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21. CURIOSIDADE!


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


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CAPITULO 21 – CURIOSIDADE!


 


 


Sua certeza esmoreceu quando se aproximou do cabaré. Suares lhe informara que por causa da ferrovia, elas atendiam durante o dia. Para ele, era perfeito. Um encontro rápido, para saciar sua necessidade mais básica, e então, voltar para casa como se nada houvesse acontecido.


Recriminou-se pela sensação desagradável. Culpava-se, quando a única culpada era Hermione.


Parecia-lhe que o destino o empurrava para ela, ou era apenas incapaz de ignorar sua presença. Tanto, que olhando em volta, notou-a andar para longe de Suares.


Deixe-a em paz, pensou Hermione não quer sua companhia!


Mesmo assim, foi impossível não segui-la. Deixando a imagem do cabaré de lado, ele viu quando Hermione seguiu em direção ao boteco da vila. Era um lugar de homens, e alguma coisa estava querendo ali.


Ela ficou de pé um bom tempo olhando para a porta, antes de continuar sua caminhada. Curioso, escondeu-se para não ser notado.


Era um homem naturalmente curioso, mas sentia que em relação à Hermione estava tornando-se exagerado e possessivo como nunca fora com mulher alguma. Tinha impulsos de vigiá-la, e sempre precisava tê-la em seu campo de visão. Saber o que fazia, aonde ia, e com quem falava. E, sobretudo, contorcia-se para saber o que pensava.


Ela atravessou a pequena estrada de chão e dirigiu-se para a Igreja. Estranhou, visto que ela não era fervorosa como as demais carolas que conhecera em sua vida acadêmica. Sanando sua curiosidade, ela andou mais um pouco, contornando a pequena capela, e aproximando-se de portões altos e madeira.


Ele sentiu uma pressão desagradável no peito por julgá-la mal e segui-la. Era o cemitério da cidade. Não era grande, mas tinha muitos túmulos.


Não muito longe, ela parou e ajoelhou-se na terra, de frente para uma lápide. Deveria deixá-la só com sua tristeza, mas não pode. Escondendo-se, ficou perto o bastante para ver e ouvir.


Ela passou uma das mãos sobre a singela cruz fincada no chão batido, onde havia o nome de seus pais. Tirou a terra que sujava a escrita, e parece-lhe como se fosse um carinho e não um cuidado.


Ela era firme como uma rocha, e não derramou nenhuma lágrima. Não orou ou falou. Apenas deixou-se ficar alguns minutos pensativa, talvez orando em silêncio.


Levantando-se ela andou um pouco até uma parte onde ficavam as sepulturas infantis. Era ali onde Ann estava enterrada. Infelizmente seu irmão havia perdido a vida pela pistola de um ladrão, que jogara seu corpo no rio que cortava a cidade, e fornecia água para toda a região.


Ajoelhando-se em frente à cruz pintada de branco, numa singela homenagem a Ann, ela sussurrou muito baixo, e ele quase não ouviu:


-Sinto muito, Ann. Sinto tanto tê-la deixado ir só...


Ele sentiu um aperto no peito, e ficou tenso.


-... Não cumpri minha promessa de ficar ao seu lado e protegê-la sempre. Sinto muito...


Poucos minutos, e ela levantou-se, para voltar à cidade quando notou pés por de trás de uma tumba alta e trabalhada, de algum fazendeiro muito rico. Procurando a pistola atrás do colete do vestido ela apontou, dizendo friamente:


-Quem está aí?


Ela viu os pés se esconderem atrás do concreto e engatilhou a arma.


-Não atire - ele disse, esperando que ao menos reconhecesse sua voz - Sou eu.


Hermione sentiu a incontrolável vontade de atirar. Rony a sufocava. Não tinha direito sequer a chorar seus mortos!


-Porque está me seguindo? – não baixou a arma, mas permitiu que ele saísse de trás da tumba.


-Eu... - o que diria?


-Não importa - ela disse finalmente baixando a arma – Não quero saber!


-Hermione... – ele quis explicar, não era o melhor lugar, mas quis explicar que a única coisa em que pensava vinte e quatro horas por dia era em sua mulher que o renegava. Tinha palavras românticas na ponta da língua, mas ela virou-lhe as costas, andando rápido e para longe – Hermione espere.


-Preciso voltar – ela disse seca – Não terá dificuldade em encontrar o saloon!


Culpa o remoeu. Era humilhante a qualquer senhora saber que seu marido estaria nos braços de outra mulher. Mas Hermione não era qualquer senhora, era uma megera e lhe negava os direitos de marido!


-Não precisaria ir ao saloon se cumprisse suas obrigações!  -ele gritou farto de seus ‘não me toques’.


-Não me importa que vá ao saloon – ela respondeu malcriada, corada, e isso o deixava em dúvida sobre a veracidade de sua frase – Não me importo se flerta com as moças da cidade! Isso é problema seu!


Agora sim, ele teve a confirmação, de que estivera notando o flerte. Que estava com raiva por causa disso!


Erguendo uma sobrancelha, maroto, ele instigou:


-Hum, uma doce jovem, se me permite dizer...


-Uma pena que não tenha perdido toda a família, para que pudesse tê-la roubado as terras e desposado-a, não é? – ela acusou numa ironia tamanha que ele corou.


-Ao menos agora não estaria arrependido! –ele esbravejou.


-Ainda está em tempo de anular o casamento – ela ameaçou – Sei que posso encontrar outro que assuma o posto!


-É claro que pode!- ele satirizou – com sorte um que lhe dê a surra que está merecendo!


-Talvez não seja preciso – ela alfinetou e ele ficou furioso.


Para bom entendedor meia palavra basta, não é?


Dizia claramente que para outro homem se entregaria. O problema era ele! Não sentia desejo, muito menos libido! O que Rony ouvia eram palavras vãs! Tivera ela em seus braços, e sabia muito bem que gostara! Ao menos, acalentava essa suspeita!


-É melhor voltarmos para casa – ele disse conformado.


-Não – disse birrenta, sem notar – Faço questão que vá ao saloon!


-É mesmo? – ele ficou além de surpreso, ofendido.


-Sim, ao menos desse modo, talvez me deixe em paz!


-Acontece que se for ao saloon, irei gastar o pouco que nos sobrou após o pagamento da hipoteca e da compra dos mantimentos! É isso que quer? Ver seu dinheiro ser perdido em bebidas e mulheres? – perguntou sério.


-Não – disse petulante – A minha parte estará muito bem guardada, quanto a sua, faça o que bem entender!


Criança mal educada era isso que era! Só não a agarrou pelo braço e arrastou com ele para a carroça, por estarem no meio da rua, e depois, por respeitar os mortos.


-É o tumulo de sua irmã? – ele perguntou desviando o assunto.


-Sim. Ann foi sepultada junto às crianças apesar de ter sido maculada – contou, estremecendo sem saber a razão – Não foi sua culpa, ou vontade, então, o vigário a considerou infanta e pura como no dia em que nasceu. – disse triste, mas sem ceder à tristeza.


-Porque não os enterrou na fazenda? – era um pergunta direta.


-Porque não sabia por quanto tempo permaneceria em minhas terras. – foi sincera – Quanto tempo levaria até um homem destruir o que sobrou da minha vida! – havia muito rancor em sua voz.


-Não são todos os homens que são assim. Muitos são dignos e honestos – defendeu-se - Veja meu pai e o seu. Homens bons.


-Tão bom, seu pai ignorou minha situação durante um mês, mesmo sendo visinho de cerca! Tão bom, que não fosse o proveito que tiraria, jamais teria posto os pés na fazenda – revidou – Quando tinha saúde, meu pai ajudou varias vezes o seu em épocas de seca, pois sempre tivemos sorte de ter o córrego em nossas terras, e quando meu pai precisou na morte de meu irmão, onde estava seu pai para ofertar-lhe uma mão amiga? Um consolo que fosse?


-Tenho certeza que meu pai fez o que pode para... – o riso dela o pegou desprevenido, era algo desagradável, carregado de cinismo.


-Ele sentou-se e esperou o inevitável acontecer, apenas para mandar o filho querido roubar o que nos pertencia! Foi isso que ele fez!


-Não pode falar assim do meu pai! Deve ter havido um bom motivo para que não os ajudasse!


-Sempre há um bom motivo! – ela revidou – Não tente me convencer da santidade dos homens, Wesley. Para ser franca, não tente me convencer de qualquer coisa que seja! Estou cumprindo minha parte do acordo, ajudando-o a fazer fortuna! A única coisa que espero é que me deixe em paz! Pare de me seguir! Pare de falar comigo!


-É isso que deseja? De verdade?- por um segundo sua expressão desmentia suas palavras, mas então, ela voltou a endurecer.


-Sim, é só o que desejo.


-Será do seu jeito – ele arrumou o chapéu sobre a cabeça e disse – Volto em uma hora.


Hermione ficou de pé, esperando que estivesse longe, para soltar o ar preso nos pulmões e olhar para a singela cruz que indicava que ali morava um anjo. Abaixando-se ela tocou sobre a terra, onde metros abaixo os restos mortais de sua irmã descansavam.


-Porque me deixou para trás, Ann? Por quê?








Autora: estou triste por ela!

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