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18. FERIDAS


Fic: O Acordo Perfeito RxHrm- Fic completa by marja


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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Capitulo 18 - FERIDAS


 


 


Hermione se afastou e não era de se surpreender. Ela desviou o olhar e isso o irritou mais do que deveria.


O que essa mulher queria afinal?


-Seus pais tiveram um casamento feliz? – perguntou com segundas intenções.


Ela ficou claramente em alerta e baixou os olhos, pensando onde ele queria chegar.


-Meus pais foram muito felizes apesar das dificuldades e tristezas – foi sincera.


-Não quer ter um casamento feliz como eles tiveram? - ele foi direto ao ponto e ela fixou o olhar no dele.


Era um homem experiente e sabia quando uma jovem estava tocada pelas palavras de um homem, mas vindo de Hermione, era impossível saber.


-Duas pessoas podem ter um casamento feliz sendo apenas amigos – ela afirmou.


-Sim, mas não somos amigos. E não parece que deseje minha amizade.


Hermione gostaria de poder contar-lhe a razão de não querer sua amizade. A razão de não querer acordar todos os dias e ver o sol brilhando. A razão era aquela dor que insistia em apertar seu coração. Aquela dor insuportável que apertava sua garganta naquele momento e a levava para longe dele e da vida.


Deveria ter estado em casa naquele dia. Era seu destino. A vida a tirara de seu caminho, e agora ela era obrigada a sobreviver sem as pessoas que amava.


Escondendo dele seus sentimentos, ela apanhou o livro sobre a manta e achando estar capaz de falar sem mostrar-lhe o que ia ao peito, ela disse:


-Se importa?


Rony ficava chateado com essas fugas. Era deixado no centro de uma conversa e abandonado, como se a sua companhia não significasse nada.


-Fique a vontade – disse de má vontade.


Hermione segurou o livro e tencionou levantar-se para se afastar e ler com calma, mas ele segurou seu pulso, causando uma sensação estranha dentro dela. A mesma sensação que sentira quando acordara ao seu lado.


-Não vá - ele pediu – Não vou atrapalhar sua leitura.


Seu primeiro impulso foi jogar o livro sobre ele, mas se conteve, voltando a sentar e abrindo o livro.


-Não gosto que fiquem me olhando enquanto leio – avisou sentindo irritação por não saber nomear o que sentia.


-Não irei ficar olhando, se você ler para mim – ele sorriu e ela maneou a cabeça.


-Não disse que nada entende de francês? – provocou.


-Sim, mas gosto do som. Além disso, pode traduzir para mim não pode? – ela não respondeu e ele insitiu – Não pode?


-É claro que sim – disse contrariada.


Rony colocou a cesta de lado, e se deitou na manta, aproveitando a sombra da árvore e sorrindo para ela, quando lhe lançou um olhar desaprovador.


Abrindo o livro, optou por começar pelo inicio. Lia com fluência, mas vez ou outra era preciso parar e tentar lembrar-se da palavra. Sem seu pai, ela não lia tanto quanto deveria e estava correndo o risco de perder a fluência.


As páginas passaram lentamente, e em nenhum momento ele a atrapalhou, quando Hermione parou, ele disse:


-Do que se trata?


-Oh. Esqueci que estava aí... – disse sem perceber.


Rony tentou não se ofender, mas foi difícil. Nunca antes uma jovem esqueceu-se dele estando em sua presença.


-Gosta de ler. Tinha notado – tentou contornar e ela corou.


Aparentemente ela corava apenas quando as pessoas pareciam entendê-la ou falar algo que a fazia pensar em si mesma. Ficou pensando no que ela diria se a contasse o que vinha sonhado todas as noites.


-É um romance – disse sucinta – Terei mais atenção.


Cumprindo a promessa, ela recomeçou a ler, traduzindo cada parágrafo com fluência. Rony nem percebeu quando a manhã passou rapidamente. O livro estava pela metade, e logo ele, que nunca fora de ler, divertia-se com as aventuras do casal apaixonado do texto.


Num trecho em especial o casal aventurava-se pelas paisagens inóspitas do deserto e ela parou de ler quando notou que ele ria.


-Quem sabe um dia nós não visitemos esses lugares? – ele disse sempre rindo, e ela sorriu mesmo sem querer.


Rony ainda ficava baqueado pelos seus raríssimos sorrisos.


-São muito distantes de casa – ela negou.


-Está é a graça. A aventura!


Mesmo que negasse, seus olhos castanhos brilhavam intensamente diante dessa possibilidade e teve certeza que já pensara nisso outras vezes. Conhecer o mundo, talvez?


-É melhor voltarmos, ou perderemos o almoço – sugeriu olhando para ele com expectativa.


A própria Hermione não sabia se queria ir ou não. Era agradável conversar com Rony. Mais agradável do que deveria!


-Hum...trouxe comida extra – ele sorriu mostrando o fundo do cesto, onde haviam mais algumas iguarias surrupiadas do armário bem fiscalizado de Juanita – O que me diz? Almoço ao ar livre e depois um banho no lago?


-Fui proibida de banhar-me no lago – ela disse maldosa, com rancor sobressaindo nos lábios.


-Sim, apenas quando os empregados estiverem na fazenda.  A água deve estar deliciosa – ele esperava poder seduzi-la com esse convite.


Quem sabe teria sorte e conseguiria ao menos um beijo, dessa vez de livre e espontânea vontade?


Os dois ficaram novamente em silêncio, e Rony desejou ter uma força sobrenatural, e poder entrar em sua mente.


Ela comeu em silêncio, e ele não insistiu. Fosse qual fosse sua decisão, acataria. Mesmo porque não tinha como arrastá-la para o lago. Era mais forte e alto, mas não faria isso a uma jovem.


Mesmo uma turrona e cabeça dura como Hermione!


O almoço foi a base de pão, roscas e algumas maças. Algo singelo, mas delicioso. Sentido a barriga estufada, teve vontade de tirar uma soneca.


Preferencialmente, tê-la em seus braços para um siesta. Poderia imaginar-se deitado sobre a manta, abraçando-a delicadamente, enquanto ela mantivesse a cabeça recostada em seu peito, adormecida e frágil, como naquela noite em que estivera em seus braços durante toda a noite.


Um breve olhar para seu rosto e essa idéia dissipou-se imediatamente. Hermione havia comido muito pouco novamente, e sentiu vontade de ordenar-lhe que comesse mais. Mas por hora, era melhor ganhar sua companhia, se desejava mesmo consumar o casamento.


Seu pai diria que era um calhorda pensando desse modo, mas não tinha escolha, a única coisa em que pensava dia e noite era em ter seu corpo sob o dele, sobre uma cama, ou relva... ou fosse onde fosse!


Hermione tentou ignorar o modo como era observada, tentando entender o que significava. Rony era homem, disse a si mesma, poderia ser mais gentil que a maioria, mas tinha a mesma alma sórdida de todos os homens!


-Venha, um mergulho deve aplacar esse calor infernal! – ele sorriu, levantando-se e estendendo a mão em sua direção.


Hermione olhou dele para o lago. Que mal havia em um mergulho no lago? Nenhum, se Rony cumprisse o prometido de não forçá-la a nada!


Receosa, aceitou sua mão, e segurou firme para erguer-se. O calor queimava sua pele, mas estava acostumada, então, não era essa a razão de suas bochechas estarem tão coradas.


Também não poderia ser o simples fato de estar na presença de um homem, visto que aprendera a lidar com eles desde pequena.


Segurando sua mão como se fosse uma requintada dama, sendo apresentada a sociedade, Rony a conduziu até as margens rochosas do lago.  Algum dia, quando as finanças estivessem controladas, a levaria em um baile da corte. Por certo seria o alvo de todos os olhares, visto que mesmo trajando roupas simples, Hermione era altiva e aristocrática.  Um ar de altivez, com um olhar selvagem e ferino que atiçava o pensamento de qualquer homem!


-Deve virar-se – ela disse afastando-se e esse afastamento era também emocional. – Para que eu possa entrar na água.


Decidido a não perder essa oportunidade, ele virou-se. Ouviu em silêncio o som do vestido caindo sobre a grama seca, assim como os sapatos. Estava quase desistindo de ser paciente e delicado, quando ouviu o som da água. Deveria saber que Hermione mergulharia, ao invés de entrar na água delicadamente como as outras mulheres que conhecera até então.


Era um espírito livre aprisionado em roupas femininas e padrões.


Virando-se ele viu o exato momento em que ela emergiu, os cabelos longos espalhados sobre as águas calmas e o rosto sorridente.


Era um sorriso de puro contentamento. Um sorriso único que ainda não pudera ver e que imaginava que não existisse.


Ela olhou para ele e o sorriso diminuiu talvez se lembrando que não estava só como de costume.


Rony engoliu em seco, quando ela virou-se dedicando toda sua atenção ao banho. Tirou as botas, sem desviar o olhar de seu corpo esguio e pequeno, e tirou rapidamente todo o resto das roupas.


Estava ansioso, como um garoto inexperiente indo atrás da primeira rapariga que lhe deu atenção na vida! Mergulhou, e emergiu olhando em volta.


Hermione não estava a vista e ele girou o corpo, os pés no fundo do lado. A água não era muito funda, para ele que tinha um metro e noventa. Mas para ela, era o bastante para um afogamento!


Alarmado, quase enfartou quando ela surgiu logo atrás dele.


-O que você está fazendo? – ele perguntou exasperado.


-Desculpe - ela sorriu – Estava mergulhando – seu sorriso se alargou. – Gosto de ficar sob a água.


Seu irmão lhe dera muitas surras quando pequena por conta desse estranho hábito.


-Não faça mais isso! – ele disse repressor e ela fechou a expressão diante da reprimida – Deveria ao menos ter me avisado! Levei um susto!


-Por quê? – ela não controlou a própria língua – Como viúvo herda a fazenda!


-Bem se vê que não entende nada de leis. – ele disse venenoso pela insinuação.


Hermione afastou-se nadando para longe. Ser chamada de ignorante não era fato raro. Desde que passara a cuidar da fazenda, muitas pessoas a chamavam de coisas tão degradantes quanto. Xucra. Assexuada. Bruta.


Uma palavra a mais, uma a menos, que diferença fazia?


Nenhuma. Então porque se sentia tão magoada?


 


 


 


AUTORA: Seguinte,  como está tendo muitos pedidos por atualizações diárias, eu vou atualizar diariamente.  Tenho capítulos para postar diariamente até  o dia 10/12.


Depois disso, são capítulos que dependerão da evolução da escrita, do meu tempo livre, da inspiração e da disponibilidade da minha beta, sendo assim depois do dia dez, as atualizações podem voltar a ser dia sim dia não, ou até demorar mais. Quem for contra a possibilidade de ter que esperar em dezembro, se manifeste, ok?


P.S: minha beta deve ter enfartado agora.


P.S: meu MSN está mortinho, por isso se deixei alguém falando sozinho, foi sem querer, ok?


Beijos a todos!!!!! 


Capitulo 18 - FERIDAS


 


 


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