acorde, e pegue sua arma.


Ela ficou em alerta ao ouvir a palavra arma, e saltou da cama, olhando para ele com acusação.


-Tem alguém rondando a fazenda – ele avisou em tom baixo – ouvi passos, vi alguém dando a volta na casa.


-Algum... Empregado? - ela sussurrou, sentindo um frio intenso tomar conta de suas entranhas ao se lembrar que sua família fora emboscada muito cedo, numa manhã escura.


-Não. Alguém gordo e baixo demais para ser um dos empregados – ele estendeu a mão , depois que ela apanhou a arma – Venha, fiquemos juntos.


Sem saber por que, aceitou sua mão, e o deixou levá-la, junto de si em direção a cozinha.


Um passo atrás dele, com o grande braço em volta de sua cintura, ela tinha a respiração suspensa, assustada e temerosa sobre abrirem a porta.


Normalmente não era assustada, muito menos covarde, mas estava sensibilizada e tinha que admitir que boa parte de seus pesadelos consistiam em ser apanhada durante a noite por um assassino forasteiro!


Talvez por isso estivesse sendo tão difícil diferenciar a realidade dos pesadelos!


-Só use a arma, se precisar - ele alertou, enquanto se aproximava da porta.


Os dois pararam um segundo, ao ouvir um gemido sofrido e o barulho seco de algo caindo sobre a área de madeira atrás da casa. Um peso morto talvez, mas novos gemidos anunciaram que era alguém muito vivo!


Abrindo a porta, ele deixou Hermione atrás de si, e apontou a sua própria arma para o intruso. A principio não viu nada, até olhar para baixo e ver um grande homem, gordo, velho, e resmungando, a face muito vermelha e ao mesmo tempo pálida.


-Minha nossa! Santo Deus! – ele gritou ao vê-los e ao ver a arma apontada em sua direção – Não atire! Pelo amor de Deus, não atire!


O grito fez Rony acordar e reconhecer o homem. Baixando a arma, ele estendeu o lampião para ver melhor.


-Sr. Ford? - ele perguntou incrédulo – É o senhor?


-Sim, meu filho, sou Alastor Ford! Agora, por Deus, abaixe essa arma e venha me ajudar!


 Soltando um suspiro de alívio e ao mesmo tempo de irritação, Rony virou-se para uma pálida Hermione, entregando o lampião.


Foi preciso toda sua força jovem para erguer o homem e carregá-lo para dentro da cozinha. Colocando-o sobre uma das cadeiras, ele notou que o velho sangrava em uma das pernas.


-O que aconteceu? – perguntou fitando o velho homem, com amargura pela forma como os abordou e pelo susto que lhes dera.


Hermione estava pálida como uma assombração e desgrudou os olhos do velho indo até ela, segurando seu rosto entre as mãos e perguntando:


-Você está bem, Hermione?


Ela apenas maneou a cabeça, concordando, mas não se afastou.  Tremia, ele a levou diretamente para uma das cadeiras, antes que caísse.


-Aqui, beba um gole de água – ele encheu o copo com água límpida, e ela bebeu avidamente.


-Não desejava assustá-los – o velho banqueiro disse apenado pelo estado da jovem, ao lembrar-se do que se passara com toda sua família há tão pouco tempo.


-Porque estava rondando a fazenda? – Rony foi direto ao ponto.


-Não, não estava rondando. Vi as luzes apagadas e decidi ficar aqui atrás até amanhecer. Não queria correr o risco de levar uma bala! – ele explicou sentido à dor na perna, pois esfregou a coxa com os dedos roliços.


-E porque está ferido? Onde estão seus homens?


Era sabido que o banqueiro nunca saia sem seus capangas, seu cargo exercia muito poder inclusive sobre homens de muita influencia e não eram poucos que o viam como uma pedra no sapato!


-Precisei sair da cidade, e não pude esperar a chuva passar. A carruagem atolou na estrada e meu cavalariço tentou em vão colocá-la novamente na estrada. Tolo homem foi mordido por uma serpente e deve estar morto há essa hora – ele disse com irritação, ao pensar no fato – tive que vir andando! Cai na estrada e acredito, cortei a perna em uma pedra – ele lamentou.


Rony olhou para ele com um pouco de desprezo ao imaginar a cena lastimável desse homem, abandonando seu servo a morte e acomodando-se em sua varanda esperando amanhecer!


-Hermione, apanhe água e curativos – ele pediu mansamente, pois ela ainda parecia muito pálida – Vista algo quente – ele pediu, notando que a roupa branca estava praticamente translúcido sob a pouca claridade amarelada que vinha da chama.


Não desejava aquele homem asqueroso passando os olhos sobre Hermione!


De volta à cozinha, num acordo não verbal, ela cuidou da ferida, sempre mantendo muita distância daquele porco que a atirara aos leões apenas para por as mãos sobre sua terra!


Terminado, ergueu os olhos para Rony, como que pedisse para acabar logo com aquilo! Ele tinha que se livrar daquele homem asqueroso!


-Terá que passar a noite aqui Sr.Ford amanhã um de meus empregados irá levá-lo de volta a cidade para que possa tratar melhor de sua ferida – ele disse com uma ponta de mentira na voz, pois estava pouco se lixando se ele morresse vitima de alguma infecção ou não! – Infelizmente, ainda não contamos com muito luxo ou conforto, apenas com o quarto que usamos para banho – ele disse ao lembrar-se da banheira que poderia delatar o fato de não dormirem no mesmo quarto. – Hermione, por favor, prepare a cama e um banho, se for à vontade do Sr.Ford


-Oh, não, não quero mais ver água – ele disse bufando ao notar o estado das roupas – mas aceito uma cama quente e algumas toalhas para me secar!


Com um olhar de acusação explícito, ela se afastou para arrumar a cama, onde até então estivera deitada.


A próxima hora correu muito rápida, e quando o homem finalmente se recolheu, ele segurou-a pelo ombro, notando que além de cansada ela estava sobressaltada.


-Precisamos nos recolher - ele avisou muito baixo, talvez com medo de ser ouvido.


-Pode ir dormir, prefiro ficar aqui - ela ergueu o queixo em desafio e ele se perguntou onde mesmo ela deixara sua arma!


-Escute, não acha muita coincidência esse homem vir parar aqui? Justamente aqui?


-Foi um acidente na estrada – ela alegou insegura, pois havia pensando o mesmo que ele.


-Sim, houve um acidente, mas não muda o destino. Ele vinha para cá. Ou por que razão não seguir para a fazenda do meu pai, que fica mais próxima? Ele passou direto pelos portões Wesley e seguiu para cá! Mesmo ferido!


-Acha que... quer espionar? – afastou-se dele, tentando recobrar o bom senso, e não deixá-lo pegar por hábito essa mania de falar sempre tão perto dela!


-Acho que sim. Acho que mais que isso, quer colher provas que nosso casamento é uma fraude.


-Mas não é. Estamos casados e pretendemos continuar assim – ela argumentou tensa.


-Sim, nós sabemos, mas a uma mera palavra desse homem, e todos duvidarão! – notando sua expressão de entendimento, continuou – Somos um casal jovem, é estranho não dividirmos o mesmo quarto. Alguns casais mais velhos o fazem, mas não é nosso caso. Iremos dormir, e acordar como um casal normal. E ele não verá nada demais e terá ido embora antes que tenha tempo de se irritar com sua presença – tentou sorrir para ludibriá-la – Além disso, já dei muitas provas de que não pretendo atacá-la!


-Espia meus banhos! - ela cuspiu a frase com sua sempre assustadora franqueza.


Ele notou, que poderia facilmente corar pelo flagra. Justo ele, que sempre fora um grande sem vergonha, incapaz de corar diante de uma mulher!


-E você deixa!  - ele acusou de volta, ao perceber esse detalhe.


Ter essa verdade esfregada em sua cara, a tirou do eixo. Furiosa, pensou em virar o lampião sobre ele, e talvez prevendo o ato, ele o tirou de sua mão.


-Venha, podemos discutir no quarto se faz tanta questão!


Era uma clara provocação, mesmo assim o seguiu.


Entrar em seu quarto, e virar-se ao ver a porta ser fechada, era quase como profanar um sarcófago sagrado. Algo proibido e libidinoso, e mesmo que esse homem fosse seu marido, ainda assim não concebia a idéia de deixar um homem, bom ou ruim, ter direitos sobre ela!


De pé, no canto do quarto ela apenas observou-o se mover, arrumando as cobertas reviradas de sobre a cama onde estivera se revirando insone durante toda aquela noite.


Rony olhou para ela, notando seu olhar. Por alguma estúpida razão, Hermione vinha notando em si um comportamento que antes odiava nele. Essa mania insistente de sempre estar olhando para ela, era repetido dela para ele.


Algo irracional e desagradável!


-Deite-se, ainda podemos dormir algumas horas – ele tentou dar um ar de naturalidade, embora seu coração estivesse acelerado, por ter o alvo de seu desejo ali, a um toque, prestes a entrar na mesma cama que ele.


Precisava lembrar-se na manhã seguinte de tratar muito bem o Sr.Ford, aquela alma abençoada em sua mesquinhez que viera a transformar em realidade sua maior fantasia!


Esperava que ela não pudesse ler em sua face à expectativa um tanto quanto infantil que o acometia.


-Durmo no chão – ela sugeriu, mas ele negou com a cabeça.


-Juanita veria – ele tentou infantilmente sabendo que era uma desculpa esfarrapara que nem em um milhão de anos, Hermione engoliria.


-Se ousar tocar em mim, eu o mato.


Ele sentiu aquela ameaça ir diretamente para sua parte mais íntima e pensou em que tipo de homem poderia ter uma ereção diante de algo assim.


O tipo alucinado por um mulher pensou, tal como cachorrinhos, procurando com os olhos a imagem de sua dona. Ela andou de cabeça erguida em direção a cama, e com movimentos simples e comuns, enfiou-se entre as cobertas, cobrindo todo o corpo.


De lado, virada na direção da parede, não percebeu o quanto frágil estava presa entre ele e a parede de concreto. Poderia facilmente lhe tomar a força o que ela negava.


Visto não ser mais pura, não poderia ser condenado por exigir e forçar a situação! Qualquer juiz lhe daria razão!


Mas a idéia de ver mágoa e dor em seu olhar o impediu de ceder ao impulso, e a única coisa que fez foi deitar-se ao seu lado e apagar o lampião.


Hermione respirava muito baixo, muito suave, quase sem som algum e ele sentia o calor vindo do seu lado, e apesar de senti-la imóvel, sabia que estava acordada.


Assim como ele, não poderia dormir.


No seu canto, ela continha a respiração a cada movimento ao seu lado. Era um homem irrequieto, já percebera isso. Durante o dia, nada o fazia ficar calmo e sem atividade, e aparentemente à noite, tinha os mesmos ímpetos.


Sentindo um súbito arrepio ela ordenou-se que dormisse.


Mas obviamente, seu corpo não atendeu!

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