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3. Capítulo 3


Fic: Cliché Love Story


Fonte: 10 12 14 16 18 20
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“See once in a while, once in a blue moon, people will surprise you, and once in a while people may even take your breath away” – Grey’s Anatomy.
Capítulo 3
Meu cabelo definitivamente não parece mais o meu cabelo: sem corte, sem brilho, parecendo que não vê uma escova há dias. Ele brilha, está sem pontas secas, e, cara, eu tenho uma franja! Eu nunca tive coragem de ter franja na vida.

- É meu cabelo mesmo? – perguntei, e vi que Dylan e Petúnia suspiraram aliviados. Provavelmente por causa do “ai meu Deus” que eu soltei depois de me olhar no espelho. – Ficou bonito.

Dylan ainda me disse como eu deveria cuidar dele, Petúnia pagou pelo corte (e eu não quero saber quanto toda essa história custou) e depois fomos para casa.

Assim que chegamos lá, Petúnia disse que ia dar uma olhada no meu armário. Ela disse que ia decidir o que eu podia e o que eu não podia vestir – e ela fez isso. Surpreendentemente, tinha muita coisa no meu armário que eu posso continuar a usar.

Depois de tudo que ela fez, comecei a me sentir mal por não ter deixado ela estudar. E por ter dito que ia ajudá-la com um conteúdo que eu não aprendi.

- Túnia, muito, muito obrigada por hoje – falei, sentada na minha cama enquanto ela terminava de revistar minhas roupas. – A gente meio que se odeia, então eu nunca imaginava que isso fosse acontecer...

- De nada. Você sabe que fazer isso não é nenhum sacrifício – disse ela, olhando para mim.

- Eu sei – concordei. – Mas estou me sentindo mal agora, porque, bem, eu não posso te ajudar com a Guerra Fria. Porque eu nunca estudei isso.

Ela deu de ombros.

- Tá, tanto faz – ela falou. – Joseph me ajuda com história quando minhas notas começam a despencar, e não é nenhum sacrifício ficar com ele, sentado do meu lado e falando “e então, Petúnia, relacione x com y; lembra que tudo na história é assim?”.

- Você não tem um namorado? – perguntei. Eu não gosto muito, por sinal, mas mesmo assim. Ela assumiu um compromisso. Certo?

- E daí, Lily? Só porque eu tenho namorado não quer dizer que preciso ficar morta pro resto dos garotos.

- Tá – falei, porque não dá pra argumentar contra ela, é sempre inútil. E eu nunca entendi o que ela vê no Dursley (o namorado dela); ele é estúpido demais para ser aceitável. Acho que seria muito melhor para ela se ficasse com alguém como Joseph, que é realmente adorável e já esteve aqui – sempre na terrível missão de ajudá-la coma as notas. Mas como eu disse, ele já esteve aqui e dá pra ver muito bem qual é o nível de interesse dele na Petúnia. Nenhum.

Isso não devia ser preocupação minha. Eu e Petúnia nem somos amigas, pra começar. Sabe aquelas pulseirinhas que tem pra vender naqueles lojões de descontos que dizem “Deus nos fez irmãs, mas a vida nos fez amigas”? Isso é algo que eu e minha irmã jamais poderíamos usar, porque a vida não nos fez amigas. Pois é.
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Não tem nada no mundo que eu goste mais do que dias chuvosos – quando eu posso ficar em casa, vendo filme e comendo a torta de nozes que a minha avó faz (sim, eu gosto de nozes). Só que quando eu tenho que ir para a escola, mesmo que seja de carona com a minha mãe, não é legal.

Não é legal descer do carro e me molhar. Não é legal não poder sair na rua no intervalo. Não é legal quando eu tenho de ir pra casa de metrô, porque eu tenho que andar da escola até a estação, e da estação até minha casa.

Então, por isso hoje é um dia tão ruim. E poderia não ser, porque a próxima aula é história e eu amo história. E Potter está em história comigo, e talvez eu ache um jeito de subir a nota dele nessa aula também, e ele fique com pena dos meus esforços e me chame pra sair. E daí eu poderia considerar que fiz pesquisa suficiente para escrever meu conto. Podia ser assim. Rápido, fácil e indolor.

- Evans! – chamou uma voz atrás de mim, enquanto eu andava lentamente até meu armário. Já que ainda faltam uns quinze minutos para a aula começar. Odeio chegar cedo na escola.

Eu me virei, já sabendo quem é. James também chega cedo na escola, ao que parece.

- Oi – eu disse.

Ele abriu a boca pra falar, mas a fechou e inclinou a cabeça uns 10 graus. Deve ser porque eu estou diferente hoje. Hahaha. Deve ter alguma coisa atrás de mim. Eu virei a cabeça levemente, mas a única coisa que eu vi foram alguns alunos andando. James parece ter se recuperado nesse milissegundo.

- Obrigado por ter me mandado aquele negócio ontem, de Sonho de uma Noite de Verão. É muito útil

- Ah, claro. Achei que seria – falei, sem saber o que dizer. – De nada – me ocorreu que a forma mais adequada de responder a um agradecimento é dizer isso. “De nada”, quero dizer.

James passou a mão pelo cabelo e ia começar a falar, mas alguém fez isso primeiro. Um garotinho parou ao nosso lado e chegou falando.

- Ei, James. Já sabe que aquele garoto do Brasil entrou pro time? – ele perguntou. Time? Com certeza estão falando de futebol, agora qual time, que garoto... Não faço a menor idéia. Mas eu não sabia que James faz amizade com a pirralhada as crianças.

- É mesmo? Cara, isso é ótimo. Ele tem um pu... um talento enorme – James falou. Tenho certeza de que ele quase deixou escapar “puta talento”, mas se refreou. Não que as crianças de hoje não falem mais palavras de baixo calão (haha) do que eu usei em toda minha vida. – Também, as origens dele não me deixam mentir.

O garoto assentiu contente e olhou para mim.

- Oi – ele falou.

- Kyle, essa é Evans. Lily – ele se corrigiu. – Lily, Kyle.

- Oi. – eu sorri, embora nunca tenha sido grande fã da criançada em geral. Mas estou tentando mudar isso. Algum dia quero ter uma família, quero ter filhos. Só não sei como vai ser, já que assim que elas completam uns quatro anos a minha paciência para com elas se esvai.

Kyle se afastou e James riu pra mim.

- Não sei se você sabe, eu treino o time deles às vezes...

- Não sabia que você era treinador também – eu disse. – Só que você joga.

- Não, eu não sou. Mas quando o treinador Ford não pode aparecer, eu substituo – ele explicou. – Porque, sabe como é, eu sou alguém responsável e inteligente o suficiente. – Ele riu.

- Saquei – eu disse. – E aí, prefere jogar ou treinar?

- Que pergunta, Evans. Jogar, é óbvio. Mas treinar é legal também, tem que saber muito de futebol, e saber pensar. E os garotos me respeitam pra car... caramba.

- James, se você quiser usar seu vocabulário chulo na minha frente, não vou me ofender. Você não precisa ficar se controlando – eu disse, rindo, uma vez que ele continuou com a supressão dos pensamentos originais.

- Quê? – ele perguntou, passando a mão no cabelo de novo, parecendo confuso. Mas eu não sei se ele realmente está confuso ou é puro fingimento.

Eu disse que precisava pegar uns livros e deixar outros no meu armário, e ele disse que me via na aula. Encontrei Lene no caminho do meu armário; ela estava vindo da outra direção, provavelmente do armário dela.

- Lily – ela disse, parando na minha frente. Eu parei também. – Posso falar com você?

- Claro que pode – eu respondi, espero fazer as pazes. Eu não gosto de brigar com minha amiga mais próxima, minha melhor amiga. – Mas eu preciso ir até meu armário, então podemos falar e andar ao mesmo tempo?

- Podemos – ela concordou, e recomeçamos a andar. – Lily, você sabe que eu não queria brigar com você na sexta-feira, não sabe?

Eu assenti, mas não disse nada.

- Mas eu não pude evitar aquela discussão, Lils. Porque eu nunca imaginei ver você fazendo alguma coisa dessas, sabe? Eu não sei se você vai machucar o James, eu não o conheço, eu nem sei se ele poderia ser quem machucaria você. Mas não é isso – ela falou, fazendo gestos com as mãos, o que é algo muito comum para Lene. Paramos no meu armário, e ela continuou a falar. – É só que eu não concordo com o que você vai fazer.

Eu abri a boca para protestar, mas ela me interrompeu.

- Não, Lily, espera, ainda não terminei de falar. Eu não concordo. Mas você sempre soube o que estava fazendo, o que é melhor pra você. E se você quer correr atrás de um sonho, não sou eu quem vai impedir. Por mais que eu não concorde, eu vou estar do seu lado. Porque você é minha melhor amiga.

Eu finalmente me virei para ela.

- Vai mesmo? – Ela assentiu. – Lene, eu sei que o que eu estou fazendo é errado, mas ele vai sobreviver, não é como se ele sentisse um amor profundo e intenso por mim ou qualquer coisa assim.

- É, não é – ela concordou, mas parecia em dúvida quanto a essa afirmação. – Então, amigas? – perguntou entendendo a mão direita.

- Amigas – concordei, a abraçando. E depois tive que virar as costas para terminar de pegar meus livros no armário. – Eu tenho que ir pra história agora, não posso ficar no século XXI.

Péssima piada.

- História? – ela abriu um sorriso. – Diga ao Sr. Turner que eu mandei oi.

Então, a história com o Sr. Turner é que três quartos das garotas da Marion Collins School têm uma quedinha por ele – até mesmo aquelas garotas que não são suas alunas (e o outro quarto é formado pelas garotas jovens demais – tipo até os 11). E a verdade é que muito difícil pensar nele como Sr. Turner, porque ele tem tipo, 25 anos, e começou a dar aula aqui com 23. A escola deu a oportunidade bem cedo para o Sr. Turner – ou Paul – porque ele estudou no colégio a vida toda, e, sabe como é, foi um gesto. Um gesto legal, porque Turner não é só bonito, com seus olhos azuis como o céu e tudo mais, mas ele é um ótimo professor. Não que eu tenha uma queda por um professor, isso é ridículo.

- Vou dizer – eu concordei. – Quer uma vaga nas aulas dele também? A gente pode arranjar isso.

Porque Lene tem história com a professora mais carrasca da Marion Collins. Então, acho que outro motivo para tantas garotas amarem o Turner é que muitas delas deixaram as aulas da coração-de-pedra para ter aula com o cara de olhos azuis e bom humor.

- Você sabe que esse é meu maior sonho, Lily. – Marlene suspirou. – Mas isso não pode ser arranjado.  Se eu quisesse justificar a minha troca de aula, seria com: “Minha melhor amiga está lá”; o que eles querem é separar os amigos, para não atrapalharmos nas aulas. Ou eu iria com “Gioconda é o diabo em pessoa”; iam me colocar na detenção. Ou “Paul Turner é muito gato”; iam me mandar para a psicóloga para discutir sobre como não é assim que devemos enxergar nossos professores.

- Têm razão – eu falei.  – Mas se você não ficasse pensando em conseqüências que você nem sabe se vão vir, seria mais feliz.

- Eu não estou infeliz por ter aula com uma carrasca, Lily. Isso é bom para desenvolver o caráter. – Ela deu de ombros. Marlene adora falar sobre desenvolver o caráter também.

- Claro – concordei, irônica. – Estou indo para a aula, aproveite a educação física. – Eu ri, porque Lene também odeia educação física.

- É, com certeza.

E daí segui para a sala do Professor Turner. E eu esqueci completamente de fazer o dever de casa. Odeio lembrar do dever de casa ao passar pela porta da sala de aula.

- Hey, professor Turner – eu disse quando entrei na sala, olhando no relógio. Quatro minutos para o sinal tocar; será que eu consigo responder as não-me-lembro-quantas perguntas sobre Revolução Industrial em quatro minutos? Cara, já é a segunda vez que eu estudo isso na vida, deveria poder.

- Lily – alguém me chamou quando eu estava prestes a me sentar, e eu não precisei virar para saber que era Potter.

Mas me virei mesmo assim, para dizer:

- Sim?

- Eu e Sirius estamos tendo uma discussão aqui, e a gente precisa de uma opinião feminina.

- Ah, é? – eu andei até eles e sentei na classe da em frente. – Qual é a questão?

- Garotas gostam de falar de sentimentos, certo? – Black perguntou.

- Não necessariamente – eu respondi. – Quando necessário. Garotas não tem aversão à conversas sobre sentimentos – expliquei, sem ter a menor idéia de onde ele quer chegar.

- Tá, que seja – Sirius disse, para poder continuar apresentando a questão. – O negócio é que uma garota me chamou no MSN ontem para dizer que me ama. Que é apaixonada por mim. Não tenho problema com isso, mas eu nem me lembrava dessa garota. Porque eu devo ter falado com ela umas duas vezes, meia dúzia de palavras. Garotas se apaixonam com essa facilidade? É por isso que elas transformam tudo em drama?

- Primeiro que nós não transformamos tudo em drama, ok? E não, garotas não se apaixonam com essa facilidade. Não sei vocês perceberam, mas amor é bastante banalizado hoje em dia. Conheci um cara há uma semana e ele bonito? Eu o amo. Tenho umas colegas de escola com quem eu saí pra comprar sapatos um par de vezes? Eu as amo. É assim. – dei de ombros. O sinal tocou, mas os alunos se demoraram a fazer silêncio. E alguém que recém entrou está falando alguma coisa com Turner, então tanto faz.

- Uau, James, nós temos uma romântica aqui. – Sirius riu.

- É. Podem me processar.

- Não – James discordou. – Eu concordo com você.

- Concorda? Porque ninguém nunca concorda comigo. Me dizem que só porque eu sou fria e sem sentimentos não quer dizer que todo mundo tenha que ser assim. Uma vez minha irmã disse que eu só tenho essa opinião porque eu sou alguém incapaz de amar.

- E você não é? – James perguntou, fingindo seriedade. Só que mesmo que esteja fingindo, não era para ele perguntar isso.

- Claro que não – neguei rapidamente. – Eu tenho sentimentos. Bastante, na verdade. E eu gosto de muita gente. Só que amar às vezes é um pouco demais.

- Amar é sempre demais – Sirius falou, e eu tive que olhar para ele. – Amor não existe. É só uma reação química no cérebro, você sabe. Ocorre a liberação da mesma substância que é produzida quando você come chocolate¹.

- Uau, James, parece que nós temos um cético aqui – eu disse, usando o mesmo tom que Sirius usou para dizer que eles tinham “uma romântica ali”.

- Não – James discordou de novo. – Sirius não concorda com isso, na verdade. Ele só assumiu essa posição para pegar qualquer garota que quiser sem se preocupar com os corações partidos.

- Blasfêmia, cara, blasfêmia – disse Sirius. Infelizmente não pudemos continuar a conversa, porque o aluno que estava falando com o Sr. Turner foi sentar, e a aula começou. O que é uma pena. Eu jamais teria imaginado uma conversa assim entre eu e Potter e Black. E eu gostaria de ver o curso que ela tomaria.

- Bom dia, classe – cumprimentou Turner, e a turma respondeu de maneira obediente. – Trouxe as provas de vocês hoje – ele anunciou. Eu me senti nervosa no mesmo instante. Quando notas vão ser entregues eu sempre me sinto nervosa, mesmo que tenha certeza de que fui bem, como é o caso.

- Como fomos? – alguém lá na frente, que é meu lugar habitual, perguntou.

- Foram bem, a média foi alta.

E daí ele começou a chamar os alunos para buscarem as provas, em ordem alfabética. Não demorou muito para chegar em Lily Evans.

Eu peguei a prova. No cabeçalho estava escrito um A em caneta vermelha.

- Quebrou uma seqüência de cinco A+, eu lamento. – Ele sorriu com a brincadeira. Porque eu realmente sou meio neurótica com notas, então entre A e A+ tem muito muita diferença.

- Acho que vou sobreviver – eu respondi, e voltei para meu lugar. Legal, errei duas questões.

Quando James voltou com a prova dele, eu dei uma espiada na nota. A+, desgraçado. Ele sentou e guardou a prova embaixo da mesa.

- Como foi? – perguntei, mesmo já sabendo.

- Fui bem – ele respondeu apenas. Isso me surpreendeu. Eu sempre imaginei que ele gostasse de colocar seus feitos expostos em um outdoor.

Sirius estava feliz também, por ter conseguido B sem estudar (e eu consegui A estudando que nem uma louca. Mas eu sou neurótica, ele não deve ser).

No final da aula, o professor Turner me pediu pra ficar na sala. Eu odeio quando os professores fazem isso, porque não é algo necessariamente incomum, e costuma vir seguido de “Lily, você está interessada em participar de um projeto?”. E eu nunca estou, mas muitas vezes acabo aceitando só para não decepcioná-los. Sem dúvida é isso que Turner quer agora. Um projeto sobre a Revolução Russa ou sei-lá-o-quê.

Eu esperei pacientemente olhando o cartaz na parede que falava sobre Napoleão Bonaparte – a matéria passada.

- Lily – Turner chamou e eu me virei para ele. – A escola me pediu um tutor para Clarissa Vermont. Sabe quem é?

Ela está um ano atrás de mim, e é uma vadia. Sério. E ela é uma cobra. Não, isso não é implicância. Não que ela já tenha feito alguma coisa contra mim.

- Sei.

- Bom, faz tempo que eu queria colocar você como tutora de alguém, mas os alunos que precisavam eram aqueles com quem eu sei que você não teria paciência.

O que é verdade. Um dos motivos que eu odeio ajudar os outros a estudar, sem querer ser maldosa, é que eu não tenho paciência com pessoas que estão num ritmo menos acelerado que eu. Mas se o professor Turner acha que Clarissa Vermont é alguém que eu gostaria de ajudar a estudar, ele precisa fazer uma pesquisa melhor.

- Então, o que acha?

- Claro, posso fazer isso.

Essa é Lily Evans. Nunca decepciona seus professores. Ele me passou o papel de monitoria com o nome do aluno, a data, a matéria. Maravilha.
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A aula seguinte foi física. A única coisa que faz essa aula ser um pouquinho melhor é o fato de Marlene estar comigo. De resto, é péssimo. É horrível passar quarenta e cinco minutos ouvindo uma professora velha e mal-humorada falando sobre dilatação. Dilatação pra mim é o que acontece quando uma mulher vai ter um bebê. Ok, brincadeirinha.

As aulas seguintes eram dois períodos de geografia, e apesar não estar com nenhum dos meus amigos nela, é uma aula boa. Bem dinâmica, sempre criativa. E eu adoro geografia a partir do momento em que nós saímos da geografia física, e isso já aconteceu.

Os outros dois melhores amigos de Potter faziam essa aula comigo. Remus Lupin e Peter Pettigrew. Remus é alto também, mas não tão alto quanto James, tem cabelo castanho claro arrumado, e usa roupas surradas e All Star. E eu sei que ele é tremendamente inteligente também, e é legal com todo mundo. É alguém com quem eu poderia me imaginar fazendo amizade. Peter é mais baixinho e com uns quilinhos a mais, o que o deixa com uma aparência atarracada. Ele tem cabelos mais compridos, da cor de pêlo de rato, e é meio esnobe. E bem, não sei se ele é inteligente, nós nunca nos falamos na vida.

Mas a missão não é fazer amizade com o clã todo, então me sentei no meu lugar habitual, na segunda fileira.

E depois, finalmente, almoço. Marlene, a melhor amiga ever estava me esperando na porta da sala.

- Hey, o que faz aqui? – perguntei.

- Eu estava há duas salas de distância, lembra? Na aula de sociologia?

- Ah, é – concordei. Não posso fazer nada se eu tenho dificuldade para decorar os horários dos meus amigos; já foi um parto decorar o meu. – Então, almoço?

- Que pergunta – ela disse, e nós começamos a andar. Na direção de que ela tinha vindo, devo acrescentar. – Hoje é dia de lasanha – ela comentou alegre. Lene ama tudo que tem massa. Lasanha ainda mais. Ela é amiga íntima do Garfield. Hahaha, péssima. Eu não nasci pra fazer piadas, eu sei.

É claro que eu encontrei com Potter assim que passamos pela sala de sociologia. É claro. Eu não sabia que Marlene faz essa aula com ele, mas quais seriam as chances?

- Oi – ele disse, andando ao lado da Marlene. Eu também não sabia que eles eram amigos. Tudo bem, eu não acho que eles sejam. Mas eu não me importaria com isso, de qualquer maneira. – Refeitório?

- Sim – Lene respondeu. – Hoje é dia de lasanha – ela repetiu.

Ele fez uma careta.

- Quando é que vai ter bife? – ele se perguntou em voz alta, e eu lembrei que era isso que ele queria ontem também.

- Carne é algo muito caro para se desperdiçar em refeitórios estudantis – Marlene respondeu. – Principalmente para nós, que temos que importar carne bovina.

- Que merda de país – ele comentou. E que belo comentário. Quem é que odeia o seu próprio país por causa de uns bifes? Ele deve mesmo estar com fome.

Nós passamos pela porta do prédio A, já que o refeitório fica no prédio em frente. A Marion Collins é dividida nos prédios A, B e C e a divisão é completamente aleatória (o que é horrível quando você é um recém-chegado, porque você não pode ir pela lógica “esse prédio é a área das ciências, esse da linguagem" e por aí vai. Você tem que decorar a planta).

Na entrada do prédio B tem um arco de pedra, com uma inscrição em latim. E mesmo que eu estude aqui desde os meus cinco anos, ainda não sei o que diz ali. E nem o por que de essa inscrição ser em latim, a nossa escola nem é muito antiga.

- Eu sempre quis saber o que diz naquele arco – comentei, enquanto nós caminhamos lentamente pelo pátio entre os prédios A e B, já que a chuva deu uma trégua.

- Quer dizer “a boa educação é a base do caráter” ou alguma coisa parecida – James explicou, olhando para o arco, embora dessa distância não seja possível ler as palavras.

Espera! Ele acabou de traduzir uma inscrição em latim? Quer dizer, eu sei que naqueles colégios internos de gente metida eles aprendem latim, por exemplo, mas é praticamente impossível encontrar alguém na Marion Collins que tenha essa habilidade.

- Você sabe latim? – eu perguntei pra ele, ainda sem acreditar.

- Uma meia dúzia de palavras – ele respondeu, dando de ombros. – Mas isso aqui foi algum professor que me explicou o que significa. Eu estudei latim por pouco tempo na época em que morava em Liverpool.

- Você morava em Liverpool? – eu perguntei. Interrogatório não, Lily.

- É, você não sabia? Eu vim estudar aqui com onze, mas antes disso eu morava em Liverpool.

- Eu realmente não sabia – respondi, surpresa.

James me surpreendeu a manhã toda. Ele definitivamente não é o que eu imaginei. Isso é bom. Mas eu só me aproximei dele por causa do conto. E se ele não for quem eu espero, não tem nenhum sentido nessa aproximação. Por mas contente que ele pareça com a história toda. Professora Cole, olha no que eu me meti.

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¹ Roubei de uma fala do Cal Langdon, personagem de Todo Garoto Tem (Meg Cabot) – “Você sabe que o amor não passa de uma reação química no cérebro causada por um pico de feniletilamina, não sabe? (...) É possível obter a mesma quantidade de feniletilamina, um estimulante a que a mente anseia, tanto ingerindo grandes quantidade de chocolate quanto, abre aspas, se apaixonando, fecha aspas”.
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N/A: Acho que esse capítulo ficou muito grande, principalmente considerando que nada acontece nele. Além de ficar bem claro que a Lily é neurótica com notas e uma nerd puxa-saco. Bom, pelo menos vocês conhecem as personagens um pouco melhor, enquanto elas vão se desenvolvendo (ou não).
Só pra avisar,  o sistema educacional da fic não é o britânico (nem o americano, muito menos o brasileiro – que são os que eu conheço mais ou menos), é tipo uma mistura dos três. É o sistema educacional da Cliché, pode ser? Hahaha.
Obrigada por lerem, pelos comentários e pelas visitas.

Fernanda M.

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