CAPITULO 14 - RAIVA
Sozinha no quarto, ela correu para a porta, se apoiando atrás dela na vã e infantil tentativa de barrar a passagem dele caso tentasse voltar. Seu corpo tremia e ela escorregou para o chão, sem poder conter as lágrimas que vinham à revelia de sua vontade.
Assustada, ela cobriu as pernas com a camisola e juntou as pernas ao queixo, se abraçando num canto, amedrontada e solitária.
Seu corpo doía pelos apertos e pela força que usara contra ele, e seu corpo estava estranho. Sentia os seios inchados e doloridos, latejantes e isso não era culpa dele, assim como entre suas coxas uma sensação estranha a tomava e a fazia querer coisas que nao saberia nomear. Sua respiração estava fraca e arfante, mas não sabia se era por conta dessas sensações ou da luta.
Ela passou uma das mãos sobre o seio e o sentiu palpitante. Sem compreender o que se passava, ela retirou a mão, assustada. Sentira essa mesma estranheza ao acordar e sentir o quão perto ele estava.
Fechando os olhos, ela tentou esquecer-se do rosto másculo a centímetros do seu. Tentou apagar a imagem dele adormecido, viril e protetor, abraçando-a como se fosse de porcelana, tentou em vão esquecer a sensação deliciosa que sentira naquele momento.
Essas lembranças não iam embora, assim como o gosto de seus lábios sobre os dela. O que fora aquilo, ela não sabia! Suas línguas se tocando, os movimentos de seu quadril contra o dela... fechando os olhos fortemente, ordenou-se a esquecer!
Ela pulou assustada quando a porta abriu-se e alguém entrou.
-Oh, pobrezinha! – a voz de lamento a fez olhar para Juanita em pânico. – O que esse animal fez com você? – ela se aproximou e Hermione afastou-se acuada – Não vou te machucar, sou mulher como você, nunca machucaria outra igual a mim – ela disse apenada.
Hermione deixou-se tocar e as lágrimas eram demais para conter. Sentia vergonha. Muita vergonha.
-Ouvi os gritos, não podia intervir, mas ouvi os gritos. Ele te bateu, foi isso? Eles fazem isso às vezes, são animais, todos os homens, são animais!
Hermione deixou que ela a abraçasse, sem saber por que permitia e Juanita continuou falando, e lamentando a sorte de todas as mulheres.
-Não chore, às vezes Suares também me bate. Só quando bebe, mas eles são assim – ela acariciou seu rosto tentando sorrir - era pior no saloon... acredite, era pior no saloon! – havia mágoa em seu olhar e Hermione entendeu o quanto essa mulher escondia de sua dor para viver e sobreviver.
-Ele... não me bateu – disse confusa, sentindo-se estranha ao dizer essas palavras.
-Não? Vocês estavam gritando tanto... – ela ajudou-a a se levantar e sentar na beira da cama.
Envergonhada, Hermione não conseguiu encarar a mulher.
-Porque não estavam em seu quarto? – Juanita perguntou olhando em volta, para a cama desarrumada.
-Estou bem agora - ela disse baixo, não querendo explicar. – Por favor, gostaria de ficar só...
Juanita ficou em dúvida por um instante, mas incomodada e magoada de ser excluída ela concordou e deixou-a.
Hermione ficou um longo tempo encolhida sobre a cama remoendo sua desgraça e a vida terrível que se apresentava diante dela.
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O trabalho rendeu naquela manhã. A raiva o impulsionava e ele foi um tirano cobrando dos homens mais do que eram capazes de fazer e exatamente ao meio dia eles estavam prontos para mandá-lo calar a boca, quando Juanita avisou que a comida os esperava na mesa.
Ela também não estava com o melhor dos humores e eles não ousaram reclamar.
Rony sentou-se para almoçar sem o menor apetite. Por ele engoliria um copo de leite e estaria de bom tamanho, mas tinha que comer e ter forças para acompanhar o trabalho no campo, ou não poderia mais continuar com essa vida. Ser fazendeiro era muito diferente de ser advogado. Era um trabalho de força e resistência e ele tinha que acompanhar esse ritmo, pois era a vida que escolhera.
A empregada lhe lançava olhares inconfundíveis e ele se pegou pensando nas coisas horríveis que estariam passando por sua cabeça sobre o tipo de homem que era. A ausência de Hermione era notada, claro, mas ele não diria nada.
Se ela não queria comer, azar o dela!
Terminado o almoço, ele partiu com os outros para a plantação. Era fim de tarde quando voltaram. A cerca estava reconstruída e reforçaram um dos lados da propriedade, tendo inclusive permitido que um dos empregados, Rúbeo construísse uma casa ali nos fundos, na divisa entre a fazenda dos Granger e Wesleys. Um casebre para orações. Algo sobre a cidade ser longe demais para ir a todas as missas de domingo.
Exaurido, ele apanhou o prato e decidiu jantar fora do celeiro. Queria paz e silêncio. Sossego para se martirizar pela péssima idéia de se deixar levar pela vontade de comprar aquelas terras. Que idéia infame achar que poderia conviver com aquela mulher louca!
O sol descia no poente e era um espetáculo único, algo que não se via nas cidades de capitais. Aquele silêncio também era raro.
Terminou o prato ouvindo o som dos risos que vinham do celeiro, adaptado como refeitório. Isso o irritou profundamente.
Deixando o prato no chão, na área de trás, ele entrou achando que aquele era o momento perfeito para conversar com Hermione.
Não que esperasse que ela ouvisse ou algo parecido, mas ao menos poderia demonstrar que estava arrependido.
Não que estivesse, na verdade ele queria mais, mesmo assim ela não queria e não era homem de forçar uma mulher. Não que pretendesse desistir, apenas mudaria de estratégia.
Enquanto trabalhava no campo ele tivera algumas idéias. Não havia mulher no mundo que resistisse a sedução. Presentes e agrados. Talvez demorasse, mas ele teria paciência dessa vez.
Ainda mais agora que sua arma estava muito bem escondida.
Olhando na cozinha, onde esperava encontrá-la jantando não a achou, ele seguiu para a sala e nada. Deveria tentar o quarto.
Deu duas batidas suaves, esperando ouvir sua resposta e ao não ter resposta, ele entreabriu a porta.
Também estava vazio.
Nota da Beta: A Mione adora fugir e deixar o Rony louco né, eu também adoro!