CAPITULO 6 - RAÍZES
Rony havia esquecido como era bom estar em casa. Haviam dez dias que estava entre os seus e cada dia parecia que era melhor que o outro. Dias que fluem facilmente, tão diferentes de alguns dias na cidade, quando o mundo parecia parado.
-Não sei se é uma boa idéia – Arthur disse de pé ao seu lado.
Os dois estavam apoiados na cerca que delimitava a fazenda dos Wesleys e fazia fronteira com os Granger.
Ao longe era possível ver a casa e os campos, e era uma pena um lugar tão bonito e produtivo estar tão abandonado. E isso se dera mesmo antes da morte dos Granger.
-Percy garantiu que até o final desse mês a fazenda será leiloada – ele disse pensativo – tenho parte do dinheiro e seria perfeito podermos estender a fazenda por mais alguns hectares. Além disse é um ótimo investimento.
-Mas é caro demais, meu filho – ele disse e lá no fundo de sua voz havia mais. Algo que o incomodava.
-Posso conseguir um empréstimo no banco. – ele disse pensativo e empolgado com a idéia – É perfeito. Arremato a propriedade facilmente.
-Sim, à custa de uma desgraça – Arthur disse mascando fumo e cuspindo longe.
-Não é minha culpa, pai. Eu nem estava aqui quando aconteceu. São apenas negócios – defendeu-se.
-Mas e Hermione? – ele perguntou ainda pensativo.
-Se ela é tão boa no trabalho como dizem, pode ficar um tempo. Pense pai, é melhor para ela trabalhar num local onde a respeitem, do que ir para a rua, não é?
Arthur concordou, mas havia algo o incomodando.
-Porque não me diz o que pensa – ele falou ao pai e Arthur sorriu.
-Uma coisa que passou pela cabeça de sua mãe, e confesso, estou pensando muito nisso. – ele contou – Hermione não pode continuar com a hipoteca, o banco não quer se arriscar por ser mulher, mas se ela se casar, seu marido terá direito a continuar pagando a hipoteca, e acredite a propriedade sempre gerou o suficiente para o pagamento, mesmo rendendo pouco, e com a mão firme de um homem que possa investir em poucos anos a dívida estará quitada. Penso se não seria um bom investimento.
-Casar com ela? - Ele quase riu.
-Não precisa ser você. – ele disse pensando ainda – Carlinhos e os gêmeos ainda não se casaram. Com um pequeno empurrão eles podem se decidir.
-Aprovaria um casamento com essa mulher? - ele fitou o pai com incredulidade. – é mais fácil casar com um homem, do que com ela!
-Você a viu num péssimo momento, meu filho. Venha, quero apresentá-los.
-Para que? -ele protestou – Já tive uma amostra do que ela é capaz!
-Se quer comprar a propriedade é melhor lhe fazer uma oferta de trabalho antes, ou o cavalo será apenas um pressagio do que ela fará com você – ele disse numa zombaria e Rony foi contrariado atrás do pai.
Imagine ele se casar com aquela louca? Nem em sonhos!
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Hermione teve dificuldades para recolher as ovelhas e quase não conseguiu reunir o gado em seu cercado, ponderando que teria que vender algumas cabeças, pois não conseguiria cuidar delas todas sozinha.
Tirando o lenço que prendia seus cabelos ela soltou a trança e parou na varanda da casa, olhando ao longe.
Dois cavalos seguiam pela rua de terra e imediatamente, ela apanhou a arma escondida sob a roupa. Conhecia Arthur Wesley, mas não estava em uma posição favorável. Não custava ficar alerta. Deixando a arma na cintura, ela esperou.
O homem que o acompanhava era o mesmo que vira na estrada. Pelas suas contas, deveria ser o sexto filho, que pouco ela conhecera.
Estava suada e cansada do árduo trabalho e tudo que precisava era sentar-se e descansar uns minutos, mas não demonstraria fraqueza.
Respirando fundo, ela esperou. Arthur cruzou a porteira e fechou-a antes de subir novamente em seu cavalo e se aproximar a frente do filho.
-Hermione – ele cumprimentou tirando o chapéu e olhando para ela com olhos estreitos – Como vai indo por aqui?
-Vou indo bem – ela respondeu seca e direta, olhando para ele.
-É um trabalho puxado - ele disse observando ao redor – mas está fazendo um bom trabalho - ele acrescentou e notou sua expressão suavizar apenas por um segundo – pensei em mandar alguns homens meus trabalharem aqui e ajudá-la – ofereceu.
-Porque isso agora? - ela perguntou não gostando do modo como ele olhava em volta.
-Podemos apear? - ele perguntou notando a arma em sua cintura.
-Prefiro que não - ela foi sincera e ele meneou a cabeça concordando.
-Como queira. Esse é meu filho, Ronald, não deve se lembrar dele. Estudava fora. – Arthur olhou bem para ela, e então para o filho – Podemos conversar a sós, Hermione? Um instante?
Ela olhou para Arthur Wesley em dúvida. Fora um leal amigo do seu pai, mas também era seu vizinho de cerca. O mesmo que não movera uma palha para ajudá-la em todos esse dias de sofrimento.
-Preciso entrar – foi categórica.
Arthur olhou para o filho e esperou.
-Meu pai quer lhe fazer uma proposta – ele tomou a frente, detestando o ar autoritário e arrogante dela – Uma proposta que vai beneficiá-la.
-Que proposta? – perguntou apenas por curiosidade, pois não estava interessada em nada que pudessem lhe oferecer.
-Essa fazenda é grande demais para ser cuidada por apenas uma pessoa – ele disse direto, deixando seu pai de fora – tenho o dinheiro para arrematá-la no leilão que o banco vai oferecer no final do mês. Estou decidido a fazer isso – imediatamente notou a expressão dela mudar de surpresa para horror. – Não é algo discutível. E por favor, não se atreva a erguer sua arma para mim novamente – ele disse apesar dela estar imóvel paralisada pelo susto - meu pai contou como é eficaz com a fazenda e em como manteve esse lugar nos últimos anos. Posso mantê-la como agregada no início, até conseguir se estabelecer.
Hermione olhou para aquele homem que falava como alguém que nunca morou naquela terra, e então para seu pai.
Será que ele não entendia o que estava dizendo? O que significava para ela? Vinha se agarrando a esperança vã de não aparecer comprador. De não haver ninguém sem coração capaz de tirar suas terras dela. Quem sabe desse modo, mostrando ao banco que era capaz de pagar, e sem comprador, eles pudessem aceitá-la e manter a hipoteca até o fim?
Mas agora, vendo seu rosto sorridente, ela soube que o mundo não prestava. Tantos dias pensando e tentando se convencer que aquele assassino não passava de um doente e que nem todas as pessoas eram assim, e ela via essa vã esperança cair por terra.
-Não é comigo que deve falar, e sim com o banqueiro – ela disse friamente. – Quanto ao trabalho, não o quero. Se não tiverem mais nada a dizer, por favor, vão embora.
Com o pouco de orgulho que ainda lhe restava, ela virou as costas pronta a trancar-se dentro de casa e desabar. Segurava o pranto. Segurava um grito de perca. Segurava o mundo em suas costas. Mas não desabaria na frente daquele engomadinho sorridente! Não mesmo!
-Espere Hermione! – Arthur gritou e ela parou. – Em nome da amizade que tive com seu pai, me ouça!
Contrariada ela se virou e ficou ao longe, olhando apenas para Arthur.
-Não era essa a proposta que vim lhe fazer. Meu filho é um idealista. Um doutor, não entende nada dessa vida que temos aqui – ele disse mais brando – Acredita que o pequeno Rony me voltou com um diploma de advogado. – ele riu e ela não teve humor para achar graça – Eu pensei numa idéia mais justa para todos nós. Tenho quatro filhos solteiros. Carlinhos, Fred, George e Rony. Casando-se com um deles, essa fazenda continua sendo sua, e ao mesmo tempo da nossa família. O que diz? Uma troca justa?
-Não quero me casar. Não vou me casar – ela disse séria. Nada no mundo a faria se casar.
-Ao menos pense nisso, filha - ele disse ameno, entendendo sua dor – Meu filho tem condições de investir na fazenda e fazê-la prosperar, como sua esposa teria todo o direito à fazenda. Seria uma vida confortável. Muito melhor do que a vida que tem levado ou a que vai levar quando a fazenda for leiloada. Sabe disso, Hermione. É uma jovem inteligente. Juntar o patrimônio de duas famílias vizinhas é uma idéia acertada, ainda mais na sua situação. – ele olhou para Rony que não parecia nada feliz com essa idéia – embora Rony seja cabeça dura, ele sabe que não tem todo o dinheiro. Essa solução seria a saída perfeita para os dois. Rony conseguiria se estabelecer aqui, como é de sua vontade, e você... levaria a vida com mais tranqüilidade.
-Não – ela disse decidida, achando a coisa mais estúpida do mundo estar ouvindo aquilo! Como ela poderia sequer cogitar a idéia de passar um minuto ao lado daquele homem? Impossível.
-Vamos, pai. Ela não quer ouvir - ele disse decidido a ir embora. Levar um não de uma mulher desesperada era o fim.
Era só olhar para ela para notar o quão perto essa mulher estava de cair. Magra demais, pálida demais. Seu corpo parecia dançar no vestido que já era pequeno demais, prova que ela emagrecera subitamente nos últimos dias. E se algum dia houve suavidade em seu olhar, com certeza, havia sido no passado, um passado muito distante.
-Pense Hermione, muitas pessoas fazem isso. Casamentos de conveniência são comuns. Resolveria o problema dos dois. Você diz que não quer se casar, muito bom que seja assim, não terá que se arrepender por ter um casamento de fachada e Rony, terá as terras que deseja. Um lar, uma esposa que cuide da casa. É a melhor troca. Sem brigas, sem sofrimento. Vamos, diga ao menos que irá pensar sobre isso.
-Não! – ela foi categórica.
-Esqueça pai, ela é boa demais para mim – ele ironizou.
-Não pedi que viessem aqui – ela disse cansada.
Por um segundo ele notou isso, que ela se deixou ver cansada. Profundamente cansada.
-Esse sol está nos matando, Hermione – Arthur disse sorrindo - Porque não nos deixa entrar e nos oferece um café.
-Eu... Não tenho café - ela disse fechando os olhos – por favor, vão embora.
Sentia-se humilhada.
Parte de sua mascara de força estava no cão, e ela virou-se entrando na casa. Seus passos eram firmes, mas seus ombros estavam caídos.
Rony olhou para o pai se sentindo um escroto. Era a vida daquela jovem que estava perdida e ele lidava como se fosse apenas um negócio entre empresários da capital.
Viver naquele local exigiria mais do que conhecimento, ou dinheiro. Exigiria respeito.
Sentiu- se um pouco temeroso sobre a reação dela se o visse andar pela propriedade, mas ele apeou do cavalo e olhou em volta. Era uma fazenda e tanto e estava bem cuidada. Dentro do possível, estava bem cuidada.
Valia o sacrifício de casar-se com uma megera. Uma megera de fibra, mesmo assim; uma megera. Conhecera muitas mulheres em seu tempo de capital, e muitas delas seriam incapazes de segurar uma pá. Pensando na vida que teria como fazendeiro, sim, essa mulher seria perfeita.
Talvez seu pai tivesse razão.
AUTORA: Por hoje são 6 capítulos que dão uma idéia de como será a fic, embora confesse, ela andou saindo do controle e já está de ponta cabeça!!!! Era para ter capítulos pequenos, mas estão maiores a cada dia Tb!
Aguardo as opiniões e criticas!
Beijos.